K 2010 – 2ª Parte – Mercado de injetoras reitera vigor e evidencia inovações tecnológicas

A edição de 2010 da K, a maior feira mundial do plástico, confirmou o que muitos já sentiam: a crise na indústria já faz parte do passado. Os momentos difíceis entre 2008 e 2009 causaram alguns – e, em certos mercados, muitos – estragos na cadeia do plástico, mas os números demonstravam que, desde a segunda metade de 2009, o vigor econômico havia se reencontrado com fornecedores de matérias-primas, máquinas e transformadores, fato amplamente confirmado tanto por expositores quanto por visitantes da K 2010.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Mercado de injetoras reitera vigor e evidencia inovações tecnológicas

Para o presidente do conselho de expositores da K, Ulrich Reifenhäuser, o período em que os negócios andaram em baixa foi utilizado pelos produtores para investir em inovação, por conta da ociosidade da força de trabalho, e esse esforço se revelou na feira, em cujos pavilhões os visitantes foram apresentados a diversas inovações criadas pelos produtores de máquinas. As novidades apresentadas seguem basicamente duas macrotendências predominantes há algum tempo: a economia de energia e a tentativa de preservação dos recursos naturais.

Os lançamentos – A Sumitomo (SHI) Demag, formada em 2008 pela fusão da antiga Sumitomo Heavy Industries, japonesa, com a alemã Demag Plastics Group, aproveitou as dificuldades do ano de 2009 para se focar em pesquisa e desenvolvimento, ato que culminou com a apresentação de diversas inovações na K. O estande da empresa abrigou seis máquinas, entre elas a El-Exis SP 300-2500da nova série El-Exis SP, com acionamentos elétricos na dosagem, e um acionamento eletrohidráulico para o movimento de abertura do molde, além de acumuladores para a injeção. O modelo em exposição possuía força de fechamento de 300 t, mas a empresa promete expandir a linha com forças entre 150 e 750 t. Durante a feira, a injetora produziu tampas de PEAD com 1,6 g em molde de 72 cavidades. Uma das novas características da série El-Exis SP é um dispositivo denominado activeAdjust, que permite ao operador acelerar cada movimento da injetora em função do processo ou da peça fabricada, uma personalização que leva a menores tempos de ciclo e maior produtividade. Outro ponto interessante é a elevada velocidade de ejeção das peças formadas. Para realizar um movimento de vaivém de 5 mm, a máquina requer apenas 130 milissegundos.

A expositora também apresentou a nova IntElect 450, a maior injetora 100% elétrica do mercado, com força de fechamento de 450 t. O modelo exposto, IntElect 450-2200, produziu carcaças de conectores de PBT, em molde de 16 cavidades, como maneira de atrair a atenção do mercado para o uso de máquinas elétricas em uma gama maior de aplicações nas faixas de tonelagem mais elevadas, com moldes mais pesados e requisitos mais severos de capacidade de injeção.

O grupo KraussMaffei foi outro expositor a testemunhar os sinais de recuperação de mercado de máquinas para plástico desde o segundo trimestre de 2009. Nas previsões do CEO da KraussMaffei AG, Dr. Dietmar Straub, a empresa fecharia 2010 com 35% de aumento no volume de pedidos, e um crescimento de 2% nas vendas. “Esperamos um novo impulso ao crescimento forjado pela K 2010, tanto no setor de plástico como um todo quanto no resultado da nossa companhia”, afirmou Straub.

Como amostra do cenário promissor, o grupo apresentou diversas novidades de suas duas marcas de máquinas para injeção, KraussMaffei e Netstal. Uma delas, lançada na feira, foi o processo ColorForm, que segundo o membro do comitê executivo do grupo, Frank Peters, vai “revolucionar” a fabricação de peças com alto brilho. A tecnologia consiste da aplicação de um revestimento de elevado brilho na peça injetada, com o molde ainda fechado, em um único estágio de produção. Durante a feira, a tecnologia foi demonstrada em uma injetora MX 1000-8100/2000, com fechamento de 1.000 t, auxiliada por robô, fabricando uma pasta de ABS revestida com TPU soft touch. A integração da etapa de revestimento ao processo de injeção gera ganhos de eficiência e redução de custo, pois elimina as etapas de limpeza necessárias a processos de pintura convencionais; e, de fato, elimina qualquer pós-processamento depois da etapa de moldagem. “A junção da pintura à etapa de injeção gera reduções de custo de até 30%”, disse Peters.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Mercado de injetoras reitera vigor e evidencia inovações tecnológicas

Outro lançamento da feira foi a nova célula de produção EX CleanForm, projetada para o uso em salas limpas com classificação “classe A”. A solução alcançada com a EX CleanForm elimina processos de esterilização pós-moldagem e a redução de custos pode chegar a 25% se as peças, ao serem desmoldadas, forem imediatamente transferidas para embalagens esterilizadas. Na feira, a novidade foi demonstrada em uma injetora elétrica EX 160-750 CleanForm, produzindo seringas descartáveis sob condições de esterilização, em molde de 48 cavidades e com o auxílio de um robô de seis eixos.

A subsidiária suíça do grupo, a Netstal, expôs suas máquinas empregadas principalmente na produção de artigos técnicos e peças de paredes fina. Sob o mote “one step ahead” (“um passo à frente”), apresentou duas novas adições à família Elion de injetoras híbridas. No estande, o modelo 2800 produziu vasos de flores de paredes finas e o 2200, tampas de garrafas de PEAD, ambos em ciclos de apenas 2 s. Segundo o vice-presidente sênior de marketing e vendas da Netstal, Thomas Anderegg, as novas injetoras Elion superam suas concorrentes na fabricação de peças de alta precisão e paredes finas: necessitam apenas de metade da energia que as outras competidoras usam para funcionar; possuem capacidade produtiva duas vezes maior, tendo como base de comparação a área de chão de fábrica ocupada, e ainda demandam investimento 30% menor, em relação à produtividade anual.

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Allrounder 920 H

A empresa suíça também aproveitou a ocasião da K 2010 para introduzir seu novo controlador aXos, que passará a integrar máquinas produzidas a partir do primeiro trimestre de 2011. As injetoras Elion expostas na feira já exibiam o controlador, cujo principal atributo é a livre programação de sequências de produção.

Recorde brasileiro – Tradicionalmente atuante no segmento automotivo, a Arburg sentiu o baque em 2008 e 2009, mas demonstrou a mesma empolgação vista em toda a feira. Seu mercado doméstico, o alemão, registrava vendas em recuperação desde março de 2010. Outros países do centro e do leste europeu já se alinharam à tendência positiva e Brasil, Ásia e México registraram seus melhores anos na história da empresa no ano passado (a filial brasileira, por sinal, atingiu o grande resultado em seu décimo aniversário). Mesmo o mercado estadunidense, o mais afetado pela queda nas vendas, contrariou as expectativas mais pessimistas e se fortaleceu.

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Sacolas de PP

O choque de 2009, por outro lado, dada sua intensidade no setor automotivo, forçou a empresa alemã a dar mais atenção a outros segmentos, em particular o eletrônico, o médico e o de embalagens, fato demonstrado em algumas das dez injetoras em exposição.

Um dos destaques foi a Allrounder 920 H, uma máquina híbrida com força de fechamento de 500 t que expande o portfólio da Arburg na faixa de injetoras de maior tamanho. A unidade de fechamento servoacionada – combinada a uma unidade de injeção hidráulica – demonstrava aovivo a alta capacidade produtiva da máquina, fabricando sacolas de PP de 560 g em ciclos de 25 s, a uma taxa de 80 kg/h. “É uma máquina única no mercado, com ciclo de produção a seco de menos de 2 s”, avaliou Herbert Kraibühler, diretor de tecnologia e engenharia da empresa.

A própria 920 H ainda oferecia aos visitantes uma amostra de outra criação: o novo assistente de set-up do tradicional sistema de controle das máquinas da Arburg, o Selogica. Segundo as informações de Kraibühler, pela primeira vez, o programa permite o ajuste do set-up do processo de injeção completo, por meio de menus autoguiados, parecidos com os assistentes de instalação do Windows, em apenas cinco passos, sem que o operador necessite de maior conhecimento do funcionamento do sistema de controle. O novo dispositivo facilita a preparação da máquina, de maneira segura, bem como agiliza as trocas de produto.

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Assistente de set-up

O diretor de tecnologia e engenharia assinalou que a exposição da Arburg possuía um claro foco em máquinas híbridas e elétricas, e destacou o papel central dos acionamentos elétricos, uma tendência que deve se acentuar no futuro. Ele exemplificou o empenho da empresa nessa área apontando um desenvolvimento conjunto com a Siemens, apresentado na K no estande da parceira em umaAllrounder 370 A com 50 t de fechamento, dotada de uma unidade de injeção de alta velocidade combinando um motor linear para o eixo de injeção a um rotativo, na dosagem. O motor linear traz ampla vantagem a esse tipo de acionamento inovador, oferecendo acelerações altíssimas e velocidades máximas de 2.000 mm/s.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Mercado de injetoras reitera vigor e evidencia inovações tecnológicas

Animada por um crescimento na casa de 180% em suas vendas no ano de 2010, ante o complicado ano de 2009, a Wittmann Battenfeld levou à K diversos novos desenvolvimentos aos visitantes. Uma das tecnologias apresentadas foi o processo variotérmico BFMold, criado para lidar com o fato de que peças com requisitos de alto brilho dificilmente atingem um acabamento superficial adequado sem que se precise aquecer muito o molde. Isso ocorre porque quando a matéria-prima entra no molde, a cavidade, mais fria que o plástico, imediatamente provoca solidificação da superfície do polímero, sem “copiar” adequadamente o polimento do molde. Para contornar o problema, é necessária uma fase de compactação do fundido sob alta temperatura e isso causa problemas na desmoldagem da peça, que requer seu resfriamento. Essa etapa de diminuição de temperatura é feita, tradicionalmente, com vapor (que demanda caldeiras), aquecimento indutivo (com pouca eficiência energética), ou óleo (ambientalmente desvantajoso), mas a Wittmann Battenfeld realiza o processo de variação térmica (daí o neologismo variotérmico) com água pressurizada, circulando pelos mesmos canais tanto no caso do aquecimento quanto do resfriamento. Segundo o engenheiro de vendas da Wittmann Battenfeld do Brasil, Marcos Cardenal, a própria injetora controla esse sistema de variação térmica, que passa a ser integrado à máquina. No entanto, as trocas térmicas feitas em dutos no interior do molde, como é normal, poderiam ser melhoradas, e aí entra o BFMold. Ele consiste da inserção de uma espécie de “piscina” no seio do molde, recheada de esferas, por entre as quais circula água com uma superfície de contato muito maior que aquela dos dutos dos moldes convencionais.

Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Mercado de injetoras reitera vigor e evidencia inovações tecnológicasUma máquina equipada com o BFMold ainda pode ter um dispositivo óptico de inspeção, para acompanhar a qualidade do acabamento superficial das peças produzidas. “É um sistema completo, adequado principalmente para peças com alto brilho ou que vão receber cromação, pois é difícil detectar problemas de superfície a olho nu. O defeito só acaba aparecendo na cromação, mas é muito difícil recuperar uma peça cromada defeituosa”, explicou Cardenal. O caso típico é a produção de peças de ABS, como as que estavam em produção no estande, mas o sistema também pode ser interessante para peças de PS e alguns grades de PP, além de acrílico.

Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Mercado de injetoras reitera vigor e evidencia inovações tecnológicasMenos energia – A Wittmann Battenfeld demonstrou o BFMold aos visitantes da K em uma injetora da família EcoPower, introduzida ao mercado em 2009, mas que apareceu em Düsseldorf com novos desenvolvimentos, entre eles um sistema de recuperação de energia cinética (KERS, na sigla em inglês), que era opcional, mas agora é um equipamento padrão para a série EcoPower, cujo principal apelo é a economia aliada à precisão. Esse dispositivo armazena a energia gerada pelo motor no momento da frenagem da placa do molde em capacitores, de modo que a injetora ganha segundos de fornecimento de reserva de energia em caso de quedas repentinas. O sistema também permite redução do consumo de energia na casa de 7% em relação a outros modelos da Wittmann Battenfeld sem o dispositivo. Outro ponto importante é relativo ao uso de óleo lubrificante, que se mantém em um circuito fechado e não vaza pelas bandejas, como costuma acontecer.

A antiga Battenfeld, reconhecida pela especialização em microinjeção de precisão, em meados de 2008, atravessava um momento de hesitação no mercado, quando ainda pertencia a um grupo financeiro. A aquisição pela então Wittmann recolocou a empresa sob o comando de especialistas da indústria do plástico, um ponto ditado como decisivo por Cardenal para a recuperação demonstrada ao longo de 2010. Outro fato importante foi uma leve reorientação para tecnologias mais “pé no chão”, com maior potencial de aplicação. “Nós apresentávamos produtos nos estandes direcionados a um pequeno número de clientes europeus”, explicou Cardenal. Ou seja: uma boa parte dos visitantes ficava de boca aberta, só que sem condição financeira de adquirir as máquinas. “Hoje mostramos tecnologias como o BFMold, possível de ser usado em mercados como o brasileiro. O cliente vem à feira e vê máquinas que ele pode comprar na filial do Brasil”, afirmou o engenheiro de vendas. Não por acaso, o peso do mercado brasileiro, que conta com cerca de 6 mil injetoras da Wittmann Battenfeld em funcionamento, tem aumentado nas vendas da empresa.

Outra alemã, a Boy, fabricante de injetoras com forças de fechamento até 100 t, preparou uma exposição com 16 máquinas, entre elas, a novaBoy 35 E, com fechamento de 35 t, equipada com bomba servoacionada e caracterizada por baixo consumo de energia. Tão baixo, aliás, que a empresa garante que em algumas aplicações a refrigeração adicional com óleo nem ao menos é necessária. Outros pontos positivos são o nível de ruído reduzido, bem como ciclos de produção mais baixos e peças com melhor qualidade. A “pegada” da injetora também diminuiu, chegando a meros 1,9 m2.

Os visitantes do estande foram apresentados a nove exemplares de uma série de máquinas recém lançada, a Boy XS, voltada à microinjeção ou à moldagem de peças pequenas, com volumes de injeção entre 0,1 e 0,8 cm3. A linha, graças a processos de produção modulares, possui alta precisão e eficiência, como demonstrou um modelo produzindo peças médicas com peso de apenas 0,1 g, em ambiente de sala limpa.

No estande da canadense Husky, os destaques foram os novos sistemas de produção de pré-formas, produtos tradicionais da companhia. De especial interesse para o mercado brasileiro é o sistema H-PET AE (de all-electric, isto é, completamente elétrico), uma linha de produção de pré-formas relativamente pequena e com baixo custo de manutenção. O lançamento, segundo o presidente e CEO da companhia, John Galt, foi desenvolvido com o intuito de levar a um número maior de clientes a chance de aquisição de uma máquina de alta qualidade, uma vez que o equipamento atende em cheio às necessidades de clientes de mercados emergentes, em que os volumes de produção costumam ser menores. O investimento inicial, obviamente, também é relativamente menor. Durante a feira, uma linha H-PET AE 180 produziu pré-formas EcoBase de 22 g em ciclos de 11,8 s. A pré-forma, também desenvolvida pela Husky, encerra uma modificação no projeto de sua base que pode tornar a peça até 2,5% mais leve, e embora o porcentual não pareça tão grande, as garrafas termoplásticas já são tão leves que perdas de décimos de gramas representam avanços significativos.

A Husky também anunciou que sua linha de produção de pré-formas HyPET RF (de recycled flake, ou flocos reciclados) já é capaz de fabricar peças tendo como matéria-prima 100% de PET alimentício pós-consumo reciclado. A linha HyPET RF, a rigor, já havia sido apresentada ao mercado em 2009, na feira Drinktec, de Munique. Naquele momento, no entanto, a máquina era capaz de processar uma alimentação contendo até 50% de flocos reciclados. No espaço de mais ou menos um ano, porém, a Husky conseguiu melhorar o desempenho da HyPET RF, elevando o teor de reciclado para 100%. Entre essas melhorias, estão um novo projeto da extrusora e um sistema embutido de filtragem contínua, para melhorar a homogeneidade e eliminar contaminantes. As pré-formas produzidas pelo sistema se destacam pelo reduzido número de black specks (pontos negros causados pela queima de matéria-prima durante o processamento) e se mostram significativamente menos sujeitas a falhas na fase de sopro, quando são moldadas as garrafas, em comparação a pré-formas feitas em máquinas convencionais rodando alimentação com o mesmo teor de flocos reciclados. Durante a feira, a nova tecnologia foi demonstrada com a produção de pré-formas contendo porcentagens variadas de PET reciclado, entre 25% e 100%, e o primeiro modelo comercial da máquina já se encontra em funcionamento, em um cliente europeu da companhia canadense.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Mercado de injetoras reitera vigor e evidencia inovações tecnológicas

Foco na eletricidade – A austríaca Engel preparou uma exposição fortemente centrada em injetoras elétricas. O estande com mais de 1.000 m2 abrigou onze máquinas operando com o firme propósito de demonstrar aos visitantes o nível de eficiência energética que esse tipo de equipamento pode atingir.

A empresa expôs, pela primeira vez, a versão eletrificada de sua máquina de produção de insertos, a nova Engel e-insert. Dotada de mesa giratória servoacionada e unidade de injeção totalmente elétrica, a máquina, na versão Engel e-insert 310V/100, foi vista produzindo carcaças de sensores eletrônicos de PA reforçada com fibra de vidro, contendo insertos metálicos, em um molde de quatro cavidades. A sobremoldagem dos insertos metálicos se beneficia da precisão da unidade de injeção 100% elétrica, enquanto a mesa giratória servoacionada contribui para aumentar a velocidade do movimento de rotação. Como resultado, tanto o tempo de ciclo quanto o custo de fabricação caem, sem contar o corte de energia decorrente do emprego dos acionamentos elétricos.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Mercado de injetoras reitera vigor e evidencia inovações tecnológicas

Para o mercado de embalagens, uma das novidades foi a nova série Engel e-cap, destinada à produção de tampas em aplicações com requisitos de baixos ciclos, alta flexibilidade e baixo consumo de energia – características, por sinal, sempre atreladas ao segmento de embalagens e seus altos volumes de produção. A injetora é completamente elétrica e capaz de fabricar tampas em ciclos com menos de 3 s. Ainda segundo afirma a Engel, a série e-cap tem o menor consumo de energia do mercado.

A expositora também reservou espaço a um tema que tem aparecido com mais frequência na indústria automotiva: a substituição de chapas de aço e alumínio por chapas orgânicas, poliméricas, em peças com funções estruturais, por conta das necessidades de redução do peso dos automóveis. A peça escolhida foi uma coluna de direção feita de PA reforçada com mantas de fibras de vidro, ou de carbono, dispostas em orientação definida na matriz polimérica. Sua fabricação foi demonstrada em uma célula completa de produção automatizada, equipada com uma injetora Engel duo 2050/500 pico.

A grande novidade no estande daMilacron foi a série F, híbrida, representada por uma injetora com força de fechamento de 160 t. Todo o fechamento da máquina é elétrico, podendo ser hidráulico em parte, de maneira opcional. A dosagem é elétrica, e a injeção é hidráulica, auxiliada por acumuladores para aplicações de alto desempenho e paredes finas. A máquina possui bomba hidráulica acionada por servomotor, o que, junto com os outros dispositivos elétricos, contribui para a economia de energia – a injetora consome até 50% menos energia que uma hidráulica de mesmo porte. Segundo o gerente comercial da Milacron no Brasil, Hércules Piazzo, a série F é voltada para o mercado de embalagens, e também se adapta a aplicações multicomponentes. O lançamento, no entanto, ainda não está à venda. Os primeiros exemplares devem chegar ao mercado a partir de março, pois a série ainda atravessa fases finais de desenvolvimento. “A intenção é que esse modelo seja global, e possa ser produzido em todas as plantas da Milacron no mundo”, afirmou Piazzo.

A Milacron também apresentou ao público outras máquinas já comercializadas, como as da série Vitesse, representada por uma injetora com 300 t de fechamento. A linha híbrida de altíssimo desempenho possui dosagem elétrica, e operou, durante a feira, com stackmold de quatro cavidades produzindo potes de margarina com IML (in mold labeling) em ciclos de apenas 3,8 s.

A Milacron é uma das produtoras de injetoras que mantém forte aposta em máquinas totalmente elétricas. Piazzo acredita que, na faixa de forças de fechamento até 600 t, esse tipo de máquina ainda será o predominante no mercado mundial. Aplicações que exigem muita força, como, por exemplo, na extração das peças, até podem ter adaptações hidráulicas, mas o gerente comercial vê as injetoras elétricas bem adaptadas à maior parte das aplicações, com os tradicionais benefícios de baixo consumo de energia, baixo nível de ruído, ausência de óleo e de oscilações de processo em decorrência de variações da temperatura do ambiente. No Brasil, a cada dez máquinas vendidas pela Milacron, oito são elétricas, e se direcionam a setores tão diferentes quanto os de embalagens, utilidades domésticas, descartáveis, peças  médico-hospitalares e o segmento automotivo.

Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Mercado de injetoras reitera vigor e evidencia inovações tecnológicasA fábrica alemã da empresa também sofreu bastante durante a última baixa econômica mundial. A recuperação local, no entanto, foi forte a ponto de elevar a demanda acima da capacidade de atendimento dos fornecedores – de injetoras e de insumos para a produção de injetoras. “Nossos fornecedores também foram afetados pela crise, então os prazos de entrega estão dilatados. Tanto a Milacron quanto os nossos concorrentes estão aquecidos de novo”, disse Piazzo. No Brasil, esses efeitos foram bem menos intensos, e se manifestaram por no máximo seis meses. Curiosamente, 2009, que começou em meio aos temores quanto ao rumo da economia, acabou se tornando um dos melhores anos da empresa no país.

Pequenos nichos, grandes negócios – No estande da Plasdan, os visitantes puderam conhecer uma unidade de microinjeção de TPE(elastômero termoplástico) destinada a aplicações multicomponentes. Segundo o gerente Paulo Silva, a máquina é apropriada para clientes sem condições para realizar investimentos muito grandes, pois eles podem se aproveitar de injetoras que já possuem e necessitam apenas da unidade de injeção adicional para a moldagem de peças com mais de um componente.

A Plasdan sempre produziu unidades de injeção, mas no caso específico do equipamento em exposição, o desenvolvimento surgiu em decorrência das dificuldades que a Oticon, uma produtora dinamarquesa de aparelhos auditivos, enfrentava para montar peças com dimensões reduzidas. Silva relata que operadores da Oticon precisavam unir essas peças pequenas sob a lente de um microscópio, mas, como se pode deduzir, os resultados não eram satisfatórios, pela dificuldade de manipulação dos dispositivos. A Oticon então optou por fazer a montagem já na fase de transformação, utilizando uma unidade adicional de injeção.

Embora acostumada com a produção de unidades de injeção, o modelo exposto na K foi o primeiro voltado à microinjeção produzido pela Plasdan, e outros adicionais já estão em desenvolvimento. O mercado, no entanto, não deverá ver a Plasdan fabricando injetoras completas, pois a empresa não se interessa pela produção de equipamentos padrão. O foco está mais direcionado a unidades de injeção a serem integradas em soluções turnkey e projetos especiais.

Conforme as palavras do gerente, as máquinas dedicadas à microinjeção são necessariamente elétricas, devido aos requisitos de precisão desse tipo de aplicação. E, nos dias de hoje, a microinjeção encontra uso principalmente em aplicações eletrônicas e na manufatura de peças médico-hospitalares. Claramente, são dois nichos de mercado, mas exatamente por este motivo a Plasdan consegue competir nesse segmento, pois a empresa não teria capacidade de produção suficiente para competir em setores com maiores volumes de vendas. O nível de desenvolvimento necessário para máquinas de microinjeção, porém, é o mesmo requerido por uma aplicação de grandes volumes, fato que poderia até atrair a atenção dos grandes produtores de injetoras, mas os baixos volumes os desanimam.

A Plasdan produz máquinas hidráulicas há quinze anos, e elétricas há uma década. A unidade de injeção desenvolvida para a Oticon, além do cliente original, tem conquistado compradores principalmente na indústria de eletroeletrônicos dos EUA e da Europa, embora o grande mercado para o produto seja o Japão.

Após adquirir a italiana Sandretto em 2008, a Romi participou pela primeira vez da K, levando a seu estande três injetoras fabricadas sob o guarda-chuva da antiga marca europeia. Apesar do claro objetivo de se apresentar aos visitantes da feira alemã, a empresa brasileira optou por expor equipamentos com a marca Sandretto, uma vez que as vendas da Romi na Europa se concentram em produtos desta marca, explicou a gerente do departamento de vendas internacionais, Monica Romi Zanatta: “Nós decidimos não alterar o nome do produto que a Sandretto já comercializava na Europa. Então a ideia era mostrar no estande as duas marcas, reforçando o nome Sandretto no mercado, que é bastante reconhecido e apreciado pelos clientes, e mostrar que essa marca agora conta com o respaldo da Romi, uma empresa grande, sólida e com oitenta anos de vida”, disse Monica.

Por causa da atribulada vida econômica da Sandretto, quando a empresa ainda pertencia aos seus antigos donos, mostrar a Romi como suporte à marca italiana também teve o objetivo de reforçar a tranquilidade dos clientes em relação ao desenvolvimento de produtos, ao fornecimento de serviços e à disponibilidade de peças.

No mercado exterior, em geral, as máquinas para plásticos da fornecedora paulista são vendidas com o nome Sandretto, enquanto no Brasil as máquinas são estampadas com a marca Romi. Na América Latina, a escolha fica ao gosto do cliente: máquinas vindas da Itália, se o comprador preferir o produto Sandretto, ou máquinas com a marca tupiniquim, se o cliente optar pelo produto regional.

Os visitantes do estande tiveram a oportunidade de presenciar o lançamento da injetora Sandretto EN 150, uma máquina híbrida, com bombas acionadas por servomotor, voltada a aplicações gerais, e caracterizada pela redução no consumo de energia (até 40% em comparação a injetoras hidráulicas convencionais de mesmo porte), design compacto, operação silenciosa e simples, além de fácil manutenção, segundo a gerente de vendas internacionais da Romi. “Houve bastante interesse pela injetora, pois o mundo inteiro está preocupado com a redução do consumo de energia, insumo cada vez mais caro. Por ser híbrida, essa máquina possui manutenção simples, e esse é o seu forte”, disse Monica.

A Romi também expôs outras duas injetoras de linhas já comercializadas, uma Sandretto EL 220 totalmente elétrica, lançada há pouco tempo na última feira Plast, em Milão, focada em aplicações de peças técnicas, e uma Sandretto HPF 200, uma injetora de ciclo rápido, rodando uma aplicação com IML, para o segmento de embalagens.

A julgar pelos resultados obtidos pela Romi nesta K, não há dúvidas da presença da empresa em 2013. A gerente de vendas internacionais relata que o evento foi muito bom, e bastante movimentado. Monica percebeu grande participação de brasileiros, além de “tradicionais e fiéis” clientes da Sandretto, provenientes da Itália, mas também de outras partes do mundo. “A Sandretto, já há longa data, apostou na internacionalização das vendas e dos canais de distribuição. Então há representantes e clientes no mundo todo. São mais de 30 mil máquinas instaladas”, diz, prevendo uma próxima participação.

 

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