Lubrificantes: Estímulos para criar opções químicas mais adequadas

Exigências de sustentabilidade e desempenho estimulam a criar opções químicas mais adequadas

A eficiência das moléculas e as práticas sustentáveis têm sedimentado a trajetória dos lubrificantes para plásticos.

O mercado, cada vez mais, busca soluções inovadoras e de fácil reciclagem, além de comprovada segurança toxicológica.

Além dessa evolução qualitativa, o setor está em expansão e vislumbra permanecer assim, sobretudo porque estes aditivos proporcionam ganhos relevantes, tanto durante o processo, quanto no produto final.

“A sustentabilidade já é e será ainda mais a mola propulsora do setor do plástico no Brasil e no mundo. E a química é a peça fundamental da engrenagem para produzir as inovações que possibilitarão o desenho de artigos plásticos sustentáveis desde o conceito até o descarte”, afirma Eliandro Felipe, gerente regional de vendas da BU Additives América Latina da Clariant.

Considerando esse preceito, ele prevê para o setor de aditivos lubrificantes um crescimento sustentável e contínuo, baseado em soluções que possibilitem a economia circular, tanto por meio da reciclagem mecânica, quanto em relação à redução de matérias-primas de origem fóssil, sendo substituídas por aquelas de fonte renovável.

A sua fala ecoa em todo o mercado, pois os produtos com apelo ambiental vêm ocupando um lugar de destaque no portfólio das empresas.

Como reflexo desse movimento, a Clariant acaba de lançar o Licocare RBW Vita, uma linha formada por ceras 100% renováveis e compostáveis, que deriva do beneficiamento do farelo de arroz.

Além disso, a fabricante concretizou o aumento da capacidade produtiva da linha Licocene, recentemente.

Essas ceras metalocênicas contribuem, segundo Felipe, de maneira ativa para a reciclagem de termoplásticos e, consequentemente, atuam como um elemento facilitador da economia circular.

Normas nacionais e internacionais direcionam a trajetória do setor neste sentido.

Lubrificantes: Estímulos para criar opções químicas mais adequadas ©QD Foto: Divulgação
Eliandro Felipe, gerente regional de vendas da BU Additives América Latina da Clariant

“Em termos globais, o estabelecimento do European Union Green Deal (pacto verde europeu) é um fator determinante para gerar demanda por artigos plásticos mais sustentáveis”, afirma Felipe.

É um caminho sem volta. Os aditivos lubrificantes serão cada vez mais solicitados para contribuírem com um processamento mais produtivo e limpo.

Além disso, espera-se que esses produtos sejam atóxicos e reduzam, por exemplo, o consumo de energia aplicada à transformação do plástico.

Outra consequência deste cenário se traduz na crescente busca por aditivos renováveis e/ou que facilitem a reciclagem. Felipe reconhece que o centro desta transformação é a Europa, mas ainda assim constata que a abrangência desta tendência é global.

Valdemir Fantacussi, diretor técnico da Baerlocher do Brasil, pensa da mesma forma.

Lubrificantes: Estímulos para criar opções químicas mais adequadas ©QD Foto: Divulgação
Valdemir Fantacussi, diretor técnico da Baerlocher do Brasil

“A busca por produtos finais mais econômicos, exigindo mais de processos e componentes específicos, bem como as exigências relativas à economia circular, muito importantes na Europa e com discussões avançadas no Brasil, exigirão trabalhos e materiais novos nos próximos anos”, afirma.

Para Renata Brostel, gerente de P&D, da BBC Indústria e Comércio, a procura por lubrificantes inovadores e de fonte sustentável é forte, sobretudo em setores que atendem ao mercado externo.

Aliás, alguns segmentos, como o calçadista, não querem mais em suas formulações lubrificantes cujas matérias-primas são de fonte animal.

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Renata Brostel, gerente de P&D, da BBC Indústria e Comércio

“Essa tem sido a grande demanda”, enfatiza. No portfólio da BBC, contemplam essa exigência o Lubvin HS e o Lubvin GMHS (os dois são de origem renovável e de fonte vegetal).

Segundo ela, a BBC está atenta às exigências dos mais diversos segmentos do PVC, usando materiais de fontes renováveis, além de realizar pesquisas constantes para aprimorar processos de fabricação, sempre se antecipando às determinações de regulamentos nacionais e internacionais.

“Temos em nosso catálogo produtos consagrados que foram desenvolvidos pensando no uso de processos limpos, uso de matéria-prima de fonte renovável muito antes de ser uma demanda de mercado”, enfatiza Renata.

Cenário – De maneira geral, o mercado de lubrificantes cresce tanto globalmente quanto localmente. Para Felipe, esses aditivos têm sido cada vez mais usados, convertendo-se em um mercado em expansão, porque geram ganhos como a redução no consumo de energia no processo de injeção, assim como a obtenção de peças com melhor acabamento superficial ou mesmo a possibilidade de se obter compostos mais eficientes em relação a custos.

Segundo ele, a demanda por aditivos lubrificantes tem aumentado de maneira contínua e sustentável. Até por isso a fabricante suíça investe em novidades, como a linha Licocare RBW Vita.

Segundo Felipe, essa família gera produtos de alto poder de lubrificação e é indicada, em especial, para biopolímeros (como o PLA), mas também atende ao PVC e aos polímeros de engenharia, sobretudo poliamidas e poliésteres, além de PC, PC/ABS e TPU.

O portfólio da Clariant de aditivos lubrificantes para plásticos conta ainda com produtos já consagrados, como ceras de polietileno, ceras de polietileno oxidadas, ceras montânicas e ceras amídicas (da linha Licowax), e as ceras metalocênicas de última geração (sob a marca Licocene) e as ceras micronizadas (família Ceridust).

“Este amplo portfólio permite a lubrificação interna e externa de vários tipos distintos de polímeros com alto grau de compatibilidade”, avisa Felipe.

O mercado de lubrificantes apresenta potencial de crescimento, sobretudo, segundo Renata, na indústria de embalagens. Ela conta que há um aumento nas vendas desse segmento, assim como dos lubrificantes usados para PVC rígido, por conta do potencial da construção civil, que não para de evoluir no Brasil.

Aliás, a demanda de lubrificantes para PVC está ligada ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Por isso, segundo Renata, se o PIB avançar 0,3% em 2022, a expectativa será de crescimento do consumo da resina de PVC nesse volume, puxando a demanda dos lubrificantes.

Para dialogar com esse prognóstico, a BBC investe em novidades.

Na área de lubrificantes para plásticos, o seu lançamento se refere ao Lubvin GMHS, considerado pela fabricante um excelente lubrificante interno para aplicações em compostos de PVC rígido.

A produtora participa fortemente do segmento de fios e cabos, calçados, tubos, conexões, perfis e janelas de PVC. Um carro-chefe da companhia é o Lubvin G90B.

Ele age como lubrificante externo e é usado na fabricação de fios e cabos, entre outras aplicações. Renata destaca entre seus benefícios os ganhos de produtividade e o preço competitivo, além do brilho no produto final.

Na avaliação de Fantacussi, o mercado de lubrificantes tem tido um crescimento não muito expressivo em seu passado recente. Porém, as expectativas são positivas.

“Nos próximos anos, deve crescer com maior força, principalmente pelas demandas relativas ao novo marco do saneamento básico”, afirma.

Apostando nesse prognóstico, a Baerlocher prevê concluir, ainda no primeiro semestre deste ano, investimentos em duas plantas. Sem citar volumes, ele afirma que haverá um aumento significativo na capacidade produtiva.

Por ser uma empresa verticalizada na produção de suas principais matérias-primas, a Baerlocher é um dos maiores fornecedores globais de aditivos lubrificantes para plásticos e conta com plantas oleoquímicas em alguns países, inclusive no Brasil.

Segundo Fantacussi, trata-se da única produtora de one packs, que produz seus lubrificantes de origem oleoquímica. Ocasionalmente, e em pequenas quantidades, a companhia fornece diretamente algum lubrificante para correções ou obtenção de um desempenho específico.

Aliás, uma particularidade do mercado se refere ao tipo de venda, cada vez mais personalizada. Fantacussi explica que, no caso destes aditivos, o conceito moderno são formulações one pack, cuja proposta é incorporar o lubrificante a um produto único com várias funções, ou seja, não só a de lubrificar o polímero, mas também estabilizar termicamente, proporcionar melhoria de cor e propriedades de impacto, entre outras.

“Encontrar os lubrificantes corretos é uma arte e eles entram na composição em uma quantidade bastante significativa dentro do one pack”, comenta. A grande maioria dos aditivos one pack é produzida por empresas multinacionais com plantas no Brasil e, até por isso, a importação deste tipo de produto representa um percentual muito baixo.

Para atender às mais diversas e singulares exigências das indústrias, a Baerlocher possui uma equipe técnica experiente e uma grande gama de equipamentos de laboratório, além de contar com uma extrusora industrial de origem europeia, na qual produz, para testes, variados produtos finais, como tubo, forro e perfil. “Continuamente temos desenvolvido opções para atender a objetivos específicos dos clientes”, diz Fantacussi.

Especializada na distribuição e comercialização de matérias-primas para diversos setores da indústria, a Auriquímica conta com variadas opções de lubrificantes e auxiliares de processo em seu portfólio.

Entre os destaques estão as ceras de polietileno de alta dispersão como a Redex P, da Repsol.

Esse item, além de lubrificante, auxilia na melhor dispersão de pigmentos ou cargas em grande concentração, e oferece a possibilidade de melhorar o brilho de peças injetadas.

Lubrificantes: Estímulos para criar opções químicas mais adequadas ©QD Foto: Divulgação
Tiago Briana, coordenador técnico comercial da Auriquímica

“Estamos sempre em busca de novos produtos e/ou soluções para atender ao mercado de termoplásticos, tintas, adesivos e elastômeros”, afirma Tiago Briana, coordenador técnico comercial da Auriquímica.

Fundada em 1985, a companhia é tradicional no fornecimento de lubrificantes para PVC e poliolefinas, entretanto, tem buscado ampliar sua participação também entre os plásticos de engenharia e em setores que buscam soluções completas.

Sobre o mercado de lubrificantes, Briana afirma que a demanda tem crescido juntamente com a dos polímeros.

Segundo ele, como se trata de aditivos para melhoria de processo, os percentuais são menores em uma formulação, mas podem resolver muitos problemas específicos ou ainda aumentar a produtividade, utilizando a estrutura atual das máquinas, sem a necessidade imediata de compra ou melhoria em equipamentos.

A Auriquímica fez investimentos, recentes, em treinamentos para os times técnico e comercial e em estrutura logística para ampliar o alcance e melhor atendimento dos clientes.

A empresa conta com unidades em São Paulo-SP, Itajaí-SC e Novo Hamburgo-RS.

O setor – Os aditivos lubrificantes, atualmente, disponíveis no mercado são muito diversos e possuem um amplo espectro de aplicações em termoplásticos.

Os químicos típicos pertencem às seguintes famílias: ceras de hidrocarbonetos, estearatos metálicos, ésteres de ácidos graxos e ceras de amidas. Sobre seus fornecedores, sabe-se que a maioria dos players é multinacional.

Segundo Renata, o segmento voltado aos compostos de PVC flexível, basicamente, exige preço e lubrificantes externos. No entanto, o setor calçadista, sobretudo o exportador, já procura produtos mais técnicos e que atendam aos regulamentos internacionais.

A categoria de insumos para os compostos de PVC rígido, por sua vez, demanda lubrificantes internos e externos, que ajudem na produtividade e acabamento das peças.

Lubrificantes: Estímulos para criar opções químicas mais adequadas ©QD Foto: Divulgação

O ácido esteárico é o lubrificante externo mais barato e, por isso, o mais usado no segmento de PVC flexível, enquanto as ceras poliolefínicas são empregadas, sobretudo em compostos rígidos de PVC, pois promovem melhor lubrificação externa, segundo Renata. Ela cita ainda os ésteres especiais, que a BBC produz; eles são usados como lubrificantes internos e externos, e apresentam como grande vantagem a compatibilidade com a resina de PVC.

Não há espaço para aditivos à base de metais pesados, como cádmio ou chumbo, banidos no setor. Para Felipe, as ceras de polietileno, em especial as oxidadas, são largamente utilizadas na produção de compostos de PVC.

Entretanto, ceras mais modernas como as metalocênicas ou mesmo as ceras de farelo de arroz estão ganhando cada vez mais espaço nesta aplicação.

Vale mencionar que apesar de o PVC ser o principal consumidor deste aditivo, os lubrificantes são utilizados em vários outros polímeros, como poliolefinas, estirênicos, plásticos de engenharia e elastômeros termoplásticos.

Conforme Fantacussi explica, geralmente, em um produto são usados vários lubrificantes que serão escolhidos em função de diversos fatores, como o produto final, a máquina usada, outros componentes da formulação, a necessidade de produtividade e as exigências da peça fabricada, a exemplo das propriedades de impacto.

Basicamente, os lubrificantes podem ser de origem oleoquímica e petroquímica; na maioria dos casos, conforme o diretor da Baerlocher explica, apesar de não ser regra, os oleoquímicos atuam como lubrificantes internos e os petroquímicos, como externos.

Em linhas gerais, este tipo de aditivo atua reduzindo a fricção entre as macromoléculas dos polímeros (lubrificante interno) ou mediante a criação de uma película externa que modifica a tensão superficial de um artigo plástico (lubrificante externo), como explica Felipe.

“Os lubrificantes reduzem a viscosidade e a fricção internas e externas dos polímeros, diminuindo a aderência do material. São muito usados para processar PVC, devido ao mecanismo de degradação térmica deste polímero”, pontua. Fantacussi comenta ainda que o lubrificante para PVC pode gerar brilho, acentuar cor do produto final e melhorar a estabilidade térmica, entre outros benefícios.

Fantacussi destaca um movimento recente do setor: a substituição de estabilizantes de chumbo por cálcio/zinco no Brasil, e a troca de estabilizantes de estanho por cálcio/zinco em alguns países das Américas do Sul e Central.

Segundo ele, a partir disso, foi necessário mudar completamente alguns conceitos da formulação, exigindo a adaptação dos fabricantes.

“O avanço dos últimos anos em termos de produtos finais exige soluções que passam por todos os setores, máquinas, polímeros e aditivos,” conclui.

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