Máquinas de termoformagem: produtividade elevada e baixo custo

Setor abre mercados além dos itens descartáveis, oferecendo produtividade elevada e baixo custo

As vendas de máquinas e equipamentos no ano passado não alcançaram os mesmos níveis de 2022. O setor como um todo apresentou receita líquida total de quase R$ 286 bilhões, com queda de 11% em relação a 2022. A perspectiva para 2024 é otimista, espera-se alcançar um bom índice de recuperação. Os números são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O cenário pode ser replicado para o segmento de máquinas de termoformagem e vacuum forming.

Não existem dados oficiais sobre esse nicho de mercado, mas alguns fornecedores desses equipamentos concordam que o desempenho do segmento foi similar. Entre eles podemos citar empresas como Kester, Lacatos, Selovac, Ulma e Vacuum Forming, entre outras.

A sensação não é uniforme, alguns se mostram mais satisfeitos do que outros. O desempenho varia de acordo com o perfil das máquinas oferecidas e dos clientes atendidos. As reclamações são as de sempre, em especial contra os elevados índices de juros e as dificuldades de financiamento. Gino Paulucci Junior, presidente da Abimaq, acredita que o lançamento de um plano de ações para estimular a inovação das empresas brasileiras lançado pelo governo federal em janeiro possa aliviar essa dificuldade. O plano prevê o uso de R$ 300 bilhões para financiamentos até 2026, entre os quais se encontram incentivos para a renovação do parque industrial.

As peças obtidas pelos processos de termoformagem e vacuum forming podem ser rígidas ou flexíveis, dotadas com estruturas mono ou multicamadas. São usadas para fabricar peças as mais diversas, de pequenos itens a banheiras de grande porte. As peças podem ter exigências de qualidade não muito rigorosas, casos, por exemplo, de copos ou pratos descartáveis, até peças técnicas sofisticadas usadas pelas indústrias automobilística, de linha branca ou aeronáutica. A termoformagem apresenta características que a tornam competitiva no caso de peças que podem ser fabricadas a partir de outros meios de transformação. O caso mais notável é seu custo reduzido em relação à injeção, seu principal concorrente. O processo não exige grande espaço para instalação das linhas de produção, pode ser manejado por mão de obra menos especializada, atende boas práticas de manuseio e oferece produto final de qualidade e aparência diferenciada.

O segmento de embalagens é o maior usuário. Em muitas situações, os termoformados substituem o papelão e a polpa de celulose, entre outros materiais. Nos últimos anos, algumas mudanças no comportamento dos consumidores impulsionaram o uso da técnica. A pandemia do coronavírus fez crescer muito o mercado de delivery de alimentos e outros produtos, o que incentivou o uso de embalagens para essa finalidade.

Por preferência ou por causa da inflação elevada, os consumidores têm adquirido produtos oferecidos em porções menores, o que implica a multiplicação do número de embalagens fabricadas. Também apareceram novos nichos de mercado responsáveis pela venda de grandes volumes de peças, casos das cápsulas de café expresso, bandejas rígidas para cortes de carnes ou bandejas flexíveis para alimentos refrigerados.

O que é termoformagem?

Nem todos veem de forma clara as diferenças entre os processos de termoformagem e vacuum forming. Alexandre Farhan, diretor da Escola LF, especializada na formação de profissionais para a indústria da transformação do plástico, esclarece a dúvida.

“O conceito de vacuum forming é mais empregado para o processo produtivo de peças técnicas com espessuras mais grossas, enquanto a termoformagem se refere à confecção de embalagens de chapas finas em geral”, explica. Ambos os conceitos, conforme o caso, podem ser realizados no mesmo equipamento.

De acordo com Farhan, a transformação por vacuum forming utiliza máquinas de termoformagem por estação. Ele explica o método de forma resumida. O processo consiste em introduzir no equipamento uma chapa plástica de forma manual ou automaticamente, fixada por meio de grampos. “A chapa é posicionada sobre um quadro ou frame metálico ao qual sua borda é fixada e, em seguida, o forno é acionado, aquecendo a chapa e deixando-a maleável e moldável.

Com a chapa já em condições de ser moldada, na maioria dos casos, o molde sobe, indo de encontro ao material, e se promove o vácuo. Após a moldagem do produto, a peça é resfriada por ventilação ou névoa úmida (na maioria dos casos). Segue-se a extração da peça com um pulso de ar, e ela é transferida para a área de corte, onde receberá o acabamento.

O processo de termoformagem, por sua vez, geralmente é usado para confeccionar produtos com espessuras abaixo de 1 mm. Nesse caso, os equipamentos normalmente são alimentados por bobinas de plástico. Em um processo clássico de termoformagem, a chapa entra por uma das extremidades e no final do processo obtêm-se as peças. Alguns equipamentos possuem o sistema de corte automático e individualizado das cavidades, gerando produtos prontos e acabados. Caso o equipamento não possua esse sistema, será necessário realizar o corte e acabamento em operação posterior.

Para receber o aquecimento necessário, a bobina passa por um forno que se divide em 3 zonas: na primeira zona, denominada de entrada, o material recebe quantidade de calor necessária para receber um choque térmico; a segunda é responsável por distribuir a temperatura de forma homogênea, sendo de suma importância manter o material com a mesma temperatura em todos os pontos, seja na face superior ou na inferior; a terceira, denominada saída ou espera, também é conhecida como área de correção, nela há a possibilidade de ajuste rápido caso ocorra qualquer variação no processo de aquecimento. Por esses processos, podem ser transformadas várias resinas. Entre elas, as mais utilizadas são PEAD, PEBD, PP, PA, ABS, PET, PVC e PS.

Máquinas de termoformagem: palavra de transformador 

Um bom argumento de vendas dos fornecedores de equipamentos tem sido as vantagens proporcionadas pelas máquinas novas. Elas permitem maior produtividade, economia de energia, apresentam maior índice de automatização e podem ser integradas com facilidade aos conceitos da indústria 4.0.

Representantes das empresas de transformação concordam. “São inúmeras as vantagens dos equipamentos mais modernos”, explica Cleber Frasson Massarenti, gerente comercial da PLM Plásticos, empresa de capital 100% nacional, há 25 anos no mercado. A empresa se apresenta como uma das principais fabricantes de pallets da América Latina. Nos últimos anos, realizou investimentos e também passou a oferecer contêineres plásticos. Ela conta com forte atuação no mercado de embalagens para varejo (e-commerce).

O gerente conta que, quando a empresa optou por fabricar pallets, resolveu adotar o processo de termoformagem twin-sheet. O processo se dá por meio do aquecimento simultâneo de duas chapas, depois moldadas e comprimidas uma contra a outra.

“Como resultado, conseguimos peças extremamente leves e resistentes a impactos e compressão, características importantes para o produto final”. Outro fator que justifica a escolha do processo é a elevada produtividade. “Isso traz para a PLM patamar diferenciado em comparação com a concorrência”.

Entre as vantagens declaradas dos equipamentos modernos, Massarenti destaca dois tópicos. Um deles é a produtividade. “É fator fundamental para o atendimento de um mercado cada vez mais imediatista e com demandas crescentes”. O outro é a possibilidade de conformar produtos a cada dia mais complexos, outra demanda que de acordo com o gerente tem se tornado frequente nos últimos tempos.

Os investimentos nas linhas de produção da PLM são realizados sob demanda de produtos e ou projetos especiais. “Nossa política para renovação de máquinas está alinhada também à filosofia do grupo, acreditamos que precisamos sempre ter os melhores e mais modernos equipamentos para a nossa produção. Queremos ser uma empresa benchmarking no processo de termoformagem”.

Cenário desafiador

“O ano de 2023 foi desafiador, os volumes não foram expressivos, mas nos mantiveram na vanguarda de vendas de termoformadoras no Brasil. Para 2024, esperamos melhora no cenário econômico nacional”, informa José Eduardo Gonçalves, gerente de vendas da Ulma Packging, multinacional espanhola com mais de 60 anos. A empresa de soluções para embalagens conta com seis plantas produtivas em todo o mundo, uma delas no Brasil, em Americana-SP.

A melhora prevista para esse ano, na opinião do gerente, deve ocorrer tanto a partir da modernização do parque industrial, quanto pelo surgimento de produtos que levam a novos investimentos.

Termoformagem: Oferecendo produtividade elevada ©QD Foto: Divulgação
Gonçalves: Width-Flex evita desperdícios com retalhos

“O consumo de modo geral está alto, tanto que a inflação vem sendo puxada pelos alimentos. Há demanda que precisa ser atendida”.

Um dos diferenciais da Ulma é oferecer amplo portfólio de produtos, o que permite aos clientes decidir o melhor sistema de embalagem em função da exigência do produto e do consumidor. Além de máquinas de termoformagem, a empresa oferece equipamentos tipo flow pack (horizontais e verticais), termoseladoras e linhas de automação. “Somos líderes mundiais na venda de máquinas de flow pack horizontal, que vão de aplicações para frutas e verduras até as mais complexas, como cortes bovinos e mercado farma”. Os principais núcleos de atuação da empresa são os das indústrias de alimentos e de produtos médicos, além de outras aplicações industriais.

As linhas oferecidas para o segmento médico exploram as características de apresentação e resistência mecânica dos produtos a serem fabricados, acrescidas da necessidade de selagem hermética e possibilidade de conferir à embalagem as condições necessárias para suportar os processos de esterilização. Já para o mercado alimentício, em especial o destinado ao de fresh food, a busca é de conferir ao alimento maior tempo de vida útil com o uso de técnicas de conservação a vácuo ou sob atmosferas controladas. Os equipamentos têm características de higienização que eliminam os riscos de contaminação.

No campo das termoformadoras, uma das novidades da empresa foi o lançamento do sistema Width-Flex. Em geral, essas máquinas de termoformagem são concebidas mecanicamente com correntes de arrasto do filme de embalagem que exigem um corte longitudinal na saída da máquina para rejeitar os retalhos das embalagens. Se o formato dos produtos a embalar exigir uma largura menor, o retalho produzido na saída da máquina será maior.

De acordo com a empresa, o sistema Width-Flex oferece a possibilidade de ajustar tanto a largura quanto o avanço de todos os formatos necessários, reduzindo o desperdício de filme. Os formatos que requerem largura menor não produzem mais retalho do que o necessário, a máquina pode reduzir a distância entre as correntes de arrasto. A economia de retalhos, em certos casos, pode chegar a mais de 80%, garantem os profissionais da Ulma. A mudança no ajuste da largura dos guias de corrente é feita através do painel de operação e é executada por um sistema motorizado preciso que ajusta o guia de corrente ao longo de todo o comprimento da termoformadora.

Termoformagem: Oferecendo produtividade elevada ©QD Foto: Divulgação
TFS 300 é indicada para embalar alimentos e artigos médicos

A Ulma atua a partir de conceito We Care, que criou para valorizar a sustentabilidade. O conceito engloba a adaptação dos equipamentos oferecidos aos materiais que surgiram nos últimos anos com os propósitos de reduzir os insumos plásticos que compõem a embalagem e reduzir ao máximo o desperdício. Em paralelo, existe a preocupação de incluir o conceito da indústria 4.0 nas soluções oferecidas.

Lançamentos e retorno

A Vacuum Center, de São Paulo – SP, no mercado desde 1989, é fabricante de equipamentos para termoformagem, vacuum forming e seladoras de blister.

Termoformagem: Oferecendo produtividade elevada ©QD Foto: Divulgação
Luana: demanda por automação cresceu com o fim da pandemia

“Nossos equipamentos estão nos mais diversos nichos de mercado, desde o médico hospitalar até o agro, passando pelos setores de cosméticos, automobilístico e alimentício, entre outros. Atendemos empresas de pequeno a grande porte”, revela a CEO Luana Tavares.

Ela não se queixa do atual momento do mercado. “Nossa empresa deu um grande salto na pandemia, vendemos muitos equipamentos por conta do aumento do consumo de alimentação por delivery”. Um segredo para agradar os clientes hoje em dia, segundo Luana, é oferecer tecnologia de automação na adição dos componentes necessários para adequá-los ao sistema 4.0. Quanto mais os equipamentos conversarem com os sistemas de gestão, quanto mais os equipamentos forem automatizados com simplicidade e custo baixo, melhor o retorno.

Para atender essa demanda, a empresa lançou, em 2023, durante a feira Plástico Brasil, o modelo de termoformadora VC-MCE, que molda, corta e empilha peças com tecnologia diferenciada à oferecida pela concorrência. “É uma tecnologia patenteada por nós”. Para 2024, a empresa promete outras novidades. “Estamos lançando equipamentos compactos de vacuum forming e pressão positiva, tanto os que só moldam quanto os automatizados que moldam, cortam e empilham, voltados para maiores volumes.

Uma das novidades desse ano é o modelo VC-CMC, máquina termoformadora compacta que molda e corta na mesma estação. “Vamos lançar também a máquina VC-DT 400, destinada a dobrar peças termoplásticas como faixa de gôndola e precificadores”. Com esses lançamentos e outras estratégias comerciais, a expectativa da CEO é bastante positiva. “Em 2024 esperamos crescimento de no mínimo 30% em relação ao ano passado”.

Modelo VC-MCE, da Vaccum Center, molda, corta e empilha peças com tecnologia diferenciada ©QD Foto: Divulgação
Modelo VC-MCE, da Vaccum Center, molda, corta e empilha peças com tecnologia diferenciada

Além dos lançamentos, a empresa conta com linhas de equipamentos automáticos e semiautomáticos de termoformagem por pressão positiva, pressão negativa e seladoras de blister. “Temos linhas para produções contínuas e para produções especiais técnicas. Como exemplo de modelo mais automatizado, ela cita o MCE, que molda, corta e empilha/destaca a embalagem ou produto plástico. Ele conta com ferramentas convencionais. “Os setups das ferramentas são simples e proporcionam redução de custos graças ao ganho de tempo”.

Também são oferecidas máquinas semiautomáticas para peças técnicas. “Estamos com bastante procura de clientes interessados em desenvolver projetos específicos para determinados nichos de atuação. É o caso, por exemplo, dos ligados ao ramo automobilístico, que exigem controle rigoroso de qualidade e soluções personalizadas”. Outro modelo destacado é o de vaccuum forming VP-Balão, dotado com soluções técnicas que ajudam a garantir o estiramento do material plástico.

Ampliando o mercado de máquinas de termoformagem

O ano de 2023 para a Kester ficou com vendas abaixo de 2023. A empresa, com fábrica em Criciúma-SC, nasceu em 2015 por iniciativa de três sócios, todos com mais de 25 anos de experiencia no mercado de termoformagem.

Kestering busca alternativas para o setor de descartáveis ©QD Foto: Divulgação
Kestering busca alternativas para o setor de descartáveis

“Esse ano, até agora, ainda não engrenou. Estamos tentando entender o cenário e o mercado”, explica Rafael Kestering, diretor geral.

O dirigente credita o atual momento a alguns fatores, como a forte concorrência interna e uma aparente desaceleração nos investimentos dos principais clientes da empresa. “Nossa expertise e portfólio é muito forte nos segmentos de copos e descartáveis plásticos em geral”. Por questões ecológicas, esse nicho está sendo visto com desconfiança nos últimos anos e os investimentos das empresas voltadas para essa aplicação foram reduzidos.

“As empresas têm investido em máquinas de termoformagem mais relacionadas a embalagens e outros produtos de melhor aceitação no mercado”. Isso tem feito a empresa investir em novos modelos e trabalhar para inserir a marca em outros mercados. “Oferecemos linhas para termoformagem para todos os segmentos, de pequeno, médio ou grande porte, voltadas para transformar poliestireno, polipropileno e PET”. A empresa também fabrica máquinas de fim de linha, como embaladores automáticos, empilhadores de produtos, de automação, “itens no momento bastante procurados”.

Entre as novidades, a empresa aposta em avanços na linha de termoformadora de PET e polipropileno de múltiplos estágios, lançada em 2021. O modelo Kester TMK é alimentado por bobinas e projetado com três ou quatro estações, de acordo com a característica do produto final. As estações se dividem em funções de formação, corte, furação e empilhamento. De acordo com a empresa, possuem produtividade de 10 a 40 ciclos por minuto, executam contagem e empilhamento automático das peças e atendem as normas de segurança NR-10 e NR-12.

Outro modelo destacado é o de termoformadora de grande porte para linhas de alta produção de copos de polipropileno para o segmento de fast food. A Kester KPP pode ser adotada para qualquer volume de produção e é alimentada por bobinas. Possui prensa mecânica de formação e corte com acionamento eletromecânico tipo biela excêntrica. A máquina também processa poliestireno e possui produtividade de trinta ciclos por minuto.

“Também estamos avançando no mercado de embaladores”. Um dos modelos conta com contador e embalador automático para copos plásticos descartáveis de diversos tamanhos. Informações prestadas pela empresa dizem que ela realiza a operação com velocidade e precisão, faz a contagem por meio de fibra óptica, possui esteira para encaixotamento dos produtos e capacidade de trinta embalagens de copo por minuto.

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