Máquinas – Extrusoras – Diferencial competitivo nas embalagens flexíveis, as co-extrusoras avançam entre os transformadores

Plástico Moderno, Reinaldo Fantozzi Junior, diretor, Máquinas - Extrusoras - Diferencial competitivo nas embalagens flexíveis, as co-extrusoras avançam entre os transformadores
Fantozzi elogia máquina local e valoriza parceria

Melhores condições de competitividade e maior produtividade ainda norteiam os investimentos em máquinas para extrusão de filmes. Com esses propósitos, a indústria de transformação aposta cada vez mais em tecnologias que proporcionem a produção de filmes de múltiplas camadas, de maior valor agregado: as co-extrusoras. Além do melhor desempenho, as películas resultantes desse processo oferecem amplo leque de empregos específicos e ainda podem se diferenciar em aplicações tradicionais como embalagens para leite, fraldas etc. “Não há o que se discutir, o momento é de investimentos maiores em filmes co-extrudados”, afirma Rogério Mani, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief). Por requerer investimento maior, a co-extrusão avança mais rapidamente nas grandes empresas de transformação. No entanto, injetar recursos nesses equipamentos de alto valor agregado pode significar um diferencial de mercado para transformadores de médio porte, como é o caso da Plasfan, de Itapecerica da Serra-SP, que adotou por estratégia a migração para materiais mais nobres. A empresa, que contava com sete máquinas para filmes monocamadas e duas linhas de co-extrusão para três camadas, em sua última aquisição, realizada neste ano, privilegiou um equipamento capaz de processar até sete camadas. “Se optasse pelo de cinco camadas, daqui a dois ou três anos teria que comprar o de sete, e com o de sete produzimos tanto filmes de cinco como de sete camadas”, pondera o diretor Reinaldo Fantozzi Junior.

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Co-extrusão de sete camadas da Plasfan processa em torno de 200 quilos por hora (detalhe)

Na opinião dele, essa é a tendência do mercado. Hoje, na estrutura de sete materiais, ele combina duas camadas de polietileno intercaladas com duas camadas de poliamida e adesivo (PE/adesivo/PA/adesivo/PA/adesivo/PE). O investimento teve por objetivo atender os clientes do setor frigorífico, mas hoje, além desse, supre também os mercados de massa e carne seca.

Essa nova célula produtiva absorveu quase R$ 4 milhões. “Só as co-extrusoras exigiram cerca de R$ 3 milhões”, contabiliza Fantozzi. Capaz de processar em torno de 200 quilos por hora, o maquinário gera em torno de 160 toneladas mensais de embalagens e está com 60% da sua capacidade tomada. Entre os mercados potenciais, o diretor vislumbra a produção de embalagens multicamadas para leite, com vida de prateleira de três meses.

Relação sólida – Todas as extrusoras e co-extrusoras em operação na Plasfan têm fabricante único: a brasileiríssima Carnevalli. Quesito dos mais importantes, a tecnologia responde a contento: “O equipamento trabalha bem, atende às necessidades”, diz Fantozzi. Na avaliação dele, a qualidade dos filmes se equipara à obtida em máquinas importadas. “Confere planicidade, homogeneização muito boa, ótima precisão e variação mínima”, elogia.

Entre os diferenciais da co-extrusora, o diretor destaca o controle de matriz ativa Multipoint, dispositivo que controla e equilibra a oscilação de temperatura e evita variações de espessuras; e os alimentadores com dosadores gravimétricos equipados com quatro misturadores. “O equipamento faz a mistura automaticamente de até quatro materiais, dosando uniformemente as porcentagens, sem variações”, ressalta. Como resultado, são produzidos filmes com variação máxima na espessura de cerca de 3,5%.

O transformador também acredita que a parceria o favorece nos aspectos de assistência técnica e reposição de peças, além de melhor relacionamento com o fornecedor e alguns benefícios do ponto de vista financeiro. “Ganhamos agilidade na assistência técnica e melhores negociações em novas compras”, comenta.

Com a aquisição da co-extrusora, a capacidade nominal da Plasfan chega atualmente a mil toneladas mensais, mas deve ser expandida de novo em breve. Os planos de Fantozzi contemplam investimentos da ordem de R$ 1,5 milhão destinados a uma mono-extrusora de grande porte. “A capacidade em mono está muito apertada”, justifica o diretor. A máquina, ao que tudo indica, mais uma Carnevalli, deverá processar em torno de 300 quilos por hora, convertidos em capacidade adicional de 300 toneladas mensais.

Os investimentos continuam, mas o mercado oscilou muito neste ano. O crescimento não tem sido contínuo, na opinião de Fantozzi, que tem o seu foco na indústria de alimentos. As embalagens para esse setor correspondem a 80% das vendas, puxadas pelo segmento frigorífico – o carro-chefe. E a intenção é manter esse mesmo rumo.

Plástico Moderno, Ronaldo Mello, diretor da Itap Bemis, Máquinas - Extrusoras - Diferencial competitivo nas embalagens flexíveis, as co-extrusoras avançam entre os transformadores
Mello: compra de extrusoras segue passos da sua matriz

A estratégia da Plasfan é migrar para o segmento de embalagens especiais, onde a concorrência é muito menor. “A área de alimentos conta hoje com mais de seis mil fornecedores de embalagens, porém, as de maior valor agregado, de cinco camadas, com apenas cerca de quinze empresas”, estima. Na avaliação dele, o setor alimentício é o que hoje mantém melhor a rentabilidade e conta com poucos transformadores dispostos a investir em tecnologia para produzir embalagens de maior valor agregado.

Tecnologia de ponta – Recursos de última geração em equipamentos europeus e americanos norteiam sempre os investimentos na Itap Bemis, unidade de flexíveis e encolhíveis da tradicional Dixie Toga, com diversas fábricas no País. Pautada pelos desenvolvimentos de sua matriz americana, a Bemis Company Inc., maior fabricante de embalagens flexíveis dos Estados Unidos, a transformadora brasileira tem por estratégia empreender constantes investimentos, ora com o objetivo de expandir a capacidade, ora com fins de modernização, informa Ronaldo Mello, diretor da Itap Bemis.

Ao escolher apenas co-extrusoras importadas, provenientes dos mesmos fabricantes que fornecem à sua matriz, o diretor busca maior rapidez e facilidade nos projetos da empresa. “Muitos dos desenvolvimentos de extrusão que fazemos estão alinhados com os da nossa matriz”, justifica. Os investimentos, a propósito, contemplam sempre a produção de filmes de múltiplas camadas.

Mas não é só isso. Também pesa na balança a necessidade de equipamentos com recursos de última geração. “Tecnologia e qualidade são critérios fundamentais”, decreta Mello. Por conta dessa postura, os aportes da empresa contemplam a compra de equipamentos por ela considerados os melhores em âmbito mundial. “As exigências dos filmes extrudados são enormes e, por conseqüência, das máquinas também.”

O diretor restringe informações sobre as máquinas em operação em suas unidades e também sobre sua produção. Porém, elogia a evolução tecnológica dos fabricantes nacionais. “Os equipamentos brasileiros tiveram um importante ganho de qualidade nos últimos anos.”

Plástico Moderno, Ademar Louzada, diretor-presidente da Spel, Máquinas - Extrusoras - Diferencial competitivo nas embalagens flexíveis, as co-extrusoras avançam entre os transformadores
Louzada investiu em co-ex de biorentação termoencolhível

Na opinião dele, o mercado de filmes está bastante competitivo. O segmento de embalagens flexíveis apresenta crescimento acima do PIB, graças ao avanço do plástico sobre outros materiais (vidro, cartão, lata etc.) e também pela migração de embalagens plásticas rígidas para as flexíveis. Mas o setor sofre fortes pressões de custos com os aumentos nos preços das resinas, reflexo da disparada nas cotações do petróleo e insumos petroquímicos. As embalagens produzidas pela Itap atendem principalmente os mercados de alimentos e de higiene e limpeza.

Biorientação – Há sete anos, Ademar Louzada, diretor-presidente da Spel, de São Paulo, acalentava planos de investir em co-extrusoras para a produção de filmes biorientados termoencolhíveis. A empresa atua com exclusividade no ramo de embalagens extrudadas para alimentos há quase trinta anos. Em 2003, o projeto saiu do papel e ele comprou a primeira máquina do gênero. No final de 2005, adquiriu outra. Ao todo, o diretor despendeu cerca de R$ 20 milhões.Ambas foram importadas da Europa (o transformador prefere não revelar detalhes do fabricante e país de origem) e permitem produzir filmes de até cinco camadas de estruturas diversas. Segundo o diretor-presidente, não existem similares nacionais. “São equipamentos de última geração, até hoje top de linha no mercado internacional”, assegura Louzada. As co-extrusoras processam, cada uma, a média de 40 quilos por hora e geram, individualmente, em torno de 30 toneladas mensais. A primeira aquisição é própria para a produção de embalagens do tipo “tripas”. A outra, além dessas, também faz sacolas (tipo bag). Os produtos oriundos desse processo são biorientados e termoencolhíveis.

As aquisições elevaram as condições de competitividade da Spel. “Hoje temos qualidade internacional, somos uma empresa padrão, referência para clientes e também para os clientes de nossos clientes”, diz Louzada. Segundo ele, os equipamentos dispõem de uma combinação de recursos que conferem diferenciais como alta porcentagem de encolhimento, mais brilho e barreira aos materiais que permite processar.

Com capacidade nominal da ordem de 300 toneladas mensais, a Spel deve mudar de endereço em 2008. A comemoração é dupla: além de ocupar área maior, para acomodar expansões, será sua sede própria. Louzada sairá dos atuais 4.500 m² para espaço de 14.000 m² construídos, em Atibaia-SP. O início das obras está previsto para o começo de 2008.

Operação ociosa – O atual quadro da transformação de embalagens flexíveis, no entender do presidente da Abief, Rogério Mani, aponta para uma capacidade ociosa em torno de 15% no geral. “As indústrias mais atualizadas estão ainda com disponibilidade de produção, porém, as que não investiram nos últimos anos estão com ociosidade ainda maior, em virtude das novas exigências de mercado.”Além da ociosidade, o setor enfrenta problemas com a importação de embalagens argentinas, peruanas, chilenas e até equatorianas, alerta o presidente da entidade. “Principalmente no caso do BOPP (polipropileno biorientado)”, destaca.

Mani prevê, para os próximos dois anos, grandes mudanças na terceira geração, com foco no fortalecimento das indústrias por meio de fusões e aquisições. “As que não entenderem que o mundo mudou estarão fora do jogo”, decreta.

 

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