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K 2013: Cadeia do plástico ganha uma injeção de ânimo na maior feira mundial do setor

Marcelo Furtado
14 de outubro de 2013
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    Energia preocupa – Uma questão que para os organizadores continuará em pauta na K, com até mais intensidade, será a da energia. Nesse sentido, máquinas com menor consumo, por exemplo, injetoras e sopradoras elétricas, materiais inteligentes para uso na indústria automobilística e de transportes em geral, mais leves e ao mesmo tempo com igual ou maior resistência mecânica, serão comuns na feira. Dentre os vários temas da chamada sustentabilidade, a questão energética com certeza ocupa espaço maior nas preocupações da indústria do plástico e da borracha. E isso vai se refletir não só nos estandes das empresas como também no ânimo dos expositores e visitantes, todos eles, em especial os europeus, cada vez mais preocupados com o tema.

    Segundo Josef Ertl, presidente da federação alemã da indústria do plástico (WVK), entidade que representa 7.100 empresas, 415 mil empregados e uma receita de 95 bilhões de euros, hoje a indústria na Alemanha vive um momento de incertezas em relação à política energética adotada pelo país. E isso pode ajudar a aumentar a preocupação do setor de plástico em enveredar de vez pelos caminhos da eficiência energética ou, em última análise, a migrar a produção para outros países.

    O motivo para a preocupação é simples: o governo alemão decidiu abandonar a energia nuclear até 2022 e diminuir de forma paulatina o consumo de combustíveis fósseis, promovendo as fontes eólica e solar como substitutas principais. Para Ertl, isso tornará a produção na Alemanha cada vez mais cara. Aliado à crise financeira internacional, o custo da energia elevada pode tornar, a médio prazo, a situação insustentável para a indústria alemã do plástico, a maior do continente europeu.

    Para o presidente da federação, a situação se agrava com o desenvolvimento da exploração do shale gas nos Estados Unidos, energia barata que tem atraído muitos investimentos industriais, entre eles os petroquímicos. “Vamos perder competitividade globalmente, os americanos estão se reindustrializando com energia e matérias-primas baratas”, disse.

    “Se desprezar as fontes tradicionais na sua matriz energética, a Alemanha não terá células solares e nem pás geradoras eólicas suficientes para sustentar o crescimento da indústria”, alertou Ertl durante palestra para a apresentação da K aos jornalistas de todo o mundo. Ainda há oito usinas nucleares funcionando na Alemanha. Com a decisão referendada por seu parlamento de desligá-las até 2022, o país pretende basear sua matriz nas fontes renováveis. Embora ainda não tenha sido estudado o quanto essa transição significará de custos para a sociedade alemã, apenas a descontinuidade de uma usina nuclear consome cerca de 1 bilhão de euros. Enquanto a Alemanha estiver fazendo a transição, as emissões de gases de efeito estufa devem aumentar, porque usinas térmicas a carvão e a óleo diesel precisarão gerar a energia deixada de ser produzida pelas nucleares.

    Plástico Moderno, Haitian_Jupiter-II-16000Extrusão do futuro – Uma prova da preocupação com a energia se refletirá na exposição da Reifenhäuser. A empresa promete mostrar uma nova tecnologia em estudo para extrusoras monorroscas. Trata-se de um conceito de plastificação que, além de minimizar a necessidade de energia, opera a maior parte do tempo sem cilindro de resfriamento.

    Apresentada na prévia em Düsseldorf, a tecnologia se baseia no conceito de plastificação denominado Energizer, que permite a operação sob temperaturas de fusão 20ºC mais baixas. Segundo o diretor-geral da Reifenhäuser, Tim Pohl, esse ganho permite não só abaixar o consumo de energia como também melhorar a produtividade da máquina. O conceito será apresentado na K 2013 e a previsão é a de que em breve ele esteja disponível, assim como outras melhorias em estudo, com o objetivo de reduzir o consumo de energia e também de oferecer facilidades operacionais e de manutenção.

    Além desse novo sistema de plastificação, outra novidade a ser mostrada na feira, que só estará disponível comercialmente em 2015, será um design de acionamento de extrusora que permite a seleção livre do tipo de motor que o cliente desejar. Sem investimento em engenharia adicional, é possível escolher a classe de proteção do motor e o tipo de resfriamento, o que torna as extrusoras facilmente adaptadas a ambientes de sala limpa. A tecnologia é em cooperação com a também alemã Siemens.

    Outro destaque prometido pela Reifenhäuser na K 2013 é na área de coextrusão de plástico e madeira (WPC, Wood Polymer Composite). Trata-se de sistema para produção de decks que combina novos designs de perfil e de cabeçote, capaz de reduzir os custos operacionais em até 50%. Isso é possível por causa da nova geometria dos perfis, que possibilita uma economia de até 20% de materiais processados.

    Para finalizar, a empresa alemã também mostrará sua plataforma de ofertas “sustentáveis” com foco em eficiência energética chamada Blue Extrusion, que envolve uma série de medidas possíveis nas suas unidades de extrusão. Faz parte dessas alternativas a economia de energia por meio de roscas a baixas temperaturas para todos os tipos de poliolefinas e barreiras, recuperação de calor pela exaustão de ar, aquecimento por gás em vez de eletricidade, combinação de unidades de força e calor para suprir linhas de produção com eletricidade e aquecimento, entre outras medidas.



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