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K 2019: Feira ressalta avanços tecnológicos e ambientais

Marcelo Furtado
23 de novembro de 2019
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    Um desses projetos envolveu a brasileira Braskem, com vistoso estande na K, e a Kautex, fabricante alemã de máquinas de extrusão-sopro. A petroquímica nacional entrou no projeto como fornecedora de seu polietileno verde, derivado da cana-de-açúcar (I am green), e pellets de material reciclado (PCR) para a produção de garrafas de PEAD com três camadas.

    No estande da Kautex, a sopradora totalmente elétrica KBB60 processava uma garrafa que, além do PCR na camada interna e o PE verde na externa, contava com espuma estrutural na camada do meio, o que também atende o preceito da economia circular por reduzir a necessidade de resina. A Erema participou do projeto na K por recolher todas as garrafas produzidas para reciclagem em seu sistema de extrusão Circonomic durante o dia 19 de outubro.

    Plástico Moderno - Fabiana: resina reciclada e PE verde são opções sustentáveis

    Fabiana: resina reciclada e PE verde são opções sustentáveis

    No estande da Braskem, aliás, as soluções sustentáveis, o bioplástico e os de origem de plástico pós-consumo eram destaque. Segundo a líder de economia circular na América do Sul, Fabiana Quiroga, além do polietileno verde a Braskem intensifica sua participação como fornecedora de resinas com plástico pós-consumo, com parcerias com recicladores homologados, que utilizam resíduos pós-doméstico e industrial. No Brasil, já são cinco recicladores, um no México, três nos Estados Unidos e, no momento, há o desenvolvimento de mais um, na Europa. Todos seguem os padrões exigidos pela empresa, que prepara formulações conforme as necessidades de clientes, utilizando aditivos e cargas.

    Até o momento, explica Quiroga, há cinco grades desenvolvidos para atender determinados projetos de clientes finais, mas que agora podem ser revendidos para outros interessados. “São dois de polietileno e três de polipropileno”, afirma a líder. Segundo explica, já projetos em que a própria Braskem faz a logística reversa de embalagens utilizadas pelo grupo, como big bags, copinhos, pellets e outros transformados. Há a intenção também de operar no futuro com coleta seletiva, mediante parceria com operadores de aterros, e há estudos para também gerar PCR de PVC.

    Em 2018, a Braskem produziu 150 toneladas de pellets reciclados para variadas aplicações. Neste ano, a previsão é de chegar a 1.200 toneladas e, em 2020, com a entrada da operação global, com México e Estados Unidos, o volume vai pular para 20 mil toneladas, sendo 8 mil no Brasil. “Queremos integrar o portfólio da resina reciclada com o polietileno verde, já que ambos são soluções sustentáveis”, disse. Outra vertente da política de economia circular da Braskem é auxiliar os transformadores no desenvolvimento de embalagens totalmente recicláveis, o que recentemente foi alcançado na produção de uma embalagem de molho para a empresa Antilhas, totalmente feita de polipropileno.

    Tornar reciclável – Na mesma tendência de criar produtos totalmente recicláveis, com apenas um material, a inglesa Zotefoams causou sensação na feira com a introdução de processo para produzir filmes multicamadas – mas de um só material, o PEAD – que contam com camada de espuma microcelular para melhorar propriedades de barreira e a economia de material. A tecnologia é possível por causa de empresa do grupo, a Mucell Extrusion, de Boston, nos Estados Unidos, que criou o sistema microcelular, também empregado em injeção por outra fornecedora licenciada.

    Plástico Moderno - Fredrickson: filme parecido com papel tem multicamadas de PEAD

    Fredrickson: filme parecido com papel tem multicamadas de PEAD

    Na feira, o material, denominado ReZorce, chamava a atenção por ser utilizado em embalagens do tipo longa vida, para bebidas, que normalmente empregam multicamadas com papel, alumínio e plástico, um grande complicador para a reciclabilidade. Com a tecnologia, os filmes podem ter de três a sete camadas de PEAD e ter a semelhança de papel, com a vantagem da sua reciclabilidade total, mas mantendo barreiras a oxigênio e umidade, exigências nas aplicações alimentícias. “O material parece, imprime e dobra como papel, mas é PEAD”, disse o diretor comercial da Mucell Extrusion, Eric Fredrickson.

    A tecnologia Mucell, desenvolvida por pesquisadores do MIT, nos Estados Unidos, cria microbolhas no centro da extrusão do plástico pela injeção de gás nitrogênio no fundido, durante o processo. “O consumidor não vai perceber nenhuma mudança no material porque as microbolhas são muito pequenas, não visíveis a olho nu. Mas a espuma formada tem o desempenho de um plástico sólido”, diz.

    A estimativa é de que a tecnologia Mucell, além de tornar a embalagem reciclável, reduza em até 20% a demanda por resinas em comparação com a extrusão convencional. A empresa licencia a tecnologia, o que garante direitos aos produtos desenvolvidos, e vende os equipamentos necessários para a produção. O licenciamento gera royalties para a Mucell. Segundo o diretor, já há empresas no Brasil utilizando o sistema em determinadas embalagens. Há aplicações, por exemplo, em embalagens de sabonetes líquidos (Dove), iogurtes (Paccor) e outras embalagens alimentícias.

    Outro exemplo inovador de desenvolvimento de produto, que antes continha vários tipos de materiais integrados, dificultando sua reciclagem, foi demonstrado do movimentado e grande estande da alemã Basf. Em um projeto que durou quase uma década, o grupo químico demonstrou uma parceria com a conterrânea Adidas que gerou o considerado primeiro tênis de corrida elaborado apenas com um material, o TPU, o elastômero termoplástico de poliuretano, marca Elastollan, permitindo sua reciclagem total. O tênis se chama Futurecraft Loop.



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