Máquinas – Abimei – Associação defende benefício dos equipamentos asiáticos

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) é uma das mais contundentes críticas em relação à importação de injetoras asiáticas, tendo por várias vezes reclamado dos preços dos equipamentos orientais, acusando-os de estarem subfaturados. A Abimei mantém sua posição, é contra esse tipo de atitude, mas contra-ataca dizendo que não se pode sustentar que há subfaturamento apenas porque os preços são menores que os preços das máquinas brasileiras. “A Abimaq não estava acreditando que o custo de fabricação na China poderia ser tão baixo, porém quem visita o país vê que várias empresas têm preços bastante baixos. É possível estar em conluio com duas, três empresas, mas com dez não dá. E várias empresas chinesas têm preços muito parecidos”, testemunha Lee. A Abimei já foi a Brasília para discutir o assunto, mas seu presidente diz que, diante da inexistência de uma acusação formal de dumping, não houve debates mais aprofundados sobre o assunto.

A questão dos preços é polêmica, e o presidente da comissão de plásticos esquenta um pouco mais o tema. Ele diz que as injetoras brasileiras poderiam ser mais baratas, bem como poderiam ter evoluído um pouco mais tecnologicamente, mas os anos de mercado fechado para as importações não foram aproveitados para isso. Mesmo com a abertura do país ao comércio internacional, Guarnieri acredita que os produtores nacionais apostaram contra o sucesso das máquinas importadas; e, quando se deram conta do erro de avaliação, a máquina asiática já era uma realidade.

Apesar da convicção dos dois defensores do maquinário importado, ainda pairam muitas dúvidas sobre as máquinas orientais. Até Guarnieri assume que, de fato, alguns setores ainda não aceitam as máquinas asiáticas, como o automobilístico, “porque os engenheiros já estão acostumados com máquinas europeias e norte-americanas” e se sentem inseguros na hora de optar pela mudança. Contribui para isso o histórico das máquinas importadas da Ásia no parque produtivo brasileiro, que não é muito longo e não permite maiores análises do comportamento das máquinas no decorrer de sua vida útil. Desse modo, os importadores de injetoras têm obtido maior sucesso e penetração nos segmentos de exigência tecnológica menor e aplicações gerais, caso das utilidades domésticas.

Já entre os outros equipamentos de transformação mais utilizados pela indústria, o predomínio das máquinas importadas da Ásia não se replica. Entre as sopradoras, além das quantidades internadas serem bem menores, também não há uma prevalência massiva de equipamentos chineses, que compartilham o mercado com máquinas produzidas em países como Taiwan e Coréia. Já no cenário das extrusoras, o Brasil se encontra mais bem preparado para a competição, pois conta com grandes empresas, qualidade boa e preços razoáveis. Além disso, o volume da produção chinesa de extrusoras não é tão grande quanto o de injetoras; e, nessa hipótese, diminui sua vantagem de ganho de escala – os preços das extrusoras chinesas não são tão competitivos.

Os dirigentes da Abimei não esperam um 2009 tão pujante quanto o ano passado, mas suas expectativas sobre o ano corrente se baseiam em premissas diferentes. Lee acredita que o volume de máquinas importadas será menor este ano por conta do arrefecimento da demanda, enquanto Guarnieri, cuja atividade profissional se foca na venda de máquinas para substituição de outras antigas, comenta que, em seu cotidiano de trabalho ainda não foram sentidos os reflexos da crise. Aliás, o argumento que o presidente da comissão de plásticos utiliza para tentar vender suas máquinas parece o mais razoável para um momento em que a demanda não demonstra força para se reerguer: é a hora de aposentar máquinas antigas, que consomem muita energia e têm baixa produtividade, e trocá-las por um número menor de máquinas mais modernas, com menor custo operacional e maior capacidade de produção.

A Abimei é uma associação relativamente nova – foi criada em 2003 – e pretende participar da Brasilplast para atender a seus associados, conquistar os não-associados e fazer concorrência com a própria Brasilplast. Leia-se: divulgar a Techmei, feira organizada pela Abimei para a exposição de máquinas e equipamentos industriais. A Abimei julga ser necessária a realização deste evento, pois a área de exposição da Brasilplast se divide entre máquinas e matérias-primas, e Thomas Lee acredita que uma feira dedicada exclusivamente às primeiras atenderia melhor aos anseios dos importadores.

Pela sua pouca idade, conquistar novos associados é um objetivo importante da Abimei na Brasilplast. Guarnieri, da comissão de plásticos, informa que trabalha na criação de uma câmara reunindo importadores de máquinas para o setor. A ideia é criar algo como um código de conduta interno, a ser seguido pelos associados, ou uma espécie de cartilha de orientação em que o comprador de máquinas importadas tenha acesso a informações de referência sobre as importadoras, principalmente sobre a capacidade técnica de suporte e pós-vendas, um reconhecido calcanhar-de-aquiles das máquinas asiáticas. Com isso, Guarnieri acredita ser possível impedir que aventureiros eventuais na importação denigram a imagem das injetoras da Ásia. De um total de cerca de trinta importadores de equipamentos para plásticos, ele avalia que apenas um terço dispõe de estrutura técnica, enquanto o restante se limita à representação. “Nós não podemos obrigar um importador a se associar à Abimei e seguir esse código interno, mas teríamos uma maneira de informar ao mercado os importadores em desacordo com as recomendações da associação”, crê.

 

Leia a reportagem principal:[box_light]Máquinas – Fabricante local luta contra medo da crise, concorrência asiática e made in China meio disfarçado[/box_light]

Página anterior 1 2

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios