Logística: Soluções para facilitar operações

Plásticos geram soluções para facilitar operações de transporte e armazenagem

Tecidos de ráfia e filmes plásticos consolidaram sua presença em itens dirigidos ao armazenamento e logística de produtos os mais variados de importantes segmentos da economia, casos, por exemplo, do agronegócio e indústrias de alimentos, fertilizantes, sementes, construção civil, mineração, químicos e outras.

As resinas estão presentes com destaque em contentores flexíveis, sacarias e outros tipos de embalagens, além de silos bolsas.

O destaque para esse tipo de aplicação, é o contentor flexível, ou big bag, espécie de embalagem conhecida internacionalmente pela sigla FIBC (Flexible Intermediate Bulk Container).

Ele tem capacidade de armazenamento em torno de uma tonelada.

No Brasil existe um bom número de fabricantes de big bags. Como exemplo, podemos citar a Topack, Embaquim e Embtec.

A despeito das dificuldades impostas pela pandemia e do momento econômico do país apresentar desempenho fraco, a demanda para esse tipo de produto não decepciona essas empresas.

Ajuda o fato de elas atenderem usuários ligados a diferentes setores.

Com a diversidade, as quedas nas vendas em determinado segmento podem ser compensadas pela melhora em outros.

Um exemplo de sucesso vem do agronegócio, que nos últimos anos tem apresentado safras recordes.

De acordo com manual publicado pela Associação Brasileira dos Produtores de Fibras Poliolefínicas (Afipol), as aplicações tradicionais do big bag incluem o acondicionamento, transporte e armazenamento, com empilhamento, de materiais de fluxo contínuo em pó, flocos ou grãos, e de materiais sólidos e secos.

Para garantir conveniência e otimização logística, esta embalagem pode ser dotada de alças ou cintas que facilitam sua movimentação mecânica.

Ele é considerado como sistema de embalagem de transporte eficiente e econômico, que dispensa embalagem secundária ou paletização.

Destaca-se por contar com alta resistência à tração, proteção contra umidade e vazamentos, resistência à degradação por raios ultravioleta, elevada resistência mecânica, leveza, reciclabilidade e possibilidade de reutilização, entre outras características.

Os big bags são em sua grande maioria fabricados em ráfia de polipropileno ou de polietileno.

O processo de transformação da ráfia tem início na extrusão da resina, que resulta em fitas.

Estas fitas seguem em bobinas para alimentar teares circulares ou planos.

Nos teares as fitas são trançadas e transformadas em tecido.

Além dos big bags, esses tecidos são aproveitados em sacarias, cortinas de avícolas e suinícolas, coberturas de solo, bases para carpetes, tapetes e cordas entre outros produtos – estima-se que o Brasil produz mais de 200 mil toneladas de ráfia por ano.

Esses tecidos possuem microporos e por isso ar e água podem fluir pelo big bag.

No caso de retenção ou transporte de determinados produtos sólidos, secos, pastosos ou em pó que necessitam de proteção, o big bag conta com um liner, nome dado a um revestimento interno, tipo de forro, normalmente fabricado com filmes de polietileno – conforme o caso, são usadas outras matérias-primas ou filmes multicamadas.

Além das propriedades de barreira, o revestimento ajuda a reter materiais que tendem a vazar em casos de movimentação ou fricção do big bag.

A aplicação do liner é muito ampla, abrange de produtos alimentícios como açúcar, sal ou farinha, a produtos químicos perigosos, inclusive aqueles com risco de contaminação ou combustão espontânea.

Sua espessura varia, dependendo das características do produto a ser acondicionado ou da quantidade de umidade ou de oxigênio a ser evitada.

Outro produto de destaque, os silos bolsas ou silos bags, como são também são chamados, são compartimentos de armazenamento em formato de bolsas flexíveis que permitem armazenar todo tipo de grão e silagem.

Normalmente, esse método de armazenagem é aplicado nas culturas de milho, soja e arroz. Filmes de polietileno são os mais usados para sua confecção.

Conforme o caso são aproveitados outros materiais ou filmes multicamadas.

Portfólio variado – A Embaquim, de São Bernardo do Campo-SP, conta com variada linha de produtos voltados para diferentes aplicações.

Renata: bolsas reduzem espaço ocupado por embalagens vazias

“O nosso carro-chefe é a bolsa de mil litros, bag que substitui o volume de cinco tambores”, informa Renata Canteiro, diretora.

Elas foram projetadas para eliminar o gerenciamento e manutenção das embalagens rígidas retornáveis com redução do volume de armazenagem da embalagem vazia em até 80%, maior facilidade de manuseio, possibilidade de reciclagem e várias outras vantagens.

Na grande maioria das vezes essas bolsas são produzidas em PEBD de alto desempenho, resistente a temperaturas de -30°C a 85ºC. Existem opções de outros materiais.

Outra linha importante para a empresa é a de big bags, oferecidos em versões voltadas para atender as mais variadas necessidades de envase, transporte e armazenagem de grãos e pós. A empresa atende encomendas de indústrias dos mais variados segmentos.

“Eles são produzidos por maquinários desenvolvidos por nós”, revela a diretora.

 

Além disso, a empresa comercializa os Bag in Box, contentores de menor volume, com formatos de um a 30 litros, também fabricados em PEBD ou outros materiais e indicado para alimentos, bebidas, cosméticos, químicos, farmacêuticos e produtos agrícolas.

Outra linha de atuação é a dos liners, fabricados com diferentes formatos.

“Em 90% dos casos, os liners utilizam filmes de PEBD de alta performance, mas conforme o caso podem ser utilizados outros materiais ou filmes multicamadas”.

Logística: Soluções para facilitar operações ©QD Foto: Divulgação
Sistema Bag in Box, da Embaquim, facilita o transporte de líquidos

De acordo com a empresa, são confeccionados com matéria-prima virgem e atóxica e atendem aplicações as mais diversas, inclusive para casos de necessitem garantia de total ausência de contaminação.

Renata explica que as vendas da empresa se encontram em nível satisfatório. “A pandemia impôs dificuldades, mas em nenhum momento paramos de trabalhar”.

O fato de atender clientes diversificados colabora. “Às vezes um segmento que atendemos reduz os investimentos, mas outro aumenta e compensa de forma positiva”.

Muitas opções – A Topack, de Americana-SP, é especializada na manufatura de big bags.

Em seu portfólio, além dos contentores com design tradicional, com boca de carga total e fundo fechado, existem várias outras opções para os usuários, como os com boca de carga total e válvula para descarga no fundo, válvula superior para carga e fundo fechado e outras projetadas para atender as diferentes necessidades dos clientes.

“Os big bags podem ser ‘emblocados’ em pilhas com altura de até 15 unidades em formato de pirâmide, como são utilizados em usinas de açúcar, leveduras, café, sementes e outras aplicações, de forma a criar paredões de fácil manuseio por empilhadeira ou ponte rolante”, explica o CEO José Luiz Parrode.

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Mag Bag com liner travado da Topack

Outro produto da empresa destacado é o Bulkliner, revestimento interno para contêineres de aço projetado de forma a atender a aplicação.

Parrode ressalta a total autonomia da empresa no processo de produção.

“Começamos no polímero que é transformado em fio, o fio em tecido, e o tecido em big bag; o domínio de todo o processo garante um controle de qualidade de excelência”.

Ele também fala sobre a interação existente junto aos clientes.

“Podemos desenvolver o produto com especificações exclusivas, características artesanais nas quais cada confecção é finalizada com a análise de qualidade e inspeção ao final do processo”.

Para produzir os fios, a Topack conta com extrusoras variadas, inclusive um modelo especial cujo filme resultante é em formato de balão.

Também possui estrutura que conta com teares circulares e planos. As máquinas de costura de alças e travas automáticas são programadas por softwares.

“Nossos produtos são fabricados com matérias-primas virgens, caso do polipropileno, polietileno e aditivos”.

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Bulkliner, da Topack

O CEO explica que a empresa também usa uma “receita” diferenciada de matérias-primas para produzir os fios.

No que se refere ao ritmo das vendas, Parrode se mostra satisfeito.

“Este ano estamos vivendo um ano melhor para o mercado de big bags”, revela.

A explicação para o bom momento vem da produção agrícola. “As perspectivas são de crescimento e progressão positiva, sobretudo nos segmentos de sementes de soja e açúcar”.

Produtos perigosos – Há dez anos no mercado, a EmbTec, de Santo Antonio da Patrulha-RS, produz big bags para diversos setores da indústria nacional, como o químico, petroquímico, mineral, alimentício e siderúrgico, entre outros.

A empresa se apresenta como um dos principais fabricantes nacionais de contentores para produtos perigosos.

Para tanto, seus produtos atendem as normas do Inmetro exigidas para transporte terrestre e para exportação, além das normas determinadas de fabricação impostas pela Marinha do Brasil.

De acordo com informações prestadas pela empresa, os métodos e a maioria das máquinas industriais que utiliza foram desenvolvidos ou aperfeiçoados pelo seu time de engenharia e tem a preocupação de oferecer a melhor opção para a cadeia logística dos clientes.

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Big bag da EmbTec segue normas do Inmetro e da Marinha

Uma das estratégias é lançar modelos diferenciados, não encontrados no mercado.

Ao todo, a empresa oferece em torno de 1,5 mil modelos, em versões com diferentes opções de carregamento e descarregamento e acessórios para içamento.

Também são oferecidos liners específicos, inclusive modelos valvulados projetados para facilitar enchimento e descarregamento dos produtos a serem transportados de forma a promover a impermeabilização dos big bags sem riscos de contaminação.

Entre os itens diferenciados, por exemplo, se encontram os mini big bags, projetados para substituir bombonas de papelão, e os big bags para transporte de produtos em alta temperatura.

A empresa diz que esses produtos em sua maioria são produzidos em polipropileno aprovado em laboratório próprio, cujo objetivo é garantir que o material seja resistente, flexível e atenda padrões elevados de qualidade.

As vendas da EmbTec neste ano se mostram favoráveis em relação às do ano passado. As projeções para 2022 calculam aumento do índice Ebitda em torno de 20%.

Silos – Muito usados pelo agronegócio, os silos fabricados com o uso de filmes também merecem destaque neste tipo de aplicação.

O Supersilo, produto desenvolvido pela Electro Plastic, empresa localizada em Varginha-MG, é apesentado como solução complementar aos silos estáticos voltados para o agronegócio.

Ele é oferecido em versões com comprimentos de 60, 75 ou 100 metros de comprimento e tem capacidade média para estocar 200 toneladas de grãos.

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Supersilo é feito com cinco camadas de filmes extrudados

A empresa, no mercado desde 1956, se apresenta como pioneira no Brasil no desenvolvimento de tecnologia própria para a produção de filmes e sacos de polietileno e propileno.

Além do Supersilo, ela conta em seu portfólio para o setor agrícola com outras soluções, como tanques para captação pluvial, reservatórios de água para irrigação e lonas plásticas para proteção de insumos e armazenamento.

Para o setor de varejo, desenvolve sacos de lixo doméstico e industrial, sacolas plásticas, embalagens e vários outros produtos. Produz em torno de 12 mil toneladas de produtos por ano.

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Paula: com Supersilo, safra é vendida pelo melhor preço

“O segmento do Supersilo é de suma importância para o negócio, visto seu contínuo crescimento e a constante busca por solução para armazenamento. Ele permite ao produtor maior independência para decidir o momento certo para comercializar o produto armazenado com ótima relação custo/benefício”, explica Paula Lopes, gerente comercial.

O bom momento vivido pelo agronegócio colabora com a procura pelo produto. “Temos atingido crescimento anual nas vendas acima de 20% e esse número deve ser ainda mais expressivo nos próximos anos”.

Os silos são feitos com filmes de cinco camadas extrudados pela empresa e têm como principal matéria-prima o polietileno.

São oferecidos nas cores preta e branca, escolhidas por permitirem melhor controle da temperatura e reflexão do calor.

De acordo com a empresa, possuem sistema anaeróbio eficiente e proteção às intempéries, proporcionando maior durabilidade dos produtos acondicionados.

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