Máquinas: Variação cambial afetou vendas dos equipamentos importados

A queda nas vendas também rondou as revendedoras de equipamentos importados. Os problemas representados pelo cenário econômico, como baixo crescimento e a incerteza proporcionada aos investidores pela realização de dois grandes eventos (Copa e Eleições), também chegaram às marcas internacionais com escritórios de vendas próprios no território nacional ou representadas por terceiros.

Alguns agravantes atrapalharam os representantes do ramo. O dólar, nos últimos meses, sofreu valorização, tornando as máquinas de fora menos competitivas. Os compradores também não contam, ao adquirir tais equipamentos, com as facilidades do financiamento amigável oferecido pelo Finame. Outras medidas protecionistas promulgadas pelo governo federal também não se aplicam aos produtos importados.

Da mesma forma que ocorreu com os fabricantes nacionais, o cenário não atingiu todo o mundo da mesma forma. As vendas foram um pouco melhores ou mais decepcionantes dependendo do perfil das máquinas oferecidas e do nicho de mercado atingido. No segmento de injetoras, uma notícia deve esquentar a já acirrada concorrência.

A japonesa Toshiba Machine, ainda com tímida presença no mercado nacional, quer aumentar sua participação. A marca, até agora comercializada por aqui por representantes, abriu subsidiária no país. O escritório já está funcionando no bairro da Vila Mariana, na capital paulista, e terá departamento comercial próprio, comandado por Hercules Piazzo, profissional até há pouco tempo gerente comercial do escritório brasileiro da norte-americana Milacron.

A multinacional japonesa passa a oferecer com maior agressividade aos transformadores que atuam no Brasil sua extensa linha de máquinas, formada por modelos hidráulicos, híbridos e elétricos com capacidades de cinco a 3,5 mil toneladas de força de fechamento. “Nós estamos ampliando nossa equipe de assistência técnica e contamos com estoque de peças para os clientes”, informa Piazzo.

O objetivo é disputar a preferência dos compradores no nicho de máquinas com elevada tecnologia agregada. “Nossa linha atende a transformadores de todos os segmentos da economia”. Entre as injetoras oferecidas, o executivo aponta a série EC-SX, de máquinas elétricas, com força de fechamento até 1,3 mil toneladas, entre as com bom potencial de mercado. “Elas contam com ótimo desempenho, apresentam alta produtividade e proporcionam economia de energia”. Outra linha com bom potencial de aceitação é a de máquinas híbridas ED, com forças de fechamento de 650 a 3,5 mil toneladas. “Elas têm versões com sistemas de abertura e fechamento elétricos e unidades de injeção e sistemas de travamento hidráulicos”, comentou.

Reestruturação – Resultante da aquisição, em 2008, da empresa alemã Battenfeld, especializada em injetoras, pela austríaca Wittmann, fabricante de equipamentos periféricos, a Wittman Battenfeld avalia o ano como significativo. Nem tanto pelas vendas. “Finalizamos a unificação administrativa e comercial da Wittmann Battenfeld em todo o mundo. Com isso, a companhia se tornou a única fornecedora no mundo a oferecer soluções completas para o segmento de injeção”, explica Reinaldo Carmo Milito, diretor geral da empresa no Brasil.

No país, como parte do processo, a empresa centralizou sua estrutura na matriz de Campinas-SP, encerrando as atividades da filial de Osasco-SP. A unificação foi acompanhada de investimentos na composição de pacotes específicos para a necessidade dos transformadores de plástico. A estratégia é oferecer linha completa de injetoras e de periféricos para as mais diversas indústrias de transformação, casos, por exemplo, da automobilística, de embalagens, para área médica (sala limpa) e outras. “Os segmentos mais competitivos são os que investem na aquisição de equipamentos com maior produtividade”, salientou.

O faturamento mundial da Wittmann Battenfeld chegou a U$ 365 milhões no ano passado, número que deve crescer 10% em 2014. Por aqui, as vendas esse ano estão ligeiramente superiores às de 2013, em especial por conta da procura por sistemas de alimentação. O otimismo do diretor geral não se abala com a desaceleração do crescimento do PIB. Para ele, o mercado nacional tem grande potencial de crescimento, uma vez que as resinas plásticas conquistam espaço nos mais diversos setores. “No Brasil, nossa meta é duplicar a participação da marca em cinco anos”. O Nordeste, com média de crescimento superior à nacional é um dos focos da empresa.

Entre as máquinas mais procuradas, Milito aponta as injetoras elétricas EcoPower, com modelos de 110 a 300 toneladas de força de fechamento. “A EcoPower tem como diferencial a economia energética e o alto desempenho”, disse. Para exemplificar, cita a EcoPower 300, de 300 t de força de fechamento. “Ela conta com sistema KERS, que recupera energia durante o processo, e tem elevada dinâmica e precisão de posicionamento da unidade de fechamento”.

Na Feiplastic, a Wittmann Battenfeld mostrará pela primeira vez no Brasil a nova geração de injetoras SmartPower, lançadas oficialmente durante a Fakuma, feira realizada em outubro na Alemanha. Essa série se destaca pela economia de energia e pela operação inteligente. Com acionamento por servo motor, as máquinas oferecem uma infinidade de recursos e são disponíveis em versões de 25 e 120 toneladas de força de fechamento.

Outra novidade é o controle de informações para os equipamentos, o SmartMonitoring. O sistema faz uso da internet e permite visão completa dos dados usados nas injetoras e nos periféricos da fábrica. Ele elimina a necessidade de um novo registro a cada operação nas quais se utilizam configurações já conhecidas, o que torna mais ágil a regulagem das máquinas.

Dentro do previsto – A Sumitomo Demag, empresa resultante da compra ocorrida em 2008 da alemã Demag pela japonesa Sumitomo, deve fechar o ano com vendas em torno de 12% menores do que em 2013. O resultado não chegou a surpreender os responsáveis pela empresa. “Está dentro do que havíamos previsto no início do ano. Sabíamos, em função da conjuntura, que o ano de 2014 seria difícil”, explica Christoph Rieker, gerente geral do escritório brasileiro.

Para o próximo ano, a previsão é otimista. “Eu acredito que vamos vender mais. Nossa percepção é de, no mínimo, voltar ao patamar de 2013”, explica. Entre os produtos oferecidos, encontram-se as máquinas elétricas com a marca Sumitomo e as hidráulicas e híbridas Battenfeld. “Nesse ano, a proporção de máquinas vendidas foi de 40% elétricas e 60% hidráulicas. O ano passado foi o contrário”, explica. O motivo para o elevado número de máquinas elétricas vendidas para fábricas brasileiras se encontra no fato de empresas japonesas passarem a investir na indústria da transformação no Brasil nos últimos dois anos. “Muitas já vieram com máquinas Sumitomo encomendadas no Japão”, comentou.

Entre os compradores, destaque para os transformadores fabricantes de embalagens, em especial tampas e potes. “Essas empresas querem injetoras modernas, que permitam a produção de peças de paredes finas produzidas em ciclos rápidos, de dois a cinco segundos”. Uma das linhas de bastante sucesso da empresa no Brasil é a de máquinas híbridas El-Exis. Elas são dotadas com motor elétrico no sistema de plastificação, motor hidroestático na unidade de fechamento, acumuladores para injeção e guias lineares. “A série tem maior velocidade, permite ciclos de dois a quatro segundos”.

A Série Systec tem características similares, a não ser na unidade de fechamento, que é hidráulica. A linha é indicada para ciclos com duração acima de quatro segundos e tem como vantagem o preço mais acessível. “Antes, para ciclos de cinco segundos, os compradores precisavam comprar máquinas mais caras”, disse.

Feito em casa – A BY Engenharia, entre outras atividades, é responsável no Brasil desde 1999 pela comercialização das extrusoras da norte-americana Davis-Standard. A marca conta com modelos sofisticados e periféricos para todos os nichos de mercado. “Em termos de vendas de equipamentos da Davis-Standard o ano foi para lá de fraco. Não vendemos nenhuma unidade”, lamenta o diretor de vendas e marketing Marco Antonio Gianese. O cenário econômico difícil e o aumento do dólar ocorrido nos últimos tempos, além das medidas de proteção da indústria nacional adotadas pelo governo explicam o desempenho.

No que tange à venda de máquinas, o carro chefe da BY foi o Gala, sistema de granulação imerso em água. “Nós fabricamos esse equipamento no Brasil com licença da norte-americana Gala Industries. Ele é oferecido com as facilidades de financiamento do Finame”, observa. Com capacidade de produção de até mil kg/h, o sistema processa quase todos os polímeros e é indicado para a produção de compostos, masterbatches, fórmulas aditivadas e outras aplicações.

A BY promete estar presente na Feiplastic, onde deve divulgar novidades. Com a marca Davis-Standard, vai mostrar modelos com funcionamento mais simples, lançadas pela empresa para chegar aos mercados emergentes. É o caso da nova linha de Extrusion Coating para embalagens flexíveis denominada dsX flex-pack. É indicada, por exemplo, para a produção de sacos para salgadinhos, macarrão instantâneo, tubos de pasta de dente e outros produtos. Também será apresentada nova bobinadeira automática para tubos flexíveis.

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