K 2010 – Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes

O cenário econômico para a indústria do plástico parece estar mudando. Depois de anos amargos, durante os quais não faltaram histórias de demissões, prejuízos e falências, foi comum após a realização da maior feira do ramo, a K 2010, de 27 de outubro a 3 de novembro em Düsseldorf, na Alemanha, a impressão entre os participantes de que se inicia uma tendência de recuperação dos negócios. Com número recorde de empresas participantes (3.102 no total) e inesperada presença de 222 mil visitantes (57% deles de fora da Alemanha), as expositoras foram unânimes ao notar um grande volume de contatos e o melhor: de novas regiões do mundo, as emergentes, justamente aquelas para as quais as empresas dos países desenvolvidos depositam todas as suas novas esperanças.

Plástico Moderno, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
A monorrosca solEX é para tubos de PE

Mesmo que o número de visitantes tenha sido 8% menor do que em 2007 (portanto, antes da crise global), os 132 mil estrangeiros representam também um acréscimo, visto com grande satisfação pelos organizadores da K, em comparação com a feira anterior. Nessa edição houve aumento no número de visitantes de fora do continente europeu (45% do total). A maior parte veio da Ásia (30 mil) e o restante de países como Turquia, Israel, Brasil, Argentina, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Só da América Latina, foram 10 mil visitantes (em 2007: 7.600), a maioria brasileiros, o que era facilmente percebido pelos corredores da megafeira.

Os pavilhões dedicados a máquinas e equipamentos na K 2010 serviram de termômetro para confirmar o clima de recuperação dos negócios atestado por muitos expositores. Além de serem tradicionalmente os mais movimentados, foram nos estandes desses fabricantes que vários pedidos de compra ou orçamento foram feitos e muitos novos sistemas em operação apresentados, com direito a brindes injetados, extrudados ou soprados para os visitantes – sem maiores economias de energia ou materiais, como costuma ocorrer em feiras nas épocas recessivas.

Plástico Moderno, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
A TwinEX de dupla rosca: novo motor

As áreas de extrusão e sopro retratam bem esse panorama. No primeiro caso, o clima era de animação e mudanças, a começar pela mostra clara de consolidação no segmento, como ficou nítido nos estandes da alemã Reifenhäuser, agora fundida com a conterrânea Kiefel, e da tradicional Battenfeld Extrusionstechnik, integrada com a austríaca Cincinatti Extrusion.

Em termos tecnológicos, porém, os destaques mais evidentes na área foram as imensas e modernizadas torres de extrusão de filme balão e cast, em operações a plena carga que chamavam a atenção dos visitantes de todas as partes do mundo, e ainda, a profusão, menos apoteótica, de extrusoras de dupla rosca para perfis e tubos, em novos modelos para processamento universal, mais econômicos e eficientes.

Já no mercado de sopro, a tendência na oferta de máquinas totalmente acionadas eletricamente, ou de híbridas, continuou a toda força, confirmando a vocação para a economia energética dessas máquinas.

Dupla rosca – Para começar pela extrusão, mais farta em novidades, vale ressaltar o campo da extrusão de dupla rosca, que demonstrou interessante evolução tecnológica, tanto para processar PVC como, de maneira ainda mais importante, poliolefinas, que começam a ter mais opções dessa tecnologia com o trunfo de aumentar a produtividade em uma só máquina.

Plástico Moderno, Herbert Weilguny, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Weilguny: aposta em extrusora com baixo consumo de energia

Para o processamento de perfis e tubos de PVC, houve o lançamento oficial de muitas máquinas. No movimentado estande da nova corporação formada pela união de duas grandes fabricantes, a Battenfeld-Cincinatti, houve vários exemplos, todos eles sob a proposta central do grupo de ofertar máquinas ambientalmente corretas, plano de estratégia e marketing que incluiu estande, extrusoras e gravatas dos colaboradores todos decorados de verde. De acordo com o especialista da empresa, Herbert Weilguny, as conquistas na área ambiental têm a ver principalmente com o novo motor de corrente alternada (AC) das máquinas, mais estável e isolado, fatores que reduzem consideravelmente o consumo de energia. “Esse desenvolvimento é fruto da sinergia tecnológica entre as duas empresas”, disse.

A exposição da Battenfeld-Cincinatti foi organizada conforme sua nova estrutura, dividida agora em três divisões: construção, infraestrutura e embalagem. A divisão de construção lançou nova série de extrusoras de dupla rosca para processamento de PVC, com consumo de energia minorado e produtividade superior a linhas anteriores em até 10%, em razão de novo motor de quatro eixos mais poderoso. A linha denominada twinEX 93-34D conta com quatro modelos com diâmetros de rosca de 78 a 135 mm, L:D de 34 que cobre uma faixa de produção até 420 kg/h na extrusão de perfis.

De acordo com Weilguny, as melhorias fizeram com que a nova série twinEX passasse a consumir 15% menos energia específica com aumento simultâneo da produtividade comparada com outras extrusoras de dupla rosca contrarrotante existentes no mercado. Segundo ele, isso foi conseguido também por causa do aumento da unidade de processamento para relação L:D de 34, combinado com a redução da dissipação de calor, conquistada por novo canhão totalmente insulado, um sistema novo de resfriamento por ar (Air Power Cooling) e a geometria remodelada das roscas.

Outro aperfeiçoamento das máquinas do novo grupo especializado em extrusão, visando à eficiência energética aliada ao aumento de produtividade de perfis de PVC para janelas, contou com a participação de uma terceira empresa, a Gruber Extrusion, que desenvolveu sistema de economia de energia a vácuo. Trata-se de calibração a seco por vácuo que se utiliza de tanques de vácuo com um sistema de controle de nível. No final, a nova tecnologia de calibração consome 50% menos energia do que sistemas convencionais.

A aposta da Battenfeld-Cincinatti com as novas extrusoras e a estrutura mais enxuta (houve demissões nas fábricas) é dar continuidade à recuperação de vendas, depois de um período de vacas magras, entre 2007 e 2009, quando foram reduzidas pela metade. Para isso, além da área de construção, na divisão de infraestrutura os lançamentos na K 2010 incluíram nova linha de extrusoras monorroscas solEX, que em duas plataformas conseguem produzir tubos de polietileno em alta densidade de três camadas, com novo sistema de resfriamento que permite a redução do comprimento da linha de produção em até 30% e com novos acionamentos de trilho que, ao fim, diminuem o consumo de energia em 15%. Na área de embalagens, o destaque foi a extrusora monorrosca para produzir filme de PET amorfo com sistema de desgaseificação para eliminar custos de pré-secagem e condicionamento dos grânulos.

Plástico Moderno, Bruno Sommer, Gerente de extrusão, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Sommer: dupla rosca para PVC agora tem degasagem simples

Para PE – Outra alemã, a KraussMaffei, também mostrou novidade no conceito de extrusão dupla rosca para PVC e, ainda em comum com a Battenfeld, nesse segmento se apresentou com uma agregada, a Berstorff, empresa de Hannover adquirida há um ano e meio (agora o grupo de extrusão se apresenta como KraussMaffei-Berstorff). A novidade foi um modelo da série de dupla rosca contrarrotante paralela KMD que, segundo o gerente de extrusão, Bruno Sommer, conta com sistema de degasagem simples, ao contrário do modelo anterior de dupla degasagem, e com nova geometria da rosca, que permite processamento de PVC normal, expandido, biorientado ou com muita carga mineral.

Mas o maior destaque foi para a tecnologia de extrusão para poliolefinas, para a qual havia modelos de mono e dupla rosca. No caso das de dupla rosca, segundo Sommer, a empresa passou a contar com maior possibilidade de desenvolvimento depois da aquisição da Berstorff. “A especialidade dela é a tecnologia de dupla rosca corrotante, na qual as roscas paralelas giram na mesma direção e cujo princípio se mostra o ideal para poliolefinas”, disse.

Dessa forma, para processar tubos de PE-Xa (reticulado), a empresa mostrou novo sistema completo, com extrusora cônica de dupla rosca KMD 63 K/R, para produzir tubos de PE-Xa de única ou múltiplas camadas. Especialmente projetado para essas resinas com ligação cruzada (crosslinked) quimicamente entre o PE e o peróxido, o que lhe confere propriedades especiais e grande sucesso atual no transporte de água potável, gás, aquecimento, ar-condicionado e especialmente de água quente ou gelada, o sistema processa uma mistura de PE-Xa, peróxido e um estabilizante. Sua capacidade de produção é em torno de 130 kg por hora, com velocidade de até 20 metros por minuto de tubos com diâmetro de camadas únicas ou múltiplas de 12 a 63 milímetros.

A série ZE-UTX de extrusoras de duplas roscas corrotantes especiais para compostos reforçados com fibra natural ou biopolímeros também mereceu versão modernizada da KraussMaffei-Berstorff. O modelo ZE 60-UTX, para altos volumes e materiais não-secos, opera a uma velocidade de 600 rpm, cerca de um terço do normal de máquinas concorrentes (que chegam a 1.800 rpm), mas com sistemas de acionamento de trilho e de aquecimento modernizados, que lhe conferem baixo consumo energético e alta produtividade. O fato de ser máquina de grande porte, com baixa velocidade, proporciona menos estresse mecânico, dando maior vida útil à máquina.

Segundo Sommer, usar o conceito de dupla rosca em poliolefinas garante melhor homogeneização dos materiais, com menor consumo de energia. No caso desse modelo ZE 60-UTX, a empresa projetou um canhão com maior capacidade de aquecimento, com mais resistências elétricas, mas menos distantes da câmara de extrusão. Isso melhorou as seções de homogeneização da máquina, que também passaram a ser mais bem isoladas com placas especiais para diminuir a perda energética em aproximadamente 30%.

Plástico Moderno, Peter Dihrik, CEO da Bayer, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Dihrik: novo sistema faz 300 cortes por minuto

Mas também em extrusão monorrosca a empresa destacou um modelo polivalente, a KME-36 N, que processa tubos de PE e PP, por acionamento, sem caixa de engrenagem, em faixa de produção de 30 a 750 kg/h. Processando polipropileno, o modelo patenteado conseguiu aumentar a produtividade em 35%, o que é um grande avanço, segundo explicou Bruno Sommer, visto que nas versões anteriores universais a perda quando se processava PP chegava a 40% e agora é de 5%, em comparação com o PE. “Agora a mesma máquina produz 100 de PE e 95 de PP”, disse. O acionamento direto, disponível como opcional, usa motor síncrono de alto torque, que diminui consideravelmente o consumo de energia e os esforços de manutenção.

Corte rápido – Havia ainda outro expositor mostrando tecnologia interessante na área de extrusão de tubos. A alemã Breyer destacou uma linha de extrusora monorrosca que chamou a atenção não só por sua bela estética como por um novo sistema de corte, denominado E-cam 300, com alta rapidez e precisão. Segundo explicou o CEO da empresa, Peter Dihrik, o sistema, substituto de guilhotina convencional, é capaz de fazer 300 cortes/min, numa faixa de velocidade de 40 m/minuto. “Isso significa 600 movimentos por minuto”, disse.

Plástico Moderno, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Extrusora monorrosca da Breyer de alto desempenho

Uma vantagem do novo sistema de corte, segundo Dihrik, é que o comprimento do tubo, via display, pode ser digitalmente configurado e mudado durante o processamento. A faixa de diâmetro dos tubos vai de 13,5 mm até 60 mm. De acordo com o CEO, a nova geração do sistema de corte (que funciona sob rotação de 3 mil rpm) é 50% mais efetiva do que a anterior e pode ser adaptada até em máquinas antigas em operação. Além dessa extrusora, a Breyer apresentou outra monorrosca de alto desempenho de 75 mm, com capacidade produtiva de até 700 kg/h, sob velocidade moderada, de 200 a 250 rpm, com rosca acionada por motor AC silencioso e resfriado a água. A máquina opera a maior parte dos termoplásticos (PC, PMMA, PET, ABS, PS e TPU).

A alemã Weber, fabricante de extrusoras para tubos e principalmente perfis para janelas de PVC e de compostos de madeira-plástico, mostrou novas versões da série de dupla rosca cônica CE 8 e CE 8Z (coextrusora), para tubos e perfis. De acordo com o responsável por vendas da Weber, Klaus Peter Bastidas, o foco das novas remodelações da linha visou, em primeiro lugar, a um aumento da produtividade das máquinas de coextrusão, demanda muito alta na fabricação de perfis de janelas.

Plástico Moderno, Klaus Peter Bastidas, Responsável por vendas da Weber, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Bastidas: Weber remodelou dupla rosca para PVC

Para isso, a extrusora principal foi totalmente remodelada, aumentando sua capacidade produtiva de 250 kg/h para 270 kg/h. Em energia, também houve novidades na linha: o uso de novos motores síncronos AC, mais estáveis, em combinação com novos revestimentos térmicos do canhão e redesenho da rosca, reduziu o consumo em 13%. Segundo Bastidas, a fabricante de tubos e conexões Tigre possui muitas máquinas da Weber no Brasil. Como diferencial das extrusoras, as caixas de engrenagem são também fabricadas pela empresa, o que permite melhorias no torque apropriadas às demandas operacionais.

Plástico Moderno, Heinz Ebner, Diretor de vendas, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Ebner: linhas completas para extrusão de tubos e perfis

Além das de dupla rosca, na K a Weber apresentou ainda novos modelos de alto desempenho de extrusoras monorrosca, os NE, com relação LD de 40. O conceito da rosca foi reformulado, assim como o sistema de alimentação da resina, o que proporcionou ganhos de 35% a 40% na produtividade, em comparação com modelos anteriores. “Além disso, a reengenharia permitiu a redução na temperatura de fusão e no consumo de energia”, disse. Todas as extrusoras com o novo conceito contam com motor síncrono de corrente alternada, diretamente engatado à caixa de engrenagem sem necessidade do cinto de transmissão.

Confirmando a grande quantidade de lançamentos de extrusoras dupla rosca para perfis e tubos, a austríaca High Tech Extrusion apresentava a totalmente reformulada linha Omnia, que conta com cinco diferentes modelos de extrusoras de dupla rosca paralelas para PVC. Segundo o diretor de vendas, Heinz Ebner, o grupo tem a vantagem de poder fornecer linhas completas de extrusão, visto que mais quatro empresas-irmãs são especializadas em componentes (roscas, canhões, cabeçotes), caixas de engrenagem, ferramentas para perfis, calibração, guilhotinas e outros empregados nas extrusoras. “Incorporamos o conceito do all-in-one nos nossos fornecimentos”, afirmou Ebner.

Plástico Moderno, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Cincinnati Milacron mostrou nova linha para tubos de PE

Em perfis, as novas máquinas Omnia com LD de 28 incorporam uma caixa de engrenagem com quatro eixos, em vez dos sete convencionais, o que reduz a complexidade e aumenta a produtividade da máquina. Além disso, por economizar espaço, reduzem o consumo de energia em 50%. As extrusoras paralelas e cônicas da empresa atendem a uma faixa de produção de 10 a 1.400 kg/h e podem ser fornecidas em ferramentais específicos para perfis de janelas, dutos, tubos subterrâneos, decks, chapas, em qualquer demanda de PVC. Como fato interessante ao mercado brasileiro, o diretor divulgou no estande o desejo de conseguir um representante comercial no Brasil. “Queremos disputar esse mercado em ascensão”, disse.

E não pararam por aí os lançamentos em extrusão de tubos e perfis. Também a americana Cincinnati Milacron Extrusion Systems mostrou nova linha de extrusoras monorrosca de alto torque GPAK para tubos poliolefínicos. São seis modelos (de 45 mm, 75 mm, 90 mm, 120 mm e 150 mm), com relação LD de 36:1, com capacidade para processar de 800 a 950 kg/h de PEAD e 550 a 660 kg/h de PP. Segundo o diretor da Milacron, Robert Starr, a empresa passou a enfatizar a área de extrusão de tubos poliolefínicos por entender ser uma tendência mundial, mas não deixou de lado o PVC. Nesse caso, a extrusora de dupla rosca paralela TP93-26, para tubo de PVC expandido, com capacidade para até 640 kg/h, foi o destaque na K.

Plástico Moderno, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Linha de extrusão de filme balão da Reifenhäuser Kiefel

Balão – Na seara das extrusoras para filmes, a estrela da feira foi a exposição de uma imensa máquina da nova linha Evolution da Reifenhäuser Kiefel. Trata-se do primeiro desenvolvimento conjunto entre as duas empresas alemãs, que segundo o relações-públicas Karlheinz Eder combinaram suas linhas para produzir uma máquina modular e flexível, com cabeçotes e estrutura linear capazes de processar diferentes polímeros, poliolefinas e vários materiais de barreira, como PA, PETG e EVOH.

No estande, a empresa colocou para funcionar um modelo em configuração para nove camadas. Seu sistema de controle foi melhorado para torná-lo mais fácil de usar. Porém, o sistema de cabeçote, chamado RKE Evolution, é considerado o centro “nervoso” da nova linha de extrusão. Além de permitir o processamento de várias resinas, também atinge alta produtividade sob baixas temperaturas de fusão. O design reológico e térmico do cabeçote consegue gerar camadas de filme muito finas com relação de espessura muito acurada, segundo a Reifenhäuser Kiefel.

Também a unidade de resfriamento do filme foi reprojetada e adaptada para atender aos mais exigentes padrões de barreira, o que permitirá aos transformadores conseguir barreiras de filmes que até então só eram possíveis com as poliolefinas.

Plástico Moderno, Elisabeth Braumann, da W&H, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Elisabeth: recorde de produção de filme multicamada

Outro grande destaque em filmes balão marcou presença na exposição da alemã Windmöller & Hölscher, que apresentou uma máquina para cinco camadas da linha Varex, cujo novo cabeçote de 400 mm Maxicone P foi especialmente desenvolvido para produzir filmes poliolefínicos com estruturas inovadoras. Além disso, segundo explicou Elisabeth Braumann, da W&H, o cabeçote de cinco camadas torna a máquina capaz de bater o recorde mundial de produtividade, atingindo a faixa de 1.000 kg/h, o que foi devidamente divulgado no estande. Com cinco extrusoras Varex na linha em operação na feira – que precisava ser alimentada por quatro silos com resinas instalados fora do pavilhão –, a maior delas era responsável pela camada do meio do filme. Isso também é considerado um feito inovador, possível graças ao novo cabeçote, que no fim gera o filme com melhores propriedades.

Plástico Moderno, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
A coextrusora Varex: filme de 5 camadas mais fino

O filme produzido durante a K 2010 era de 40 µm, o que até então era conseguido apenas com máquinas de três camadas. De acordo com Elisabeth, o desenvolvimento veio atender a uma demanda crescente do mercado. Para a concretização, a ExxonMobil Chemical, uma das líderes mundiais na produção do polietileno metalocênico (mPE), foi envolvida no projeto para criar a nova geração de filmes de cinco camadas com base poliolefínica. Os resultados do desenvolvimento são filmes com melhores propriedades e mais finos, em comparação com os filmes de três camadas disponíveis no mercado. “Além disso, o projeto atendeu à nossa filosofia de ‘greenovation’ (inovação verde), ao reduzir de forma substancial o uso de matérias-primas para produção de filmes”, disse Elisabeth Braumann.

Se as melhoras nas propriedades do filme foram obtidas pela otimização da linha e pelo novo cabeçote, a alta produtividade é em razão do novo anel de resfriamento Opticool, sucessor do anel duplo Multicool D. A novidade tem melhor controle de fluxo de ar, o que evita quedas abruptas de pressão do ar de entrada, tornando possível a alta produtividade, pois o sistema garante resfriamento superior aos convencionais, segundo a empresa.

Plástico Moderno, Robert Deitrick, Diretor de vendas da EDI, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Deitrick: multiplicador de camadas barra oxigênio

Inovação nas camadas – Na área de balão, porém, o considerado mais inovador foi apresentado pela Extrusion Dies Industries (EDI), empresa norte-americana especializada em cabeçotes. Trata-se de nova geração de blocos de alimentação para coextrusão com matriz plana, da linha Ultraflow, que funciona como multiplicador de camadas em filmes para melhorar as barreiras e o formato de embalagens alimentícias. Segundo a empresa, o bloco simplifica o ajuste fino de espessuras de camadas de estruturas de filme, com diminuição nas paradas, em aplicações diversas, desde a mais simples chapa até complexos filmes para embalagem.Plástico Moderno, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes

De acordo com o diretor de vendas da EDI, Robert Deitrick, o bloco pode criar dezenas de microcamadas nos filmes, criando barreiras rigorosas. Um de seus primeiros usos, segundo ele, foi para o Exército Americano, que precisava de embalagens para alimentos de campanha que tivessem transmissão de O2 perto de zero, a fim de aumentar a vida útil dos produtos em zonas de combate. “E atendemos com sucesso. Depois de 30 dias de teste, as propriedades praticamente isolaram a embalagem do oxigênio”, disse Deitrick. De forma geral, com base em estudo científico da EDI, o “multiplicador de camadas”, em uma única camada de EVOH com várias microcamadas (houve um caso em que foram criadas 78 delas), pode reduzir a transmissão de oxigênio entre 60% e 80% e ainda melhorar a produtividade da extrusão.

Plástico Moderno, Paulo Sérgio Leal, Engenheiro, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Leal: Rulli marcou presença entre os latinos

O bloco de alimentação Ultraflow V combina o fluxo de material derretido da extrusora em uma espécie de “sanduíche” de múltiplas camadas que a matriz de extrusão distribui para a largura pretendida para o produto. Mas o seu diferencial reside no fato de contar com “planos de combinação” ajustáveis, localizados onde os fluxos de material derretido se encontram com o canal de fluxo central. Esses planos de combinação podem operar de forma automática, sem necessidade de ajuste do bloco pelo operador, apenas deixando o plano ajustável no modo de flutuação livre, quando a posição é determinada diretamente pela pressão de equilíbrio desenvolvida pelo fluxo das extrusoras.

Mas a operação também pode ser ajustada manualmente. Principalmente em casos nos quais haja polímeros cuja interação no ponto de confluência tem a probabilidade de prejudicar ou comprometer a estrutura de múltiplas camadas. Nesse caso o operador pode fazer o ajuste fino do fluxo de polímero, por meio de um simples sistema em que eixos se estendem da parte externa do bloco de alimentação até os centros dos planos ajustáveis. Bom ressaltar que os novos blocos podem ser projetados para qualquer número de extrusoras ou camadas. No Brasil, a EDI é representada pela BY Engenharia.

Brasileiros – Na área de extrusão, havia duas empresas brasileiras expondo: a Rulli Standard e a Carnevalli, ambas com fábricas em Guarulhos-SP. A primeira não colocou em operação as máquinas, apenas expôs um modelo para chapas de 100 mm e outro de filme de 75 mm. De acordo com o engenheiro Paulo Sérgio Leal, presente no estande, embora a empresa já tenha participado da edição de 2007, quando conseguiu fechar negócio até com cliente na Tailândia, dessa vez a participação foi mais para marcar presença entre os muitos visitantes brasileiros e da América Latina. “Com nossa moeda forte não dá para sonhar com muitas vendas externas”, disse.

Plástico Moderno, Celso Giannico, Gerente comercial, K 2010 - Expositores notam recuperação nas vendas, puxada principalmente por demanda de países emergentes
Giannico: Brasil chega em breve nas multicamadas

Já a Carnevalli, além de servir uma concorrida caipirinha no estande, colocou para rodar uma coextrusora balão para três camadas, mercado para o qual mais se capacita e tem clientes no Brasil. Mas, segundo afirmou durante a K o gerente comercial Celso Giannico, a tendência é o país acompanhar a evolução do mercado mundial ampliando o número de camadas dos filmes. “Já vendemos máquinas de sete e cinco camadas e tenho certeza de que esses negócios passarão a ser mais frequentes no futuro”, disse.

Segundo Giannico, essa tendência deve se fortalecer para atender à necessidade de modernização do parque de extrusão no Brasil, estimado em cerca de 3.500 máquinas, a maioria delas com no mínimo uma década de operação contínua. E para essa renovação ele confia em plano específico para o setor plástico divulgado pelo BNDES, que financia máquinas novas e ainda capital de giro para os tomadores de empréstimo. “Nesse projeto acreditamos que as coextrusoras com multicamadas, máquinas mais eficientes em energia e as ambientalmente amigáveis serão as privilegiadas”, completou.

 

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