Máquinas de corte e solda de alta precisão conquistam clientes

Máquinas de alta precisão e adequadas à indústria 4.0 conquistam clientes

As fabricantes nacionais de máquinas de corte e solda por calor para filmes plásticos estão otimistas em relação aos resultados de 2024. A expectativa é de crescimento, depois de um ano de razoável para bom, de acordo com algumas lideranças de empresas importantes do setor. Um segmento econômico tem colaborado com esse nicho de negócios. O poder aquisitivo da população está longe de ser o ideal, mas todos precisam consumir alguns produtos essenciais, em especial alimentos.

“Houve um aumento de distribuição de benefícios sociais e esse dinheiro é usado para comprar comida”, acrescenta Gino Paulucci Junior, diretor geral da Polimáquinas e também atual presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Para o dirigente, esse aspecto favorece a procura por sacos, sacolas e embalagens flexíveis fabricados por indústrias usuárias desse tipo de equipamento. Vale lembrar: o segmento de embalagens flexíveis no ano passado deve ter crescido na casa dos 4%, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief).

Paulucci destaca a boa oportunidade surgida para os transformadores com o um plano de ações para estimular a inovação das empresas brasileiras, lançado pelo governo federal em janeiro. O plano prevê o uso de R$ 300 bilhões para financiamentos até 2026, entre os quais se encontram incentivos para a renovação do parque industrial. O dinheiro será gerido por BNDES, Finep e Embrapii e disponibilizado por meio de linhas não reembolsáveis, reembolsáveis e recursos do mercado de capitais.

“É uma chance de empresas de pequeno porte melhorar o nível de suas máquinas, digitalizar as linhas de produção e apostar em soluções que apresentam economia de energia com a aquisição de itens com melhor taxa de financiamento”. Também pode ser uma porta de entrada dos transformadores para os conceitos previstos pela indústria 4.0.

Paulucci recomenda aos interessados em adquirir uma máquina conhecerem bem os modelos oferecidos ao mercado antes de fechar o contrato.

Paulucci: plano oficial ajuda clientes a renovar máquinas ©QD Foto: divulgação
Paulucci: plano oficial ajuda clientes a renovar máquinas

“Existem máquinas e máquinas. Algumas podem apresentar preço maior, mas proporcionam maior retorno, se pagam em menor prazo”.

O dirigente explica que uma boa maneira para seguir essa recomendação é visitando feiras. Nas feiras, os compradores podem ver as máquinas in loco e conhecer de perto detalhes de seu funcionamento. “Em agosto teremos a Interplast, em Joinville”, lembra.

Talvez o produto mais significativo para esse tipo de mercado seja a sacola. Elas quase sempre são feitas de polietileno, embora em alguns casos também se use o polipropileno ou outras resinas. A sua produção se dá a partir de bobinas de filmes, sejam eles transparentes ou dotados de pigmentos, nos casos de sacolas com predominância de uma cor. Antes de irem para a máquina de corte e solda, essas bobinas podem passar por impressoras, no de possuírem mensagens a serem gravadas.

Máquinas de corte e solda nacionais e importadas

O Brasil conta com várias marcas de máquinas para corte e solda por calor e os resultados alcançados no ano passado não foram uniformes. Algumas empresas se mostram satisfeitas, outras um tanto decepcionadas. Entre as participantes do mercado podemos citar nomes como Polimáquinas, Hece, Maqplas e Máquinas Santoro, entre outras. Também existem máquinas de corte e solda por ultrassom – a soldagem por ultrassom utiliza ondas de som com uma elevada frequência para produzir o calor introduzido nos locais das emendas previstos nas peças. Esse tipo de equipamento instalado no parque industrial brasileiro é quase todo importado.

Mendes: especialização em TNT mantém aquecidas as vendas ©QD Foto: divulgação
Mendes: especialização em TNT mantém aquecidas as vendas

“O perfil do mercado nacional de máquinas de corte e solda a calor mostra presença marcante de empresas brasileiras. Os fabricantes nacionais são bastante competitivos, não é um mercado onde os importados atuam de forma significativa”, explica Christopher Mendes, diretor financeiro da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei) e diretor da Brásia, importadora de vários equipamentos asiáticos, entre eles modelos de corte e solda pelo método de ultrassom.

As máquinas da Brásia são usadas para a confecção de sacos, sacolas e para produtos descartáveis feitos com TNT (sigla de tecido não tecido). No campo dos descartáveis se encontram itens como máscaras, toucas e aventais, entre outros.

“Antes da pandemia, esse era um mercado muito pequeno e todas as máquinas eram importadas”, conta Mendes. Com a chegada da Covid-19, o uso de máscaras se multiplicou de forma impressionante. “Foram importadas muitas máquinas da China e Taiwan e os fabricantes brasileiros foram atrás, alguns se capacitaram e passaram a oferecer o equipamento”.

Com o final da pandemia, a venda de máscaras despencou e a procura por outros itens continua limitada. “Hoje estão sobrando máquinas”. Nesse segmento os asiáticos voltaram a ser quase imbatíveis. “Os asiáticos têm grande participação nas vendas não só no Brasil, mas em todo o mundo, e as empresas nacionais têm muitas dificuldades para concorrer com eles”.

Vendas crescentes

A Polimáquinas, com planta industrial em Bauru-SP, está no mercado há 47 anos. A empresa se apresenta como líder na América Latina na fabricação de máquinas de corte e solda. “Temos dezessete famílias de máquinas, entre impressoras e máquinas de corte e solda, atendemos todas as torcidas”, resume Paulucci. Entre os clientes, transformadores das tradicionais sacolas de supermercado, sacolas com alças flexíveis, stand up, wicketer, pouch e outras.

“Todas as nossas máquinas estão preparadas para serem integradas dentro do conceito de indústria 4.0”. Em relação às vendas, o diretor geral não apresenta maiores queixas. “Como muitos de nossos clientes vendem produtos essenciais para a população, nossas vendas têm sido crescentes”. Além do mercado interno, a empresa conta com bom número de pedidos de clientes internacionais.

Uma das séries de modelos da empresa é a Polisac, máquina de corte e solda universal para a produção de diversos tipos de embalagens. As unidades desse modelo são compostas por um desbobinador fixo para até duas bobinas, balança compensadora com rolo tracionador, cabeçote de solda tipo lateral para PE, e outras características técnicas. Conta com CLP colorido do tipo touch screen que permite armazenamento de receitas e várias outras funções voltadas para facilitar a operação. Destaque para seu sistema de comunicação digital entre os componentes eletrônicos.

Para o segmento de pouches, um das linhas da empresa é a Polipouch 1000, cujas unidades são equipadas com três soldas, desbobinador com controle de tração, selador longitudinal contínuo para execução das soldas de fundo da embalagem, dois conjuntos de seladores transversais, um conjunto de resfriamento transversal, dois rolos de tração servo acionados para transporte e outros recursos. A máquina conta com CLP com visor LCD colorido tipo touch screen, onde é possível visualizar parâmetros como comprimento das peças, velocidade, quantidade produzida e temperaturas, além de armazenar receitas.

Feliz ano novo

A Hece, de São Carlos-SP, surgiu em 1962 como fabricante de ferramentas de precisão, dispositivos para máquinas operatrizes e ventiladores de teto. Em 1973, iniciou a fabricação da sua primeira máquina de corte e solda, o modelo São Carlos 700, e de lá para cá se tornou uma das principais marcas nacionais desse segmento, além de participar com destaque no mercado de termoformadoras. De acordo com informações da empresa, hoje conta com mais de 4 mil máquinas operando no Brasil e no exterior.

Sverzut: 2004 começou com um aumento de pedidos em carteira ©QD Foto:divulgação
Sverzut: 2004 começou com um aumento de pedidos em carteira

“As vendas da Hece em 2022 foram até então as melhores da nossa história, com 204 máquinas entregues. Houve um pequeno crescimento de 2022 para 2023, que iniciou com baixas vendas e incertezas em relação ao novo governo. Após a feira Plástico Brasil, as vendas aumentaram e se mantiveram altas, fazendo a empresa atingir a marca de 207 máquinas entregues”, conta o diretor Luiz Fernando do Valle Sverzut.

O ano de 2024 começou com expectativas bastante positivas. “Já estamos realizando vendas que abastecem a nossa carteira para os próximos seis meses, e as consultas continuam boas”. O otimismo é alavancado com a participação esse ano da empresa em três feiras, a Interplast, em Joinville-SC, e as internacionais, NPE nos EUA e Exploplast no Peru.

O carro-chefe da empresa no segmento de corte e solda é a SC-700 III. “É uma máquina bem versátil, produtiva e econômica, produzimos 95 máquinas nos dois últimos anos”. O equipamento padrão conta com um CNC integrado com IHM, servomotor para o transporte do filme, cabeçotes para solda lateral e solda fundo, controle microprocessado de temperatura, desbobinador, esteira com velocidade variável e fotocélula para leitura de material impresso. A máquina também possui um conjunto de acessórios opcionais: dobrador com alinhador automático, esteira empilhadeira, matriz de furos diversos, sanfonador de fundo e cabeçote de solda lateral com bainha.

Máquinas de corte e solda de alta precisão conquistam clientes ©QD Foto: divulgação
SC-700 III, da Hece, é versátil, produtiva e econômica

Na última edição da Plástico Brasil, realizada em São Paulo no ano passado, a empresa lançou a HR-1200, para produção de sacos de lixo picotados com fita de fechamento. O equipamento padrão conta com um CNC integrado a IHM, servo motores para o transporte do filme, desbobinador tangencial com elevador de bobina, aplicador de fita hamper, triangulo dobrador, rebobinador e aplicador de rótulo.

“Um diferencial da máquina é o destacamento realizado antes do bobinamento. Esse tipo de embalagem já é tendência na Europa e EUA, e está se consolidando no Brasil e na América Latina”.

Além desses dois modelos, a empresa possui mais de quarenta tipos de máquinas, indicadas para atender a quase todas as possibilidades de embalagens plásticas flexíveis.

Expectativas positivas para as máquinas de corte e solda

A Maqplas, de Garça-SP, é fabricante de vários linhas de máquinas de corte e solda, entre outros equipamentos. Ciro Lafaiete Saad, diretor de vendas, tem algumas dúvidas sobre o cenário político nacional e se preocupa com as consequências dos atuais conflitos internacionais. Com essas ressalvas, mostra-se otimista em relação ao desempenho de 2024.

“Acredito que teremos um ano mais positivo no que diz respeito à renovação do nosso parque industrial, principalmente por parte da nova geração de empresas e empresários jovens que se mostram muito arrojados e carentes de novos projetos para os segmentos de embalagens”.

CSP 600/900 da Maqplas atende a produção de artigos hospitalares ©QD Foto:divulgaçao
CSP 600/900 da Maqplas atende a produção de artigos hospitalares

Essa expectativa ocorre depois de uma certa decepção com os resultados obtidos no ano passado. O diretor lembra que a “espetacular” Feira Plástico Brasil, realizada em março, gerou várias propostas tanto no mercado nacional quanto em relação às exportações. O retorno, no entanto, não correspondeu às expectativas, fato que ele atribui ao cenário político do Brasil e à insegurança política mundial.

“Os incentivos fiscais tributários e as linhas de financiamento para aquisição de equipamentos ainda são muito complexos, o que ao nosso ver gera muita desistência de compra”, queixa-se.

De acordo com Saad, hoje as máquinas disponibilizadas pela Maqplas para as áreas alimentar, de construção civil e médica são as mais requisitadas. “Elas chegam a representar 60% de nosso faturamento”. O diretor explica que as máquinas da empresa recebem avanços tecnológicos constantes.

“Ao todo, são mais de trinta projetos feitos em colaboração com alguns fornecedores ligados ao segmento de automação, entre outros Weg e SMC. Esperamos que ainda este ano possamos fazer a divulgação desses projetos”.

A Máquinas Santoro, de São Paulo-SP, surgiu em 1959 como reparadora de máquinas operatrizes e em 1971 começou a fabricar máquinas automáticas de corte e solda para sacos plásticos. A empresa se consolidou nesse nicho de mercado e hoje conta com mais de 1,2 mil produtos instalados no Brasil e na América Latina.

CS-600L, da Máquinas Santoro, facilita o manuseio das peças ©QD Foto: divulgação
CS-600L, da Máquinas Santoro, facilita o manuseio das peças

“Nossas vendas em 2023 tiveram acréscimo de 7% em relação a 2022, devido à abertura de novos mercados no exterior, especialmente o México”, revela o engenheiro Hermes Rossi. A expectativa para 2024 é muito boa. “O ano começou acima da expectativa em função dos pedidos acumulados em carteira vindos de 2023, principalmente provenientes do exterior. Temos uma projeção de 10% de aumento no faturamento”.

O carro-chefe da empresa é a linha de máquinas de corte e solda de alta velocidade para sacos pequenos (até 10 cm). O Modelo CS-600 L é o mais vendido atualmente. “Ele produz com largura de 40 mm até 500 mm e trabalha com mesa empilhadora, o que facilita o manuseio pelo operador”.

Asiáticas

A Brásia, com sede em São Paulo, foi fundada em 2008 e comercializa máquinas e equipamentos asiáticos para as indústrias de transformação de papel e plástico. Além de máquinas de corte e solda, oferece extrusoras, sopradoras, termoformadoras, envasadoras, entre outros equipamentos.

O diretor Mendes informa que as vendas de máquinas de corte e solda para TNT no ano passado não entusiasmaram. “Estiveram devagar, ficamos mais focados nas vendas de máquinas para sacolas de papel”. Falando sobre a empresa como um todo, a expectativa é de que este ano seja melhor. “O mercado de máquinas está aquecido em alguns segmentos em que atuamos. No ano passado, mantivemos a média de faturamento dos últimos três anos”.

Modelo da Brásia produz sacolas de TNT com visor e cordão ©QD Foto: divulgação
Modelo da Brásia produz sacolas de TNT com visor e cordão

Sobre as máquinas de corte e solda para plásticos que a empresa comercializa, no momento a maior procura recai nas voltadas para produzir sacos e sacolas feitas de TNT. “Nos especializamos nesse segmento”. O TNT é um material semelhante ao tecido obtido através da liga de fibras e um polímero, geralmente o polipropileno. “Os sacos e sacolas de TNT são muito utilizadas no varejo. Nossos clientes vendem para fábricas de calçados e lojas de diversos produtos”. Elas requerem um conjunto de componentes para ultrassom, além do sistema de corte e solda por calor.

Três são os modelos oferecidos: máquinas para sacos e sacolas com produção de até 100 peças por minuto e largura útil de entrada de material de 1.450 mm; máquinas para sacolas com visor e cordão, com capacidade de produção de 20 a 199 peças por minuto; e a linha para sacolas com alça fita, automática com controlador de tensão, servo motores, foto célula, contador automático e sistema por solda ultrassom.

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