K 2010 – 2ª Parte – Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentável

O tom das participações de expositores de resinas ficou ainda mais verde na K 2010. Não que os avanços em melhorias de propriedades físicas tenham ficado em segundo plano nas inovações apresentadas na Alemanha, mas foi nítido o direcionamento das empresas produtoras de resinas para a criação de soluções sustentáveis, em face das demandas que uma sociedade mais globalizada, mais urbana e com um número crescente de cidadãos com maior renda cria. Pelo que se apresentou em Düsseldorf, os plásticos terão importante papel na maneira como a sociedade lidará com a questão das mudanças ambientais e climáticas, principalmente em tópicos como a geração de energia por fontes alternativas, a redução do peso de veículos automotores, o aumento da eficiência energética e a preservação de recursos naturais.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentável

Foi o que se viu, por exemplo, no estande da Rhodia Engineering Plastics, onde as inovações apresentadas se concentraram em soluções sustentáveis com foco na preservação de recursos não renováveis e na redução do impacto ambiental. Um dos grandes destaques da companhia francesa foi a expansão da linha TechnylStar de poliamidas 66 com alta fluidez, agora com uma nova geração de grades sem reforço. Essa característica proporciona uma grande redução no consumo de energia durante o processamento do material, sem prejudicar as propriedades mecânicas esperadas de uma PA 66. E, mais interessante ainda: a nova tecnologia foi desenvolvida nos laboratórios da Rhodia no Brasil.

Os novos polímeros são adequados a aplicações com baixos ciclos de injeção e moldes complexos, que requerem alta fluidez da matéria-prima plástica para seu correto preenchimento, caso de peças de pequenas dimensões como válvulas, plugues e conectores encontrados nas indústrias de consumo, eletrônica e automotiva. Os benefícios dos novos grades decorrem da possibilidade de processamento a temperaturas mais baixas que aquelas comuns para PAs 66 reforçadas, e se traduzem em reduções de até 20% no consumo de energia, aliadas a aumentos de produtividade na casa de 15% e possibilidades ampliadas de design.

Outra frente bastante conhecida na busca por produtos menos agressivos ao meio ambiente é a eliminação de derivados de halogênios, muito utilizados na produção de resinas como retardantes de chama, principalmente em aplicações eletroeletrônicas. Nesse sentido, a Rhodia lançou, durante a K, uma nova linha de poliamidas Technyl, livres de retardantes com base em halogênios, especificamente voltada para aplicações em energia solar. É sabido que componentes de dispositivos fotovoltaicos operam em condições severas de temperatura e intempéries, por isso requerem materiais com sofisticado conjunto de propriedades. Com a criação dessas novas PAs, a Rhodia pega carona em um segmento há muito tempo promissor, e que, em sua visão, está próximo de decolar definitivamente.

Uma das aplicações mais severas nesse setor são as caixas de junção, que combinam dois requisitos bastante altos: o uso em ambiente aberto durante longos períodos e a alta exposição à eletricidade. Obviamente, o material precisa resistir tanto às intempéries quanto à chance de fogo, e o grade Technyl A 60G1 V25, criado especialmente para a aplicação, se enquadra nesse perfil, tendo sido aprovado segundo as certificações UL94 V-0 (de retardância à chama) e UL5VA (de resistência às intempéries) sem a adição de halogênios. Outro grade, o Technyl A 50H1, além das desejadas propriedades de retardância, exibe adicionalmente ótimas propriedades de processamento, configurando-se em uma destacada opção para a moldagem de conectores fotovoltaicos de paredes finas.

Outra estreia da Rhodia na K foi o compósito reforçado com fibras contínuas Evolite by Technyl, um material constituído por matrizes baseadas em PA com as mais baixas viscosidades do mercado, segundo a companhia francesa, e fibras contínuas de vidro ou carbono. A diferenciada característica reológica confere à matriz polimérica destacada capacidade de impregnação das fibras, permitindo conteúdos de reforço na casa de 60%, superiores ao usual. Com esse nível de reforço, o compósito Evolite by Technyl apresenta excelentes propriedades de resistência mecânica, além de ótimas propriedades ante o envelhecimento. É bom lembrar que os materiais com tal desempenho usualmente disponíveis são termofixos e, como tal, impossíveis de serem reciclados com as tecnologias atuais. O produto da Rhodia, no entanto, além de facilitar em muito a fase de processamento e elevar sua produtividade, ainda é reciclável.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentável

O produto, disponível em mantas pré-impregnadas e chapas, pode ser utilizado na produção de assentos, vigas de para-choques (bumper beams) e módulos frontais (front ends) automotivos, tanques e quadros de bicicletas, entre outras peças.

A Rhodia ainda anunciou a chegada ao mercado, em breve, de uma linha de poliamidas em pó para aplicações em prototipagem rápida pelo processo de sinterização seletiva a laser (SLS, na sigla em inglês). Por esse método, materiais pulverizados são fundidos em objetos sólidos de maneira seletiva pela ação de um feixe de laser, formando peças perfeitamente funcionais. O mercado mundial de SLS, no contexto da prototipagem rápida, já representa vendas de 800 milhões de euros anuais, com perspectiva de atingir 3 bilhões de euros na metade da atual década; e, nesse montante, o potencial dos pós poliméricos para SLS poderia chegar a algo entre 100 e 200 milhões de euros em 2020, segundo as previsões da Rhodia.

Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentávelÉ a primeira vez que o mercado de prototipagem tem à sua disposição poliamidas 6 para fabricação direta por SLS. Provavelmente, em pouco tempo a empresa francesa também deve adicionar PAs 66 a esse portfólio, que pode ter uso em segmentos como o de próteses médicas e o aeroespacial.

“Vidro” de plástico – A eficiência na utilização de recursos naturais foi o tema recorrente no estande da Evonik. Com a apresentação de diversas novidades, principalmente em poliamidas e acrílicos, a empresa demonstrou fortes apostas em segmentos apontados como o futuro dos plásticos: a ampliação do uso de fontes alternativas de energia e do emprego de LEDs, e a construção de carros progressivamente mais leves.

Nesse último quesito, a empresa apresentou sistemas baseados em seu acrílico, o Plexiglas, que receberam certificação para o uso em janelas automotivas laterais e traseiras, e que representam uma perda de 50% em peso, na comparação com os vidros tradicionais. O plástico também é mais vantajoso em termos de transmitância a raios infravermelhos, e permite maior integração de funções.

Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentávelA exposição da Evonik também destacou o uso de acrílicos na geração de energia baseada no sol, representado pela linha Plexiglas Solar, formada por compostos, chapas, tubos e lentes de Fresnel tanto para a produção de energia fotovoltaica convencional quanto para a concentrada. A fotovoltaica concentrada encerra um esforço da indústria para reduzir os custos da energia solar, e se utiliza de lentes ou espelhos que convergem os raios solares para células de alta eficiência energética. Os produtos da linha Plexiglas Solar podem ser usados para proteger as células solares, pois acrílicos possuem destacada resistência a intempéries e propriedades de transmitância que se ajustam ao espectro de absorção das células solares. Além disso, a facilidade de processamento do polímero é ótima para a precisão requerida à produção das lentes de Fresnel. Todas essas propriedades, aliadas a características de barreira, também qualificam o acrílico para o uso em filmes solares, uma área nova de desenvolvimento com aplicação potencial em células solares delgadas para dispositivos eletrônicos móveis.

Outra atração para os visitantes do estande da Evonik na K foi o uso do acrílico em sistemas de retroiluminação de aparelhos televisores com base em LEDs. O emprego do Plexiglas POQ66, um grade de alta pureza para aplicações ópticas, combinado aos LEDs, reduz o consumo de energia da TV em 30%, e ainda permite aparelhos superfinos. Os díodos emissores de luz, por sinal, foram presença marcante na exposição da empresa alemã. Ela usou uma poliftalamida com 50% de seu conteúdo baseado em fontes renováveis para produzir soquetes de refletores. Feitos com essa PA 10T, de nome Vestamid Htplus, eles contribuem para aumentar a vida útil dos LEDs, pois estes soquetes retêm sua cor por mais tempo. A manutenção da cor branca do soquete é um fator decisivo para o bom funcionamento do LED.

A busca por polímeros obtidos de fontes renováveis também foi uma atração no estande da DuPont. A empresa anunciou o lançamento de um novo tipo do Hytrel RS, o primeiro elastômero termoplástico dotado de conteúdo renovável para uso em sistemas de airbags. O grade com alto desempenho recentemente desenvolvido consiste de um poliéter-éster com segmentos rígidos de polibutileno tereftalato (PBT) dotado de um teor mínimo de 35% de derivados de biomassa não-alimentícia. As investigações da DuPont acerca de análises de ciclo de vida revelaram que o elastômero parcialmente biobaseado oferece ganhos ambientais nos quesitos de emissão de gases de efeito estufa bem como no uso de energia não-renovável, em comparação ao seu sucedâneo fóssil.

O novo elastômero possui propriedades semelhantes ao produto derivado de petróleo, isto é, um desempenho consistente de propriedades em uma ampla faixa de temperaturas, boa ductibilidade em baixas temperaturas combinada com elevada rigidez, além de boa resistência ao envelhecimento. “Se você está acostumado com o antigo Hytrel, você vai amar o novo!”, empolgou-se a gerente global do negócio de materiais com fontes renováveis, Marsha A. Craig. “O novo Hytrel funciona da mesma maneira, tem as mesmas propriedades, e agora terá uma melhor análise de ciclo de vida e melhores propriedades ambientais”, completou.

O elastômero foi desenvolvido para aplicação no airbag, mas Craig afirma que ele pode ser usado em outras aplicações automotivas, pois a DuPont oferece grades com durezas diferentes, e será capaz de fornecer todas as versões do antigo Hytrel sob a mesma premissa do novo, o teor de conteúdo renovável.

Participando da K 2010 com cinco de suas unidades de negócios, a Dow preparou uma grande quantidade de lançamentos para a feira. Na unidade de fios e cabos, um dos destaques foi a família Dow Ecolibrium de plastificantes, produtos quase 100% baseados em fontes renováveis, lançados há alguns meses antes da K. Estes plastificantes não contêm ftalatos e tampouco chumbo, e se destinam a aplicações em isolamento de fios e encamisamento de cabos. Segundo as informações da Dow, o uso do novo plastificante em compostos de PVC pode ajudar os fabricantes de cabos a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em até 40%, em comparação ao uso de plastificantes convencionais. Além da óbvia vantagem do elevado conteúdo de matérias-primas renováveis, o Dow Ecolibrium demonstrou, em testes com alguns clientes, que possui o mesmo desempenho de seus concorrentes petroquímicos, tanto na questão da plastificação em si quanto nos requisitos de resistência à chama e ao calor.

Nada de halogênios – A unidade de negócios de fios e cabos também enfatizou na K o Dow Sustain, considerado o primeiro material do mercado sem conter PVC ou halogênios, capaz de atender a alguns requisitos de aplicações de isolamento de fios e encamisamento de cabos de alimentação, particularmente aqueles relacionados a temperaturas de operação contínua acima de 90ºC, níveis reduzidos de emissão de fumaça e deformação sob calor. O candidato a substituto do PVC provou atender a certificações como a UL 62, a JCS4509 e a HD21.14, sem prejuízo de outras propriedades muito importantes para convertedores de fios e cabos, como o acabamento superficial, a sensação ao toque e a processabilidade na extrusão. Nesse último aspecto, por sinal, vale lembrar que o novo material pode ser extrudado a taxas bastante similares às praticadas com PVC, desde que o transformador realize algumas modificações no design da rosca e nas condições de secagem. A resistência química do produto se equipara à do PVC, no entanto, o Dow Sustain é mais flexível que o vinil. Seu emprego pode incluir aplicações como o cabeamento de eletrodomésticos, entre eles TVs e tocadores de CD e DVD, videogames e computadores.

As unidades de negócios de PE e PP também se fizeram presentes em Düsseldorf, levando mais um punhado de novos desenvolvimentos aos visitantes do estande da Dow. Um dos lançamentos foi a nova linha de resinas de PE e PP Clarilite, desenvolvida para o mercado de injeção e moldagem por compressão de tampas e sistemas de fechamento. As principais características desses novos grades de PEAD e PP copolímero randômico incluem excelente desempenho em termos de transferência de gostos e odores (ou melhor, da mitigação de transferências) e de redução de peso em aplicações típicas da indústria de embalagens rígidas, caso de bebidas carbonatadas e não-carbonatadas, alimentos, produtos farmacêuticos e cosméticos.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentável

Outra atração para os visitantes foram os cinco novos tipos de resinas de PP e copolímeros de PP e PE com alta fluidez, indicados para o uso na indústria de embalagens. Esses polímeros atendem a demandas marcantes do segmento, como a necessidade por paredes finas, redução da transferência de gosto e odor, alta transparência e elevada produtividade. Os termoplásticos lançados na K possuem fluidez de 100 ou 70 g/10 minutos, sendo processados sob temperaturas consideravelmente menores que poliolefinas predecessoras. Testes realizados pela Dow mostraram que, na injeção de recipientes de paredes finas, o PP C7069-100NA, um dos cinco rebentos de alta fluidez, proporcionou uma redução na temperatura de processamento de 30ºC, a qual, por sua vez, levou à diminuição do tempo de ciclo em 10% e a 33% de cortes no consumo de energia.

Na unidade de especialidades plásticas, um dos destaques da Dow foi o lançamento da linha de polímeros Sealution, baseada em poliolefinas com propriedades diferenciadas de “despelamento” (ou, em um português mais simples, propriedades de descascamento) para aplicação em embalagens de fácil abertura. As novas formulações prometem eliminar a cena recorrente de salgadinhos voando para todos os lados quando o consumidor tenta, quase em vão, abrir a embalagem, pois embora os polímeros Sealution sejam resistentes o suficiente para manter o alimento protegido nos elos da cadeia anteriores à etapa de consumo, eles se desprendem facilmente do corpo da embalagem ao serem puxados.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentável

Os polímeros Sealution são oferecidos prontos para o uso, e podem ser utilizados em filmes balão e cast, em combinação com substratos de PE e PP e se adaptam a uma ampla gama de aplicações em selos de abertura fácil.

A Borealis, a Borouge e a Nova Chemicals, companhias “irmãs” pertencentes aos mesmos donos (o grupo austríaco OMV e o emirado de Abu Dhabi), realizaram a primeira aparição conjunta em um estande da K, onde duas interessantes inovações foram apresentadas ao público. Com o objetivo de ampliar o uso de resinas recicladas, a Borealis desenvolveu projetos piloto de um carrinho e de uma cesta de supermercado, combinando parcelas de PP reciclado com dois grades de PP especialmente desenvolvidos para o emprego com resinas recicladas, PP4R 500 e PP4R 100. O carrinho de supermercado encerra 33% de resina reutilizada; a cesta, 75%. As propriedades mecânicas de ambos os artefatos, porém, são próximas àquelas que seriam obtidas com material virgem, mas com uma pegada de carbono significativamente menor – 15% no caso do carrinho, e 30% para a cesta.

Já a Borouge inovou com o lançamento de uma embalagem pouch compatível com o congelamento e o uso direto em aparelhos de micro-ondas. Para isso, a companhia utilizou dois tipos de PP multimodal voltados à produção de filmes balão, e fabricou uma embalagem que permanece selada, enquanto seu conteúdo está congelado, mas que também consegue “respirar” durante o cozimento no micro-ondas. A capacidade para respirar permite que o pouch seja utilizado em segurança no aparelho doméstico, pois a embalagem libera o vapor formado em seu interior durante o aquecimento, sem que o consumidor precise perfurá-la ou abri-la antes da sua colocação no micro-ondas.

A nova aplicação requer a combinação de diversas propriedades, como excelentes características organolépticas, mas também ótima adesão e “despelamento”, bem como a manutenção de propriedades em baixas e altas temperaturas.

A área de plásticos de engenharia da Basf apresentou diversas novidades aos visitantes dos pavilhões de Düsseldorf. Uma das principais foi a entrada da companhia no mercado de poliamidas reforçadas com fibras longas, tendo em vista as oportunidades que a substituição de metais em aplicações com elevados requisitos técnicos têm aberto para polímeros termoplásticos. Setores como o automotivo e o de produção de máquinas vêm demonstrando interesse crescente nos plásticos, seja pela redução de peso que eles proporcionam, ou pela facilidade de processamento, a liberdade de design e a integração de funções. As propriedades que os plásticos podem atingir por melhorias nas formulações, no entanto, são limitadas, e o desejo de avanço em aplicações mais severas resultou no lançamento, pela empresa alemã, de sua primeira PA reforçada com fibra de vidro longa, denominada Ultramid Structure LF. A poliamida possui destacada rigidez em altas temperaturas, elevada resistência ao impacto nas baixas, ótimo comportamento em termos de escoamento estático (creep) e baixo empenamento, características que a tornam bastante adequada a diversas aplicações do segmento automotivo, como absorvedores de impacto e estruturas de assentos.

A Basf também adicionou a seu portfólio uma nova PA com elevada resistência ao calor, a Ultramid Endure, para aplicações próximas aos motores automotivos. O polímero reforçado com fibra de vidro possui processabilidade semelhante à da PA 66, porém um desempenho sob alta temperatura muito mais consistente. São possíveis temperaturas de operação contínua na casa dos 220ºC, com picos de 240ºC, graças a uma nova tecnologia de estabilização térmica em que a formação de uma superfície protetora do polímero impede o ataque do oxigênio, melhorando tanto a resistência ao calor quanto a proteção a pontos de solda, regiões que costumam acusar os efeitos de solicitações severas.

A adição da nova poliamida casa perfeitamente com a tendência de maior eficiência energética em automóveis, que pressiona as temperaturas do compartimento do motor para cima, chegando facilmente ao patamar de 200ºC.

Ainda no segmento das PAs, a Basf anunciou a expansão de sua família de poliamidas 610, lançada na K 2007, que recebeu quatro novos grades reforçados com fibra de vidro. Outras adições também foram feitas à família de polímeros com alta fluidez, que agora conta com PAs 6, além de novos grades de poliamidas com retardância à chama sem adição de produtos halogenados.

Alto desempenho reciclado – A Sabic Innovative Plastics tomou carona na onda verde da K 2010 com alguns lançamentos, entre eles um portfólio expandido de materiais contendo teores variáveis de resinas recicladas pós-consumo que agora soma mais de duas dezenas de grades e seis tipos de resinas. Um dos novos produtos é o Noryl PCR RN0401, um éter de polifenileno modificado contendo 20% de conteúdo reciclado. O plástico possui certificação UL94 V0 a 2 mm, além de temperatura de deflexão térmica de até 70ºC. A empresa considera esse polímero um candidato a aplicação em uma variedade de carcaças de produtos eletrônicos, e promete lançar versões do plástico com até 40% de reciclado nos próximos seis meses.

Outra adição à linha de plásticos contendo reciclados é o Cycoloy PCR, um copolímero de PC/ABS encerrando entre 30% e 50% de policarbonato reaproveitado de garrafas de água, CDs e outras fontes. O produto é adequado para a fabricação de carcaças de laptops e outros eletroeletrônicos, e está disponível em tipos com retardância à chama, reforçados ou não. A Sabic adiantou que outros seis tipos nessa família deverão estar à disposição dos consumidores em breve.

O policarbonato da empresa, de nome Lexan, também ganhou novos grades contendo reciclados, num total de quatro tipos preparados com 10% a 80% de resina reutilizada. Os três grades lançados na K se somam a um quarto apresentado na última NPE, e todos eles se baseiam na tecnologia Lexan EXL, caracterizada por polímeros com superior resistência ao impacto, ductilidade melhorada em baixas temperaturas e melhor processabilidade, em comparação a resinas padrão de PC.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentável

A Sabic também anunciou, durante a K, o lançamento de uma nova família de resinas Noryl GTX condutivo (blendas de PA com éter de polifenileno modificado), cujo coeficiente de expansão térmica é 20% a 40% inferior ao de grades anteriores do Noryl GTX. Segundo o gerente-geral da área automotiva da Sabic Innovative Plastics na América do Sul, Edson Simielli, a nova geração de Noryl condutivo oferece melhor estabilidade dimensional, característica apreciada por fabricantes de peças automotivas como para-lamas, pois permite que sejam reduzidas as folgas (gaps) durante a fase de montagem no carro. Simielli também realçou que o novo polímero tem melhor estabilidade em altas temperaturas.

O PP reforçado com fibras de vidro longas da Sabic, denominado Stamax, embora não seja novo, também esteve em destaque no estande da empresa, particularmente em relação a seu uso no conceito de módulos de portas automotivas, que permite maior integração de peças e componentes eletrônicos e mecânicos no próprio módulo da porta. O conceito do módulo tem pouco mais de dois anos de vida na Europa, mas ainda é novo no Brasil. “Uma empresa brasileira veio ao nosso estande especificamente interessada em conhecer os módulos de porta com Stamax para oferecê-los às montadoras do Brasil”, disse Edson Simielli.

Ao contrário de quem acredita que as fibras de vidro longas têm aplicação limitada, pois são difíceis de processar, a Sabic, explica Simielli, aposta no potencial da tecnologia, pois ela configura uma forma relativamente mais econômica para se atingir uma combinação de propriedades mecânicas adequadas para a substituição de metais em peças estruturais. “É possível atingir essa mesma combinação de propriedades mecânicas sem o uso de fibras longas, mas são tecnologias um pouco mais caras, que a Sabic também detém”, explicou o gerente. Essas tecnologias mais custosas acabam sendo empregadas em peças aparentes, que demandam melhor acabamento superficial que o obtido com o uso de fibras longas. Peças que não são visíveis aos olhos do consumidor, entretanto, podem prescindir de melhor aspecto superficial e se beneficiar do menor custo de polímeros reforçados com fibras longas. É o caso de módulos frontais e de portas laterais, e de peças da estruturação de painel de instrumentos, que não possuem maiores requisitos estéticos.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentável

Com uma apresentação orientada pelo slogan “From Megatrends to Business” (ou “De Megatendências aos Negócios”), a Bayer MaterialScience reuniu uma quantidade inacreditável de inovações – superior a oitenta – em seu estande com mais de 1.000 m2. O mote da empresa para a K 2010 reflete as mudanças demográficas (particularmente o crescimento populacional e a urbanização) que vêm ocorrendo em diversas partes do mundo, junto com as preocupações com o clima mundial e o esgotamento de recursos naturais, uma combinação que só poderia redundar em uma única palavra na exposição: sustentabilidade.

“Vidro” de PC – Um dos materiais para quem a Bayer prevê importante papel no desenvolvimento de soluções sustentáveis é o policarbonato. O polímero era a principal estrela do protótipo conceitual BayVision, uma porta traseira automotiva apresentada ao público durante a K. A porta, formada por uma única peça de PC com luzes de freio integradas, representa uma possibilidade de mudança na construção das portas traseiras atuais, feitas de uma estrutura metálica que sustenta o vidro automotivo. A substituição dos materiais convencionais pelo PC poderia trazer reduções de até 40% no peso da peça, nas estimativas da Bayer MaterialScience.

Com os tipos existentes do poliéster até o momento, entretanto, não é possível produzir portas traseiras feitas exclusivamente com o termoplástico, que não oferece rigidez suficiente para atender aos requisitos da aplicação. Mesmo assim, o PC ainda é uma alternativa viável, se for empregado por meio de compósitos de plástico com metal. Pelos cálculos da Bayer, apenas alguns insertos metálicos seriam necessários para se alcançar o nível de rigidez exigido pela indústria automotiva, o que ainda representaria uma vantagem, em termos de redução de peso, em comparação às construções atuais combinando metal e vidro.

Outro campo em que a empresa alemã aposta no potencial sustentável do PC é a iluminação automotiva. Diodos emissores de luz (LEDs, em inglês) representam uma opção ambientalmente mais amigável que os atuais faróis automotivos, graças a seu baixo consumo de energia e longa vida útil. A Bayer, em conjunto com a Audi e a Hella, desenvolveu lentes para LEDs utilizados nos faróis do Audi A8 feitas com o PC Makrolon LED 2245, um grade com elevada transmitância e resistência térmica, além de um destacado comportamento em relação ao amarelecimento. E o melhor, as lentes de LEDs podem ser até 50% mais leves que as equivalentes vítreas.

Quem também desponta como um forte aliado na redução do impacto das atividades humanas no meio ambiente é o poliuretano, conhecido por sua habilidade de isolamento térmico e acústico. A Bayer tem colocado esforços no desenvolvimento de uma versão nanométrica de espumas de PU, com o objetivo de fabricar espumas com células de diâmetro menor que 150 nanômetros. As espumas rígidas de PU comumente fabricadas possuem células com dimensão cerca de 1.000 vezes maior, na casa dos 150 micrômetros.

Para atingir essas medidas, a empresa está investigando a reação das matérias-primas básicas do PU, poliol e isocianato na presença de CO2 em condições supercríticas. O termo, proveniente da físico-química, refere-se a fluidos mantidos em temperatura e pressão tais que não é mais possível distinguir diferenças entre as fases líquida e gasosa. O processo, no entanto, ainda deve levar alguns anos até estar ajustado, pois a coordenação da reação de polimerização com a expansão do CO2 a fim de se obter células com medidas nanométricas não é tarefa das mais simples. Os anos de pesquisa estimados pela Bayer para se obter sucesso nessa empreitada, porém, podem originar resultados extremamente compensadores, pois nanoespumas de PU teriam uma capacidade de isolamento duas vezes melhor que a das espumas atuais, com potencial de redução significativa do consumo de energia para refrigeração e das correspondentes emissões de gases de efeito estufa.

A Braskem já havia usado a K em 2007 para divulgar seus planos de produzir polietileno obtido de cana-de-açúcar no Brasil, e retornou em 2010 se declarando a líder mundial na produção de biopolímeros, após ter dado partida no projeto de Triunfo no terceiro trimestre do ano passado, e anunciando a conclusão da fase conceitual para construir uma fábrica de propileno verde.

Se confirmadas as previsões da empresa nacional, a produção de no mínimo 30 mil t/ano começa no segundo semestre de 2013, requerendo investimento na casa de US$ 100 milhões.Plástico Moderno, K 2010 - 2ª Parte - Fabricantes de resinas focam soluções com apelo sustentável

O propileno feito de cana-de-açúcar, assim como o eteno, se mostrou vantajoso em termos ambientais, segundo estudos realizados pela Braskem em parceria com a Fundação Espaço Eco, e revelou que cada tonelada de propileno verde produzida sequestra 2,3 t de CO2.

E como plásticos verdes também precisam de aditivos verdes, outra empresa brasileira, a Cromex, esteve na Alemanha para apresentar uma linha específica de masterbatches modificadores de cor (branco, preto e coloridos) e de aditivos (antiestático, antibloqueio, agentes deslizantes, retardantes, auxiliares de fluxo, agentes auxiliares de processo, auxiliares de limpeza e outros) para uso com plásticos verdes.

“Se o polímero é renovável, o masterbatch também precisa ser renovável, senão ele se torna uma espécie de contaminante para o plástico”, explicou o gestor de produtos e serviços técnicos da Cromex, Anderson Maia. A linha criada pela Cromex é formada por produtos em que o veículo do master é um polietileno verde – a Braskem é parceira da Cromex e fornece o polímero para ser utilizado como veículo.

O conteúdo verde, porém, não é restrito ao veículo, pois é possível utilizar outros insumos que também sejam renováveis. Algumas matérias-primas, como o óleo de palma e o babaçu, podem gerar aditivos que oferecem características como a facilidade de desmoldagem e propriedades antiestáticas, por exemplo. A Cromex já possui alguns produtos em seu portfólio baseados em química renovável. Tecnicamente, não há maior dificuldade em trocar o PE convencional pelo PE verde, como veículo do masterbatch, por tratar-se de materiais com as mesmas propriedades, e o fato de a empresa ser a primeira a disponibilizar o master renovável acaba mais ligado à sua parceria de longa data com a Braskem.

 

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