Máquinas e Equipamentos

Manutenção de Moldes – Alguns cuidados evitam prejuízos e esticam a vida útil das ferramentas

Jose Paulo Sant Anna
7 de julho de 2009
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    A Cobrirel, empresa paulistana no mercado há 35 anos, atua nos dois lados da moeda. Como fabricante de moldes de elevada tecnologia, fornece para clientes rigorosos, como representantes da indústria automobilística e de eletrônicos. Também conta com planta de transformação com dezenove injetoras, com forças de fechamento de 58 a 450 toneladas. “Trabalhamos na recuperação dos moldes de nossos clientes e fazemos manutenção dos usados internamente”, explica o diretor Antonio Domingos Trevisan.

    O dirigente dá a receita usada pelo departamento de transformação da Cobrirel. “Sempre que um molde sai da máquina, temos o hábito de desmontá-lo, limpá-lo e de substituir todas as peças desgastadas”, revela. Para Trevisan, agindo dessa forma, a economia é garantida. “Sai muito mais barato tomarmos essas providências do que perder tempo com danos que podem parar a produção por várias horas”, explica.

    Padronizados e câmaras quentes – Outra recomendação unânime dos especialistas de todos os ramos: nos casos onde são necessárias substituições de peças, deve ser utilizado o máximo possível de componentes padronizados. Eles apresentam algumas vantagens, como a de ter custo competitivo por serem produzidos em larga escala. O mais importante, no entanto, se encontra no quesito qualidade. Uma peça fabricada em casa, por exemplo, dificilmente segue os padrões de escala recomendados e recebe os tratamentos térmicos necessários.

    Algumas ferramentarias de porte e grandes transformadores, por dever de ofício, têm em casa estoques para pronto uso das peças mais procuradas, casos das colunas e buchas guias. A ausência de estoques não chega a afetar de maneira grave quem não tem essa possibilidade. Esses componentes são de fácil acesso no mercado, entregues em prazos muito reduzidos.

    No caso dos moldes equipados com câmaras quentes, alguns cuidados são essenciais. “Trabalhar com controladores de temperatura multiprocessados é importante para se obter os controles de temperatura precisos”, explica Cleber Silva, gerente de desenvolvimento e marketing da Polimold, empresa líder no Brasil dos mercados de porta-moldes e câmaras quentes.

    Silva também recomenda utilizar equipamento de controle com a capacidade de desumidificar de forma gradual os componentes das câmaras, a fim de evitar choque térmico das resistências nos momentos de partida. Sempre se deve utilizar matérias-primas com teor de cargas previsto e trabalhar com temperaturas projetadas. “Os equipamentos da câmara quente são desenvolvidos para aplicações e materiais predeterminados”, ressalta.

    Palavra de quem usa – As operações de limpeza e manutenção têm suas importâncias reforçadas por transformadoras fornecedoras de peças para clientes de expressão. A Jaguar Plásticos, criada em 1978, em Jaguariúna-SP, conta com 39

    Plástico Moderno, José Felício Baldasso, diretor industrial, Manutenção de Moldes - Alguns cuidados evitam prejuízos e esticam a vida útil das ferramentas

    Baldasso: não seguir a manutenção pode ficar mais caro

    injetoras, com forças de fechamento entre 150 e 1,3 mil toneladas, e de 250 a 280 ferramentas ativas. Ela fabrica utilidades domésticas e peças sob encomenda. A empresa conta, entre seus clientes, com nomes como Nestlé, Sadia e Danone.

    “É muito importante respeitar o planejamento de manutenção preventiva que criamos para nossos moldes. Se, por qualquer motivo, não podemos parar a produção, em curto prazo o molde corre o risco de sofrer danos. Quando isso acontece, pagamos caro”, informa José Felício Baldasso, diretor industrial. De acordo com o executivo, o dia-a-dia dificulta a tarefa. “Estamos à mercê do comercial, às vezes o cliente precisa de peças, não podemos parar o molde e fazer a manutenção no período certo”, queixa-se. Para Baldasso, outro procedimento que contribui muito é a realização da limpeza e lubrificação dos moldes durante a produção.

    “Não é um número calculado, mas tenho o sentimento de que o trabalho de manutenção correto deve representar

    ganhos de 30% na vida útil do molde”, revela. Isso representa valor considerável nas linhas de peças plásticas de vida longa. “Temos projetos, caso das tampas de detergentes ou de embalagens de água mineral, nos quais já estamos utilizando o quarto molde igual para fabricar o mesmo produto”, conta.

    O diretor industrial faz outra ressalva. “A falta de cuidados também provoca a perda de eficiência, a ferramenta começa a produzir menos e gera prejuízos”, diz. A Jaguar conta com departamento de manutenção preventiva interno e também dispõe dos serviços de sua ferramentaria, instalada em um local próximo ao prédio onde se encontram instaladas as injetoras. Na ferramentaria, são realizadas revisões periódicas nas matrizes mais complexas.

    A Sonoco, localizada em Araras-SP, no mercado desde 1973, é outra transformadora que tenta seguir à risca as ações de manutenção recomendadas pelas ferramentarias. A empresa tem 52 injetoras, de 100 a 550 toneladas de força de fechamento, e em torno de 180 a 200 moldes ativos. Ela atua como fornecedora de embalagens com foco para as indústrias alimentícias e farmacêuticas.



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    2 Comentários


    1. Josias

      Estou tentando implantar uma manutenção mais efetiva na empresa além de treinamento para setor de injeção. Vocês têm algum material de apoio?
      Josias
      Ferramenteiro e Engenheiro
      Inplast/SE


    2. Jottaê Rodrigues

      Muito bom essas informações, gostei muito, foi de grande valia pra nós.



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