Máquinas – Injetoras – Transformador nacional é obrigado a se modernizar para não fechar as portas

Com a demanda em alta e a forte concorrência dos produtos plásticos importados, os transformadores nacionais não têm opção: ou modernizam o parque fabril ou vão perder mercado. A obsolescência do setor é assunto recorrente. Além da falta de produtividade e do excessivo consumo energético, as injetoras antigas, muitas com mais de quinze anos de uso, deixam a desejar ainda no quesito segurança.

A boa notícia é que a procura por injetoras está em alta. Porém, o câmbio e a forte concorrência asiática prejudicaram a participação do fabricante brasileiro no mercado local. A Cobrirel, de São Paulo, está entre os transformadores que optaram pelas máquinas asiáticas em virtude do custo.

De acordo com o diretor da empresa, Antonio Trevisan, vários critérios foram avaliados, tais como produtividade, consumo energético, qualidade das peças produzidas e assistência técnica. Porém, o fator decisivo foi o preço. “A diferença fica entre 30% e 40% quando comparada à injetora nacional”, diz.

A necessidade de ampliar a capacidade de produção e de reduzir o consumo energético justificou a substituição de sete injetoras na Cobrirel, transformadora de termoplásticos e fabricante de moldes. A empresa opera com 19 máquinas, das quais 11 asiáticas, incluindo as novas, e oito nacionais, com forças de fechamento entre 60 e 450 toneladas.

As sete máquinas asiáticas foram instaladas entre fevereiro e setembro de 2007 e substituíram injetoras com cinco até dezesseis anos de uso. “A redução no consumo energético chega a 30% em relação aos equipamentos antigos”, afirma Trevisan.

Os investimentos começaram no final de 2006, ano em que as vendas da Cobrirel cresceram 30%, e foram concluídos na última edição da Brasilplast, realizada em maio deste ano. “Finalizamos as negociações na feira”, diz. A empresa gastou em torno de R$ 800 mil com as sete injetoras e um centro de usinagem.

Além disso, a companhia conclui o aperfeiçoamento de seu departamento de projetos com a aquisição de novos softwares CAE-CAD-CAM. Como resultado dessas ações, a sua capacidade de produção saltou para 160 toneladas/mês, um aumento de 30% em relação a 2006.

A Cobrirel presta serviços para terceiros e conta ainda com uma linha de produtos próprios para o segmento de utilidades domésticas, responsável por 50% do faturamento. Conforme Trevisan, o lançamento de novos produtos aumentou a participação no mercado de UD e exigiu a ampliação da capacidade produtiva. “As vendas já estão 20% superiores aos volumes registrados em 2006”, comemora.

Entre os lançamentos, cita os acessórios para o mercado de água mineral, como a bomba para galões de 10 ou 20 litros. “Evita o contato da água com o meio externo e o desperdício, além de aumentar a higiene durante o consumo.” A empresa fabrica ainda caixas plásticas, pisos, cabides e outros itens.

Trevisan lamenta, no entanto, a forte concorrência asiática no segmento de transformados plásticos e de moldes. “Para fazer frente aos produtos chineses, é preciso baixar custos de produção, incluindo a hora/máquina. Uma das soluções encontradas foi comprar uma injetora asiática a um preço inferior. Parece incoerente, mas é a realidade.”

Na opinião do empresário, o governo brasileiro deveria tomar ações mais efetivas para evitar tais distorções tanto no segmento de máquinas e moldes quanto no de transformados plásticos. “Equipamento mais barato é ótimo para o transformador, mas arrebenta com a indústria nacional de bens de capital.”

Dessa opinião compartilha Weslei M. Lautenschleguer, da 9Injet, de Ipeúna-SP: “Existe uma gama de problemas que afetam a transformação nacional. Desde as questões inerentes ao custo Brasil à concorrência dos tigres asiáticos, subsidiados por seus governos e mal fiscalizados pelos nossos governantes.”

Moldes – No segmento de moldes, a concorrência chinesa também é grande. “Recebemos nove moldes de um grande cliente do setor eletroeletrônico. O valor pago pelas ferramentas não compra os porta-moldes nacionais”, afirma Trevisan. Antes de iniciar a produção, foi necessário realizar diversas alterações e melhorias nos pinos extratores, cavidades etc. “Não atendem a altas produções. São ferramentas para pequenos lotes de peças.”De acordo com Trevisan, até as ferramentarias portuguesas perderam mercado para os asiáticos no Brasil. Outra preocupação do empresário se refere ao aumento no preço das resinas plásticas. “Só em 2007, as altas ficaram na ordem de 30%. Estamos pressionados entre os grandes clientes e os grandes fornecedores de insumos.”

A 9Injet opera com máquinas asiáticas e nacionais. Em setembro, a empresa adquiriu sete injetoras de 450 a 1.300 toneladas de força de fechamento de um grande fabricante nacional. “Foram investidos R$ 9 milhões”, diz Lautenschleguer. A fábrica opera ainda com três injetoras asiáticas de 200, 300 e 600 t. “São máquinas com baixo custo de manutenção, confiáveis e de fácil operação. Porém, com recursos tecnológicos limitados”, diz.

De acordo com Lautenschleguer, os critérios que mais pesaram na decisão foram prazo de entrega das máquinas atendendo ao projeto, baixa depreciação dos equipamentos, facilidades para execução do projeto, linha de financiamento oferecida pelo fabricante, valor da marca adquirida e a parceria firmada entre as empresas.

Fundada em 2005, a 9Injet fornece peças para os segmentos de eletrodomésticos e linha branca em geral, e tem capacidade para processar 500 t/mês. Entre os principais avanços das injetoras, Lautenschleguer cita os parâmetros relativos à garantia do processo, segurança e redução do consumo energético. “Tais mudanças atendem às expectativas dos nossos clientes, dos funcionários em virtude da segurança e meio ambiente e dos acionistas com a redução de energia elétrica e grande repetibilidade com baixo índice de rejeição.”

Ressalta ainda a evolução nos comandos. “Os avanços tecnológicos são intrínsecos aos comandos. A interface homem/máquina é extremamente necessária para facilitar os meios de produção.” Em meados de janeiro de 2008, a 9Injet pretende colocar em operação uma ferramentaria para a construção de moldes de médio e grande portes, além de nova planta para a injeção de peças plásticas. “O mercado é amplo, mas as indústrias precisam aprimorar o planejamento técnico, para ganhar produtividade e eliminar perdas. Não vejo empresas obsoletas ou estagnadas e sim mal geridas.”

Na avaliação de Lautenschleguer, os empresários nacionais precisam também investir mais no treinamento de seus colaboradores. “O mercado está carente de pessoas com boa formação técnica em plástico. Conhecimento é fundamental para que um molde ou uma injetora tenham vida longa. Não podemos nos abater perante os concorrentes, sejam eles nacionais ou estrangeiros. A busca de uma empresa fincada na excelência de serviços associada a uma redução de custos internos, com certeza, proporciona ao cliente final um trabalho de qualidade ímpar e preços condizentes ao produto final.”

Em cenário favorável, os fabricantes avançam e superam expectativas

Mercado aquecido, vendas em elevação e boas perspectivas de negócios até o final do ano e início de 2008. Os principais fabricantes nacionais e estrangeiros de injetoras devem bater as metas de crescimento traçadas para 2007. “O ano tem sido muito positivo para a Romi. Em 2006, produzimos 307 máquinas. Neste ano, a produção de injetoras pode superar esse número”, afirma o diretor-presidente da empresa, Livaldo Aguiar dos Santos.

O gerente-comercial da Himaco, Cristian Heinen, também aposta na superação. “No atual ritmo de vendas, conseguiremos ultrapassar os números de 2006”, diz. Novos lançamentos prometem ainda aumentar o ritmo de crescimento no próximo ano. Tanto Heinen quanto Santos creditam parte do bom desempenho ao lançamento de novos modelos mais compactos. “Trata-se de tendência mundial”, diz Santos.

A última edição da Brasilplast, em maio de 2007, deu mostras dessa vertente, consolidada na Feira K, realizada em outubro, na Alemanha. As exposições evidenciaram ainda a busca pela redução do consumo energético, ampliação dos recursos de automação e aprimoramento dos comandos
eletrônicos.

Na avaliação de Santos, outra questão importante se refere à prestação de serviços. “Oferecemos assistência técnica 24 horas, pronto atendimento por telefone, grande estoque de peças de reposição, venda de peças pela internet e treinamento de operadores.”

Dessa opinião compartilha o gerente-comercial da Milacron, Hercules Piazzo. “Oferecemos treinamentos para que os clientes obtenham o melhor desempenho das máquinas. Esse tipo de ação gera resultados incríveis e altamente satisfatórios”, avalia.

De acordo com Piazzo, o volume de vendas do ano já superou os resultados de 2006. “Caminhamos rumo a um número recorde. De uma forma geral, o mercado está aquecido para equipamentos de injeção de alta tecnologia.”

As previsões para 2008 também são otimistas. “O mercado para as injetoras elétricas está em ascensão e a economia caminha de forma estável com crescimento. Não há expectativas de grandes mudanças, o que nos favorece, pois a transformação carece de tecnologia e possui um parque de máquinas na sua maioria depreciado, necessitando de reposição”, avalia Piazzo.

A Engel, representada no Brasil pela HDB, também apostou suas fichas no avanço das máquinas elétricas. O modelo 100% elétrico com colunas foi apresentado na última edição da Brasilplast, em maio. “Em 2006, os transformadores estavam preenchendo as próprias capacidades instaladas e ainda não confiavam na melhoria do mercado. Em 2007, foram obrigados a investir em novas capacidades, para não perder participação. Com isso, o ano está claramente mais ativo que o anterior”, afirma o diretor-presidente da HDB, Herbert Buschle.

Os resultados comerciais da empresa no Brasil estão entre 30% e 40% superiores. De acordo com Buschle, as perspectivas para 2008 são igualmente favoráveis. Entre os fatores negativos, cita a desvalorização do dólar perante o Euro, o que prejudica a atuação de empresas européias no mercado local. “A Engel amenizou esse impacto com preços especiais para o Brasil, que ajudam a equilibrar um pouco essa defasagem.”

Compactas – As boas perspectivas do mercado, o câmbio e o lançamento de injetora mais compacta respaldam as previsões de crescimento da Battelfeld do Brasil. “Estamos recuperando uma parcela do mercado brasileiro com um novo modelo que incorpora tecnologia hidráulica de ponta”, afirma o engenheiro de vendas, Marcos Cardenal.

A máquina possui bomba de vazão variável com controle eletrônico em closed loop. “Garante maior precisão e economia de eletricidade. Novos desenvolvimentos em sistemas de vedação tornaram a injetora mais confiável em relação a vazamentos. E o preço está bastante competitivo”, diz. A empresa já fechou um pacote de 32 unidades para o segmento automotivo.

Na avaliação de Cardenal, se o dólar continuar estável e no patamar em que se encontra, haverá volume razoável de investimentos em 2008. “Será um ano tão bom quanto 2007.”

De acordo com Santos: “O consumo de máquinas compactas é uma tendência mundial.” Em 2007, a Romi consolidou a Série Prática, com o lançamento do modelo 380. “Em breve, colocará no mercado a Prática 450”, diz. A Romi lançou ainda a Primax 1300 R e a 1500 R (duas opções de injetoras de grande porte) e a Primax R Multicomponentes, que completam o portfólio de produtos. A empresa lançou no ano passado a Série Prática, com equipamentos de menor porte, com força de abertura desde 40 até 380 toneladas, alta tecnologia, com excelente relação custo/benefício e pronta entrega.

Destaca ainda o serviço gratuito de Diagnóstico Remoto. “Por meio de modem, é possível checar remotamente um eventual erro em qualquer máquina que esteja conectada ao sistema telefônico. Atualmente, 62% dos chamados são resolvidos por telefone, o que permite colocar a injetora em operação num prazo muito reduzido.”

As mudanças tecnológicas na linha da Himaco têm por objetivo, entre outras coisas, baixar custos e facilitar a produção do equipamento, sem comprometer a qualidade, segundo o fabricante. “Todo desenvolvimento leva em conta ainda a redução do consumo energético. A injetora híbrida, lançada em 2006, baixou esse índice em cerca de 30%”, afirma Heinen. A empresa comemora a boa aceitação da linha Átis apresentada na Brasilplast, com 150 e 160 toneladas de força de fechamento. “Foram vendidas 70 unidades desde maio. A expectativa é de vender mais 40 máquinas até janeiro.” De acordo com Heinen, as demais linhas estão sendo atualizadas com o mesmo padrão. “Algumas das mudanças mais significativas foram o bloco hidráulico, cujas válvulas garantem maior repetibilidade e precisão na injeção, e o novo CLP com mais recursos eletrônicos, operação simplificada e tela para visualização de até oito linhas.”

Setor põe custo/benefício na berlinda

Nacionais ou estrangeiros, todos os fabricantes de injetoras para moldagem de peças plásticas afirmam oferecer o “melhor custo/benefício” em seus segmentos de aplicação. Para o transformador, o repetido chavão muitas vezes é uma incógnita. O que realmente garante a uma injetora o melhor custo/benefício? Quais critérios devem ser avaliados no momento de bater o martelo e concluir investimentos tão expressivos?

Num mercado extremamente competitivo e pulverizado, onde a variação de preço entre máquinas com a mesma tonelagem supera 40%, responder a essas e outras questões não é nada fácil. Por isso, Plástico Moderno ouviu representantes do setor e reuniu algumas respostas. Foram entrevistados o diretor-presidente das Indústrias Romi, Livaldo Aguiar dos Santos; Marcio Urakawa, do departamento de vendas da Sunnyvale; o gerente-comercial da Himaco, 0; o gerente-comercial da Milacron, Hercules Piazzo; o engenheiro de vendas da Battenfeld do Brasil, Marcos Cardenal; e o diretor-presidente da HDB, Herbert Buschle.

Plástico Moderno – Caso o Sr. fosse um transformador e não um fabricante de máquinas, o que levaria em consideração no momento de definir a compra de uma injetora?
Santos – O pré e o pós-venda. Em um bem não-durável, de baixo valor, esse tópico já é muito significativo. No caso de uma injetora de plástico, que é um investimento importante para as empresas e deve dar alto retorno, é preciso levar em consideração não somente o preço, mas também o suporte antes e depois da venda em si. Além, claro, da qualidade do produto adquirido.

Urakawa – payback, retorno do investimento, é fundamental na decisão. Avaliaria também a qualidade do equipamento, incluindo parâmetros como precisão, repetibilidade e longevidade, além do tipo de produto a ser produzido. Esse critério já restringiria o número de potenciais fornecedores. O objetivo da aquisição também tem de ser considerado a fim de definir qual a melhor opção no mercado.

PM – O Sr. acha que o transformador nacional faz essas considerações?
Urakawa – Creio que todos fazem, porém, o preço ainda é o fator que mais conta na decisão. O cenário incerto da economia também acaba por influenciar. Atualmente, a economia dá sinais de crescimento mais robusto e duradouro. Com a valorização do real, o preço de máquinas e equipamentos importados está mais competitivo. Com este horizonte, se nenhuma grande surpresa ocorrer, provavelmente o volume e a qualidade das máquinas compradas devem se elevar.

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Santos – Inicialmente o preço da máquina importada da Ásia impressionava pelo baixo custo. Mas o transformador já analisa de forma diferente porque as máquinas de baixo custo nem sempre são a melhor opção de investimento a médio e longo prazos. O empresário passou a avaliar não só o custo do equipamento, mas o suporte antes e após realizar a compra. Na Romi, é possível testar a operação da injetora antes da aquisição. Basta levar um molde e produzir o que for preciso.

PM – Quais são as demandas tecnológicas dos transformadores brasileiros? O que hoje é uma preocupação ou exigência do transformador na hora de bater o martelo, além do preço?
Heinen – O cliente quer comprar todas as vantagens possíveis, ou seja, menor preço, facilidade na forma de pagamento, maior produtividade, menor consumo de energia elétrica e um atendimento personalizado onde o vendedor deve mostrar que conhece as necessidades dele.

Cardenal – Depende do segmento. No automotivo, precisão e repetibilidade. Já em embalagens, o tempo de ciclo é muito importante. Nos segmentos de cosméticos e médico-hospitalar, a limpeza na área de moldagem faz a diferença. Porém, todos os mercados têm pontos em comum, como a confiabilidade da injetora, a assistência técnica rápida e competente e peças de reposição.

Urakawa – Os requisitos mais comumente procurados são precisão, repetibilidade, velocidade de injeção, baixa manutenção e baixo custo operacional. Muitos transformadores têm o hábito de considerar apenas o valor inicial, não visualizando os custos ao longo do tempo. Uma máquina de produção tem de ser avaliada por sua capacidade de produzir ao longo do tempo. Deve se levar em conta ainda a qualidade das peças produzidas.

Piazzo – Normalmente, são o valor e a análise do custo/benefício do equipamento. No caso da máquina elétrica, a grande redução do consumo de energia, entre 60% e 85% em relação às injetoras hidráulicas ou híbridas, e o baixíssimo índice de manutenção aliado a uma altíssima precisão são os fatores que mais influenciam positivamente os clientes no momento da decisão.

Buschle – Entre os transformadores mais sofisticados, aumentou a procura pelas injetoras 100% elétricas, que garantem maior precisão e economia de energia, entre outros parâmetros. Nas máquinas de grande porte, as exigências relativas à precisão, repetibilidade e disponibilidade são cada vez mais requisitadas.

PM – As máquinas nacionais preenchem esses requisitos?
Santos – Com certeza, as máquinas brasileiras atendem às necessidades dos
transformadores.

Urakawa – Dependendo do produto, as máquinas nacionais atendem muito bem, tendo um custo/benefício interessante. Quando se tratam de peças técnicas, com alto grau de complexidade, que demandam elevado controle de processo, ou que apresentem exigências específicas, as injetoras importadas provenientes de mercados de alta tecnologia como Japão e Alemanha ainda levam vantagem.

PM – O perfil do transformador brasileiro está mudando?
Heinen – O perfil do transformador brasileiro mudou bastante, principalmente porque esse mercado passou a ser mais concorrido e as margens de lucro baixaram.

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Piazzo – O transformador está cada vez mais criterioso. Porém, ainda existe uma minoria que avalia somente o preço e opta por equipamentos de baixa tecnologia e custo reduzido, que geram mais despesas com manutenções, consomem mais energia elétrica etc. O mercado 0busca inovação tecnológica. Não basta ser mais um transformador. Há a necessidade de investimento em tecnologia de ponta e do constante aperfeiçoamento da equipe.

PM – Quais as principais evoluções que as máquinas injetoras apresentaram nos últimos anos?
Santos – Atualmente, as máquinas tendem a ser ecologicamente mais corretas. Houve redução no consumo energético e no nível de ruído e ampliação da capacidade de produção. É uma exigência do mercado e da própria sociedade que buscam uma economia mais sustentável.

Buschle – As máquinas estão em constante evolução. Um dos maiores sucessos foi o desenvolvimento da máquina sem colunas. Após isso, houve grandes evoluções no conjunto hidráulico e eletrônico, tornando as injetoras extremamente confiáveis, com alta precisão e exata repetibilidade. Outra evolução são as máquinas elétricas, que começaram com preços 50% acima das hidráulicas e hoje estão no mesmo patamar.

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Cardenal – No geral, as injetoras de primeira linha apresentam uma série de recursos. Porém o transformador tem dificuldades em usufruir de todos eles em virtude da linguagem excessivamente técnica. Evoluções recentes simplificaram a operação e facilitaram a interface homem/máquina ao incorporar no próprio comando o manual de instruções em português, com exemplos e sugestões. Outro ponto importante é a incorporação de todo o manual de manutenção, com esquemas elétricos, hidráulicos, desenhos mecânicos e lista de peças de reposição com os códigos. O pedido de peças de reposição pode ser feito on-line nas injetoras conectadas a um sistema de rede. O comando aceita desenhos de molde ou peças no formato PDF, facilitando o start-up e o controle de qualidade. O controle de qualidade é outro item com uma série de recursos, incluindo uma tabela que verifica cada ciclo da injetora. A ênfase é facilitar a vida do usuário.

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PM – Na Brasilplast 2007, foi possível observar a preocupação e o destaque dos fabricantes nacionais e estrangeiros em relação ao comando das máquinas. A tecnologia de injeção chegou a um ponto em que os principais avanços virão dos comandos? Esse será o diferencial entre as marcas? 
Santos – Os comandos são reflexos do desenvolvimento da eletrônica embarcada. A cada ano, apresentam mais evoluções tecnológicas, e o próprio mercado espera por isso. Muitos transformadores questionam até que ponto seus funcionários estão aptos a utilizar todos os recursos que o comando oferece. Nesse quesito, o transformador brasileiro também tem mais um ponto favorável, porque pode contar com apoio e treinamento de sua mão-de-obra, assim como assistência em tempo real.

Urakawa – Os comandos influenciam bastante no processo como um todo. A velocidade de resposta dos controladores é muito importante, pois contribui para uma maior precisão de controle do processo.

PM – As grandes marcas mundiais também estão focando seus lançamentos em equipamentos mais compactos e de reduzido consumo energético para enfrentar os asiáticos e conquistar o mercado nacional?
Santos – O consumo de máquinas compactas é uma tendência mundial. São máquinas de uso geral para os transformadores de plásticos.

Piazzo – Considerando a atual situação de mercado e câmbio, o momento exige mudanças por parte dos fabricantes nacionais, tanto no processo de fabricação dos equipamentos quanto na incorporação de tecnologia, a fim de reduzir custos e agregar tecnologias que resultem em vantagens econômicas aos clientes. E isso é muito difícil a curto prazo. Um dos problemas é a rápida e fácil penetração de fabricantes de origem chinesa no mercado brasileiro, alguns com instalações e montagem local de máquinas. Por isso, os fabricantes nacionais devem buscar um desenvolvimento acelerado a fim de competir de forma mais favorável com os equipamentos importados de baixo custo.

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Cardenal – Certamente os asiáticos influenciam o mercado mundial, mas não a ponto de determinar mudanças nos desenvolvimentos das grandes marcas. O design mais compacto é fruto da evolução tecnológica e atende à necessidade de também baixar o custo da injetora.
No Brasil, ocorreu uma segmentação com relação aos asiáticos. Alguns transformadores, que utilizaram este tipo de injetora, após uma análise do custo/benefício, voltaram a comprar máquinas de primeira linha. Outros se adaptaram às limitações para determinada linha de produtos. Já os fabricantes nacionais estão procurando se ajustar à nova realidade. Alguns fizeram acordos com fabricantes asiáticos e passaram a representá-los no Brasil.

PM – As vendas de injetoras elétricas estão em crescimento em virtude do aumento da escala e redução de custos? Como está esse mercado?
Piazzo – O mercado para máquinas 100% elétricas está muito bom este ano. Obtivemos um grande crescimento comparado ao mesmo período de 2006.

Urakawa – A consolidação da tecnologia mudou e vem mudando o mercado. Além da considerável economia de energia, há também o apelo ambiental. A quantidade reduzida, quando não ausente, de óleo hidráulico permite um ambiente de trabalho mais adequado para a moldagem de peças que exigem locais limpos.

PM – Em quais segmentos as injetoras elétricas avançaram mais em 2007?
Piazzo – No de peças com alta tecnologia incorporada. Porém, há bons resultados nos setores automotivo, de embalagens, médico-hospitalar, entre outros.

PM – O parque transformador nacional está obsoleto?
Santos – O parque possui um número grande de máquinas obsoletas. Em geral, o transformador compra uma injetora nova, mas não descarta a antiga, que continua produzindo.

Urakawa – O Brasil é um grande mercado e há transformadores com os mais variados tipos de máquinas. Alguns possuem injetoras com mais de quinze anos, enquanto outros têm máquinas de última geração. Acredito que estamos migrando cada vez mais para um parque transformador com maior produtividade. O mercado global exige esta condição. Aqueles que pretendem explorá-lo devem começar a se preparar para a nova realidade.

PM – Quais os principais problemas do setor?
Urakawa – Os altos impostos são, com certeza, um grande entrave para o desenvolvimento e a modernização do parque de máquinas injetoras no Brasil.

 

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