Embalagens

Leveza e praticidade ajudam plásticos a crescer nas tintas – Embalagem

Jose Paulo Sant Anna
27 de novembro de 2018
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    No quesito aparência, o plástico também mostra suas armas. Os potes podem ganhar formas variadas sem muitas dificuldades e ser injetados em resinas coloridas ou transparentes, o que torna mais fácil a customização da aparência final. A rotulagem merece observação particular. Um processo bastante usado nesse mercado é o do in mold label, que consiste na colocação por meio de robôs de rótulos nos moldes durante o ciclo de injeção. Com essa técnica é possível fabricar baldes de uma mesma cor com apresentações completamente distintas apenas com a troca dos rótulos, sem qualquer alteração significativa na regulagem dos equipamentos.

    O Sindicato Nacional das Indústrias de Estamparias de Metais (Siniem) conta com estudo realizado pelo seu vice-presidente e diretor da Brasilata, Antônio Carlos Teixeira Álvares, para divulgar as vantagens do aço. O dirigente destaca algumas propriedades das embalagens metálicas. De acordo com ele, no Brasil, assim como acontece no Japão e na Coréia do Sul, a indústria metalúrgica é muito bem estruturada. Esses países são grandes produtores e exportadores de aço, o que os tornam competitivos mesmo no uso das embalagens de tintas à base de água.

    Quando o assunto recai para a logística, o grande trunfo das latas é sua capacidade de empilhamento. Álvares explica que no caso das embalagens de 18 litros, podem ser empilhadas até nove camadas de latas, contra três dos baldes plásticos. Dessa forma, manter estoques de tinta nas latas requer espaço muito menor. Ele também destaca a elevada estanqueidade obtida com as tampas metálicas.

    Quando o assunto chega às alças, um dos trunfos da indústria do plástico para ressaltar seus baldes, o vice-presidente do Siniem lembra que a introdução de alças nas latas é perfeitamente possível. No Brasil, inclusive, foi feita uma experiência pela marca Novacor, pioneira no uso desse expediente em latas de 18 litros. A estratégia não teve prosseguimento após análise da relação entre o aumento do custo e o interesse dos pintores.

    Quando o assunto é a reciclagem, Álvares ressalta alguns aspectos positivos do aço. Como ocorre com o plástico, ele também pode ser 100% reciclado. Uma vantagem é a de que o preço da sucata do aço torna lucrativa a operação de logística reversa. No Brasil, mesmo com a operação realizada até hoje de maneira pouco organizada, o índice de reciclagem das latas de aço é de 47%. O sindicato tem projetos para melhorar esse número com o aprimoramento das operações de logística reversa.

    Há um facilitador para os projetos de recuperação. Na hora da separação do lixo, as usinas podem se valer de eletroímãs para realizar a tarefa com maior eficiência. Nos casos onde a reciclagem não ocorre, a matéria-prima apresenta outra propriedade interessante. A degradação no solo ocorre em período de cinco anos, muito menor do que o da degradação do plástico. E as latas se transformam em óxido de ferro, substância não poluente.

    Plástico Moderno, Souza: inovações tornaram os baldes plásticos mais atraentes

    Souza: inovações tornaram os baldes plásticos mais atraentes

    Palavra de quem compra – Na condição de fornecedores de tintas que utilizam embalagens produzidas com os dois tipos de matérias-primas, alguns dos fabricantes de marcas com grande participação no mercado nacional não se sentem confortáveis para falar sobre a disputa. Procurados pela reportagem, preferiram não se manifestar.

    A exceção ficou por conta da Tintas Iquine, com fábrica no polo industrial de Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife-PE. Alan Souza, diretor de marketing e vendas, apresenta a empresa como a quarta maior indústria de tintas do Brasil, a maior com capital 100% nacional. “Estamos há 44 anos no mercado e atuamos em todo o território do país. Temos 6% de market share e ocupamos a liderança nas regiões Norte e Nordeste”, informa. Em seu portfólio possui mais de 1,3 mil itens em produção. A empresa oferece seus produtos em embalagens fabricadas com os dois materiais.

    Ela se encontra entre as pioneiras a adotar o plástico no mercado brasileiro. “A Iquine mapeia constantemente as tendências de mercado e há anos incorporou uma cultura de inovação e preocupação com o consumo sustentável. Com isso, a introdução das embalagens plásticas, há mais de 20 anos, passou a fazer parte das opções de embalagens da empresa”, informa Souza.

    O diretor reconhece algumas facilidades proporcionadas pelo plástico. “Observamos algumas vantagens, como facilidade no manuseio, facilidade na abertura e fechamento, evitando o desperdício de material. Além de possibilitar 100% de reciclagem, o que coloca a embalagem dentro do modelo sustentável”. Quando a questão recai sobre o preço, ele relativiza. “A economia varia considerando os formatos oferecidos”.

    A importância da aparência dos produtos é reconhecida como importante instrumento de marketing e a Iquine se preocupa em atrair os consumidores pelo apelo visual. “A indústria de embalagens plásticas sofreu incremento tecnológico que permitiu maior excelência na litografia. Hoje, encontramos no mercado produtos com maior nitidez de cores, melhores acabamentos e possibilidades diversificadas para trabalhar”, ressalta. O fato dos usuários reaproveitarem as embalagens é considerado importante e motivo de atenção. “A Iquine contempla em todos os formatos informações referentes ao reuso e reciclagem, sejam em material plástico ou metálico”.



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