Máquinas – Sopradoras – Economia aquecida eleva procura por máquinas com maior produtividade

Produtividade elevada, robustez, assistência técnica pós-venda, confiança na marca. Vários são os itens avaliados pelos transformadores de plástico dentro do segmento do sopro na hora de comprar máquinas. Para os fornecedores ou importadores de equipamentos, cabe ficar atento às expectativas dos fabricantes de embalagens, peças técnicas, brinquedos e outros produtos soprados. Adquirir a confiança dos clientes é o segredo de um duradouro sucesso.

Tal cenário ganha importância no momento atual, no qual a economia aquecida favorece os investimentos em novas sopradoras por parte das transformadoras. A boa fase atinge tanto as empresas que trabalham com o sopro convencional quanto as que processam o PET. Esta matéria-prima, além dos bons frutos trazidos pelo consumo em alta, continua a conquistar mercados antes dominados por outros materiais, em especial o das embalagens de vidro.

Quase todas as principais fabricantes de peças sopradas estão aproveitando o momento para ampliar suas capacidades produtivas, seja pelo aumento do número de máquinas em suas plantas, seja pela substituição dos modelos mais antigos por outros modernos.

Não existem estatísticas oficiais que demonstrem a dimensão do mercado dos transformadores de sopro. Alberto Gama, diretor-industrial da Allplas, transformadora no mercado desde 1981 e que conta com duas plantas industriais, situadas no Estado de São Paulo, uma na capital e outra no município de Cotia, faz uma avaliação com base na grande experiência que apresenta sobre este mercado. Ele acredita que por volta de 70 empresas do ramo sejam responsáveis pela transformação de 70% a 80% dos materiais soprados no País. Para ele, deve haver em torno de seiscentas empresas pequenas que se responsabilizam pelo resto da produção. “Mas esses números são apenas uma estimativa”, reforça.

Plástico Moderno, Alberto Gama, diretor-industrial da Allplas, Máquinas - Sopradoras - Economia aquecida eleva procura por máquinas com maior produtividade
Gama: escolha do equipamento é feita conforme o retorno desejado

Nacionais e importados – O perfil de empresas permite a divisão do mercado em diferentes nichos, atendidos ou pelos importadores ou pelos fabricantes nacionais de sopradoras. Quando o assunto é matéria-prima, a divisão é bem nítida. Os transformadores de produtos de PET ou fabricados em outras resinas processadas por injection-strech-blow e injection-blow não contam com equipamentos nacionais.

“Em geral, essas máquinas são bastante sofisticadas e vêm dos Estados Unidos e da Ásia, em especial do Japão. A Europa também vende equipamentos do gênero por aqui, mas em menor número”, avalia Gama. Os fabricantes de peças de PEAD, PEBD, PP e outras resinas têm a opção de equipamentos nacionais. “Temos alguns bons fabricantes por aqui”, emenda.

Um outro perfil do mercado pode ser traçado de acordo com os segmentos atendidos. As empresas que produzem para os mercados de higiene e limpeza e de cosméticos têm características comuns. Os transformadores que atendem as grandes companhias ligadas a esses nichos e também os representantes desses produtos que verticalizam a produção de embalagens adquirem equipamentos muito sofisticados, importados. Os que abastecem os clientes menores, sujeitos a produções de quantidades de embalagens mais modestas, têm a opção de escolher entre máquinas importadas ou nacionais.

Também similares são as características dos transformadores atuantes nas indústrias farmacêuticas e alimentícias, ou as empresas desses setores produtoras de suas próprias embalagens. “Por serem segmentos nos quais os produtos precisam ser fortemente protegidos contra contaminação, todos os fabricantes de produtos soprados, quaisquer que sejam os seus portes, precisam atuar dentro de limites de qualidade bastante rígidos”, explica Gama. Mais uma vez, os equipamentos importados ficam com a principal fatia do mercado.

Transformadores ligados a outros setores, como os de embalagens para produtos agrícolas, automobilístico, de brinquedos ou fabricantes de autopeças, escolhem as sopradoras de acordo com a característica das encomendas de seus clientes. São setores nos quais, conforme o caso, máquinas nacionais e importadas concorrem mano a mano.

Por enquanto, a incômoda concorrência das máquinas chinesas, que está atrapalhando vários segmentos da indústria de base nacional – caso das fabricantes de injetoras para plásticos, por exemplo – não perturba os produtores nacionais de sopradoras. Há, entre os compradores de máquinas, uma desconfiança em relação aos equipamentos do gênero vindos da terra de Mao Tsé-tung.

Entre os entrevistados, é unânime a opinião de que o sopro exige conhecimento técnico e proximidade para resolver possíveis problemas nas linhas de produção. Eles afirmam que não se pode correr o risco de paralisações por problemas como defeitos nos equipamentos e falta de peças de reposição.

“Recebemos propostas de empresas chinesas, coreanas, mas achamos preocupante adquirir essas máquinas, não podemos correr o risco de paralisar o fornecimento de peças para os nossos clientes”, resume João Carlos Bobadilla, gerente de qualidade da transformadora Farmaplast. “Existem algumas máquinas da China e da Coréia do Sul com boa aparência. O preço é bom, mas elas não nos transmitem segurança, não sabemos se no final a economia valerá a pena. No Brasil, existem boas máquinas, com qualidade e assistência técnica satisfatórias, que compramos de olho fechado”, reforça David Perez, gerente de marketing da transformadora Poly-Blow.

Soluções tecnológicas – O impressionante avanço da tecnologia transformou de forma significativa a capacidade de produção das sopradoras. Hoje, um equipamento de qualquer marca ou modelo fabrica um número de peças muito acima dos similares fabricados há dez anos. E com repetibilidade de ciclos mais eficiente.

Como as soluções técnicas continuam sendo incorporadas nas máquinas, suas vidas úteis se tornam a cada dia mais curtas para os transformadores que queiram se manter competitivos. É lógico que o custo/benefício da substituição de um equipamento deve ser avaliado caso a caso; e depende de quesitos como os níveis de produção necessários para a transformadora, capacidade de investimento e outros. Mesmo nos casos nos quais a substituição se mostre muito vantajosa, nem sempre ela é possível. A compra pode ser atrapalhada por fatores como as dificuldades de financiamento enfrentadas por empresas que não se encontram em dia com o pagamento de impostos.

Ainda no campo da tecnologia, vale a pena ressaltar que sopradoras com diferentes propriedades são procuradas de acordo com os clientes atendidos pelas transformadoras. As empresas com atuação mais versátil, que atendem a vários clientes, optam por equipamentos mais flexíveis, com capacidade, por exemplo, de efetuar rápidas trocas de molde. No caso das empresas que atuam para um cliente só ou verticalizam suas produções, a busca é por unidades com ciclos mais rápidos.

Maior do mundo – O Brasil é um dos países onde atua a Amcor PET Packaging, multinacional de origem norte-americana. A empresa afirma ser a maior transformadora do mundo do ramo de embalagens PET. No Brasil, mantém oito unidades de produção, quatro instaladas dentro das fábricas de clientes e quatro independentes, uma delas a maior do gênero instalada no Hemisfério Sul.

Plástico Moderno, Rodolfo Salles, gerente de engenharia e desenvolvimento da Amcor, Máquinas - Sopradoras - Economia aquecida eleva procura por máquinas com maior produtividade
Salles: tecnologia e relacionamento pesam na hora da escolha da marca

Entre as marcas atendidas, se encontram nomes como Coca-Cola, Kraft Foods, Hellmann’s e Unilever. “Somos a única empresa do Brasil com patente de tecnologia de envase a quente, aplicada para embalar produtos como maionese e bebidas energéticas, como o Gatorade”, informa Rodolfo Salles, gerente de engenharia e desenvolvimento da Amcor.

De acordo com Salles, não está sendo fácil equipar as plantas da empresa para poder acompanhar a crescente demanda dos clientes. “Temos investido vários milhões de dólares nos últimos anos e tudo indica que vamos continuar em um ritmo forte no ano que vem”, informa sem revelar números. O motivo dessa estratégia tem sido o aquecimento da economia. “Nos últimos anos, estávamos trabalhando com previsão de crescimento vegetativo de 6% ao ano, mas a demanda tem crescido acima dos 10%”, diz.

Na hora de comprar as máquinas necessárias para a ampliação da Amcor, segundo Salles, a empresa faz diversas análises. “No nosso caso, não podemos pensar de maneira isolada. Precisamos levar em conta toda a infra-estrutura da fábrica, todos os equipamentos periféricos que vão trabalhar em conjunto com a sopradora”, diz.

O raciocínio vale tanto para as peças sopradas com a tecnologia injection-blow quanto para as de sopro convencional. No caso da fabricação de embalagens para produtos alimentícios, o equipamento precisa levar em conta detalhes como a precisão da pressão do ar soprado. Para evitar contaminações, o ambiente também tem de estar isento de partículas de óleo.

Os fornecedores capazes de oferecer equipamentos apropriados para a operação da Amcor são fabricantes instalados no exterior. “Entre os quesitos básicos que procuramos ao investir na compra de máquinas se encontram a plataforma tecnológica, a capacidade de serviços de assistência técnica, a experiência que temos com a marca tanto no Brasil quanto em nossas fábricas no exterior e a relação de confiança que temos com os fornecedores”, resume Salles. As marcas com as quais a empresa investe com assiduidade são a alemã Krones e a francesa Sidel, no caso dos processos de injeção e sopro, e as japonesas Aoki e ASB, quando a aquisição é de sopradoras de um único estágio.

Fiéis às marcas – O cliente satisfeito volta sempre. A velha máxima vale também para o mercado de sopradoras. Algumas transformadoras, que mantêm relacionamento antigo com fornecedores de máquinas, quando pensam em adquirir um novo modelo não escondem a preferência pelas marcas nas quais confiam.

Plástico Moderno, João Carlos Bobadilla, gerente de qualidade da transformadora Farmaplast, Máquinas - Sopradoras - Economia aquecida eleva procura por máquinas com maior produtividade
Bobadilla: relacionamento com Aoki gera bons resultados

Um exemplo é o da Farmaplast, transformadora há 31 anos no mercado. A empresa, com 55 funcionários, atua principalmente no ramo da indústria farmacêutica, embora também forneça embalagens para as indústrias cosmética e alimentícia. Especializada na produção de frascos com volumes de 10 a 150 mililitros, ela transforma PET e polietileno.

Em sua planta, localizada em Cotia-SP, a transformadora conta com duas linhas de produção, uma formada por máquinas de injection-strech-blow e outra por sopradoras convencionais. Ao todo, produz cerca de 3 milhões de embalagens por mês, das quais 6 milhões são de PET.

Os bons ventos da economia também têm incentivado a Farmaplast a investir. “Hoje, nosso foco principal se encontra na expansão da linha de máquinas voltadas para a produção de embalagens em PET”, informa Bobadilla. Hoje, a empresa dispõe de três equipamentos do gênero para transformar essa matéria-prima. Já foi definida a compra de um quarto para o próximo ano.

A expectativa é de comprar outras duas unidades, uma para 2009 e outra para 2010, o que dobrará o número atual dessas máquinas na fábrica da empresa. “Em relação às máquinas convencionais não temos nenhuma aquisição definida, se fizermos alguma compra será para substituir uma mais antiga”, diz o gerente. Hoje, ao todo, a empresa conta com oito sopradoras convencionais.

A boa experiência da Farmaplast com seus fornecedores de equipamentos a leva a escolher, na hora da compra, as mesmas marcas que já possui. “Nossos clientes exigem muita qualidade e temos conseguido bons resultados com as máquinas que dispomos”, resume Bobadilla.

No caso das de injection-strech-blow para PET, a preferida é a japonesa Aoki. “Temos uma parceria muito grande com a Aoki. Todos os moldes usados nas máquinas são feitos pela empresa no exterior”, revela. Segundo o gerente, o custo da importação das ferramentas exige um investimento elevado, mas o custo/benefício vale a pena. “As ferramentarias nacionais deixam a desejar”, lamenta.

Ele garante que o benefício acaba sendo repassado também para os clientes sem custos adicionais no caso de assinaturas de contratos de fornecimento que valham o esforço. Quando o assunto é a compra de máquinas de sopro convencionais, Bobadilla não deixa dúvidas. “Se houver uma compra, será da Bekum”, afirma.

Com 230 funcionários, a Greco & Guerreiro vai completar dezoito anos de existência em janeiro. Localizada no município de Morungaba-SP, a empresa surgiu como fabricante de produtos de limpeza. Na época, com dificuldades de adquirir embalagens, acabou verticalizando sua linha de produção. Não demorou muito e a empresa acabou se tornando produtora de embalagens.

Hoje, a empresa conta com 30 máquinas de sopro, com capacidade instalada para transformar 700 toneladas por mês de peças desde 15 mililitros a 20 litros. “Em torno de 95% de nossos clientes são empresas fabricantes de produtos de higiene e beleza, mas também fazemos alguns produtos para os setores alimentícios e de óleos lubrificantes”, explica Alcides Guerreiro, sócio-proprietário da empresa.

Para Guerreiro, a Greco & Guerreiro deve fechar o ano de 2007 com crescimento razoável, apesar de viver momentos de oscilação. O cenário permitiu a aquisição neste ano de cinco novas máquinas. E os investimentos devem prosseguir em ritmo semelhante em 2008. Os equipamentos são utilizados tanto para a ampliação da produção quanto para a substituição dos modelos mais antigos por outros com melhor produtividade. “Nossa máquina mais antiga vai completar sete anos. Com o aumento de desempenho dos modelos mais novos, a longevidade do equipamento está bem menor”, justifica.

Na hora de adquirir um equipamento de sopro, Guerreiro não claudica. “Hoje, 100% de nossa linha industrial é formada por máquinas da Pavan Zanetti”, informa. O porquê da escolha? “Nós prezamos muito o relacionamento e a assistência técnica que a empresa nos dá. Temos uma parceria histórica”, resume o sócio-proprietário.

Caso a caso – Muitas transformadoras, embora possam até contar com alguma simpatia em relação a determinadas marcas de equipamentos, na hora da compra preferem analisar os modelos disponíveis no mercado com muita atenção antes de tomar qualquer decisão. Uma delas é a Unipac, criada em 1966 como uma divisão do grupo Jacto, especializado em equipamentos agrícolas, e que se transformou em empresa independente em 1976.

Atualmente, ela conta com cerca de 900 funcionários e 126 máquinas de transformação de plástico. Possui, ao todo, três unidades fabris instaladas no Estado de São Paulo, nos municípios de Pompéia, Regente Feijó e Santa Bárbara. Sua especialidade é a produção de soprados dos mais variados volumes, de frascos de 50 ml a tanques de 5,5 mil litros. Tem como especialidade a produção de embalagens para as indústrias agroquímica, fotoquímica, de limpeza e alimentícia, entre outras.

A empresa não reclama do atual momento por que passa. Em 2007, estima contar com faturamento 11% superior ao do ano passado. “Já tínhamos feito investimentos fortes em 2006, com a aquisição de sete novas sopradoras, que foram instaladas esse ano. Para 2008, devemos repetir a compra”, revela o vice-presidente, Marcos Antonio Ribeiro.

Como produz uma ampla gama de peças, a escolha das marcas das máquinas varia caso a caso. “Para determinadas operações, não existem no Brasil fabricantes das máquinas que necessitamos”, revela Ribeiro. Entre as importadas, as marcas preferidas são a italiana Techne, a alemã Cautex e a americana Cincinatti. A escolha também é feita a dedo nas categorias de máquinas nas quais os fabricantes nacionais participam da concorrência. “Temos boas marcas no Brasil”, avalia Ribeiro.

Há trinta anos no mercado, a Poly-Blow conta com 135 funcionários e é especializada no sopro de embalagens para os setores químico, farmacêutico e veterinário, entre outros. A empresa, situada em São Bernardo do Campo-SP, tem como diferencial a linha de embalagens biodegradáveis Poly-Bio, lançada no ano passado e que permite a produção de frascos de PEAD, PEBD e PP, soprados ou injetados. O lançamento rendeu à empresa o prêmio Word Star 2006, organizado pela Word Packing Organization.

“O ano podia ser melhor”, analisa Perez. O aquecimento do mercado interno, para a Poly-Blow, não foi intenso o suficiente para compensar as dificuldades que a empresa enfrenta para exportar, problema causado pela desvalorização do dólar. De qualquer forma, a empresa importou este ano um equipamento para operações de injection-blow. Sem revelar maiores detalhes sobre a máquina e também sobre a infra-estrutura da empresa, Perez explica que o equipamento, por enquanto, foi suficiente para atingir capacidade instalada satisfatória.

A estratégia adotada pela empresa na hora de investir em equipamentos passa por uma ampla pesquisa de mercado. “Faço muitas visitas em feiras, consulto catálogos e procuro conversar com o diretor de produção na hora de escolher a máquina mais adequada”, revela.

Tática semelhante é adotada pela Allplas. A empresa, com unidades em São Paulo e Cotia-SP, trabalha com sopro e injeção e conta ao todo com 350 funcionários. Grande parte de seus clientes vêm do segmento farmacêutico. No ramo do sopro convencional e de PET, possui 40 máquinas. “A cada aquisição procuramos atender às nossas necessidades. Para determinadas linhas de produtos, somos obrigados a importar equipamentos, pois não existem modelos nacionais. Quando é possível adquirir uma máquina no Brasil, estudamos qual a alternativa mais vantajosa”, revela Gama.

 

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