Limpeza de moldes – Técnica adequada reduz danos

Escolher técnica adequada reduz a incidência de danos - Limpeza de moldes

Fabricar um molde de injeção de plástico, qualquer que seja a peça a ser produzida, exige elevado investimento. Uma vez na linha de produção, os moldes são submetidos a rigorosas condições de trabalho e não podem falhar, sob o risco de paralisarem as linhas de produção e provocarem grande prejuízo.

Essas são razões para os transformadores apostarem na cuidadosa manutenção das ferramentas. Um dos cuidados imprescindíveis para minimizar o risco de danos nos moldes se encontra na operação de limpeza. O procedimento básico para adotar uma estratégia é limpar os componentes sempre que o molde sair da linha de produção.

Recomenda-se que nesse intervalo os moldes sejam desmontados e tenham seus componentes submetidos aos métodos convencionais de limpeza – como passar panos embebidos em querosene, por exemplo.

No caso de moldes usados de maneira contínua, a periodicidade da operação deve ser calculada a partir das características da peça produzida, levando-se em conta parâmetros como número de ciclos efetuados, características das matérias-primas utilizadas, tipo de aço com o qual o molde foi fabricado e outros.

“Alguns materiais, como o poliuretano ou o PVC, por exemplo, mesmo com o uso de desmoldante entre a realização dos ciclos, aderem ao molde e com o tempo provocam o surgimento de rugosidade no aço. Conforme o caso é necessário o polimento para corrigir o problema”, explica Gilmar Antonio dos Santos Martins, diretor do Instituto Avançado do Plástico (IAP).

Entre os cursos oferecidos pela instituição existe um voltado para o treinamento das operações de limpeza e polimento de moldes. “O curso é bastante procurado. Dura um dia inteiro e é normalmente oferecido aos sábados”.

Gelo seco e ultrassom

Os métodos de limpeza convencionais nem sempre são suficientes, em especial nos moldes equipados com câmaras quentes. Em determinadas situações a sujeira fica impregnada de tal maneira que sua remoção deve ser efetuada a partir de técnicas mais sofisticadas. Entre os recursos disponíveis existe a limpeza criogênica, por ultrassom e os métodos que se valem do uso de fornos de leito fluidizado ou de pirólise.

“A escolha da técnica deve ser feita caso a caso”, informa Martins. O diretor do IAP aponta a limpeza criogênica como um dos métodos mais utilizados. Ele consiste no jateamento de partículas de gelo seco de forma a remover resíduos e contaminantes decorrentes do funcionamento da linha de produção.

Por ser isenta de umidade, não abrasiva e nem inflamável, não gera resíduos secundários e não causa nenhum dano às superfícies nas quais atua. Outra vantagem se encontra na rapidez com que pode ser aplicada.

Martins também destaca a lavagem ultrassônica como método bastante utilizado para a remoção de incrustações. Ele é realizado mediante um processo de imersão das peças a serem limpas em um tanque de aço inoxidável que mantém uma solução de limpeza. Transdutores ultrassônicos imersíveis são acionados e convertem a energia elétrica em energia sonora. As superfícies são limpas por vibração.

Leito fluidizado e pirólise

Plástico Moderno - forno--de--pirForno de pirólise controlada elimina resíduos de resinas
forno-de-pirForno de pirólise controlada elimina resíduos de resinas

O método de limpeza por meio de fornos de leito fluidizado é indicado em especial para a remoção de incrustações que aparecem nos manifolds, nome dado aos blocos presentes nas câmaras quentes responsáveis pelo aquecimento de toda a massa de material termoplástico que preenche as cavidades do molde.

A Dynaflow se apresenta como pioneira e única no mercado brasileiro a prestar de serviços de limpeza de polímeros incrustados em ferramentais com essa tecnologia.

Ela está no mercado há quase duas décadas e tem sede no município de São Bernardo do Campo-SP.

A técnica consiste na introdução das peças a serem limpas em uma retorta preenchida com óxido de fluidização.

Por meio do calor aplicado na retorta, o material é decomposto e removido em forma de gás composto de hidrocarboneto, CO2 e vapor de água. O gás resultante é enviado para um segundo equipamento, chamado de afterburner. Neste, é submetido a uma temperatura mais elevada até que ocorra a decomposição completa dos seus resíduos, com a eliminação da fumaça e dos odores presentes em sua composição.

Plástico Moderno - Primo: a pirólise é usada no tratamento de peças maiores
Primo: a pirólise é usada no tratamento de peças maiores

“A aplicação da tecnologia é limitada às dimensões do forno de leito fluidizado.

O tempo do ciclo de limpeza neste sistema é de aproximadamente duas horas”, explica Antonio de Primo, diretor.

A Dynaflow também atua como revendedora de fornos de pirólise fabricados nos Estados Unidos.

Plástico Moderno - Sistema de limpeza em leito fluidizado equipado com afterburner
Sistema de limpeza em leito fluidizado equipado com afterburner

A tecnologia da pirólise se baseia na introdução das peças a serem limpas em um forno que atinge temperatura próxima a 450ºC. O material incrustrado nas peças é decomposto e os gases resultantes passam para o Afterburner onde serão eliminados antes de serem encaminhados à atmosfera.

“Nesse sistema, o Afterburner está incorporado ao forno”, ressalta de Primo. A pirólise raramente é utilizada em componentes de moldes.

“É um método mais indicado para peças de grande porte, que não cabem nos fornos de leito fluidizado.

São os casos, por exemplo, das telas de máquinas extrusoras”. O tempo da operação leva de quatro a cinco horas.

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