K 2010 – 2ª Parte – Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentável

Ao contrário de quem acredita que as fibras de vidro longas têm aplicação limitada, pois são difíceis de processar, a Sabic, explica Simielli, aposta no potencial da tecnologia, pois ela configura uma forma relativamente mais econômica para se atingir uma combinação de propriedades mecânicas adequadas para a substituição de metais em peças estruturais. “É possível atingir essa mesma combinação de propriedades mecânicas sem o uso de fibras longas, mas são tecnologias um pouco mais caras, que a Sabic também detém”, explicou o gerente. Essas tecnologias mais custosas acabam sendo empregadas em peças aparentes, que demandam melhor acabamento superficial que o obtido com o uso de fibras longas. Peças que não são visíveis aos olhos do consumidor, entretanto, podem prescindir de melhor aspecto superficial e se beneficiar do menor custo de polímeros reforçados com fibras longas. É o caso de módulos frontais e de portas laterais, e de peças da estruturação de painel de instrumentos, que não possuem maiores requisitos estéticos.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentável

Com uma apresentação orientada pelo slogan “From Megatrends to Business” (ou “De Megatendências aos Negócios”), a Bayer MaterialScience reuniu uma quantidade inacreditável de inovações – superior a oitenta – em seu estande com mais de 1.000 m2. O mote da empresa para a K 2010 reflete as mudanças demográficas (particularmente o crescimento populacional e a urbanização) que vêm ocorrendo em diversas partes do mundo, junto com as preocupações com o clima mundial e o esgotamento de recursos naturais, uma combinação que só poderia redundar em uma única palavra na exposição: sustentabilidade.

“Vidro” de PC – Um dos materiais para quem a Bayer prevê importante papel no desenvolvimento de soluções sustentáveis é o policarbonato. O polímero era a principal estrela do protótipo conceitual BayVision, uma porta traseira automotiva apresentada ao público durante a K. A porta, formada por uma única peça de PC com luzes de freio integradas, representa uma possibilidade de mudança na construção das portas traseiras atuais, feitas de uma estrutura metálica que sustenta o vidro automotivo. A substituição dos materiais convencionais pelo PC poderia trazer reduções de até 40% no peso da peça, nas estimativas da Bayer MaterialScience.

Com os tipos existentes do poliéster até o momento, entretanto, não é possível produzir portas traseiras feitas exclusivamente com o termoplástico, que não oferece rigidez suficiente para atender aos requisitos da aplicação. Mesmo assim, o PC ainda é uma alternativa viável, se for empregado por meio de compósitos de plástico com metal. Pelos cálculos da Bayer, apenas alguns insertos metálicos seriam necessários para se alcançar o nível de rigidez exigido pela indústria automotiva, o que ainda representaria uma vantagem, em termos de redução de peso, em comparação às construções atuais combinando metal e vidro.

Outro campo em que a empresa alemã aposta no potencial sustentável do PC é a iluminação automotiva. Diodos emissores de luz (LEDs, em inglês) representam uma opção ambientalmente mais amigável que os atuais faróis automotivos, graças a seu baixo consumo de energia e longa vida útil. A Bayer, em conjunto com a Audi e a Hella, desenvolveu lentes para LEDs utilizados nos faróis do Audi A8 feitas com o PC Makrolon LED 2245, um grade com elevada transmitância e resistência térmica, além de um destacado comportamento em relação ao amarelecimento. E o melhor, as lentes de LEDs podem ser até 50% mais leves que as equivalentes vítreas.

Quem também desponta como um forte aliado na redução do impacto das atividades humanas no meio ambiente é o poliuretano, conhecido por sua habilidade de isolamento térmico e acústico. A Bayer tem colocado esforços no desenvolvimento de uma versão nanométrica de espumas de PU, com o objetivo de fabricar espumas com células de diâmetro menor que 150 nanômetros. As espumas rígidas de PU comumente fabricadas possuem células com dimensão cerca de 1.000 vezes maior, na casa dos 150 micrômetros.

Para atingir essas medidas, a empresa está investigando a reação das matérias-primas básicas do PU, poliol e isocianato na presença de CO2 em condições supercríticas. O termo, proveniente da físico-química, refere-se a fluidos mantidos em temperatura e pressão tais que não é mais possível distinguir diferenças entre as fases líquida e gasosa. O processo, no entanto, ainda deve levar alguns anos até estar ajustado, pois a coordenação da reação de polimerização com a expansão do CO2 a fim de se obter células com medidas nanométricas não é tarefa das mais simples. Os anos de pesquisa estimados pela Bayer para se obter sucesso nessa empreitada, porém, podem originar resultados extremamente compensadores, pois nanoespumas de PU teriam uma capacidade de isolamento duas vezes melhor que a das espumas atuais, com potencial de redução significativa do consumo de energia para refrigeração e das correspondentes emissões de gases de efeito estufa.

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