Máquinas – Abimei – Associação defende benefício dos equipamentos asiáticos

Apesar de um último trimestre que assustou os agentes da economia mundial, 2008 foi um bom ano para os negócios. Não foi diferente para os importadores brasileiros de máquinas para plásticos que, a despeito da perda de um quarto do ano, depois de instalada a crise, ainda comemoram o saldo das vendas no ano passado.

Thomas Lee, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei), reputa 2008 como um ano “muito bom”, amparado por dados que revelam acentuado crescimento das importações brasileiras de máquinas para plástico. Nesse universo, que inclui injetoras, sopradoras, extrusoras e equipamentos periféricos, predominam os equipamentos de transformação por injeção. Segundo Lee, o Brasil consumiu, em 2008, cerca de 2 mil injetoras, das quais 70% importadas (metade da China), e 30% nacionais. Essa divisão entre máquinas do exterior e do Brasil é muito diferente do que acontecia até bem pouco tempo (cerca de três anos), quando a demanda brasileira por injetoras era suprida, em sua maior parte, por fornecedores nacionais.

Uma primeira análise poderia indicar que o principal artífice dessa inversão foi a desvalorização do dólar, mas, para o presidente da Abimei, não é bem assim. “A cotação do dólar é importante na decisão de compra de uma máquina, mas não é predominante”, explica Lee. Na visão do presidente da associação, o fator principal de decisão de compra de uma máquina é a ocorrência de negócios no mercado, ou seja, o comprador potencial precisa de novas máquinas para aumentar sua produção porque a demanda do mercado por seus produtos está maior. “O cliente compra a máquina porque precisa produzir mais, e não porque o dólar está favorável, pois ninguém compra máquinas para estocar. O essencial é um bom panorama de negócios”, conclui Lee.

Mas, se não foi o dólar o responsável pela tomada do mercado de injetoras pelas importações, falta definir o “culpado”; e, nos dias atuais, notícias de invasão de produtos importados estão, quase sempre, relacionadas à China. No caso da perda de espaço das injetoras nacionais no mercado interno, é exatamente o país asiático o vetor das mudanças. O presidente da Abimei afirma que as exportações chinesas para todo o mundo experimentaram grande crescimento, e a produção chinesa, por esse motivo, também se ampliou fortemente. O efeito foi uma grande queda dos custos fixos de produção, decorrentes das benesses do aumento de escala. Lee argumenta: “Em 2008, o Brasil comprou, no ano inteiro, 2 mil injetoras. Na China, o maior fabricante local produz mil injetoras por mês. E existem cerca de 100 fabricantes chineses de máquinas injetoras. Com essa economia de escala, é impossível competir em termos de custo” diz o presidente.

A conquista do mercado nacional de injetoras pelas asiáticas também é explicada por Lee pelo fato de a China possuir certa tradição na fabricação desse tipo de máquina, o que não ocorre com outros equipamentos de processamento de plásticos. O país da Ásia fabrica injetoras há mais de quarenta anos. Além disso, o presidente da Abimei pondera que a indústria chinesa atraiu concorrentes multinacionais que contribuem para a manufatura de produtos de qualidade no país asiático. Esses fabricantes, embora estejam produzindo em solo chinês, se estabeleceram por intermédio de montadoras de equipamentos: elas produzem máquinas com componentes oriundos de diversos países, ostentando qualidade internacional. Esse, na visão de Thomas Lee, é o acontecimento que traz qualidade para as injetoras chinesas, contrariando o senso comum de que a produção daquele país gera, na sua maior parte, quinquilharias. E como essas montadoras estão produzindo no padrão de demanda chinês, ou seja, em altíssimas quantidades, elas conseguem comprar componentes de qualidade a preços competitivos, aliando tecnologia a custo atraente.

Plástico Moderno, Máquinas - Abimei - Associação defende benefício dos equipamentos asiáticos
Guarnieri (dir.) e Lee: importado gera emprego e traz tecnologia

Roberto Guarnieri, presidente da comissão setorial de plásticos da Abimei, reforça as cores do quadro, adicionando que muitos dos produtores asiáticos de injetoras montam equipamentos em harmonia com regulamentações norte-americanas e europeias. Guarnieri reforça a defesa das máquinas asiáticas encampada por Thomas Lee, e tem na ponta da língua a resposta para a manutenção da importação de injetoras. Contrapondo as reclamações de produtores nacionais, ele afirma que as empresas nacionais têm capacidade fabril limitada, produzem sob encomenda e, em decorrência, dispõem de menor capacidade de investimento em tecnologia. “A entrada de muitas injetoras estrangeiras aconteceu porque em diversas vezes o cliente precisa de máquinas, mas o produtor brasileiro não tem capacidade produtiva para entregar a quantidade de máquinas desejada no prazo necessário. Então, quem quer comprar é obrigado a recorrer a quem tem máquina para vender, seja ela nacional ou importada”, afirma o presidente da comissão de plásticos.

Mas, e os efeitos danosos que a importação tem sobre a indústria nacional de injetoras? Lee e Guarnieri mantêm o discurso afinado: “A importação possibilitou o aumento do consumo brasileiro de máquinas, porque elas ficaram mais baratas, e isso gera novos empregos. A importação também permite que pequenas fábricas funcionem, pois elas passam a ter acesso a máquinas com custo menor”, diz o primeiro. Guarnieri complementa: “No Brasil, também há muitas máquinas antigas. Com a possibilidade de importação da China, o transformador nacional consegue agregar tecnologia sem aumentar os custos, em comparação à aquisição de máquinas da Europa ou dos EUA.”

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) é uma das mais contundentes críticas em relação à importação de injetoras asiáticas, tendo por várias vezes reclamado dos preços dos equipamentos orientais, acusando-os de estarem subfaturados. A Abimei mantém sua posição, é contra esse tipo de atitude, mas contra-ataca dizendo que não se pode sustentar que há subfaturamento apenas porque os preços são menores que os preços das máquinas brasileiras. “A Abimaq não estava acreditando que o custo de fabricação na China poderia ser tão baixo, porém quem visita o país vê que várias empresas têm preços bastante baixos. É possível estar em conluio com duas, três empresas, mas com dez não dá. E várias empresas chinesas têm preços muito parecidos”, testemunha Lee. A Abimei já foi a Brasília para discutir o assunto, mas seu presidente diz que, diante da inexistência de uma acusação formal de dumping, não houve debates mais aprofundados sobre o assunto.

A questão dos preços é polêmica, e o presidente da comissão de plásticos esquenta um pouco mais o tema. Ele diz que as injetoras brasileiras poderiam ser mais baratas, bem como poderiam ter evoluído um pouco mais tecnologicamente, mas os anos de mercado fechado para as importações não foram aproveitados para isso. Mesmo com a abertura do país ao comércio internacional, Guarnieri acredita que os produtores nacionais apostaram contra o sucesso das máquinas importadas; e, quando se deram conta do erro de avaliação, a máquina asiática já era uma realidade.

Apesar da convicção dos dois defensores do maquinário importado, ainda pairam muitas dúvidas sobre as máquinas orientais. Até Guarnieri assume que, de fato, alguns setores ainda não aceitam as máquinas asiáticas, como o automobilístico, “porque os engenheiros já estão acostumados com máquinas europeias e norte-americanas” e se sentem inseguros na hora de optar pela mudança. Contribui para isso o histórico das máquinas importadas da Ásia no parque produtivo brasileiro, que não é muito longo e não permite maiores análises do comportamento das máquinas no decorrer de sua vida útil. Desse modo, os importadores de injetoras têm obtido maior sucesso e penetração nos segmentos de exigência tecnológica menor e aplicações gerais, caso das utilidades domésticas.

Já entre os outros equipamentos de transformação mais utilizados pela indústria, o predomínio das máquinas importadas da Ásia não se replica. Entre as sopradoras, além das quantidades internadas serem bem menores, também não há uma prevalência massiva de equipamentos chineses, que compartilham o mercado com máquinas produzidas em países como Taiwan e Coréia. Já no cenário das extrusoras, o Brasil se encontra mais bem preparado para a competição, pois conta com grandes empresas, qualidade boa e preços razoáveis. Além disso, o volume da produção chinesa de extrusoras não é tão grande quanto o de injetoras; e, nessa hipótese, diminui sua vantagem de ganho de escala – os preços das extrusoras chinesas não são tão competitivos.

Os dirigentes da Abimei não esperam um 2009 tão pujante quanto o ano passado, mas suas expectativas sobre o ano corrente se baseiam em premissas diferentes. Lee acredita que o volume de máquinas importadas será menor este ano por conta do arrefecimento da demanda, enquanto Guarnieri, cuja atividade profissional se foca na venda de máquinas para substituição de outras antigas, comenta que, em seu cotidiano de trabalho ainda não foram sentidos os reflexos da crise. Aliás, o argumento que o presidente da comissão de plásticos utiliza para tentar vender suas máquinas parece o mais razoável para um momento em que a demanda não demonstra força para se reerguer: é a hora de aposentar máquinas antigas, que consomem muita energia e têm baixa produtividade, e trocá-las por um número menor de máquinas mais modernas, com menor custo operacional e maior capacidade de produção.

A Abimei é uma associação relativamente nova – foi criada em 2003 – e pretende participar da Brasilplast para atender a seus associados, conquistar os não-associados e fazer concorrência com a própria Brasilplast. Leia-se: divulgar a Techmei, feira organizada pela Abimei para a exposição de máquinas e equipamentos industriais. A Abimei julga ser necessária a realização deste evento, pois a área de exposição da Brasilplast se divide entre máquinas e matérias-primas, e Thomas Lee acredita que uma feira dedicada exclusivamente às primeiras atenderia melhor aos anseios dos importadores.

Pela sua pouca idade, conquistar novos associados é um objetivo importante da Abimei na Brasilplast. Guarnieri, da comissão de plásticos, informa que trabalha na criação de uma câmara reunindo importadores de máquinas para o setor. A ideia é criar algo como um código de conduta interno, a ser seguido pelos associados, ou uma espécie de cartilha de orientação em que o comprador de máquinas importadas tenha acesso a informações de referência sobre as importadoras, principalmente sobre a capacidade técnica de suporte e pós-vendas, um reconhecido calcanhar-de-aquiles das máquinas asiáticas. Com isso, Guarnieri acredita ser possível impedir que aventureiros eventuais na importação denigram a imagem das injetoras da Ásia. De um total de cerca de trinta importadores de equipamentos para plásticos, ele avalia que apenas um terço dispõe de estrutura técnica, enquanto o restante se limita à representação. “Nós não podemos obrigar um importador a se associar à Abimei e seguir esse código interno, mas teríamos uma maneira de informar ao mercado os importadores em desacordo com as recomendações da associação”, crê.

 

Leia a reportagem principal:[box_light]Máquinas – Fabricante local luta contra medo da crise, concorrência asiática e made in China meio disfarçado[/box_light]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios