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K 2019: Feira ressalta avanços tecnológicos e ambientais

Marcelo Furtado
23 de novembro de 2019
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    Nova mobilidade – Também dentro do conceito da economia circular, outra grande tendência da K, presente em grandes fornecedores de materiais, em primeiro lugar, mas também de maquinários, era o da nova mobilidade, ou seja, do transporte via veículos elétricos, híbridos, a hidrogênio, gás natural ou com direção autônoma. Essa demanda irreversível, que tem o atributo ambiental de diminuir a pegada de carbono, entre várias outras vantagens, tem provocado uma corrida tecnológica por novos materiais, com novas e específicas resistências e, logicamente, com leveza (lightweight), atributo que torna o consumo de energia ainda menor.

    Uma das principais fornecedoras globais de materiais de alto desempenho para a indústria automotiva, a alemã Lanxess exerce papel de destaque nesses desenvolvimentos para a nova mobilidade, o que podia facilmente ser notado em seu estande. A unidade de negócios de materiais de alta performance da Lanxess apresentava várias soluções específicas para uso nos carros do futuro, notadamente para os elétricos, que começam a dominar o mercado.

    Plástico Moderno - Tuchlenski: carros elétricos pedem compostos na cor laranja

    Tuchlenski: carros elétricos pedem compostos na cor laranja

    Para começar, fruto de desenvolvimento do seu centro de pesquisas, a empresa conseguiu gerar compostos de poliamida (PA) e de polibutileno tereftalato (PBT) na cor laranja, o que hoje começa a se tornar padrão para identificar peças de motores de carros elétricos sob alta voltagem. “Aparentemente algo prosaico, na verdade foi um desafio desenvolver compostos laranjas que exibam alta estabilidade de cor a longo prazo”, explicou o diretor do negócio de materiais de alta performance (HPM) da Lanxess, Axel Tuchlenski. Os compostos são disponíveis em formulação padrão e em outra com alta estabilização térmica, para componentes com alta exposição ao calor.

    Entre os primeiros tipos de produtos com a nova cor, estão os quatro compostos de poliamida Durethan, reforçados com fibra de vidro, livre de halogênio e com retardância a chama. Uma característica positiva, segundo a Lanxess, é que um dos compostos, mesmo com 45% de fibra de vidro, ainda assim mantém fluxo fácil. Sua alta rigidez e resistência tornam o material ideal para componentes da bateria e para estrutura de células, placas finais e para conectores grandes de alta tensão, que exigem alta estabilidade mecânica.

    Leveza – Outro destaque da empresa visava mostrar a alta leveza e resistência dos compostos de poliamida 6 reforçada com fibra de vidro da linha Tepex, que foi demostrado no pilar (perfil de sustentação do teto conversível) de um Porsche 911 Cabriolet na feira. Com inserto de aço de alta resistência, o pilar é sustentado por Tepex PA 6 com 47% de fibra e por uma estrutura nervurada de Durethan, baseado em PA 66 com fibras de curtas. Colado por atrito com espuma estrutural, a combinação com os compostos leves e de alta resistência, que deixou o conjunto 5 kg mais leve, fez a estrutura do carro de luxo manter o desempenho em simulações de capotamentos.

    A leveza dos compostos, o Tepex ou o Durethan, aliada à sua alta resistência mecânica, em alguns casos superior à do aço, torna sua aplicação ideal para carros elétricos, como compensação ao peso das baterias, “que proporcionam uma massa de alto impacto”, explicou o diretor da Lanxess. Esses elementos híbridos, com metal e os dois tipos de compostos, também podem ser empregados em barras transversais e laterais dos carros ou mesmo em peças de suporte das baterias ou das portas.

    Plástico Moderno - Duto de ar feito de composto de PA 6.6, em Dormagen

    Duto de ar feito de composto de PA 6.6, em Dormagen

    Plástico Moderno - Fink: parceria com Citrine encurtará tempo de formulação

    Fink: parceria com Citrine encurtará tempo de formulação

    Outra linha de compostos que a Lanxess tem desenvolvido visa a economia de produção de peças inteiras por sopro para aplicação automotiva, como por exemplo dutos de ar para combustão de motores turbinados e tanques para alta pressão para veículos a hidrogênio ou gás natural, substituindo processos convencionais com injeção, que usam duas etapas. Para fazer os desenvolvimentos das aplicações, utilizando compostos de PA 6 e PA 66 (Durethan), PBT (Pocan) e Tepex (PA, PS, PP, TPU com fibra de vidro), a empresa conta com um centro tecnológico equipado com sopradoras em Dormagen, na Alemanha. No estande, a Lanxess demonstrava protótipos fabricados no centro: tanque para hidrogênio ou gás natural com composto de PA 6 e 20% de fibra e duto de ar para motores turbo com PA 66 com 20% de fibra de vidro.

    Uma nova fronteira tecnológica que a Lanxess pretende explorar é a inteligência artificial. No meio do ano, a empresa assinou acordo com a norte-americana Citrine Informatics, especializada no desenvolvimento de materiais com base em análise de dados. Segundo o membro do board do grupo, Hubert Fink, as duas empresas firmaram piloto cujo objetivo inicial é otimizar o uso de fibras de vidro, utilizadas nos compostos com os plásticos de engenharia para melhorar o desempenho mecânico. “O objetivo é melhorar e reduzir pela metade o tempo de desenvolvimento das formulações”, disse Fink. Com faturamento de 7,2 bilhões de euros em 2018, a Lanxess destinou 120 milhões de euros no mesmo ano para pesquisa e desenvolvimento.



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