Masterbatch: Fabricantes desenvolvem especialidades para ir além da paleta das cores

Plástico Moderno, Masterbatch: Fabricantes desenvolvem especialidades para ir além da paleta das cores
Este ano a economia nacional não crescerá da maneira esperada. No entanto, o fraco desempenho do PIB não está atrapalhando muito os fornecedores de masterbatches atuantes do mercado brasileiro. Os resultados nem sempre estão muito bons, mas também estão longe do desastre, em que pese o fato de esse nicho de atuação, bastante pulverizado, carecer de estatísticas confiáveis.

O sentimento positivo é extraído das informações de alguns representantes de empresas conhecidas, casos da Cromex, ProColor, Termocolor, Cristal Master e Aditive. Embora reconheçam ter passado por momentos de dificuldade durante os primeiros seis meses do ano, essas empresas estão longe de demonstrar grande insatisfação com o desempenho de suas vendas. Entre elas, algumas apresentaram crescimento significativo. Para o segundo semestre, a expectativa é otimista. Trata-se do período do ano cujos negócios historicamente se aquecem para as empresas do ramo.

Não há dúvidas de que o faturamento obtido com a venda de commodities é mais significativo. Os volumes comercializados são bem maiores. Por outro lado, a pesquisa e desenvolvimento de formulações mais sofisticadas é preocupação unânime. A ordem é criar soluções para satisfazer as necessidades do mercado e, de quebra, engordar as receitas. Quanto mais sofisticado o produto, maior o valor pelo qual é oferecido.

Uma preocupação diária é desenvolver cores diferenciadas para atender o desejo dos compradores. Os clientes do mercado de embalagens estão entre os que procuram isso com frequência. Uma cor exótica pode dar grande destaque a um produto na gôndola de um supermercado, por exemplo. Como quase todos os fabricantes também produzem aditivos variados, desenvolver compostos com masterbatches voltados para fazer os plásticos adquirirem propriedades diferenciadas é outra vertente importante da pesquisa dos especialistas no assunto.

Nesse cenário, algumas empresas estão investindo para aumentar suas capacidades de produção. Um caso radical é o da ProColor, há 27 anos no mercado. Ela está construindo uma nova fábrica em Pernambuco, no município de Condado. A planta deve ser inaugurada em três meses e vai substituir a atual fábrica que a empresa mantém no mesmo estado, em Jaboatão dos Guararapes.

“Com a inauguração, a nossa capacidade de produção aumentará de forma significativa”, garante Vanessa Falcão, gerente-comercial de São Paulo. Ela não quantifica o aumento, informação considerada estratégica, nem o quanto foi investido no empreendimento. A ProColor também conta com fábrica em Cotia-SP, onde se encontra sua sede.

Outra inauguração, esta ocorrida no início do ano, envolve a Cristal Master. Com fábrica em Joinville-SC, a empresa abriu filial em Itupeva-SP. O prédio conta com espaço para armazenagem dos produtos a serem distribuídos e um laboratório de desenvolvimento voltado para atender pedidos de clientes das regiões Sudeste e Centro-Oeste. A empresa também possui filiais em São Leopoldo-RS e Jaboatão dos Guararapes-PE.

Razoável – A ProColor fabrica concentrados de pigmentos ou corantes dispersos em resinas nas versões branca, preta e colorida. Seus masterbatches podem ser adicionados ao PE, PP, ABS, EVA, PA, PS e PET, entre outros materiais plásticos. A empresa também fabrica uma grande gama de aditivos, indicados para dar diferentes propriedades aos plásticos. Está há quase trinta anos no mercado.

A empresa positivamente não gosta de falar sobre números ao comentar seu desempenho. “Na somatória do semestre ocorreu crescimento comparado ao mesmo período do ano de 2013”, resume Vanessa. Isso apesar das dificuldades ocorridas no período, como queda na demanda de consumo, jogos da Copa do Mundo, instabilidade financeira e negativação de crédito.

Em relação ao segundo semestre, ela se mostra otimista e cautelosa. “Temos que continuar acreditando no crescimento e trabalhando com a mesma disposição de sempre, apesar de ouvir com frequência se tratar de um ano de eleições e perspectivas de baixo crescimento. Precisamos ser cautelosos na hora de investir”.

A ProColor se esforça para sempre trazer novas formulações, obrigação de quem está interessado em atender o que os clientes pedem. Na área de masterbatches, o desafio é chegar às cores solicitadas pelos clientes. A maior novidade, no entanto, vem da área de aditivos. A empresa firmou parceria comercial e técnica com a Ecoventures Bioplastics do Brasil.

A Ecoventures é norte-americana e atua no mercado nacional há pouco mais de três anos. A empresa detém a tecnologia Go Green P-Life. “Essa tecnologia permite a adição do aditivo aos mais variados derivados da nafta, transformando-os em biodegradáveis com custo competitivo e sem resíduos tóxicos ou metais pesados”, afirma a gerente-comercial. Com o acordo, a ProColor visa desenvolver e distribuir resinas biodegradáveis voltadas para atender a necessidade dos clientes.

Ótimo – A inauguração da nova filial ajudou a Cristal Master a “engordar” seu faturamento de forma invejável. O sucesso dos negócios contou com outra novidade, a instalação de uma nova extrusora de dupla rosca na fábrica da matriz, em Joinville. A máquina tem capacidade de produção de 1.500 kg/h, o que ampliou a capacidade total da empresa de 13 mil para 20 mil toneladas por ano. O investimento necessário para sua aquisição foi de aproximadamente R$ 1,5 milhão. A extrusora tem sistema de alimentação gravimétrica que possibilita a produção de fórmulas mais econômicas. Isso aumenta as oportunidades de negócios, em especial nos nichos de masterbatches brancos e aditivos.

Informações prestadas pela empresa revelam crescimento de 40% nas vendas no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Para o segundo semestre, as perspectivas são boas. O otimismo se baseia no fato de em todos os anos sempre apresentar forte crescimento no segundo semestre, em relação ao primeiro.

Essa constatação, aliada à ampliação da capacidade de produção, faz com que os dirigentes da empresa acreditem em manter o índice de crescimento em torno de 40% no ano todo. Por causa dos altos custos das resinas, a estimativa é de crescimento mais forte nas vendas de commodities. Mas a preocupação com o desenvolvimento de cores especiais para clientes interessados em diferenciar seus produtos incentiva o investimento no desenvolvimento de novas formulações.

A Cristal Master produz masterbatches commodities e especialidades. Ela produz concentrados pretos e brancos nas mais variadas configurações. Também oferece concentrados coloridos. Além das cores tradicionais, existem as com efeito borda, metalizadas, neon, furta-cor, perolados e fluorescentes. Todos os produtos chegam ao mercado em diferentes formatos, como dry-blends, cristais microperolizados, cristais micropeletizados e tingimentos técnicos. A estratégia é atender as necessidades dos clientes respeitando suas particularidades, independente da quantidade encomendada.

Outra vertente de atuação da empresa é a fabricação de aditivos. Para esse mercado, a empresa apresenta diversas fórmulas e configurações. Entre os aditivos, vale mencionar alguns lançamentos recentes. A novidade é uma solução antimicrobiana voltada para combater fungos e bactérias. Foi desenvolvida em parceria com a empresa de desenvolvimento de nanotecnologia Kher e é composta com base em nanopartículas de zinco.

Outra inovação é um agente interfacial voltado para melhorar a adesão física e as reações químicas entre fases de misturas incompatíveis. O produto é indicado principalmente quando se deseja melhorar as propriedades mecânicas das peças. Para o segundo semestre, estão previstos os lançamentos de um aditivo anticorrosivo, indicado para o processo de fabricação de filmes plásticos e um oxibiodegradável.

Plástico Moderno, Cromex gera inovações sozinha ou em parceria com clientes
Cromex gera inovações sozinha ou em parceria com clientes

Razoável – As vendas da Cromex no primeiro semestre não foram lá essas coisas e nem decepcionaram. Ficaram dentro das expectativas. “O crescimento no primeiro semestre foi pequeno frente ao mesmo período do ano passado”, resume Marcos Pinhel, diretor-comercial. O desempenho um tanto tímido, na opinião do dirigente, se deve às dificuldades vividas pelo setor automobilístico e o de linha branca.

Tudo deve melhorar no segundo semestre. “As expectativas são boas. Há uma melhora esperada após a Copa do Mundo”. Os primeiros resultados depois do torneio do futebol comprovam a tese. “Vimos isso ao longo do mês de julho, nossos clientes estão voltando depois das férias a operar com capacidade acima da do primeiro semestre”. Outro fator anima Pinhel. “O número de dias úteis nesse terceiro trimestre será maior”.

A Cromex é uma empresa brasileira fabricante de masterbatches de cores e aditivos para plásticos. Seus produtos são fabricados em duas plantas industriais localizadas em São Paulo-SP e Simões Filho-BA, perfazendo a capacidade total de produção de 132 mil t/ano. O portfólio da empresa inclui mais de 13 mil cores e aditivos projetados em seus próprios laboratórios para atender 18 segmentos diferentes de transformados plásticos.

Para o diretor-comercial, as empresas de masterbatch precisam estar atentas tanto ao mercado de commodities quanto ao de especialidades. Há procura para todos os produtos. Por isso, a Cromex se diz preparada para atender aos pedidos mais diversos. Com esse espírito, sempre surgem novidades. “Desenvolvemos novos aditivos e cores da linha Dispermix para o mercado de embalagens PET, e também para polietilenos e polipropilenos”. As fórmulas se aplicam para os clientes envolvidos com os diversos processos de transformação.

O raciocínio vale também para a linha de aditivos. “Recentemente alteramos nossos aditivos para produtos de terceira geração em auxiliares de fluxo, novas formulações para antiestáticos e deslizantes, entre outros. Também temos novas formulações para os mercados de plásticos de engenharia”. As novidades não param por aí. “Estamos desenvolvendo projetos tanto em nossos laboratórios como em parceria com clientes e fornecedores”. A promessa é de uma grande surpresa. “Novos negócios estão nos planos. Faremos um grande anúncio durante a Interplast”, promete.

Para garantir o sucesso desses empreendimentos, a Cromex realizou investimentos nas suas duas nossas unidades fabris. “Diversas melhorias foram realizadas no laboratório de desenvolvimento de produtos, como a aquisição de novos equipamentos”.

Plástico Moderno, Boracini acredita na retomada de vendas no segundo semestre
Boracini acredita na retomada de vendas no segundo semestre

Morno – Para a Termocolor, os resultados obtidos no primeiro semestre não foram ótimos nem péssimos. “Começamos muito bem o primeiro semestre, melhor do que o esperado”, conta Laércio Boracini, gerente de qualidade. Devido à Copa do Mundo e à mudança do humor da economia, alguns clientes diminuíram as encomendas. “O consumidor final recuou nas suas compras”.

O ano, no entanto, não está perdido. “As perspectivas para o segundo semestre são as melhores”, ressalta o gerente. Ele lembra que historicamente o segundo semestre é melhor do que o primeiro. “Como o ano foi bem morno até agora, acreditamos na retomada”. O sentimento é reforçado pelos últimos resultados obtidos nas vendas. “Já sentimos o aquecimento no mês de julho”.

Com 27 anos de atuação, a Termocolor tem sede em Diadema-SP. A empresa começou como prestadora de serviços na área de resinas e tingimento e se transformou numa indústria petroquímica. É fabricante de masterbatches, compostos, aditivos e resinas tingidas. Sua capacidade instalada é de 50 mil t/ano.

No campo dos masterbatches, produz concentrados de cores e aditivos para as mais diversas resinas termoplásticas, como PEAD, PEBD, PP, OS, ABS, EVA e outras. “Temos um depósito com mais de 13 mil cores, atuamos tanto nas commodities quanto nas especialidades, de acordo com o solicitado pelo cliente”, afirma Boracini.

Plástico Moderno, Pigmentos fluorescentes da Termocolor conferem efeito borda
Pigmentos fluorescentes da Termocolor conferem efeito borda

Um lançamento recente da empresa fica por conta dos pigmentos fluorescentes ou neon. São indicados para peças onde o apelo estético é importante. Eles dão aos produtos o chamado “efeito borda”. São muito utilizados nas indústrias de brinquedos, descartáveis, de utensílios domésticos e em descartáveis usados em festas.

Outra novidade são os compostos de polímeros reforçados com fibra de vidro, que possuem melhores propriedades mecânicas, em especial em relação à resistência a tração e ao impacto. O composto pode ser aditivado com protetores de raios ultravioleta e cores diversas. “A aparência superficial da peça, no entanto, pode ser comprometida pelo fato de a fibra de vidro estar visível na superfície da peça”, explica.

Outros produtos estão sendo desenvolvidos. “Ainda estamos em fase de pesquisa, em breve vamos anunciá-los”. Em paralelo, a Termocolor investe no aumento de sua capacidade produtiva. A empresa adquiriu uma extrusora de dupla rosca que será utilizada para produzir masterbatches em pequenas quantidades. Ela está sendo instalada e em breve começa a operar.

Muito bom – A Aditive, empresa brasileira em atividade desde 1998, com fábrica em São Paulo, viveu primeiro semestre dos melhores. Antes, uma ressalva. O negócio principal da casa se concentra no mercado de concentrado de aditivos. Também atua com compostos termoplásticos de PP, PE, PA e PBT associados a vários tipos de reforços que conferem diferentes propriedades à matéria-prima. Na área do tingimento, oferece concentrados nas cores preto ou branco em diversas resinas – EVA, PEAD, PEBD e OS –, com diferentes concentrações de dióxido de titânio e negro de fumo.

“O primeiro semestre foi muito bom, nosso crescimento ficou na casa dos 20%”, informa João Ortiz Guerreiro, diretor-técnico. Para o segundo semestre, a expectativa do diretor é manter essa taxa. Um dos segredos do bom resultado se encontra nas constantes pesquisas realizadas pela empresa para oferecer produtos com características que atendam as expectativas dos clientes. “Esses produtos contam com maior valor agregado”, explica.

Entre os masterbatches oferecidos, ele destaca duas formulações mais sofisticadas. Uma delas é o masterbatch preto com propriedades condutivas. “Ele é bastante usado para acondicionar peças em aparelhos eletroeletrônicos. Para acondicionar um chip, por exemplo, o material precisa ter propriedades antiestáticas”, explica.

Outra especialidade é o masterbatch preto enriquecido com agentes de proteção contra raios ultravioleta. “É um produto bastante usado na plasticultura”. Sua principal característica, além de ser resistente aos raios solares, é não se degradar na presença do enxofre, elemento químico muito presente nos insumos químicos aplicados no campo.

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