K 2010 – Sopro elétrico ganha força com motores mais baratos

Na área das sopradoras, o grande tema da exposição foi o crescimento visível na oferta de máquinas totalmente elétricas. Havia várias empresas mostrando novos modelos das all-electrics, o que se mostra uma tendência irreversível, e também das híbridas, ou seja, elétricas/hidráulicas. Como grande motivador da tecnologia, está o fato de, nos últimos dez anos, o custo dos motores elétricos ter caído e sua oferta, por sua vez, ter aumentado em todo o mundo. Além da eficiência energética – essas máquinas consomem menos energia –, outra vantagem da tecnologia é o seu mais preciso controle do processo.

Apresentação badalada foi a primeira máquina totalmente elétrica com estação dupla de extrusão-sopro da filial alemã da Uniloy Milacron. O modelo UMS 12E.D, que soprava garrafas de 225 ml com um cabeçote de parison triplo, é o estágio superior da estratégia da empresa de fazer máquinas de maior eficiência energética e precisão. Isso começou na K de 2007, quando a empresa mostrou uma versão híbrida de estação única e que depois, na NPE de Chicago, Estados Unidos, foi totalmente transformada em elétrica.

Plástico Moderno, K 2010 - Sopro elétrico ganha força com motores mais baratos
Linha Unimax da MBM é voltada para salas limpas

Os novos modelos elétricos são disponíveis em versões de 4, 8 e 12 toneladas de força de fechamento. Comparadas com as máquinas similares de acionamento hidráulico, o consumo de energia dessas sopradoras é 45% menor. Dependendo do tipo de resina processada, porém, a eficiência energética pode variar. Além disso, por não ter óleo, podem ser uma boa solução para produção em sala limpa, de embalagens sensíveis para a indústria farmacêutica, médica ou alimentícia. Outro ponto também apontado é sua operação silenciosa e seu tamanho compacto. De acordo com a gerente de vendas Karola Hepfner, ter incluído os motores elétricos na linha da Uniloy foi o principal desafio conquistado nos últimos anos na empresa. O próximo passo é lançar um modelo com 24 toneladas de força de fechamento.

Plástico Moderno, Heinz Weber, Diretor-geral da MBM, K 2010 - Sopro elétrico ganha força com motores mais baratos
Weber: nova geração de sopradora elétrica é 20% mais eficiente

Outra empresa que destacou uma nova máquina elétrica de injeção-sopro foi a alemã MBM Maschinenbau Mühldorf. Trata-se da segunda geração da linha Unimax de máquina com força de fechamento de 50 toneladas. Denominada Unimax Ecospeed, e idealizada para produzir em sala limpa garrafas para a indústria farmacêutica e cosmética, ela pode processar vários materiais, é silenciosa, e tem avançado sistema de controle.

De acordo com o diretor-geral da MBM, Heinz Weber, a nova geração é ainda 20% mais eficiente energeticamente do que o modelo anterior (de 6 a 9 kwh contra 5 a 14 kwh).

Bom ressaltar que este modelo é a segunda geração apenas da linha Unimax, pois antes desses a empresa já produziu mais quatro modelos de sopradoras  elétricas. “Somos uma das primeiras no mundo a produzir máquinas de injeção-sopro all electric”, afirmou Weber.

Plástico Moderno, William Petrino, Presidente da Jomar, K 2010 - Sopro elétrico ganha força com motores mais baratos
Petrino: Jomar prefere o conceito híbrido no sopro

Já a norte-americana Jomar apresentou sua primeira máquina de injeção-sopro híbrida: com acionamento elétrico da rosca e fechamento hidráulico. Segundo o presidente da Jomar, William Petrino, com essa tecnologia a máquina consegue economizar energia em até 50%, em comparação com a totalmente hidráulica, e compensa as perdas no fechamento por acionamento elétrico. “As all-electrics perdem na força de fechamento”, disse. O modelo híbrido da Jomar é o 85S. Tem força de fechamento da pré-forma de 65,4 toneladas e de fechamento de sopro de 15,4 toneladas.

Plástico Moderno, Uwe Margraf, Presidente da Bekum do Brasil, K 2010 - Sopro elétrico ganha força com motores mais baratos
Margraf: Bekum pode produzir elétrica no Brasil

O acionamento elétrico da rosca do modelo híbrido – ainda não comercializado até o momento da feira – é incorporado com um sistema acumulador da própria Jomar e permite que a empresa reduza o motor padrão de 75 HP para outro de 30 HP. “Foi isso que trouxe a melhor eficiência energética”, disse Petrino. Segundo ele, em comparação com máquina padrão totalmente hidráulica da Jomar com unidade de plastificação vertical, o ganho foi de 36% no consumo, e de 50% ao se comparar com a unidade de rosca reciprocante. “Esses dados foram atestados por meio de pesquisa de uma consultoria independente especializada em energia elétrica”, completou.

Melhor fechamento – Também manteve uma exposição bastante interessante na área de sopro a tradicional alemã Bekum. A empresa mostrou a nova geração de suas sopradoras BM-07, de concepção modular e remodelado sistema de fechamento, com paralelismo preciso de 0,1 mm, segundo revelou o presidente da Bekum do Brasil, Uwe Margraf. Mas o mais importante da novidade era o fato de esse novo sistema de fechamento mais preciso ser disponível tanto na versão hidráulica tradicional como em uma nova versão totalmente elétrica, da série Eblow.

Plástico Moderno, K 2010 - Sopro elétrico ganha força com motores mais baratos
A elétrica Eblow x07D tem novo fechamento

Mesmo assim o modelo elétrico tem vantagens. A principal delas é a economia de energia de até 50%, além dos reduzidos ciclos a seco para produção, com velocidades até 15% maiores. Denominado Eblow x07D, um upgrade de versão lançada na K 2007, o modelo tem placas de molde com larguras de 350 mm a 700 mm e força de fechamento de 10 a 24 t, com uma ou duas estações. Além disso, o sistema elétrico é de baixo ruído (com um máximo de 68 decibéis).

Esses benefícios têm um preço: a Eblow é 20% mais cara do que a hidráulica, embora sua economia de energia tenda a recuperar o investimento inicial.

Segundo Margraf, o novo design do sistema de fechamento, disponível para os modelos elétricos e hidráulicos da nova série, oferece mais vantagens. A distribuição da força, por ser uniforme, assegura o melhor fechamento em moldes de qualquer espessura, garantindo peças sopradas com menos marcas de pinch-off.

Plástico Moderno, K 2010 - Sopro elétrico ganha força com motores mais baratos
Garcia (dir.) e Malero: Urola só produz SBM elétrico

Ainda de acordo com o presidente da Bekum do Brasil, há até a possibilidade de, se bem-aceita no mercado mundial, a nova série ser nacionalizada na unidade de São Paulo. A notícia, para ele, serve mesmo como resposta a quem acha que os planos locais sofreram algum retrocesso, depois de um 2009 de “vacas magras” que incluiu período de dois meses de greve dos trabalhadores, demissão de 60 funcionários, imbróglio com sindicatos, ameaça de fechamento da fábrica e notas negativas na imprensa. “Voltamos aos poucos ao normal e hoje a expectativa é de venda 150% superior à de 2009”, disse. Nessa reestruturação, novos modelos passaram a ser montados e fabricados em 2010.

SBM – Uma empresa espanhola, a Urola, conseguiu também atrair a atenção de vários visitantes com uma compacta sopradora elétrica por stretch blow moulding (SBM) para pré-formas de PET da linha Urbi. A máquina Urbi 6, nova geração das denominadas Ecomachines, contava com seis moldes em configuração linear, capaz de alcançar a produção de 9 mil garrafas por hora.

De acordo com o responsável de área da Urola, Rafael Garcia, a empresa se especializou e apenas fabrica máquinas totalmente elétricas, o que fez com que atingisse padrões de ecoeficiência bastante altos. Na nova geração, essas características aumentaram. Em comparação com a linha anterior, houve 20% de redução no consumo de ar comprimido. Da mesma forma, a recuperação do ar soprado elimina o consumo de ar a baixa pressão e do chamado pré-sopro. “E também conseguimos reusar energia elétrica para otimizar o consumo dos servomotores elétricos”, disse Garcia.

Plástico Moderno, Sébastien Sergues, Gerente da área de embalagens da Sidel, K 2010 - Sopro elétrico ganha força com motores mais baratos
Sergues: forno da sopradora consome menos energia

Embora tenha interesse, a Urola ainda não está no Brasil. De acordo com o gerente-geral da filial norte-americana, Lou Maiero, o mercado brasileiro já foi várias vezes prospectado. A conclusão principal a que chegaram com essas incursões foi a de que a Urola poderia tentar vender a linha de sopradoras rotativas por extrusão. “Há uma demanda possível de ser explorada no Brasil para esses modelos”, disse. A linha de máquinas pode usar até dez moldes na placa rotativa para contêineres de até 2 litros feitos de PEAD, PP ou outros materiais empregados em aplicações multicamadas (EVOH, poliamida, adesivos), com produções que vão de 2.600 garrafas até 10 mil garrafas/hora, em oito modelos-padrão.

Na área de sopro de pré-formas de PET por stretch blow-moulding, a participação das grandes do ramo, sobretudo a francesa Sidel e a alemã Krones, deram também uma contribuição para a evolução do ramo, em termos de velocidade de produção aliada à eficiência energética, com sistemas mais econômicos por garrafa soprada. A Sidel, por exemplo, destacou a SBO Universal2 Eco, que modificou o forno da sopradora, responsável por 90% do consumo de energia do sistema, para apresentar na feira uma máquina mais “ecologicamente correta”, segundo afirmou o gerente da área de embalagens da Sidel, Sébastien Sergues.

Segundo Sergues, o forno foi reconfigurado, quando foi possível diminuir o número de lâmpadas por módulo e de módulos de aquecimento. “Com isso, foi reduzida em 40% a força elétrica instalada e o tempo de aquecimento das pré-formas caiu em 15%”, disse. De quebra, a maior precisão no aquecimento gera uma garrafa de melhor qualidade.

Na feira, a máquina em operação foi a SBO 14 Universal2 Eco blow, com capacidade para 28 mil garrafas por hora e equipada com o novo forno, com 11 módulos em vez de 14 e oito lâmpadas por módulo, ao contrário de nove da versão anterior. A sopradora produz a mesma garrafa de 1,5 l de água mineral gasosa processada há um ano na feira Drinktec 2009, mas com uma diferença importante, segundo ressaltou o gerente: a atual consome por garrafa apenas 2,6 watts/h de energia, em vez de 4,7 watts/h das tecnologias convencionais, “não só da Sidel, mas de todo o mercado”, disse Sergues.

Plástico Moderno, K 2010 - Sopro elétrico ganha força com motores mais baratos
Contiform da Krones também mudou aquecimento da SBM

A Krones também anunciou na feira projetos para melhor aproveitamento energético do aquecimento e do ar usado no sopro das pré-formas de PET. Embora melhorias mais importantes nesse sentido ainda estejam em desenvolvimento, e previstas para lançamento em 2011, uma máquina Krones Contiform S8 produzia garrafas com a tecnologia de aquecimento baseada no forno FlexWave AG. Trata-se de sistema por micro-ondas. Segundo a empresa, a tecnologia émais eficiente energeticamente do que as convencionais baseadas em infravermelho. Com ela, o tempo de aquecimento do processo é reduzido, as pré-formas ficam pouco tempo dentro do  forno, e assim, havendo paradas de emergências, as perdas são menores. Além disso, nesses casos não é necessário esperar para reaquecer o sistema. Havia também outra máquina Contiform S8 com outra tecnologia nova, a ProShape, que produz contêineres plásticos ovais e assimétricos. Um novo módulo para controle de temperatura das pré-formas, integrado no forno linear padrão, permite que moldes de alumínio especiais gerem as mais elaboradas peças ovais.

 

Leia a reportagem principal:[box_light]K 2010 – Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes[/box_light]

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