K 2019: Feira ressalta avanços tecnológicos e ambientais

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Apesar de ter sido tema presente também em suas edições anteriores, neste ano a feira alemã K, a mais importante do setor, mostrou que a indústria do plástico global passa por transformação radical rumo à economia circular. Ao longo dos oitos dias do evento, entre 16 e 23 de outubro, no outono não muito frio, mas um pouco chuvoso da bonita Düsseldorf, os quase 225 mil visitantes, de 165 países, foram testemunhas de uma verdadeira enxurrada de soluções de reciclagem, de matérias-primas sustentáveis e de processos e máquinas que proporcionam economia de recursos, sejam eles materiais ou de energia.

Plástico Moderno - Rebhan: sistema recicla vários tipos de materiais plásticos
Rebhan: sistema recicla vários tipos de materiais plásticos

Como bússolas da indústria global, apontando os caminhos tecnológicos a seguir, vários dos 3.300 expositores, de 63 países, entre eles as principais empresas dos segmentos que formam a cadeia do plástico, demonstravam o engajamento. E não apenas como uma ferramenta de marketing, o que poderia ser até dito em edições mais antigas da feira trianual. Agora o envolvimento com a sustentabilidade está mais para uma resposta técnico-comercial para as rigorosas restrições que o plástico vem sofrendo mundo afora, com destaque no Velho Continente.

No começo de 2019, por exemplo, a indústria fornecedora de resinas e compostos do continente se comprometeu com a Comissão Europeia a mais do que dobrar o uso de plásticos reciclados nos seus produtos, passando da estimativa atual de cerca de 4 milhões de toneladas por ano para 10 milhões de t em 2025. O acordo público assinado com a CE, chamado Aliança Circular dos Plásticos, também gerou compromisso por parte de compradores e usuários de plásticos, mas ainda não no patamar esperado, numa faixa de consumo de 6,5 milhões de t/ano de reciclados em 2025. A União Europeia consome cerca de 55 milhões de t/ano de plásticos. Se a meta de 10 milhões for atingida, em 2025, por volta de 20% do mercado será dominada pelos reciclados.

Integração – Os exemplos de soluções para a economia circular se notavam não só nos estandes de empresas de todos os segmentos da indústria – resinas, máquinas, sistemas, aditivos – como envolviam muitas vezes a integração entre eles, em exposições que demostravam parcerias de soluções.

Para se ter uma ideia, uma empresa importante de sistemas e equipamentos para reciclagem, a austríaca Erema, além de ter montado um espaço próprio na área livre entre os pavilhões, onde havia showroom e um sistema de reciclagem de alto desempenho, participou da feira como parceira – com pellets de reciclados desenvolvidos e processados com seus sistemas – da exposição de mais 13 empresas. Ao todo, contando a sua própria demonstração, a tecnologia da Erema foi responsável pelo processamento de 14 diferentes tipos de resíduos plásticos para transformação em pellets reciclados de alta qualidade.

Na sua própria área, batizada de Circonomic Centre, a Erema demonstrava um sistema de extrusão, o Intarema, capaz de processar plásticos pós-consumo, como flakes de filmes de polietileno lavados, filmes de PE e PP com impressões, PE com contaminação de papel ou filmes metalizados de BOPP, gerando pellets reciclados de alta qualidade para reutilização na extrusão de filmes poliolefínicos. Durante a feira, a extrusora, que conta com filtração ultrafina, através de sistema em etapa única de desgaseificação e homogeneização do fundido, processava todo dia diferentes tipos de resíduos de plásticos coletados na exposição.

De acordo com o gerente de produto da Erema, Stefan Rebhan, ao final do processo, o filtro do sistema remove, do material que entra, um volume equivalente a 1% a 3% de contaminantes, que sai por rosca como um extrudado. “Quanto mais limpo for o plástico pós-consumo, melhor, pois a máquina vai gerar mais pellets e menos resíduos”, diz. No dia da visita da reportagem de PM ao estande da Erema na feira, os resíduos plásticos coletados na feira eram de PP.

O Intarema conta com inovador sistema de corte e compactação, que direciona o material – depois de cortado, misturado, aquecido, seco e pré-compactado – na direção oposta ao movimento da rosca da extrusora, ao contrário dos sistemas convencionais, que seguem a mesma direção da rotação. Isso aumenta a velocidade de entrada do material na rosca, fazendo-a manipular mais material em menos tempo, com temperatura mais baixa, aumentando a produtividade da máquina.

As demonstrações de reciclagem com sistemas da Erema na feira envolviam mais de 30 projetos de cooperação com clientes e fornecedores de materiais e de equipamentos, caso até de fabricantes de injetoras, como Arburg e Engel, ou da Hosokawa Alpine, de extrusoras de filmes, que fizeram parte de projetos com resinas de origem reciclada.

Um desses projetos envolveu a brasileira Braskem, com vistoso estande na K, e a Kautex, fabricante alemã de máquinas de extrusão-sopro. A petroquímica nacional entrou no projeto como fornecedora de seu polietileno verde, derivado da cana-de-açúcar (I am green), e pellets de material reciclado (PCR) para a produção de garrafas de PEAD com três camadas.

No estande da Kautex, a sopradora totalmente elétrica KBB60 processava uma garrafa que, além do PCR na camada interna e o PE verde na externa, contava com espuma estrutural na camada do meio, o que também atende o preceito da economia circular por reduzir a necessidade de resina. A Erema participou do projeto na K por recolher todas as garrafas produzidas para reciclagem em seu sistema de extrusão Circonomic durante o dia 19 de outubro.

Plástico Moderno - Fabiana: resina reciclada e PE verde são opções sustentáveis
Fabiana: resina reciclada e PE verde são opções sustentáveis

No estande da Braskem, aliás, as soluções sustentáveis, o bioplástico e os de origem de plástico pós-consumo eram destaque. Segundo a líder de economia circular na América do Sul, Fabiana Quiroga, além do polietileno verde a Braskem intensifica sua participação como fornecedora de resinas com plástico pós-consumo, com parcerias com recicladores homologados, que utilizam resíduos pós-doméstico e industrial. No Brasil, já são cinco recicladores, um no México, três nos Estados Unidos e, no momento, há o desenvolvimento de mais um, na Europa. Todos seguem os padrões exigidos pela empresa, que prepara formulações conforme as necessidades de clientes, utilizando aditivos e cargas.

Até o momento, explica Quiroga, há cinco grades desenvolvidos para atender determinados projetos de clientes finais, mas que agora podem ser revendidos para outros interessados. “São dois de polietileno e três de polipropileno”, afirma a líder. Segundo explica, já projetos em que a própria Braskem faz a logística reversa de embalagens utilizadas pelo grupo, como big bags, copinhos, pellets e outros transformados. Há a intenção também de operar no futuro com coleta seletiva, mediante parceria com operadores de aterros, e há estudos para também gerar PCR de PVC.

Em 2018, a Braskem produziu 150 toneladas de pellets reciclados para variadas aplicações. Neste ano, a previsão é de chegar a 1.200 toneladas e, em 2020, com a entrada da operação global, com México e Estados Unidos, o volume vai pular para 20 mil toneladas, sendo 8 mil no Brasil. “Queremos integrar o portfólio da resina reciclada com o polietileno verde, já que ambos são soluções sustentáveis”, disse. Outra vertente da política de economia circular da Braskem é auxiliar os transformadores no desenvolvimento de embalagens totalmente recicláveis, o que recentemente foi alcançado na produção de uma embalagem de molho para a empresa Antilhas, totalmente feita de polipropileno.

Tornar reciclável – Na mesma tendência de criar produtos totalmente recicláveis, com apenas um material, a inglesa Zotefoams causou sensação na feira com a introdução de processo para produzir filmes multicamadas – mas de um só material, o PEAD – que contam com camada de espuma microcelular para melhorar propriedades de barreira e a economia de material. A tecnologia é possível por causa de empresa do grupo, a Mucell Extrusion, de Boston, nos Estados Unidos, que criou o sistema microcelular, também empregado em injeção por outra fornecedora licenciada.

Plástico Moderno - Fredrickson: filme parecido com papel tem multicamadas de PEAD
Fredrickson: filme parecido com papel tem multicamadas de PEAD

Na feira, o material, denominado ReZorce, chamava a atenção por ser utilizado em embalagens do tipo longa vida, para bebidas, que normalmente empregam multicamadas com papel, alumínio e plástico, um grande complicador para a reciclabilidade. Com a tecnologia, os filmes podem ter de três a sete camadas de PEAD e ter a semelhança de papel, com a vantagem da sua reciclabilidade total, mas mantendo barreiras a oxigênio e umidade, exigências nas aplicações alimentícias. “O material parece, imprime e dobra como papel, mas é PEAD”, disse o diretor comercial da Mucell Extrusion, Eric Fredrickson.

A tecnologia Mucell, desenvolvida por pesquisadores do MIT, nos Estados Unidos, cria microbolhas no centro da extrusão do plástico pela injeção de gás nitrogênio no fundido, durante o processo. “O consumidor não vai perceber nenhuma mudança no material porque as microbolhas são muito pequenas, não visíveis a olho nu. Mas a espuma formada tem o desempenho de um plástico sólido”, diz.

A estimativa é de que a tecnologia Mucell, além de tornar a embalagem reciclável, reduza em até 20% a demanda por resinas em comparação com a extrusão convencional. A empresa licencia a tecnologia, o que garante direitos aos produtos desenvolvidos, e vende os equipamentos necessários para a produção. O licenciamento gera royalties para a Mucell. Segundo o diretor, já há empresas no Brasil utilizando o sistema em determinadas embalagens. Há aplicações, por exemplo, em embalagens de sabonetes líquidos (Dove), iogurtes (Paccor) e outras embalagens alimentícias.

Outro exemplo inovador de desenvolvimento de produto, que antes continha vários tipos de materiais integrados, dificultando sua reciclagem, foi demonstrado do movimentado e grande estande da alemã Basf. Em um projeto que durou quase uma década, o grupo químico demonstrou uma parceria com a conterrânea Adidas que gerou o considerado primeiro tênis de corrida elaborado apenas com um material, o TPU, o elastômero termoplástico de poliuretano, marca Elastollan, permitindo sua reciclagem total. O tênis se chama Futurecraft Loop.

Envolvendo esforço de desenvolvimento junto a fornecedores, na Ásia, Estados Unidos e Europa, o TPU, que já há alguns é empregado em solado desenvolvido pela Basf também para a Adidas, o boost, que agrega pequenas esferas do elastômero para lhe conferir extremo amortecimento, foi com a pesquisa também transformado em fios, o que permitiu seu uso para produzir o cabedal e até os cadarços do tênis. “O TPU é fiado, tricotado, moldado e fundido em uma entressola Boost, com tecnologia de montagem sem cola”, explicou o gerente de materiais de performance da Basf no Brasil, Murilo Feltran.

Plástico Moderno - Feltran: TPU permite integrar solado e cabedal sem adesivos
Feltran: TPU permite integrar solado e cabedal sem adesivos

Com sua manufatura totalmente em TPU, a Basf também criou um processo de reciclagem para permitir que o tênis tenha seu ciclo fechado, com o seu reenvio pelos consumidores para a Adidas. A tecnologia desenvolvida regenera a qualidade do material muito próxima da original, combinando operação mecânica e uma etapa de atualização do material. Os tênis são primeiro triturados e convertidos em grânulos homogêneos e depois são reprocessados em polímero para corresponder às propriedades exigidas por componentes dos novos calçados. Por enquanto, apenas um lote de 200 tênis foi doado a corredores e formadores de opinião no mundo, que darão um feedback pós-uso à Adidas, que pretende lançá-lo globalmente apenas em 2021.

Plástico Moderno - Tênis fabricado com material único facilita a reciclagem
Tênis fabricado com material único facilita a reciclagem

Reciclagem química – Além do tênis, e entre várias demonstrações de seu extenso portfólio, a Basf também destacou sua planta piloto de reciclagem termoquímica de materiais com suas resinas, que funciona no site principal de Ludwigshafen, e que permite a transformação de resíduos com os materiais em resinas com as mesmas propriedades das virgens. Na K, foi demonstrado protótipo do suporte do radiador de Jaguar Land Rover feito com Ultramid (PA 6 e PA 66) reciclado, além de embalagens de EPS recuperado e filmes de poliamida e polietileno.

Embora não revele muitos detalhes da planta, a reciclagem química da Basf funciona por meio de processos termoquímicos que decompõem o lixo plástico em óleo de pirólise ou produtos gasosos (pirólise e gaseificação), usados como matérias-primas para a produção dos polímeros desejados. Esses processos de pirólise e gaseificação utilizam altas temperaturas e ambiente pobre ou isento de oxigênio.

Aliás, uma empresa austríaca, a Next Generation Elements, também mostrava sua tecnologia de reciclagem química, a T:Cracker, uma solução modular de pirólise e gaseificação, que pode processar qualquer tipo de resíduos, desde os biológicos, passado pelo industrial e, logicamente, plásticos. Segundo o CEO da NGE, Josef Hochreiter, o sistema tem uma planta piloto em operação há três anos e duas comerciais em construção.

Plástico Moderno - Hochreiter: processo transforma plástico usado em combustível
Hochreiter: processo transforma plástico usado em combustível

Funcionando a 500ºC, o equipamento transforma de 70% a 80% dos resíduos em gás de pirólise altamente calorífico, próximo ao do gás natural, podendo ser usado para geração de calor diretamente, para vapor ou eletricidade. Como coque de pirólise, a depender da matéria-prima, pode ser combustível para fornos de cimento.

Segundo Hochreiter, para plásticos a tecnologia é especialmente indicada para situações em que a reciclagem mecânica chega a um limite de custo inviável, por estar contaminado com outros materiais em laminados, por exemplo, ou por questões logísticas. Ainda segundo o CEO, há até a possibilidade de, a partir do processamento de resíduos de masterbatches de PET com preenchimento de até 30% de negro de fumo, gerar material reciclado de negro de fumo. “Além de ser modular, para até 1 t/h, a concepção da planta pode ser personalizada para atender a demanda do cliente e gerar produtos de melhor valor agregado, a depender do resíduo de entrada”, diz.

Nova mobilidade – Também dentro do conceito da economia circular, outra grande tendência da K, presente em grandes fornecedores de materiais, em primeiro lugar, mas também de maquinários, era o da nova mobilidade, ou seja, do transporte via veículos elétricos, híbridos, a hidrogênio, gás natural ou com direção autônoma. Essa demanda irreversível, que tem o atributo ambiental de diminuir a pegada de carbono, entre várias outras vantagens, tem provocado uma corrida tecnológica por novos materiais, com novas e específicas resistências e, logicamente, com leveza (lightweight), atributo que torna o consumo de energia ainda menor.

Uma das principais fornecedoras globais de materiais de alto desempenho para a indústria automotiva, a alemã Lanxess exerce papel de destaque nesses desenvolvimentos para a nova mobilidade, o que podia facilmente ser notado em seu estande. A unidade de negócios de materiais de alta performance da Lanxess apresentava várias soluções específicas para uso nos carros do futuro, notadamente para os elétricos, que começam a dominar o mercado.

Plástico Moderno - Tuchlenski: carros elétricos pedem compostos na cor laranja
Tuchlenski: carros elétricos pedem compostos na cor laranja

Para começar, fruto de desenvolvimento do seu centro de pesquisas, a empresa conseguiu gerar compostos de poliamida (PA) e de polibutileno tereftalato (PBT) na cor laranja, o que hoje começa a se tornar padrão para identificar peças de motores de carros elétricos sob alta voltagem. “Aparentemente algo prosaico, na verdade foi um desafio desenvolver compostos laranjas que exibam alta estabilidade de cor a longo prazo”, explicou o diretor do negócio de materiais de alta performance (HPM) da Lanxess, Axel Tuchlenski. Os compostos são disponíveis em formulação padrão e em outra com alta estabilização térmica, para componentes com alta exposição ao calor.

Entre os primeiros tipos de produtos com a nova cor, estão os quatro compostos de poliamida Durethan, reforçados com fibra de vidro, livre de halogênio e com retardância a chama. Uma característica positiva, segundo a Lanxess, é que um dos compostos, mesmo com 45% de fibra de vidro, ainda assim mantém fluxo fácil. Sua alta rigidez e resistência tornam o material ideal para componentes da bateria e para estrutura de células, placas finais e para conectores grandes de alta tensão, que exigem alta estabilidade mecânica.

Leveza – Outro destaque da empresa visava mostrar a alta leveza e resistência dos compostos de poliamida 6 reforçada com fibra de vidro da linha Tepex, que foi demostrado no pilar (perfil de sustentação do teto conversível) de um Porsche 911 Cabriolet na feira. Com inserto de aço de alta resistência, o pilar é sustentado por Tepex PA 6 com 47% de fibra e por uma estrutura nervurada de Durethan, baseado em PA 66 com fibras de curtas. Colado por atrito com espuma estrutural, a combinação com os compostos leves e de alta resistência, que deixou o conjunto 5 kg mais leve, fez a estrutura do carro de luxo manter o desempenho em simulações de capotamentos.

A leveza dos compostos, o Tepex ou o Durethan, aliada à sua alta resistência mecânica, em alguns casos superior à do aço, torna sua aplicação ideal para carros elétricos, como compensação ao peso das baterias, “que proporcionam uma massa de alto impacto”, explicou o diretor da Lanxess. Esses elementos híbridos, com metal e os dois tipos de compostos, também podem ser empregados em barras transversais e laterais dos carros ou mesmo em peças de suporte das baterias ou das portas.

Plástico Moderno - Duto de ar feito de composto de PA 6.6, em Dormagen
Duto de ar feito de composto de PA 6.6, em Dormagen
Plástico Moderno - Fink: parceria com Citrine encurtará tempo de formulação
Fink: parceria com Citrine encurtará tempo de formulação

Outra linha de compostos que a Lanxess tem desenvolvido visa a economia de produção de peças inteiras por sopro para aplicação automotiva, como por exemplo dutos de ar para combustão de motores turbinados e tanques para alta pressão para veículos a hidrogênio ou gás natural, substituindo processos convencionais com injeção, que usam duas etapas. Para fazer os desenvolvimentos das aplicações, utilizando compostos de PA 6 e PA 66 (Durethan), PBT (Pocan) e Tepex (PA, PS, PP, TPU com fibra de vidro), a empresa conta com um centro tecnológico equipado com sopradoras em Dormagen, na Alemanha. No estande, a Lanxess demonstrava protótipos fabricados no centro: tanque para hidrogênio ou gás natural com composto de PA 6 e 20% de fibra e duto de ar para motores turbo com PA 66 com 20% de fibra de vidro.

Uma nova fronteira tecnológica que a Lanxess pretende explorar é a inteligência artificial. No meio do ano, a empresa assinou acordo com a norte-americana Citrine Informatics, especializada no desenvolvimento de materiais com base em análise de dados. Segundo o membro do board do grupo, Hubert Fink, as duas empresas firmaram piloto cujo objetivo inicial é otimizar o uso de fibras de vidro, utilizadas nos compostos com os plásticos de engenharia para melhorar o desempenho mecânico. “O objetivo é melhorar e reduzir pela metade o tempo de desenvolvimento das formulações”, disse Fink. Com faturamento de 7,2 bilhões de euros em 2018, a Lanxess destinou 120 milhões de euros no mesmo ano para pesquisa e desenvolvimento.

Borracha na nova mobilidade – Outra empresa, da área de borracha sintética (butílicas e de polibutadieno), a Arlanxeo, criada em 2016 pela joint-venture entre a Lanxess e a Saudi Aramco e que, a partir de dezembro de 2018, passou a ser controlada apenas pelo grupo saudita, também destacava a nova mobilidade em seu estande. Para tanto, a empresa demonstrava um modelo animado de veículo elétrico, exibido em tela de vídeo, no qual as soluções de borracha da Arlanxeo eram destacadas. Isso incluía pneus, bateria, sistemas de vedação, mangueiras, sistemas de mola e limpadores de para-brisa.

Plástico Moderno - Dikland: pneus ajudam carro elétrico a poupar baterias
Dikland: pneus ajudam carro elétrico a poupar baterias

Para atender a nova demanda, que envolve materiais leves e mais resistentes, explica o vice-presidente de inovação da Arlanxeo, Herman Dikland, os esforços de pesquisa e desenvolvimento do grupo, com plantas no Brasil (Triunfo-RS, Camaçari-BA, Cabo de Santo Agostinho-PE e Duque de Caxias-RJ), tem se voltado, por exemplo, para criar novos compostos de pneus que ajudam a obter menor resistência ao rolamento e maior resistência à abrasão, sistemas de vedação de menor densidade e menor peso, mangueiras de refrigeração de alta resistência térmica, sistemas antivibração e cabos com retardantes a chama mais eficientes. “Estamos envolvidos também com clientes automotivos e universidades para ajudar com nossos materiais para melhorar as baterias de veículos elétricos”, explicou. Isso inclui aperfeiçoamentos na estabilidade, capacidade e desempenho das baterias.

Segundo Dikland, as novas soluções de compostos de pneus, com menor resistência ao rolamento e à abrasão, diminuem o consumo de energia dos veículos, o que no caso dos elétricos ajuda a prolongar a autonomia das baterias. Já para melhorar as bateiras de íons de lítio, o uso de borrachas sintéticas inovadoras garante tempos de carregamento mais curtos, mais energia e maior alcance, além de soluções de gerenciamento térmico para evitar superaquecimento. Isso sem falar em perfis de borracha mais leves e palhetas de limpadores de para-brisas que atendam a direção autônoma baseada em câmeras.

Máquinas 4.0 – Na área de máquinas, também tiveram destaques os temas da economia circular e da chamada indústria 4.0, com o uso da inteligência artificial para ajudar o operador a fazer os ajustes corretos da máquina. No primeiro caso, um exemplo foi a exposição da Reifenhäuser, a principal fabricante de extrusoras do mundo, que fez questão de colocar a economia circular como ponto central do seu estande.

Para começar, a empresa alemã demonstrou 15 casos de aplicações de todas as suas unidades de negócios, com amostras dos produtos em que foi adotado o conceito baseado nos 4 Rs (em inglês, Reduce, Reuse, Recycle and Replace). Um exemplo foi uma embalagem tipo stand-up pouch de sabonete líquido totalmente feita de laminado de PE, portanto 100% reciclável. Isso é possível, segundo a empresa, por conta do sistema de estriamento de filme EVO Ultra Stretch, que permite o processamento do laminado monomaterial com resultado igual ao das embalagens convencionais, que precisam da resina PET para dar estabilidade e propriedades de barreira. O EVO Ultra Stretch garante as propriedades mecânicas do polietileno com o estiramento do filme até dez vezes a sua área de superfície, a partir do aquecimento inicial.

Plástico Moderno - Hein: redução de perdas também faz parte da economia circular
Hein: redução de perdas também faz parte da economia circular

Além do apoio aos transformadores em procurar soluções que gerem produtos recicláveis e com menos resinas, segundo o diretor de comunicação corporativa da empresa, Ansgar Hein, outro foco do grupo na economia circular vai pelo lado do controle operacional, que pode garantir uma produção mais sustentável. Nesse caso, foi apresentado pela primeira vez o EVO Ultra Flat, sistema a laser de medição que detecta a topografia dos filmes extrudados tipo balão, para assegurar o nivelamento do filme.

O sistema mede o nivelamento em ciclo fechado, na produção, de forma automática, ajustando os parâmetros continuamente. Isso resulta em alta eficiência energética, melhora o visual do filme, mas principalmente reduz o uso de adesivos, matérias-primas e tinta de impressão. “Isso é economia circular, porque as melhores propriedades do filme vão ter papel crucial no seu processamento secundário”, diz. “Filmes mais planos atingem velocidades de acabamento mais altas, requerem menos adesivo na laminação e reduzem o corte de bordas.”

Um exemplo de uso da alta tecnologia para melhorar o processamento de máquinas ocorreu na exposição da fabricante austríaca de injetoras, a Engel, que mostrava seu sistema de inteligência artificial IQ, dividido em quatro sistemas: para controlar o processo, controlar o fundido; controle de peso; controle de fechamento.

Segundo o diretor da Engel do Brasil, Udo Löhken, a tecnologia utiliza algoritmos que identificam antecipadamente problemas nas injetoras, em suas bombas, válvulas ou no óleo, sugerindo alterações. Todos os dados das máquinas Engel, no mundo todo, passam assim a alimentar um banco de dados, um Big Data, que no momento está em testes e ainda apenas nas máquinas mais novas. “A ideia é expandir a tecnologia para todas as injetoras Engel”, diz. Em breve também todos os usuários terão acesso ao banco de dados global através de um portal on-line.

Plástico Moderno - Löhken: big data ajuda clientes a evitar problemas de injeção
Löhken: big data ajuda clientes a evitar problemas de injeção

Também se mostrou bastante envolvida com os temas da modernidade a alemã Arburg, outra importante fabricante de injetoras, que apresentou uma injetora hidráulica, a Allrounder 270 S, que é a primeira máquina da empresa que pode ser configurada on-line. Desde março, o portal da empresa (arburgXworld) está disponível na Alemanha e a partir da K ficou com acesso global, em 18 línguas, inclusive português. Por ele, o cliente pode ter contato direto com a empresa e encomendar injetoras, escolhendo a configuração, como o tamanho da unidade de injeção.

Além disso, a Arburg também tinha preocupação em divulgar preocupação direta com a economia circular. Para começar, a empresa processava em uma injetora Allrounder 1020 H, de 6.000 kN de força de fechamento, um composto com PP virgem e 30% de PP reciclado fornecido pela Erema, para produzir copos de paredes finas.

Plástico Moderno - Sistema FLEXFlow com 21 bicos melhora qualidade de injetados
Sistema FLEXFlow com 21 bicos melhora qualidade de injetados

Uma segunda aplicação, com injetora elétrica Allrounder 630 A, queria demonstrar que o plástico de origem reciclada (PCR) pode retornar ao ambiente como produto técnico durável e com dois componentes. A injetora com 2.500 kN de força de fechamento produzia alças para porta de segurança com polipropileno de origem reciclada, do grupo Borealis. A alça em PP reciclado era produzida com processo de formação de espuma ProFoam e as duas metades da alça e as inserções eram montadas no molde. Depois, o componente leve em PCR era parcialmente moldado com componente de TPE para formar uma peça acabada pesando 93 gramas.

A Romi Europa, que está na Alemanha desde que adquiriu Burkhardt+Weber, em 2011, montou estande na K e destacou a nova injetora híbrida de ciclo rápido ES-300, de 300 t de fechamento. Segundo o gerente da subsidiária, João Paulo Barbosa Inácio, o desenvolvimento foi feito para atender especificamente o mercado europeu, que tem demanda por esses ciclos rápidos. “Ela roda com ciclo abaixo de 3,7 segundos”, disse.

Plástico Moderno - Barbosa: cliente europeu quer ciclos mais rápidos de injeção
Barbosa: cliente europeu quer ciclos mais rápidos de injeção

Para desenvolver a nova máquina, explica Inácio, há quatro anos morando em Reutlingen, na Alemanha, foi necessário projetá-la com sistema de coroa (Knödler), em substituição ao tradicional fuso de esfera empregado na unidade de fechamento. Segundo ele, as vendas estão caminhando bem no mercado europeu, que tem demandas técnicas totalmente diferentes do Brasil. “Vendemos um sistema para produzir espadas de esgrima, por exemplo”, diz. Inácio afirma também que empresas de outros países, como a França, estão comprando também injetoras Romi. “O mercado tem percebido que as máquinas são de ótimo nível técnico, acima de muitos asiáticos”, explica.

Recentemente, a Romi divulgou no Brasil que a filial na Alemanha teve avanço da receita na comparação anual de 71%, para R$ 58,8 milhões, embora nos últimos três meses a queda nos pedidos tenha sido de 53,1%, por conta do clima de incertezas no mercado global.

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