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K 2019: Feira ressalta avanços tecnológicos e ambientais

Marcelo Furtado
23 de novembro de 2019
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    Plástico Moderno -

    Apesar de ter sido tema presente também em suas edições anteriores, neste ano a feira alemã K, a mais importante do setor, mostrou que a indústria do plástico global passa por transformação radical rumo à economia circular. Ao longo dos oitos dias do evento, entre 16 e 23 de outubro, no outono não muito frio, mas um pouco chuvoso da bonita Düsseldorf, os quase 225 mil visitantes, de 165 países, foram testemunhas de uma verdadeira enxurrada de soluções de reciclagem, de matérias-primas sustentáveis e de processos e máquinas que proporcionam economia de recursos, sejam eles materiais ou de energia.

    Plástico Moderno - Rebhan: sistema recicla vários tipos de materiais plásticos

    Rebhan: sistema recicla vários tipos de materiais plásticos

    Como bússolas da indústria global, apontando os caminhos tecnológicos a seguir, vários dos 3.300 expositores, de 63 países, entre eles as principais empresas dos segmentos que formam a cadeia do plástico, demonstravam o engajamento. E não apenas como uma ferramenta de marketing, o que poderia ser até dito em edições mais antigas da feira trianual. Agora o envolvimento com a sustentabilidade está mais para uma resposta técnico-comercial para as rigorosas restrições que o plástico vem sofrendo mundo afora, com destaque no Velho Continente.

    No começo de 2019, por exemplo, a indústria fornecedora de resinas e compostos do continente se comprometeu com a Comissão Europeia a mais do que dobrar o uso de plásticos reciclados nos seus produtos, passando da estimativa atual de cerca de 4 milhões de toneladas por ano para 10 milhões de t em 2025. O acordo público assinado com a CE, chamado Aliança Circular dos Plásticos, também gerou compromisso por parte de compradores e usuários de plásticos, mas ainda não no patamar esperado, numa faixa de consumo de 6,5 milhões de t/ano de reciclados em 2025. A União Europeia consome cerca de 55 milhões de t/ano de plásticos. Se a meta de 10 milhões for atingida, em 2025, por volta de 20% do mercado será dominada pelos reciclados.

    Integração – Os exemplos de soluções para a economia circular se notavam não só nos estandes de empresas de todos os segmentos da indústria – resinas, máquinas, sistemas, aditivos – como envolviam muitas vezes a integração entre eles, em exposições que demostravam parcerias de soluções.

    Para se ter uma ideia, uma empresa importante de sistemas e equipamentos para reciclagem, a austríaca Erema, além de ter montado um espaço próprio na área livre entre os pavilhões, onde havia showroom e um sistema de reciclagem de alto desempenho, participou da feira como parceira – com pellets de reciclados desenvolvidos e processados com seus sistemas – da exposição de mais 13 empresas. Ao todo, contando a sua própria demonstração, a tecnologia da Erema foi responsável pelo processamento de 14 diferentes tipos de resíduos plásticos para transformação em pellets reciclados de alta qualidade.

    Na sua própria área, batizada de Circonomic Centre, a Erema demonstrava um sistema de extrusão, o Intarema, capaz de processar plásticos pós-consumo, como flakes de filmes de polietileno lavados, filmes de PE e PP com impressões, PE com contaminação de papel ou filmes metalizados de BOPP, gerando pellets reciclados de alta qualidade para reutilização na extrusão de filmes poliolefínicos. Durante a feira, a extrusora, que conta com filtração ultrafina, através de sistema em etapa única de desgaseificação e homogeneização do fundido, processava todo dia diferentes tipos de resíduos de plásticos coletados na exposição.

    De acordo com o gerente de produto da Erema, Stefan Rebhan, ao final do processo, o filtro do sistema remove, do material que entra, um volume equivalente a 1% a 3% de contaminantes, que sai por rosca como um extrudado. “Quanto mais limpo for o plástico pós-consumo, melhor, pois a máquina vai gerar mais pellets e menos resíduos”, diz. No dia da visita da reportagem de PM ao estande da Erema na feira, os resíduos plásticos coletados na feira eram de PP.

    O Intarema conta com inovador sistema de corte e compactação, que direciona o material – depois de cortado, misturado, aquecido, seco e pré-compactado – na direção oposta ao movimento da rosca da extrusora, ao contrário dos sistemas convencionais, que seguem a mesma direção da rotação. Isso aumenta a velocidade de entrada do material na rosca, fazendo-a manipular mais material em menos tempo, com temperatura mais baixa, aumentando a produtividade da máquina.

    As demonstrações de reciclagem com sistemas da Erema na feira envolviam mais de 30 projetos de cooperação com clientes e fornecedores de materiais e de equipamentos, caso até de fabricantes de injetoras, como Arburg e Engel, ou da Hosokawa Alpine, de extrusoras de filmes, que fizeram parte de projetos com resinas de origem reciclada.



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