Termoformadoras: Técnica de transformação conquista aplicações com baixo custo operacional

Plástico Moderno, Máquina de alta produção, fornecida pela Kiefel
Máquina de alta produção, fornecida pela Kiefel

Comparado a 2016, mostra-se um pouco mais aquecido neste ano o mercado dos equipamentos para temorformagem, Isso não enseja comemorações, pois o ano passado foi muito ruim para toda a economia nacional. Na origem desse resultado menos ruim, aparecem tanto os sinais de uma conjuntura ligeiramente mais aquecida, quanto a evolução da tecnologia da termoformagem, oferecendo máquinas mais eficientes e mais produtivas, capazes de atrair potenciais clientes. Da mesma forma, é notável o avanço dos produtos termoformados sobre nichos antes ocupados por outras matérias-primas que não o plástico, ou de outros processos de transformação de resinas.

Um dos mercados nos quais a termoformagem ganha espaço é a produção de embalagens de alimentos, substituindo em escala crescente o uso de materiais como polpa de celulose ou papelão nas embalagens de frutas e ovos, por exemplo. “Também observamos as caixas de papelão de alimentos congelados migrando pouco a pouco para as bandejas termoformadas feitas de polipropileno”, ressalta Paulo Lakatos, diretor comercial da Eletro-Forming, empresa cujo portfólio inclui equipamentos para termoformagem de bobinas – utilizadas na produção de embalagens – e de chapas.

Lakatos visualiza potencial de uso dessa técnica também na produção de embalagens de alimentos feitas com plásticos, a exemplo de PET-PCR, PET expandido, TPO, filme de PET-PE, PBT, PP, PSAI, entre outros. “Muitos desses materiais terão aplicações relevantes no futuro, por exemplo, para embalagens plásticas que vão a fornos domésticos, para barreiras contra gases para conservação dos alimentos, e nas cápsulas de café”, detalha.

Plástico Moderno, Máquina da Brawel aplica vácuo para incrementar a transformação
Máquina da Brawel aplica vácuo para incrementar a transformação

Também o vacuum forming – processo de termoformagem de chapas feito com o reforço da pressão a vácuo – amplia o campo de uso dessa tecnologia, até mesmo associando-a a outros gêneros de transformação de plástico: “Já há vending machines (máquinas de venda automática de produtos), com a parte superior injetada soldada a uma parte inferior feita por vacuum forming, bem como purificadores de água com o reservatório de vacuum forming soldado a peças injetadas”, relata André Bordignon, diretor-técnico da Brawel (empresa focada na produção de equipamentos para vacuum forming).

Nos Estados Unidos, prossegue Bordignon, o vacuum forming gera ainda diversos outros produtos por enquanto pouco comuns no Brasil, como pequenas piscinas infantis e produtos para datas promocionais, entre outros. “O ciclo de vida dos produtos é hoje muito mais curto, e é mais complicado pensar em máquinas enormes e em desperdiçar ferramental de injeção”, ele diz. “Os equipamentos Router CNC também alavancaram bastante o vacuum forming, pois baratearam e agilizaram o acabamento”, acrescenta o diretor da Brawel, referindo-se a um gênero de equipamentos que integra em uma só operação várias etapas de usinagem e acabamento de peças (e que a Brawel também produz).

E não para por aí o movimento de uso de peças termoformadas como alternativas a produtos antes fabricados com outras matérias-primas ou tecnologias: “Agora, usa-se termormagem também para peças antes feitas de plástico reforçado com fibra de vidro, como partes internas de ambulâncias e algumas carenagens de tratores (na termoformagem são feitas, respectivamente, de ABS e PC)”, relata Rui Katsuno, diretor da MFT, fabricante de equipamentos para as mais diversas aplicações da termoformagem.

Velocidade e energia – O emprego mais intenso de resinas hoje pouco utilizadas no Brasil – como C-PET e BOPS (poliestireno biorientado) –, também contribuirão para ampliar o mercado dos produtos termoformados, prevê Patrick Claassens, diretor da Kiefel (empresa que comercializa no país equipamentos para diversos processos de termoformagem fabricados na Alemanha). “Com C-PET, podem ser feitas embalagens que resistam a fornos até 220°C e, com BOPS, bandejas para frios e queijos”, especifica.

Plástico Moderno, Modelo HF-750 Tilt II gira o molde para empilhar o produto formado
Modelo HF-750 Tilt II gira o molde para empilhar o produto formado

A Kiefel, conta Claassens, atualmente comercializa um equipamento, denominado T-IML, que permite transpor para o universo das embalagens termoformadas o processo do in-mould labelling (já usual em peças injetadas). “Além de mais produtivo, o in-mould labelling permite um acabamento de melhor qualidade”, destaca. Também na área das embalagens, a empresa recentemente lançou um equipamento para a produção de cápsulas de café. “Na última feira K, lançamos nossa família de produtos KMD Power, cujas máquinas são compatíveis com os moldes de outros fabricantes de máquinas”, diz.No segmento das máquinas para a indústria automotiva, o rol de novidades da Kiefel inclui uma máquina para o processo de in-mould graining, para fabricação de painéis de instrumentos. Com ela, é possível agregar efeitos diferenciados de textura já na laminação, sem a necessidade de processos posteriores. Para o segmento dos equipamentos para linha branca, disponibiliza um equipamento capaz de produzir 300 painéis internos de refrigeradores por hora. “É uma produtividade muito elevada, concorrentes geralmente conseguem de 100 a 120 peças por hora”, diz o diretor da empresa.

Plástico Moderno, Sverzut começou a exportar seus equipamentos de termoformagem
Sverzut começou a exportar seus equipamentos de termoformagem

Também a fabricante brasileira Hece anuncia a presença, em seu portfólio, de equipamentos de termoformagem bastante rápidos. “Nossa termoformadora HF-750 DCT PP produz copos descartáveis em PP com um molde de 70 cavidades, a uma velocidade de até 30 ciclos por minuto, empilhando e empacotando tudo em um processo automatizado, sem contato manual”, exemplifica Luiz Fernando do Valle Sverzut, diretor da empresa.

A Hece também aposta bastante no potencial de negócios dos modelos HF-750 Tilt II (para produção de copos e potes industriais, com tecnologia de giro do molde para empilhamento do produto) e HVF-750 (para tampas com formagem e corte na primeira estação, e empilhamento na segunda estação). Mais recentes no portfólio da empresa, esses equipamentos trazem tecnologia de fornecedores de ponta do mercado global, como Siemens, SEW e MAC, entre outros. “A resistência é da alemã Elstein e reduz de 15% a 18% o consumo de energia”, menciona Sverzut.

Equipamentos que consomem menos energia constituem diferencial anunciado também pela Brawel, cujos fornos utilizam a tecnologia do infravermelho. Essa tecnologia de fornos, afirma Bordignon, é muito utilizada no mercado norte-americano, e seu desempenho é cerca de 35% superior àquela dos equipamentos com resistências cerâmicas (e 70% comparativamente a outros tipos de aquecimento). “Agora, estamos lançando um forno no qual esse desempenho aumenta quatro pontos percentuais”, relata o diretor da Brawel.

Produtividade gera negócios – Otimização da engenharia e servomotores vêm resultando também em máquinas mais produtivas, destaca Lakatos, da Eletro-Forming. Para referendar essa afirmação, cita um equipamento desenvolvido por sua empresa para produção de pratos (modelo TC-2, com empacotamento automático). “É um ciclo extremamente rápido, há cinco anos não se conseguia chegar nem a 30 ciclos”, compara Lakatos.

Segundo ele, embora ainda longe da ideal, no Brasil a demanda por máquinas de termoformagem se mostra este ano mais aquecida que em 2016, especialmente no segmento de produção de embalagens para comida congelada e para alimentos a serem expostos em gôndolas (feitas, respectivamente, em PP e PET). “E existe um potencial bom para geração de negócios com equipamentos de vacuum forming para empresas fornecedoras de montadoras de carros, ônibus, máquinas agrícolas, pois esse é um setor carente de investimentos”, aponta. “Acredito ainda na ampliação de usos de embalagens descartáveis em PP.”

Plástico Moderno, Modelo TC-2, da Eletro-Forming, produz pratos com alta velocidade e empacotamento automático
Modelo TC-2, da Eletro-Forming, produz pratos com alta velocidade e empacotamento automático

Katsuno, da MPT, também projeta para este ano um total de negócios superior ao registrado em 2016 e credita parte importante desse crescimento ao setor das embalagens para alimentos. Para ele, a necessidade das empresas de investirem em equipamentos mais produtivos também contribui para gerar negócios para as empresas do setor: “Hoje, uma termoformadora produz o que há não muitos anos exigia duas máquinas”, argumenta.

Na Hece, destaca Sverzut, nos dois últimos anos as exportações têm contribuído para incrementar o faturamento e já respondem por cerca de 20% dos negócios da empresa, mas por enquanto são feitas predominantemente com equipamentos para corte e solda. “Agora começamos a exportar também equipamentos de termoformagem, já enviamos alguns para Peru e Equador”, finaliza Sverzut.

Um Comentário

  1. Muito interessante o informativo sobre termoformagem a vácuo e seus usos. Seria possível confeccionar peças em policarbonato e sobremoldadas? Estou escrevendo o meu trabalho de graduação sobre os vários processos de moldagem de plásticos, entre os quais incluo a termoformagem.

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