Masterbatch – Fabricantes já se preparam para atender demanda

Recuperação

Nesta segunda metade do ano, alguns sinais parecem prenunciar o início de um processo de re-estimulação da demanda no mercado brasileiro de masterbatches.

E, confirmada essa perspectiva, a retomada de um ritmo mais intenso de desenvolvimento de negócios será bem-vinda por essa indústria, mesmo não sendo esse movimento capaz de compensar de maneira imediata os impactos negativos das enormes dificuldades enfrentadas pelo conjunto da economia brasileira, problemas que se mantiveram, ou mesmo se agravaram, no primeiro semestre.

Independentemente, porém, de um mercado ainda pouco ativo – ou se preparando para um eventual reaquecimento –, os fornecedores de masterbatches em operação no país mantêm alguns investimentos, com os quais contemplam tanto seu aparato produtivo, quanto a estrutura de prestação de serviços.

E seguem integrando às suas ofertas produtos capazes de agregar diferenciais ao design dos artigos em que estarão inseridos – no caso das cores – e melhorar o desempenho do processo de sua produção, com o uso de aditivos.

Na segunda dessas duas vertentes de mercado, a dos aditivos, destacam-se alguns produtos atualmente utilizados em escala bastante significativa, casos dos auxiliares de fluxo, dos antiestáticos, dos deslizantes, dos agentes anti luz UV, dos compatibilizantes, dos dessecantes (estes, alvos de demanda crescente, por permitirem a redução do custo com a energia necessária à secagem do material a transformar), por exemplo.

Embora, por enquanto, a tarefa de conferir cor às resinas ainda predomine quantitativamente nos negócios realizados pelos produtores de masterbatches, nota-se também uma expansão do interesse por compostos nos quais o elemento que confere essa característica visual traga consigo agentes destinados a agregar produtividade, qualidade e redução de custo aos processos produtivos.

Plástico Moderno, Luiz Carlos Reinert dos Santos, diretor da Cristal Master - Masterbatch
Luiz Carlos Reinert dos Santos – Cristal Master

Tal demanda pode, inclusive, exigir vários aditivos em um mesmo composto:

“Hoje desenvolvemos muitos projetos nos quais além da cor há um, dois, ou mesmo três aditivos”, diz Luiz Carlos Reinert dos Santos, diretor da Cristal Master.

“Podemos ter, por exemplo, um antimicrobiano, um auxiliar de fluxo e um antiestático”, detalha.

A Cristal Master está agora colocando quatro novos produtos no mercado, e para lançá-los aproveitará a nova edição da feira Interplast.

São eles: um agente interfacial compatibilizante para polímeros e cargas; um antimicrobiano contra bactérias e fungos; uma resina que promove a expansão de camadas internas no processo de rotomoldagem; e o Viscopet, destinado a aumentar a viscosidade de PET reciclado.

Por sua vez, a Procolor deu início neste ano à comercialização de um aditivo anti-odor e também de outro, no qual a atuação anti-odor se combina com o trabalho de um dessecante.

Plástico Moderno, Roberto Clauss, diretor presidente da Procolor
Roberto Clauss – Procolor

Ambos são dirigidos aos usuários de resinas recicladas, e, de acordo com Roberto Clauss, diretor presidente da Procolor, já fazem parte do grupo dos produtos mais vendidos pela empresa.

A Procolor agregou ainda a seu portfólio cores como Rose Quartz, Azul Serenity, Azul Snorkel e Verde Flash. “Há uma tendência de cores pastéis”, observa Clauss.

“Mas as cores geralmente vêm por demanda dos clientes, e nós investimos em tecnologia que nos permita atender às demandas colocadas por eles”, complementa o presidente da Procolor.

Também na Colorfix o rol de lançamentos inclui as cores Rose Quartz e Serenty, que Francielo Fardo, diretor superintendente, define, respectivamente, como “rosa pastel” e “azul calmo”.

Essas duas tonalidades, ressalta, transmitem sensações de suavidade e qualidade.

“Lançaremos ainda as tonalidades metálicas rosa e dourado, desenvolvidas especificamente para o segmento de cosméticos, e o alumínio, criado para eletroeletrônicos e móveis, para substituir o processo de pintura”, complementa Fardo.

Plástico Moderno, Fardo oferece cursos e treinamentos aos clientes e interessados em cores
Francielo Fardo – Colorfix

No segmento dos aditivos, em sua estratégia comercial, a Colorfix hoje destaca produtos como o selante Selofix, o agente de purga Purfix, o auxiliar de processo Processfix – que diminui o atrito entre o polímero e os componentes da máquina –, e o nucleante Processfix HP, específico para PP.

“Esse agente nucleante baixa a temperatura de cristalização do PP e, com isso, eleva o desempenho da injeção, podendo reduzir em mais de 15% o tempo médio dos ciclos”, conta Fardo.

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Outras demandas – Masterbatches

No vasto conjunto de soluções de cores e de aditivação disponibilizados pela Cromex (que também estará na Interplast), um item que hoje registra demanda significativa é a linha de aditivos de cargas minerais, aplicadas em processos de injeção, extrusão para termoformagem e moldagem por sopro.

Plástico Moderno, Moraes: demanda agro segue firme e pede desenvolvimentos
Moraes: demanda agro segue firme e pede desenvolvimentos

“Esses aditivos promovem melhorias em propriedades mecânicas, estabilidade dimensional, rugosidade de superfície e na redução de custos”, afirma Glauco Moraes, diretor comercial da Cromex.

Para filmes de BOPP, a mesma Cromex oferece uma tecnologia de aditivação fundamentada em um ativo mineral inorgânico que, segundo Moraes, agregada à biorientação típica desses filmes, confere efeito perolado às embalagens.

“Também temos verificado um aumento significativo na demanda pelo desenvolvimento de cores, principalmente no segmento de cosméticos e de bens duráveis”, acrescenta.

A Aditive foca exclusivamente compostos de aditivos e blendas especiais: o mercado da cor, justifica o diretor-técnico João Ortiz, está “mais comoditizado” e, portanto, menos interessante para a empresa.

Mas já se consolidaram commodities no próprio segmento dos aditivos, como informa. Entre eles, aparecem os aditivos anti-bloqueio, os deslizantes e os aditivos antiestáticos.

“Também atuamos com esses produtos, que disponibilizamos para todas as resinas, mas nesse campo a competitividade é atualmente muito grande, existindo uma acirrada guerra de preços”, relata.

Plástico Moderno, Ortiz: laboratórios receberam equipamentos avançados
João Ortiz – Aditive

Os aditivos para estabilização à luz UV, ressalva Ortiz, constituem uma especialidade à qual a Aditive se dedica com afinco, não fornecendo produtos pré-prontos, mas soluções desenvolvidas desde informações detalhadas sobre quesitos como espessura do filme ou peça à qual ele será agregado, cor e contato ou não com agrotóxicos ou com cloro.

“Costumo dizer que em master de aditivo anti-UV o diferencial é a credibilidade do fornecedor, pois uma indicação inadequada pode gerar prejuízos incalculáveis”, salienta Ortiz.

Ele cita, como exemplo de produto desenvolvido recentemente pela Aditive, um master de aditivo antiestático condutivo – diferentemente do que acontece com produtos concorrentes, a característica antiestática dele se mantém permanentemente – que pode ser aplicado em embalagens para eletroeletrônicos e para transporte de produtos perigosos (como pólvora e líquidos inflamáveis).

Também faz parte do seu portfólio de desenvolvimentos recentes um master de aditivo anti-colapsante, cuja função é auxiliar na distribuição de gases em aplicações em EPE (polietileno expandido), crescentemente utilizado como substituto de similares importados.

Por se concentrar nessa e em outras especialidades, afirma Ortiz, no primeiro semestre deste ano sua empresa conseguiu realizar montante de negócios similar ao registrado no mesmo período de 2015.

“Um mercado que continuou a gerar bons negócios foi o de filmes e peças injetadas para o setor agro, que exige produtos com resistência química e ao UV”, especifica.

Também foram expandidos os negócios relacionados a produtos destinados para redes elétricas, como caixas de proteção de disjuntores, que pelas atuais normas devem atingir o grau V-0 (o mais rigoroso entre os graus de resistência à inflamabilidade de plástico, estabelecidos pela Underwriters Laboratories).

“A Aditive desenvolveu um master antichamas para todas as resinas termoplásticas”, informa Ortiz.

Fim do túnel?

Apesar de dificilmente os representantes das empresas desse setor revelarem números relacionados a evolução de negócios, na primeira metade deste ano – como seria facilmente presumível –, a indústria de masterbatches instalada no Brasil parece ter registrado, em termos gerais, um desempenho pouco satisfatório.

Alguns desses representantes garantem que, mesmo nessa conjuntura pouco favorável, suas empresas conseguiram obter volumes de negócios superiores aos registrados no mesmo período de 2015.

E todos eles – mesmo aqueles que avaliam a primeira metade do ano de maneira menos positiva – relatam o surgimento de indícios de aquecimento na demanda desde o começo do segundo semestre.

Clauss, da Procolor, é um dos integrantes desse segundo grupo. “A partir dos meses de julho e agosto, notamos um pouco mais de fôlego no mercado”, relata. Sem adiantar números, ele até crê que, no total do ano, a Procolor possa auferir um montante de negócios superior ao de 2015.

Já para Fardo, da Colorfix, o mercado “parou de cair”, após um primeiro semestre horrível, no qual se retraíram de maneira mais marcante os negócios relacionados com as resinas utilizadas em escala mais ampla na indústria automobilística, como PP e o ABS.

“Mas tanto nós quanto nossos clientes projetamos um segundo semestre melhor, principalmente pela expectativa de definição da situação da política nacional”, diz.

“Essa possível retomada deve se manifestar gradualmente e, a princípio, está mais fortemente concentrada nos setores dos bens duráveis, como embalagens de cosméticos e de alimentos”, acrescenta Fardo.

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E a Cristal Master, afirma Santos, “no primeiro semestre deste ano registrou crescimento de 8%, relativamente ao mesmo período de 2015”.

Como uma das causas dessa expansão, ele cita o crescimento dos negócios em mercados nos quais sua empresa está presente há menos tempo, como o Estado de São Paulo, onde passou a atuar mais incisivamente há cerca de quatro anos, com a inauguração de um centro de distribuição no município de Itupeva (a Cristal Master está sediada em Joinville-SP).

Atualmente, São Paulo é o terceiro maior mercado da empresa, sendo superado apenas pelo catarinense (o maior) e pelo paranaense. “O mercado paulista já é relevante para nós, mas tem potencial para representar muito mais”, argumenta Santos.

Além disso, ele prossegue, a Cristal Master atua em uma gama muito vasta de mercados e tem assim maiores possibilidades de expansão.

“Colaboraram mais com nosso desempenho, na primeira metade do ano, o setor agro e os produtores de embalagens de alimentos; mais recentemente, a indústria de brinquedos voltou a apresentar alguma demanda”, detalha Santos, que prevê para este ano um faturamento entre 12% a 15% superior ao registrado em 2015.

Moraes, da Cromex, não apresenta números, mas fala em “desempenho muito positivo” na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2015, apesar da conjuntura de demanda muito inconstante, dependendo dos diversos mercados e das distintas variações, além de frequentes variações nas taxas de câmbio.

“A Cromex atua em mais de dezenove segmentos e busca aumentar sua participação em setores com menor queda, além de desenvolver lançamentos e novas aplicações que fortalecem a parceria com o cliente”, diz. Também para a segunda metade do ano, Moraes aponta uma “perspectiva positiva, tanto por fatores sazonais quanto pela projeção de melhoria da economia brasileira”.

Analisando de maneira individualizada cada uma das diferentes tecnologias de transformação, o diretor da Cromex crê haver ainda, no já altamente relevante mercado da extrusão, um “bom potencial de crescimento”. Já na injeção e no sopro, “as grandes demandas se estendem não apenas a produtos, e sim por serviços, opções de produtos, efeitos e assistência técnica no cliente”, complementa.

E os agronegócios, especifica Moraes, constituem não apenas um mercado bastante importante para Cromex, mas também um campo gerador de novos desenvolvimentos.

“Trata-se de um segmento que mesmo em tempos de crise econômica ainda se mantém expressivo. Todas as nossas linhas de produtos atendem o agronegócio, desde o plantio, colheita, armazenamento, até o transporte”, ele detalha.

“Em linha com esse portfolio, oferecemos produtos voltados a melhorar o processo de fabricação de ráfia, tais como: coloridos, compostos de cargas minerais que funcionam como antifibrilantes, aditivos funcionais para aumentar a vida útil dos tecidos e sacarias, e melhorar a processabilidade das fitas”, acrescenta.

Mantendo a aposta

Registrando ou não desempenho satisfatório no primeiro semestre ou desde já projetando dias melhores, os fabricantes de masterbatches seguem investindo em alguns projetos próprios de expansão e de qualificação; ou, pelo menos, preparam-se para realizar esses investimentos em futuro não muito distante.

Nesse processo de alocação de recursos, enquanto alguns privilegiam o aumento da capacidade produtiva, outros buscam prestar mais e melhores serviços a seus clientes.

Plástico Moderno, Fardo oferece cursos e treinamentos aos clientes e interessados em cores
Colorfix – Masterbatch

Uma das empresas que hoje investe mais em serviços é a Colorfix, que no início deste ano estruturou uma operação denominada Colorfix Treinamentos, cujo objetivo é levar conhecimentos sobre os temas masterbatches, cores e aditivos, para clientes atuais e potenciais, profissionais, estudantes, e outros interessados.

Por enquanto, os cursos e projetos de qualificação oferecidos por essa nova empresa são gratuitos, porém, dependendo de sua aceitação, tal posicionamento pode mudar. “Futuramente, poderemos tornar essa empresa também uma fonte de receitas, por exemplo, mediante de cursos desenvolvidos para demandas específicas”, pondera Fardo.

Na Aditive, os investimentos dos últimos meses privilegiaram a estrutura laboratorial dedicada a desenvolvimento, aplicação e controle de qualidade.

“Adquirimos, por exemplo, novos aparelhos de avaliação de inflamabilidade e uma nova máquina de filmes para desenvolvimento”, relata Ortiz.

A Procolor inaugurou em março do ano passado uma unidade em Jaraguá do Sul-SP. “Ela atualmente faz apenas distribuição, mas vem crescendo bastante, e a tendência é também se tornar uma planta produtiva no futuro”, adianta Clauss.

Atualmente, a Procolor produz masterbatches em São Paulo – onde está sediada – e na cidade de Condado-PE.

Plástico Moderno, Foto Procolor
Procolor

Com sede em Santa Catarina – onde a concorrente Procolor montou uma filial –, a Cristal Master deve contar no próximo ano, diz Santos, com uma nova extrusora, com capacidade de produção de 2 mil kg/hora.

Também ganha força o objetivo de estimular as exportações – a Cristal Master já vende para outros países da América Latina e trabalha com um profissional especificamente focado no desenvolvimento desse mercado. “A exportação ainda não é significativa para nossos negócios, mas poderá crescer e representar algo entre 10% e 20% do total dentro de três anos”, projeta Santos.

A Cromex já vende para mais de sessenta países e obtém no mercado externo, revela Moraes, cerca de 25% de seus negócios.

Já bastante significativo, esse índice pode até crescer. “Independentemente das condições de câmbio, a Cromex sempre participou do mercado de exportação, isso é parte importante da estratégia da empresa; mas, logicamente, o câmbio mais favorável vem reforçar nossa posição nas vendas para o exterior”, avalia. “Seguimos desenvolvendo todo mercado de exportação e, nessa área, o sucesso mais recente vem da América do Norte, com nossas primeiras vendas para os Estados Unidos”, finaliza.

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