Manutenção: Cuidar bem das máquinas prolonga a sua vida útil e evita prejuízo com paradas

Plástico Moderno, Manutenção: Cuidar bem das máquinas prolonga a sua vida útil e evita prejuízo com paradas

Prevenir é melhor do que remediar”. Poucos são os que discordam deste antigo ensinamento. No dia a dia, no entanto, outro ditado bem conhecido muitas vezes prevalece: “na prática, a teoria é outra”. Os fabricantes de injetoras garantem vida útil às máquinas tratadas com “carinho” pelos transformadores. Por “carinho”, se entende fazer a manutenção preventiva de acordo com as recomendações dos manuais.

Os usuários dos equipamentos sabem disso e juram que tentam seguir o melhor caminho. Por culpa do ritmo acelerado das linhas de produção ou por certa falta de atenção, nem sempre conseguem. O descuido resulta em quebras e no grande prejuízo causado pelas longas paradas de máquinas. As ações precisam ser feitas com diferentes periodicidades, algumas são diárias, outras depois de alguns meses de funcionamento da máquina. Os prazos recomendados variam com o ritmo de trabalho diário imposto ao equipamento.

Também não deve ser esquecida a manutenção preditiva. Em outras palavras, os técnicos responsáveis precisam estar atentos a detalhes como som e cheiro emitidos pelas máquinas, prováveis alterações de temperatura e outros detalhes que indicam a necessidade da correção de algum desvio. Os problemas, é lógico, são mais graves no caso das máquinas mais antigas – muitas hoje instaladas nas fábricas brasileiras estão na ativa há mais de trinta anos. As novas, no entanto, também causam surpresas desagradáveis vez por outra.

Quando a máquina quebra, não há outro jeito. A ordem é fazer o reparo o mais rápido possível. Transformadores de maior porte, em geral, contam com técnicos especializados em seu time de colaboradores. Os menores, nem sempre. Pelo sim, pelo não, existem empresas especializadas em reparos, sempre lembradas nas horas difíceis. Essas empresas em geral são pequenas, às vezes apenas com seus proprietários como integrantes. Possuem diferentes tipos de especialização e são criadas muitas vezes por técnicos com anos de experiência, oriundos das equipes de assistência técnica mantidas pelos fabricantes das injetoras.

Esses prestadores de serviço têm outros filões de atuação. Eles também executam reformas completas de máquinas, realizadas para que elas tenham desempenho próximo ao de quando eram novas. Outro trabalho é o de retrofit, nome dado à reforma acompanhada da modernização do equipamento. Os retrofits e reformas são solicitados não só pelos transformadores interessados em melhorar o desempenho de suas linhas de produção, mas também pelos envolvidos na venda ou compra de equipamentos usados.

Plástico Moderno, Reis: manual das injetoras traz orientações para os clientes
Reis: manual das injetoras traz orientações para os clientes

Dicas do fabricante – Os fabricantes de equipamentos dão todas as dicas necessárias aos transformadores para manter as injetoras em boas condições de funcionamento. Um exemplo ocorre com a Romi, nome para lá de conhecido do mercado. “Elaboramos um manual completo e detalhado para o cliente planejar e realizar a manutenção preventiva e corretiva de suas máquinas”, garante William dos Reis, diretor da unidade de negócios de máquinas para plásticos.

Alguns tópicos são destacados pelo executivo. As máquinas devem ser energizadas com cabos elétricos devidamente dimensionados, com aterramento adequado e tensão balanceada entre fases. É preciso garantir o correto nivelamento da máquina. Uma prática fundamental é analisar periodicamente a qualidade físico-química do óleo hidráulico, para garantir a ausência de contaminantes. Manter a temperatura do óleo dentro da faixa de trabalho recomendada, com a vazão adequada de água industrial no trocador de calor, usar somente lubrificantes especificados e programar corretamente a frequência da lubrificação de acordo com a severidade de uso são outros cuidados fundamentais.

Também é preciso evitar acúmulo de poeira e partículas sólidas sobre partes deslizantes e rotativas, verificar todos os anos o paralelismo das placas do fechamento e a equalização dos tirantes, checar periodicamente o funcionamento dos sistemas de segurança, monitorar e substituir os filtros de óleo hidráulico e limpar o trocador de calor e os filtros de ventilação dos painéis elétricos. “O plano de revisões e verificações pode ser realizado pelo próprio cliente”, diz. Durante a entrega técnica das máquinas, os técnicos da fabricante verificam todos os principais aspectos para seu correto funcionamento. “Somente depois de efetuada a entrega técnica, o cliente passa a ter o direito ao período de garantia previsto”.

A Romi possui equipe própria de assistência técnica com mais de cem técnicos que atendem em todo território nacional e mantém estoque com mais de 16 mil itens de reposição. “Disponibilizamos atendimento eletrônico 24 horas por dia, sete dias por semana, para agendamentos técnicos. Durante o horário comercial, além dos agendamentos, dispomos de uma equipe de atendentes e consultores treinados para dar suporte técnico por telefone”, informou Reis.

Algumas curiosidades. “Cerca de 60% dos chamados técnicos são resolvidos por meio de atendimento telefônico realizado pelos consultores, que fornecem orientações técnicas para o cliente resolver os problemas de seus equipamentos”. A empresa disponibiliza um sistema de e-commerce para a aquisição e entrega rápida de peças de reposição.

Plástico Moderno, Manutenção - Verificações recomendadas
Manutenção – Verificações recomendadas

Palavra do transformador – Cada transformador conta com sua própria estratégia para lidar com a manutenção. Criada em 1937, a paulistana Plásticos Mueller é nome bastante tradicional no mercado de transformação. Seu carro chefe é produzir peças injetadas para a indústria automobilística. Para isso, conta com 23 injetoras, algumas de grande porte.

“Temos um cronograma de manutenção preventiva que tentamos cumprir à risca”, informa José Roberto Aragoni, coordenador de manutenção da empresa. Para tanto, ele conta com uma equipe de catorze pessoas. O desafio enfrentado por esses profissionais não é fácil. “Os check lists abrangem vários itens, alguns diários, outros semanais, mensais ou semestrais”.

As revisões contemplam as partes elétricas, hidráulicas e mecânicas. Cuidado especial é dedicado à qualidade do óleo presente nas máquinas. “O óleo é o ‘sangue’ das injetoras”. Quando são necessárias manutenções corretivas, a própria equipe procura resolver os problemas. “Essas injetoras custam muito caro, quando elas ficam paradas o prejuízo é grande”, salientou.

“Nós temos uma equipe de seis pessoas que cuida da manutenção preventiva de nossas máquinas”, conta Bruno Dedomenici, diretor industrial da Plásticos Regina, empresa sediada em Mauá-SP. No mercado desde 1957, a empresa se especializou na fabricação de embalagens para alimentos em 1992, nicho que representa 90% de seus negócios. O restante é dividido entre a produção de embalagens para as indústrias cosmética e farmacêutica. Ao todo, conta com 22 máquinas injetoras, de porte pequeno e médio.

O time da Regina é formado por seis colaboradores. “Temos profissionais especializados nas áreas eletrônica, elétrica e hidráulica”, informa o diretor. A meta é seguir um planejamento elaborado com base nas recomendações dos fabricantes das máquinas. As verificações dos vários itens do equipamento têm periodicidade diferente. A partir da necessidade, são organizadas as paradas. “Nos casos de manutenção corretiva, o que acontece esporadicamente, contamos com a assistência técnica dos fabricantes ou de empresas especializadas”.

Gente que faz – Quando precisam de empresas voltadas para a realização de operações de manutenção, os transformadores contam com várias opções no mercado. Podem escolher entre os profissionais que realizam serviços em geral, as especializadas em determinadas marcas e as voltadas para alguns trabalhos específicos – mecânicos, elétricos, eletrônicos e hidráulicos. Muitos apenas atendem emergências. Outros, além atenderem emergências, atuam como se fossem departamentos de manutenção terceirizados, fazem acordos para realizar operações preventivas.

Plástico Moderno, Injetora reformada e vendida pela Union, com garantia
Injetora reformada e vendida pela Union, com garantia

Alguns exemplos ajudam a entender esse quadro. A Engefluxo está no mercado desde 1993. “Somos bem focados na área hidráulica”, explica Ferdinando Corrêa de Carvalho Júnior, proprietário da empresa. Na maioria das vezes, as ações solicitadas pelos clientes são corretivas. “São poucos, mas fazemos trabalhos preventivos também”. Quando solicitada, a Engefluxo também realiza reformas e modernizações de máquinas. No caso de máquinas de maior porte, as solicitações são mais frequentes. “Com a chegada das chinesas a custo muito baixo, quem tem máquina pequena prefere comprar uma nova a reformar a antiga. Esse tipo de serviço está cada vez mais raro”, afirmou.

Há 18 anos no mercado, a Help Injetoras é uma empresa de bom porte, considerando-se esse universo de prestação de serviços. “Temos dez funcionários”, informa Vanderley Gaspar, supervisor técnico. A empresa só atua na manutenção corretiva em modelos de pequeno a grande portes. Uma curiosidade: a especialidade da casa é a manutenção das máquinas Oriente, fábrica nacional que não existe mais, mas deixou saudades pela qualidade de suas máquinas. “Também fazemos reformas e retrofit, um nicho de mercado bom para nós”, disse Gaspar.

A E.M. Manutenção nasceu há um ano. Sua criação foi uma iniciativa de Mário Xavier Vargas, proprietário e único funcionário da empresa. “Trabalho há mais de vinte anos como técnico e resolvi arriscar a ter negócio próprio”. Ele atende alguns clientes por contrato. Nesses casos, faz manutenção preventiva. Também atende pedidos para ações emergenciais e trabalha em reformas e retrofit. Uma constatação: muitos de seus clientes têm máquinas chinesas. “Elas dão muita dor de cabeça”, afirmou.

Uma opinião unânime entre esses prestadores de serviço é a de que os transformadores nem sempre levam a sério as condições de trabalho dos equipamentos. A falta de trabalhos preventivos, para Carvalho, é uma fonte de bons negócios. “O pessoal não leva muito a sério as recomendações dos fabricantes”, avalia. “Quem se preocupa com a manutenção preventiva não tem grandes problemas, mas isso nem sempre acontece”, reforça Vargas. Trata-se, pois, de boa oportunidade para os fabricantes de peças injetadas pensarem em outro velho ditado. “Antes tarde do que nunca”.

Um Comentário

  1. Bom dia,

    Dicas assim deve se dar mais enfase.
    No Brasil os tecnicos não tem o costume se se interar com o manual de manutenção, é uma cultura que mudará enfatizando pontos relevantes que não são nem um pouco considerados.
    Uma coisa muito importante, que ninguem leva à serio é proteção e manutenção na superfície das placas fixa e móvel das maquinas.
    Na mairia das empresas que visito eu vejo o mal trato nessas superficies. Tem maquina que fica com o molde fixo e condensando por muito tempo, e essa região oxida e desgasta à ponto de um molde um pouco maior se apoiar somente nas extremidades, sem considerar que colocam moldes com area muito pequena em maquinas grandes , onde o equipamento trabalhando 24 horas vai afundando a placa , isto é, deixando-a placa cheia de degraus.
    Isso compromete muito os moldes, emuitas vezes não sabem o porque….
    É muito difícil, mudar o comportamento dos tecnico e do diretores de empresas quanto a certos assuntos.
    Precisamos destacar esse ponto em palestras, em comentários como esses acima, e devagar concientizarmos à todos.
    Meu telefone é (19) 997639113 se quizerem entender melhor meu comentario fiquem à vontade.

    Att. Pedro

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