Máquinas: Falta de confiança no governo impede avanço de novos investimentos

A indústria brasileira de bens de capital vive em 2015 um ano difícil, com expectativa de redução nas vendas. A receita líquida do setor no período de janeiro a outubro ficou na casa dos R$ 73,8 bilhões, com queda de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Não são divulgadas estatísticas oficiais sobre as vendas específicas para o setor de transformação do plástico.

O cenário se deve a uma conjunção de fatores. O principal, sem dúvida, é a crise política. Ela provoca um clima de instabilidade, tira a confiança dos consumidores e desestimula os empresários a investir em seus empreendimentos. A política econômica, que prevê a redução de gastos para se atingir o equilíbrio fiscal, enfrenta dificuldades. Para ser posta em prática de maneira eficiente, precisaria da colaboração do Legislativo, que anda às turras com o Poder Executivo federal.

Além dos ingredientes ligados ao atual momento do país, também merecem ser citados antigos “vilões”, motivos de queixas frequentes da indústria de base há muitos e muitos anos. Entre eles, juros altos e carga tributária elevada e confusa. O câmbio defasado, outro problema muito citado nos últimos tempos como causador da falta de competitividade da indústria brasileira, sofreu reviravolta positiva. Neste ano, houve forte desvalorização do real.

Plástico Moderno, Paulucci: crise automotiva derrubou venda de injetoras
Paulucci: crise automotiva derrubou venda de injetoras

Os fornecedores de máquinas voltadas para a transformação do plástico não escapam do cenário. Também passam por dificuldades, embora um pouco menores do que as vividas pelos especializados em equipamentos para outros segmentos industriais. “Temos sofrido nos últimos anos um processo de desindustrialização. No setor do plástico, isso vem ocorrendo em grau menor”, resume Gino Paulucci Junior, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Para o dirigente, essa atenuante se explica pelo fato do plástico, por sua versatilidade e praticidade, estar ganhando espaço de outras matérias-primas em várias aplicações. Podem ser citados, por exemplo, os casos do setor de embalagens, no qual as resinas substituíram metais e vidros em diversas categorias de produtos, ou da indústria de autopeças, com o uso crescente do plástico em aplicações antes inimagináveis.

Apesar de tal avanço, as estimativas de vendas para o fechamento do ano de 2015 são pouco animadoras. Vale lembrar que se trata de mercado formado por diferentes tipos de máquinas e equipamentos. Cada nicho apresenta situações distintas. Os fabricantes brasileiros de injetoras foram os que mais sofreram. “As vendas de injetoras devem fechar o ano com queda de 10%. O segmento sofreu grande impacto com a crise do setor de autopeças”, calcula Paulucci.

A queda nas vendas das sopradoras está estimada em 7%. “Existe procura razoável por máquinas para fabricar embalagens de determinados produtos, como os de higiene e limpeza ou o de águas minerais”, explica. O caso das extrusoras é o menos crítico. “A queda deve ficar em torno dos 3%. O plástico avançou bastante nos segmentos de embalagens flexíveis”. O mesmo nicho de embalagens flexíveis amenizou a situação dos fabricantes de outros tipos de equipamentos, como impressoras e máquinas de corte e solda. “A queda deve ficar em 3% também”.

Para os fornecedores de periféricos, a redução das vendas deve girar entre 4% e 5%. “Hoje há um crescente interesse no uso de periféricos”. A explicação é simples. A automação gera melhoria do processo produtivo e resulta em ganho de eficiência, condição para lá de desejável em tempos de vacas magras. “Quem pode está investindo”, resume.

Agora uma dose de otimismo. Para o próximo ano, o dirigente acredita em resultados melhores. O fato de os negócios estarem em ritmo lento pode ser revertido, muitos projetos de empreendimentos estão sendo represados e uma hora vão sair do papel. “Espero que o país retorne à normalidade política. O Brasil tem muito potencial, as pessoas não vão deixar de consumir o básico”. Se o momento agora não é lá dos melhores, tudo pode mudar de forma rápida. “Temos condições de conseguir uma retomada em ritmo veloz, basta apenas que a situação se acalme”.

Para quem pode – O constante avanço tecnológico verificado nos últimos anos tem gerado equipamentos cada vez mais capazes de proporcionar vantagens aos transformadores. Entre elas, maior produtividade e economia de energia, aspectos capazes de acelerar de forma considerável o retorno do investimento necessário para a compra de máquinas. Em um mercado para lá de competitivo como o atual, esses atributos chegam a ser quase exigências.

Com isso, não faltam bons argumentos de venda aos fabricantes. “O momento é ideal para as empresas substituírem máquinas antigas e ficarem preparadas para o momento em que houver a retomada da economia”. Paulucci lembra que uma máquina moderna gasta de 20% a 40% menos tempo para transformar a mesma tonelada de resina do que uma antiga, com economia de energia que pode girar em torno dos 30% a 40%. Some-se a isso o momento recessivo, no qual os compradores conseguem negociar condições vantajosas junto aos fornecedores.Vale lembrar, de acordo com estimativa da Abimaq, que o parque industrial brasileiro voltado para a transformação do plástico tem equipamentos com, em média, 17 anos de funcionamento. Enquanto isso, na Europa e Estados Unidos, essa média se encontra na faixa entre cinco e sete anos. “Existem transformadores aqui que trabalham com máquinas de até 25 ou 30 anos de idade”.

Não por acaso, as empresas capitalizadas estão de olho na oportunidade. “Entre os compradores atuais, merecem destaque as empresas de maior porte, com capacidade de investimento”. Paulucci lamenta as dificuldades encontradas pelas pequenas, com piores condições financeiras. “Todo mundo quer ter um carro de luxo, mas muitos só conseguem comprar uma motocicleta”, exemplifica.

As dificuldades de obtenção de financiamento não ajudam em nada. Para atrapalhar, a política de contingenciamento de gastos adotada pelo governo está reduzindo benefícios que ajudaram o setor a se tornar mais competitivo nos últimos três anos. Um exemplo ocorreu com o Finame PSI, que até o final do ano permitia o empréstimo de verbas do BNDES com juros subsidiados a 8% para quem adquirisse equipamentos nacionais. O benefício foi eliminado. Os juros para empréstimos do gênero devem subir para 12%, mesmos moldes do Finame praticado no passado.

“Muita gente nos acusa de sermos beneficiados, mas esses estímulos ajudam muito. Temos que competir com fabricantes de máquinas e equipamentos de outros países que recebem grande auxílio fiscal de seus governos”, salientou. O dirigente lembra que os tickets médios de compra de máquinas no Brasil são de R$ 80 mil e os empresários menos capitalizados são os mais beneficiados por esse tipo de medidas. “É um valor pequeno, os problemas acusados pelo mercado nos financiamentos do BNDES ocorrem nos grandes projetos, que envolvem verbas de bilhões”.

O fator dólar – O real valorizado foi motivo de queixas recorrentes dos empresários ligados à indústria de base nos últimos anos. Este ano, com a forte valorização do dólar, as máquinas e equipamentos nacionais se tornaram mais competitivos perante os importados. “O chato é que essa desvalorização ocorreu em um período em que o mercado interno se encontra combalido, não adianta ser competitivo se não há compradores”. O lado negativo desse aspecto fica por conta da crescente importação de componentes instalados nas máquinas nacionais nos últimos anos, o que minimiza os ganhos obtidos com a variação das cotações das moedas.

A concorrência dos importados atinge mais os fabricantes de injetoras. O maior foco das dificuldades é o preço das chinesas. “O dólar precisaria estar a R$ 7 para competir com eles”. De qualquer forma, a instabilidade da moeda desanima os transformadores interessados em máquinas vindas daquelas paragens. “Com a moeda muito instável, as pessoas compram sem saber direito o quanto vão pagar e isso as assusta”, afirmou.

“Em termos de tecnologia, nossos equipamentos não devem nada para os importados”. Um problema sério a ser enfrentado é o do prazo de entrega das nacionais. Ele geralmente é longo e os compradores têm pressa. “Por aqui se demora muito para produzir um equipamento. As empresas internacionais providenciam a entrega de forma mais rápida, algumas contam com máquinas em estoque”.

O dólar valorizado também melhora a perspectiva de se realizar exportações. Parece ser ótima saída em momento de mercado interno fraco. Por em prática essa estratégia, no entanto, não é coisa a ser feita em curto prazo, a não ser para as empresas que já atuam no mercado externo. “Algumas empresas, apesar das dificuldades vividas nos tempos de real valorizado, preservaram sua política de realizar exportações”, explica o dirigente da Abimaq. Quem adotou essa prática agora tem ótima oportunidade de fazer bons negócios. Para quem não apostou nessa iniciativa, é necessário paciência. “Os clientes externos precisam ter confiança no fornecimento, querem contar com estrutura de assistência técnica. Isso não se consegue de uma hora para outra”.

Sopro – A Pavan Zanetti, de Americana-SP, tradicional fabricante de sopradoras e que atua no mercado de injetoras com máquinas produzidas em parceria com empresa chinesa, já viveu momentos mais prósperos. “O ano foi complicado para fabricantes de bens de capital, com redução de pedidos, dificuldade de financiamento, mudanças das regras do Finame, aumento brutal de juros e desconfiança generalizada no governo brasileiro”, resume Newton Zanetti, diretor comercial. Para ele, a falta de confiança gerada pela crise política e econômica inibe investimentos.

De acordo com o dirigente, não existe no curto prazo um horizonte próximo de melhoras na economia. A perspectiva é de que o investimento em máquinas e equipamentos continue a conta gotas. “Temos de continuar nosso trabalho, esquecendo um pouco o que o governo poderá fazer para nós e focando no que podemos fazer para reverter um pouco essa situação”.

A redução das vendas atingiu de forma parecida os dois tipos de equipamentos oferecidos pela empresa, apesar de o custo das injetoras ter apresentado aumento com a forte valorização do dólar. “No caso das sopradoras, alguns segmentos como os de água mineral e produtos de higiene e limpeza tiveram quedas menores. O de água por se tratar de item essencial e o de higiene e limpeza por serem produtos necessários e de custo mais baixo, que ainda podem ser bancados pela população”.Uma estratégia da empresa tem sido mostrar aos clientes as vantagens de contarem com equipamentos mais produtivos e que economizam energia. “Não são palavras frágeis ou demagógicas. O desenvolvimento da tecnologia é vital, faz parte da sobrevivência da indústria nacional e da competitividade do setor de transformação”. Zanetti diz ter certeza que existem muitas máquinas defasadas no mercado. A renovação, no entanto, esbarra na situação econômica. “O cenário demanda investimentos, porém quando se toca no assunto com nossos clientes a resposta é quase sempre a de que os tempos estão instáveis e que os investimentos no momento estão suspensos”.

Para o dirigente, a modernidade não significa necessariamente máquinas mais caras. “Lutamos para que essas modificações não impactem demais o preço final do equipamento”. Ele sente falta de incentivos à competitividade, como programas de substituição de equipamentos. “Não precisamos de subsídios, mas de formas de incentivo a essas trocas”.

A Pavan Zanetti garante que mesmo antes da crise seus equipamentos já eram pensados de forma a economizar energia. Hoje, alguns de seus modelos para sopro convencional contam com deslocamento elétrico dos carros porta moldes, comando por inversor de frequência e encoder para monitorar o movimento. “Ganhamos tempo de ciclo e economia de energia”. A preocupação também atinge a área de sopro de PET. “Nosso mais recente modelo, a Petmatic 3C/2L sistema 7.000 já é quase totalmente elétrica, sem movimentos hidráulicos e poucos pneumáticos”.

Em meio à situação difícil, as exportações surgem como uma boa alternativa. O diretor lembra que os equipamentos fabricados aqui com nacionalização acima de 90%, caso das sopradoras da empresa, se tornaram mais competitivos. “Isso já nos possibilitou um aumento de 120% nas exportações deste ano. Esperamos incrementar ainda mais as vendas externas em 2016”. Uma das estratégias para atingir o objetivo é a presença em feiras e visitas de representantes, com atenção especial para o mercado latino-americano. “Temos equipamentos que concorrem em boas condições técnicas com muitos europeus e são superiores à média dos chineses e asiáticos”.

Extrusão – O ano para a Miotto começou ótimo. Não terminou conforme o esperado. A empresa, fabricante nacional de linhas de extrusão de tubos, perfis e fios, está há 54 anos no mercado e tem sede em São Bernardo do Campo-SP. “O primeiro semestre foi excelente. No segundo, as encomendas minguaram, o país foi parando”, explica Enrico Miotto, presidente. Graças aos ótimos resultados obtidos nos seis primeiros meses, o faturamento de 2015 deve ser um pouco maior do que o do exercício anterior.

A situação, na visão do empresário, é preocupante. “As perspectivas não são boas no curto prazo. A crise política está atrapalhando, alguma coisa tem que mudar”. Um dos principais problemas, na visão de Miotto, é a dificuldade de se obter financiamento. “Temos linhas de produção completas que são caras, ninguém consegue comprar se não obtiver empréstimos a juros compatíveis com a realidade”.

Os reflexos negativos do momento já começam a gerar problemas. “Estamos promovendo uma reestruturação de nossa empresa. Antes, além da Miotto, tínhamos a Universaloy, empresa fabricante de roscas para extrusão cujo principal cliente era a Miotto. Agora a Universaloy deixará de existir, passará a ser uma divisão interna da Miotto”, explicou.

O dirigente afirma que a empresa tem como estratégia lutar de forma incansável pela busca por equipamentos mais produtivos e com preços competitivos. Entre os mercados atendidos, o carro chefe da empresa nos últimos tempos tem sido o de fios e cabos. “Para esse segmento temos linhas completas de última geração, que competem de igual para igual com as europeias. Elas permitem produção de mil metros por minuto, contam com troca automática de bobinas e operam com vários materiais”, orgulha-se.

A alta do dólar ocorrida nos últimos é vista de forma positiva. “Deve estimular nossas vendas para o exterior”. O presidente acredita que a empresa está competitiva nos mercados da América do Sul, Ásia e África. “Já estamos colhendo alguns frutos, recebemos alguns pedidos de cotação. Vamos trabalhar nesse sentido”.

Situação muito parecida vive a Extrusão Brasil, empresa com sede em Diadema-SP, fabricante de extrusoras para tubos, chapas e perfis. “Foi um ano bem atípico, nossas vendas devem fechar o ano com queda de 40%”, informa Leonardo Rocha Borges, diretor de vendas. “O setor menos prejudicado foi o de fabricação de produtos de PVC, principalmente perfis”. Os motivos apontados são os mesmos. Crise política, recessão…

O discurso em relação ao dólar também é parecido com o de outras empresas. Os seus produtos se tornaram mais competitivos e vender para o mercado externo virou ótima opção. Isso apesar dos equipamentos contarem com componentes importados, o que reduz um pouco os ganhos. “Já apareceram alguns negócios bons na América do Sul. Pretendemos atuar de forma mais agressiva em países como Colômbia, Argentina e México”.

A grande novidade da empresa neste ano foi o lançamento, durante a Feiplastic, de sua máquina com roscas cônicas. Antes, a empresa só possuía modelos com roscas paralelas. “Ela é 30% mais produtiva, apresenta excelente plastificação”, garante.Representante dos segmentos de extrusoras para filmes e de equipamentos para reciclagem, a Wortex reclama menos da situação atual. “A crise brasileira atual, embora pior que todos os outros anos, não está atingindo significativamente nossas vendas”, diz Paolo de Filippis, diretor. Para ele, isso se deve ao fato da empresa estar constantemente desenvolvendo novas tecnologias e produtos. A ideia é atender as demandas do mercado. “Testamos exaustivamente os equipamentos em nossos laboratórios antes de colocá-los em operação”.

Para os próximos dois anos, a visão do dirigente é que o ambiente econômico continuará em “banho-maria”, como está agora. Ou seja, algumas empresas crescendo, outras se mantendo e outras desaparecendo. “Nesse meio tempo a Wortex manterá esforços para melhorar seus produtos, sempre com o foco em soluções que atendam as necessidades dos clientes”.

Um dos mercados nos quais a empresa acredita é o de reciclagem. “O material reciclado não serve somente para produtos de baixa qualidade, ele é muitas vezes reutilizado para aplicações de alto valor”. Um dos lançamentos recentes da empresa para esse segmento é a linha de lavagem, desenvolvida para moer, lavar e secar plásticos pós-consumo. “Ela alimenta diretamente o equipamento de granulação, opera com baixo consumo de energia e água, apresenta sistema de limpeza contínuo e permite fácil manutenção”, afirma. Outro destaque fica para a nova linha de moinhos. “Ela opera com alto fator de rendimento e permite ajuste externo das facas”.

Injetoras – “O que vai acontecer no próximo ano? Difícil dizer, talvez a Mãe Dináh soubesse se estivesse viva”, brinca Antonio Lopes, diretor comercial da Sandretto do Brasil, empresa fabricante de injetoras instalada em Americana-SP. Ele torce para que as coisas melhorem, uma vez que o ano de 2015 não vai deixar saudade. “Foi um ano atípico, acompanhamos o mercado. Teremos queda nas vendas de cerca de 30%”.

Ele credita o resultado ao clima recessivo vivido pelo país. “As vendas dos transformadores caíram. Quem vai comprar máquinas se está com suas linhas de produção ociosas”, questiona. Entre os segmentos industriais atendidos pela empresa, todos apresentaram resultados negativos. “O setor de embalagens é o que apresentou resultados melhores, apesar de aquém do esperado”.

A melhor notícia do ano, para ele, foca na desvalorização ocorrida da moeda brasileira. ”Isso melhora a condição dos fabricantes de máquinas, tanto para atender o mercado interno quanto o externo”. No mercado interno, fará diferença quando houver a retomada da economia. As exportações surgem como alternativa bastante interessante. Para Lopes, no entanto, não é coisa que se consiga do dia para a noite. É necessário se fazer um trabalho em longo prazo.

Ele lembra que com o cenário de real valorizado, vivido nos últimos anos, houve desmobilização da indústria nacional para investir no mercado externo. Agora, quem quiser atingir esse objetivo, precisará começar todo um trabalho. “As coisas não acontecem assim, vamos exportar e pronto. Precisamos montar toda uma estrutura que envolve investir em representantes comerciais, na montagem de equipes de assistência técnica e superar outras dificuldades”.

A novidade da Sandretto, em termos de tecnologia, foi o lançamento, na Feiplastic, da linha Meglio DEA, formada por máquinas de 240 a 500 toneladas de força de fechamento. As máquinas são uma evolução dos modelos anteriores da empresa. Sua principal característica é permitir ciclos rápidos. Conta com sistema de dosagem elétrica, acumulador para a realização de movimentos simultâneos e outros recursos. “A linha é indicada para os segmentos de descartáveis e embalagens. Ela tem muito mercado, com o dólar caro, tem preço bastante competitivo. Só falta a economia voltar a se aquecer”.

A Himaco, de Novo Hamburgo – RS, fabricante de injetoras no mercado desde 1969, também se queixa. “O ano de 2014 foi normal, já neste as vendas caíram muito, faturamos bem menos”, informa Sandra Trennepohl, responsável pelo departamento comercial. Para Sandra, o mercado apresenta grande instabilidade e está muito sazonal. “Poucos ramos estão bem, como os de brinquedos e utilidades domésticas, por exemplo”.

Plástico Moderno, Fechamento da linha IJH equaliza as colunas e aumenta a sua vida útil

A executiva se queixa que a indústria vem sendo prejudicada pela crise política. Devido à falta de confiança, os empresários estão com muito receio de investir, e os poucos que decidem levar os projetos adiante esbarram na falta de crédito para o financiamento das máquinas. “Apesar de reconheceram a melhora de produtividade e economia de energia com equipamentos mais modernos, muitos optam por injetoras usadas por causa do baixo custo do investimento”.
Ela acha que o governo precisa sinalizar com políticas que devolvam a confiança aos empresários. “Ele precisa oferecer linhas de crédito reais e eficazes, e as instituições financeiras devem deixar de serem extremamente cautelosas”. A executiva vê com bons olhos a possibilidade de incrementar as exportações, saída para lá de interessante nas condições atuais do mercado interno. Com a alta do dólar, ela avalia que os preços das máquinas nacionais ganharam certa paridade em relação às importadas. “Estamos aumentando as vendas para o exterior, principalmente de máquinas rotativas usadas nas indústrias calçadistas”.

A empresa tem em sua carteira máquinas horizontais que variam de 80 a 650 toneladas de força de fechamento e também oferece máquinas verticais e rotativas. Entre seus clientes, além de transformadores de peças, destaque para os fabricantes de calçados. “Em 2015, um dos modelos mais vendidos foi o rotativo para injeção de PVC expandido, seguido das máquinas horizontais com 160 e 300 toneladas de força de fechamento”. Entre as novidades, a empresa lançou na Feiplastic duas máquinas horizontais, a Atis 5000-3000 LHT com servo motor; e a Atis 1600, com movimentos simultâneos na abertura e extração, bomba dupla e servo motor. “Nosso objetivo é nos consolidarmos como a segunda empresa no Brasil com capacidade para produzir injetoras”.

Plástico Moderno, Darnel: fechamento da linha IJH equaliza as colunas e aumenta a sua vida útil
Darnel: fechamento da linha IJH equaliza as colunas e aumenta a sua vida útil

Outra fabricante de injetoras gaúcha de Novo Hamburgo, a Jasot também reclama. “O ano de 2015 foi ruim. E 2014 conseguiu ser pior ainda”, explica José Darnel, diretor. Para ele, diversos fatores contribuem para este desempenho. Um dos principais tem sido a incômoda concorrência das máquinas chinesas. Entre os clientes mais ativos, o dirigente cita o segmento calçadista, que em toda a história da empresa sempre foi de grande importância. “Nos últimos quatro anos foi o mercado para qual mais produzimos”.

Para Darnel, a valorização do dólar é importante para a reação do mercado nacional, torna os equipamentos nacionais mais competitivos em relação aos importados. Isso não significa um rápido caminho para as exportações. Ele acredita faltar para o governo participar de acordos comerciais mais representativos. “Não temos um acordo comercial que nos estimule perante o Mercosul, não somos protagonistas do mercado sul-americano, embora tenhamos tudo para ser”.

As perspectivas para o próximo ano são de melhora. “Muitas empresas não dependem deste financiamento para aquisição de máquinas”. Entre as capitalizadas, muitas estão projetando aquisições. “Isto nos dá tranquilidade para planejar as tomadas de decisões para o ano que se inicia”.

A empresa acaba de divulgar o lançamento da linha de injetoras hidráulicas IJH, formada por modelos 150, 180 e 240 toneladas de força de fechamento. Sua característica principal é o fechamento totalmente hidráulico, sem acionamentos mecânicos. “É uma linha diferenciada, inspirada nos principais projetos europeus, mas com projeto e produção 100% nacionais”. Seu acionamento se dá por dois cilindros menores que movimentam o platô móvel. O sistema de fechamento não precisa de lubrificação manual ou programada e tem a opção de instalação de servomotor. “Ele proporciona a equalização automática das colunas, garantindo grande vida útil. Também não há mais altura mínima de molde nem regulagem de altura de molde”.

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