K 2007 – Fabricantes mostram máquinas “verdes”, velozes e com novas funções no molde

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Krones destacou garrafa PET de 0,5 litro mais leve do mundo

O conflito ficou evidente nos estandes de alguns fabricantes. A alemã Krones criou uma chamativa “vitrine”, na qual garrafas de 0,5 litro, para água mineral sem gás, flutuavam com a injeção de ar comprimido. O objetivo era mostrar aquela que a Krones considerava a garrafa mais leve do mundo: com apenas 8,8 g. O tom era de provocação a um dos destaques da francesa Sidel, anunciado antes da feira (ao contrário da Krones, que guardou o segredo) e que tinha atingido, com o mesmo tipo de garrafa, o peso de 9,9 g.

Na verdade, esse foi apenas mais um round da briga que ainda envolve os outros importantes fabricantes de máquinas de SBM, que desenvolvem para o cliente todo o ciclo produtivo da garrafa PET, desde os projetos das pré-formas injetadas até o sopro final com suas máquinas SBM. Isso porque a suíça SIG Corpoplast, em uma feira alemã de tecnologias de bebidas (DrinkTec, em 2005), havia lançado uma garrafa de 0,5 l com 12 g. Essa atitude, por sua vez, havia provocado a reação do fabricante italiano de máquinas de sopro, a Sipa, também expositora da K, que logo em seguida criou a sua versão com 10,9 g.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
SBO 24 processava as garrafas leves da Sidel

A leveza das garrafas significa também ganhos ambientais e econômicos, visto que o consumo de resina PET cai e a necessidade de reciclagem futura também diminui. Mas há também quem aponte um aspecto negativo: essas tecnologias diminuem a rigidez das garrafas, quando se remove suas tampas, afetando o nível de aceitação dos consumidores. Apesar dessa perda de rigidez não ser uma restrição técnica para impedir a aplicação, é também esse o motivo de, por enquanto, essas garrafas serem voltadas apenas para água não-carbonatada, para evitar o efeito do gás na menos resistente estrutura da garrafa. No futuro, a percepção do mercado é de mais projetos e desenvolvimentos expandirem o conceito de garrafa leve em outros tipos de bebida.

Mesmo com as limitações, segundo informou Sylvie Ory, da Sidel, a garrafa NoBottle apresentada na K (processada na feira em uma máquina SBO 24 de alta velocidade) foi concebida com os propósitos de aliar a leveza de 9,9 g com a aparência atrativa para o consumo. Para tanto, o grupo criou uma tecnologia flexível denominada Flex, para permitir à embalagem retornar para a sua forma original depois de levemente amassada pelo contato com o consumidor ou na sua manipulação em transporte.

Plástico Moderno, Sylvie Ory, da Sidel, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Sylvie: garrafa da Sidel, de 9,9 g, tem tecnologia “antiamassado”

“Tipicamente, quando se reduz o peso da garrafa, os produtores criam nervuras para sustentar as paredes da embalagem. Com a tecnologia, responsável pela criação de uma espécie de memória da forma da garrafa, as nervuras não são necessárias”, explicou. “Com isso, o designer de embalagem fica livre para dar formatos mais graciosos à garrafa.”

Além da tecnologia melhorar as condições de transporte e manuseio, os ganhos ambientais com a garrafa são evidentes. Isso porque uma convencional de mesma capacidade, ou seja, 0,5 l, pesa de 13 g a 16 g. “A NoBottle pesa de 25% a 40% menos, resultando em muito menos material para ser reciclado”, disse Sylvie. Como o mercado-alvo da garrafa é o de água mineral, o futuro se torna ainda mais animador. Trata-se do maior consumo mundial dentro da indústria de bebidas, de cerca de 160 bilhões de litros em 2006, com taxa de 5,7% de crescimento anual pelo menos até 2010.

Plástico Moderno, Stefan Hauke, do gerenciamento de produto da divisão de plásticos da Krones, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Hauke: projeto da Krones reduziu 45% do peso e chegou a 8,8 g

Já a Krones comemorava a façanha de ter ultrapassado a Sidel, divulgando com orgulho germânico o recorde mundial de produzir a garrafa com apenas 8,8 g. De acordo com Stefan Hauke, do gerenciamento de produto da divisão de plásticos da Krones, a empresa conseguiu reduzir muito do peso no chamado bocal da garrafa (mouthpiece). “Normalmente, essa área pesa 3,5 g, na nossa, apenas 1,959 g”, revelou Hauke.

Também no anel-pescoço (neck ring) da garrafa a espessura da parede de 0,1 mm representou uma redução entre 20% e 30%. O técnico ressaltou que a Krones empregou PET standard para o projeto, representando ganhos ainda mais expressivos para uma garrafa com peso até 45% menor do que a convencional. Como perspectiva do projeto já em escala comercial, a Krones anuncia ter recebido pedido para desenvolver projeto similar, com redução de espessura de anel e de peso no bocal, de uma garrafa de água mineral de 0,6 litro, incluindo uma linha completa de produção. Aliás, a empresa colocou em operação na K a máquina SBM Contiform S14, com capacidade para produzir 22 mil garrafas por hora, com consumo de energia 10% menor do que a versão anterior.

Plástico Moderno, Renato Boscaine, gerente de vendas da filial brasileira, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Boscaine: SIG começou a disputa das garrafas, com versão 12g

As outras da área de SBM, embora tenham começado a briga das garrafas leves em feiras, na K 2007 tiveram exposições menos agressivas e se esquivaram do conflito. A italiana Sipa destacou modificações em suas sopradoras rotativas, com o modelo SFR 12 EVO com desempenho melhorado, representado pelo baixo consumo de energia e menor necessidade de manutenção. A nova versão pulou de uma capacidade anterior de 1.800 garrafas/h/cavidade para 2 mil garrafas/h/cavidade, chegando a uma produção total de 24 mil garrafas por hora. O suprimento de ar foi reprojetado para usar sistema de recuperação via tanque auxiliar, reduzindo os tempos de sopro, o consumo de ar e o consumo de energia.

Já a SIG preferiu uma exposição de cunho mais institucional, mostrando nova estratégia de agregar valor ao cliente, criando o slogan Value Added Bottling. Segundo o gerente de vendas da filial brasileira, Renato Boscaine, trata-se de uma forma de dizer ao mercado de bebidas que o grupo não quer apenas vender suas máquinas de sopro, mas desenvolver projetos em conjunto, otimizando a embalagem. “Queremos nos envolver mais, visto que ganhos em economia de energia, de matéria-prima e na maior rapidez na produção são também serviços que podemos vender”, disse o gerente. Aliás, com a estratégia, a SIG só confirmou o que os outros produtores demonstraram indiretamente ao destacarem as garrafas mais leves em seus estandes.

Página anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios