Masterbatch – Novo cenário obriga os fabricantes a investir em alta tecnologia e em produtos de qualidade

Plástico Moderno, osé Gonzaga, diretor-presidente da Coreplas, Masterbatch - Novo cenário obriga os fabricantes a investir em alta tecnologia e em produtos de qualidade
Gonzaga: em alguns casos, o tingimento é inviável

Vendas – Esses investimentos têm reflexo direto nos negócios. Para parte dos profissionais da área, o mercado está aquecido. De acordo com o diretor-administrativo da Allcolor, Sandro Borbi, aumentaram as exigências quanto ao apelo visual das embalagens. “Com isso cresce a utilização do master de cores e de efeitos”, afirma Borbi. Momesso tem uma opinião divergente. O primeiro semestre para a Vimaplas fechou com índices positivos, com incremento na produção da ordem de 7%, mas nem assim empolgou. “Esse foi um aumento normal de mercado”, comenta Momesso.

A Ampacet está confiante e projeta crescimento mais otimista. Para Paola, o aumento do faturamento pode alcançar dois dígitos. “Embora houvesse incremento do real, as exportações não diminuíram”, explica. De acordo com o gerente-comercial Julio Carlos Isola, as vendas na Termocolor cresceram 10%, neste ano, em relação ao ano passado. Para a Procolor, de Cotia, os ventos também indicam prosperidade. “Até o momento, tivemos um acréscimo na ordem de 12% em relação a 2006”, destaca Clauss.

Tingimento – “Cada vez mais aumenta o número de transformadores que migram do tingimento feito por meio de pigmento em pó ou do concentrado líquido para o masterbatch”, diz Momesso. Essa afirmação ajuda a justificar o tamanho da indústria do concentrado granulado. Em certa medida, o percurso trilhado por algumas empresas traduz esse movimento. A Macroplast iniciou suas atividades industriais com as resinas tingidas e hoje também atua com composto, blenda, distribuição de resinas e masterbatch. “Por uma exigência do mercado, a fabricação de masterbatches se fez necessária”, atesta Schumacher. No entanto, há aplicações nas quais o tingimento da resina natural com pigmentos é imbatível. Um desses mercados se refere ao automobilístico. “Quando você trabalha com material de engenharia, o tingimento se torna a preferência”, comenta Salussolia, da Bevi-Plastic.

Para Schumacher, os masterbatches têm maior abrangência em suas aplicações, tornando-se apto a mais processos, se comparados ao tingimento. Em contrapartida, o tingimento facilita a operação de dosagem e garante alta precisão e homogeneidade de cor e ou aditivação no produto final. “De forma generalista, podemos dizer que o tingimento oferece vantagens técnicas, enquanto os masterbatches vantagens relacionadas a custo”, explica. Segundo ele, nos casos em que há um grande número de cores distribuídas em pequenos volumes, usar resina tingida se torna menos viável em virtude do custo. Nesta situação o masterbatch leva vantagem pela redução da complexidade de estoque e de custo no produto final.

Com a isenção de quem também atua tanto com o masterbatch como com o serviço de tingimento, Gonzaga, da Coreplas, ratifica que o custo final do tingimento, em muitos casos, é inviável. No entanto, a preferência por esse processo se dá diante da necessidade de melhorias no processo, em relação à uniformidade de cor na peça final. Além do segmento automobilístico, a resina tingida tem penetração nos setores dos eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

Em geral, a resina tingida carece de um estoque mínimo de cada composto colorido. “Quanto maior o número de cores em seu portfólio mais vantajoso é o masterbatch”, comenta Momesso. Por ser um concentrado de pigmento já pré-disperso em resina veículo, o concentrado também oferece ganhos na limpeza da produção. “Os pigmentos são muito leves, ficando em suspensão no ar, o que pode ocasionar contaminação dos produtos que estão próximos à área de preparação de materiais”, completa o diretor da Vimaplas.

As melhorias feitas pelos fabricantes de masterbatches, de certa forma, protegem o setor. “Os concentrados de cor se desenvolveram muito nos últimos anos com relação à dispersão, e, com os equipamentos de última geração, hoje podemos extrair dos pigmentos e corantes seu máximo poder tintorial, contando até com auxílio de aditivos especiais e ceras”, observa Palermo, da Procolor. Para Salussolia, o mercado de concentrados está propício para investimentos em novas máquinas; com isso, o tingimento perde sua força de penetração.

Novo desenho – Apesar de haver uma parcela de consumidores que opta pelo masterbatch em detrimento da resina tingida, de forma geral, o setor cresce de duas maneiras: via aquisição de outras companhias ou pela ampliação da capacidade.

Grandes fusões remontam o passado recente dessa indústria. Alguns exemplos ficam por conta do grupo norte-americano Ampacet que comprou a fábrica da Corland, em Camaçari-BA, e da Macroplast, empresa responsável, desde 2004, pela Divisão de Masterbatches América Latina da Basf. À sua maneira, a Clariant fez o mesmo percurso. Em 1995, adquiriu a antiga Syntechrom e, durante a Brasilplast 2007, anunciou a compra da PlastiColor, na Guatemala. Ano a ano, fusões e encerramento de atividades redesenham o setor. Em 2006, duas empresas do sul do País, uma em Caxias do Sul e outra de Novo Hamburgo, fecharam. “A nossa empresa (a Polimaster) foi sondada por duas outras grandes do segmento”, exemplifica Reichert. Galaso, da Cromex, também não descarta o desenho de um novo cenário para o masterbatch. “Existe sim a tendência dos grandes abocanharem os pequenos”, diz.

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