K 2007 – Fabricantes mostram máquinas “verdes”, velozes e com novas funções no molde

A maioria dos 242 mil visitantes da última edição da K, a mais importante feira da indústria do plástico e da borracha, ocorrida de 24 a 31 de outubro em Düsseldorf, na Alemanha, tinha um interesse em comum muito bem definido. Além da vontade de saborear os imensos copos de weissbier, a cerveja de trigo alemã servida em vários estandes, duas de cada três pessoas consultadas por pesquisa da organização do evento afirmaram estar ali principalmente para ver as novidades em máquinas e equipamentos.

O interesse só confirmou o que a cada vez mais internacional e bem-sucedida exposição já tinha conhecimento há muitas edições. A prevalência dos expositores do ramo mecânico continua em alta, seguindo uma tradição motivada tanto por causa da maior diversificação de tecnologias como pela consciência dos organizadores de que se trata de uma demanda crescente. Das 3.130 empresas, 1.900 eram produtoras de máquinas e sistemas fabris. Dos 17 pavilhões, 12 eram dedicados ao setor, representando uma ocupação de 115 mil m2 dos 170 mil m2 totais da feira. Com relação à K 2004, a ocupação de dois terços da área total de exibição representou um acréscimo de 2 mil m2 para os fabricantes de máquinas.

As estatísticas econômicas explicaram também a forma de organizar a feira. Isso porque o mercado mundial de máquinas para plásticos e borrachas registra bom desempenho quase permanente. Levantamento da Associação da Indústria de Máquinas para Plásticos e Borrachas, ligada à federação alemã de engenharia industrial (VDMA), revela que as vendas globais do setor, em 2006, foram de 19,6 bilhões de euros, cerca de 6% a mais do que no ano anterior.

E a tendência é de continuidade das boas perspectivas, tendo em vista que o processamento de plásticos cresce anualmente. Em 2006, de acordo com a associação dos produtores de plásticos europeus, a PlasticsEurope, foram processadas mundialmente 205 milhões de toneladas de materiais poliméricos, cerca de 15 milhões de toneladas a mais do que em 2005. Em uma faixa de comparação maior, de 1995 a 2005, o consumo global aumentou em dois terços e, até 2015, crescendo a uma média de 5% ao ano, o mesmo deve ocorrer. Já em 2007, a VDMA prevê 7% de incremento na produção global de máquinas para o setor. Com ganhos evidentes para o país anfitrião, visto que a Alemanha é o produtor-líder mundial, com market share de 25% e com desempenho recente, em 2007, acima da média, com crescimento acentuado no consumo interno de máquinas (23% a mais no primeiro semestre) e nas exportações (13%).

Para todos os gostos – O cenário de prosperidade deve ter feito todos os visitantes (inclusive a minoria que afirmou na pesquisa estar lá por outro motivo) ficarem impressionados com a grande sinfonia de injetoras, sopradoras e extrusoras processando ao vivo toneladas de resinas, transformadas em baldes, cadeiras e vários outros artefatos oferecidos como brindes. Havia ofertas apropriadas ao gosto de um público bastante heterogêneo, formado por pessoas de mais de 100 nacionalidades, com demandas específicas a cada região de origem, desde as altamente tecnológicas até as mais rudimentares.

Mas a vantagem de visitar a K é se atualizar com os avanços da tecnologia, o que deve ter sido possível mesmo para os visitantes mais interessados no simples e barato, demanda atendida pela grande quantidade de expositores da China, desde 2006 o segundo maior país fabricante de máquinas para plásticos e borrachas, com 13,7% do mercado, ultrapassando pela primeira vez a Itália (12,4%).

Com a presença dos grandes fabricantes mundiais, que aguardam muitas vezes os três anos de intervalo da K para fazer anúncios importantes, houve novidades em todos os tipos de máquina. Mas, pela relevância, as três famílias mais importantes da transformação plástica – injetoras, extrusoras e sopradoras – merecem destaque. Não só porque basicamente são essas máquinas as responsáveis pelo grosso do processamento de materiais poliméricos, mas também em virtude do constante aperfeiçoamento a que estão sujeitas.

Em injetoras, depois de consolidada a tendência das máquinas totalmente elétricas, o que vem ocorrendo na última década e ficou evidente com o aumento da oferta delas na K 2007, o destaque ficou por conta de novas tecnologias de aplicação, com a integração de etapas extras na célula do molde, para gerar artefatos complexos e com mais de um material agregado.

Em extrusão, um ponto comum entre os expositores foi a busca por ciclos rápidos ao mesmo tempo em que modificações em cabeçotes e roscas proporcionavam melhor distribuição das resinas no filme, reduzindo consumo de matéria-prima e de energia, com a redução das temperaturas de fusão. Já em sopro, as novidades foram a repetição de tendência já amadurecida entre as injetoras, ou seja, a construção de unidades totalmente elétricas e, no caso da tecnologia de stretch blow-molding (SBM), a produção de garrafas PET mais leves e a conquista de ciclos mais rápidos.

A reportagem de Plástico Moderno, presente na feira com a difícil tarefa de filtrar o imenso universo das máquinas apresentadas, relata a seguir os principais lançamentos e tendências dos três segmentos-chave do setor, começando pelas injetoras, em seguida pelas extrusoras e, por fim, pelas sopradoras.

INJETORAS

No campo da injeção, sempre há uma expectativa muito grande em torno dos lançamentos das empresas mais investidoras em tecnologia. E, como não poderia deixar de ser, foi outra vez entre elas que ficaram em evidência os desenvolvimentos envolvendo a integração de novas funções na moldagem, a principal tendência da K 2007 no segmento. Com o uso de processos robotizados, e complexos projetos de pesquisa com o apoio de universidades e outras corporações, várias amostras de integração de novas funções e operações na moldagem por injeção puderam ser vistas em meio à grande quantidade de injetoras “modernas mas convencionais” expostas nos estandes dos megagrupos.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
LED (acima) é injetado e montado em hidráulica triocomponente

Foi esse o caso da alemã Arburg, que em meio a seu estande de 1.400 m2, com nove injetoras expostas, reservou um espaço de destaque para mostrar um desenvolvimento definido pela própria empresa como a maior tendência futura da moldagem por injeção. Trata-se da produção em uma única etapa, na célula de injeção do molde, de uma lâmpada com base em diodos emissores de luz (LED). O projeto é uma parceria de pesquisa e desenvolvimento que conta ainda com a companhia especializada em moldes Oechsler AG, responsável pela idéia inicial; além da Günther, de câmara quente; as de automação Kiki e Rohwedder; a Osram, de semicondutores; e a Siemens, que forneceu o plástico condutivo.

O processo, na verdade uma demonstração modelo, foi concebido em uma injetora hidráulica AllRounder 370 S 600-70-30-30 tricomponente. O ciclo de produção, de apenas 40 segundos, começa com a injeção do suporte externo em ABS, ao que se segue, nos demais componentes do molde, de três lentes  em poliamida (PA) transparente especialmente concebidas para receber os diodos. Após isso, um robô (Multilift) insere o resistor e três LEDs nas lentes. Para finalizar, o terceiro componente, um PA altamente condutivo, é sobreinjetado sobre a peça para moldar a parte inferior da lâmpada. Todo o processo resulta em uma lanterna acabada, pronta para o uso.

Plástico Moderno, Kai Wender, diretor da Arburg, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Wender: montadoras devem se interessar pelo novo processo

Embora pareça simples, o novo projeto envolve detalhes sofisticados. Para injetar o PA altamente condutivo, por exemplo, foi necessário usar a tecnologia de câmara quente e os componentes eletrônicos precisaram ser encapsulados. Para isso, foi preciso combinar um sistema completo de

câmara quente com outro de três placas hot-runner/cold-runner em uma estação tricomponente rotativa, que eletricamente realizasse uma rotação de 120º até a próxima estação. A operação envolveu muito esforço de pesquisa entre os envolvidos na tecnologia.

De acordo com o diretor da Arburg, Kai Wender, a operação do processo na feira tinha caráter apenas demonstrativo. Mas o objetivo era justamente mostrar a possíveis futuros clientes que essa complexa produção já é possível. “Acreditamos que a indústria automotiva vai se interessar muito pela técnica, pelo que ela representa de agilidade para produzir faróis de carro”, diz Wender.

A tendência de mostrar novidades em tecnologia de aplicação, ainda no caso da Arburg e envolvendo a cooperação tecnológica, não se limitava a esse processo. Um outro desenvolvimento foi em conjunto com a Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha. Em exposição no estande próprio da universidade, a tecnologia empregava uma injetora AllRounder bicomponente, que produzia uma engrenagem plástica com propriedade autolubrificante.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Engrenagem é autolubrificada

Esse aparente “milagre” foi possível em razão do desenvolvimento da injeção bicomponente: o interior da engrenagem é moldado com POM bastante sólido e resistente e a segunda injeção, da parte externa, com um fina parede de POM com PTFE, ambas as resinas da produtora alemã Ticona. Com o processo, as propriedades dos plásticos são combinadas para proporcionar estabilidade interna e característica de umidade e de fricção reduzida da externa. A idéia aí, assim como a responsável pelo desenvolvimento da lâmpada, é gerar produtos finais apenas com a moldagem por injeção.

Assento de uma vez – Houve outros exemplos de tecnologia de aplicação na K. A americana Milacron planejou que uma de suas sete máquinas expostas em seu grande e movimentado estande – quatro injetoras, duas sopradoras e uma extrusora – fosse voltada para mostrar uma sofisticada aplicação de injeção realizada em apenas uma etapa. Por meio de sua divisão européia, a Ferromatik Milacron, a inovação foi apresentada em um modelo da série K-Tec, a 450, que operava com a tecnologia patenteada de moldagem chamada turning stack-mold.

Apesar de destacar a ampliação de range de suas máquinas elétricas, da série Elektra Evolution – que antes iam até 180 toneladas de força de fechamento e nesta K passaram a se disponibilizar até 230 t –, a K-Tec 450 ETW conta com acionamento hidráulico que lhe permite com mais facilidade executar a integração de moldagem de várias partes plásticas em uma etapa. A demonstrada na K foi um projeto da ferramentaria de molde Foboha para a fabricante de assentos Bemis, que possibilitou em uma única operação integrada a produção de um assento sanitário completo com suas dobradiças. Anteriormente, o produto era feito a partir de oito peças, conectadas por dobradiças de metal.

Plástico Moderno, Hercules Piazzo, gerente comercial da Milacron, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Piazzo: injeção em um só ciclo de assento sanitário

Com o projeto, dois materiais, o PP do assento e o TPE (elastômero termoplástico) das dobradiças, são injetados em duas unidades da máquina em um molde de quatro faces que gira em 45º para realizar a operação. O molde de aproximadamente 12 t é acionado por sistema hidráulico que permite sua rotação em 90º em apenas 1,5 segundo graças à robustez da base da máquina. “As injetoras K-Tec foram concebidas para operar com moldes complexos, sem precisar ser adaptadas”, explicou Hercules Piazzo, gerente comercial da Milacron. Um fator fundamental para a facilidade da operação é o acionamento hidráulico inteligente que permite movimentos paralelos dos eixos da máquina de forma simultânea aos do molde.

A operação integrada reduziu o tempo de ciclo e o custo da produção em comparação com as soluções convencionais, por permitir a simultaneidade de etapas. Mas, ressalta Piazzo, isso só é possível quando a máquina tem capacidade suficiente, o que significa uma unidade de injeção e rosca de alto desempenho. Além disso, a segunda unidade de injeção se transfere pelas placas móveis e não requer uma base adicional ou mais espaço para funcionar. O mesmo ocorre com o robô responsável pela remoção das peças, o qual é montado na placa fixa. Já a unidade de fechamento utiliza design de três placas com formação de força no centro da placa, para evitar deflexão das placas. Esta última, aliás, é uma característica também de outras linhas da empresa, como a híbrida Maxima, exposta na K com força de fechamento de 650 t e robô de seis eixos.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Injetora Cap-Tec: considerada a mais rápida para tampas

Outro destaque da exposição da Milacron, de certa forma ligada à aplicação, foi o lançamento da considerada a mais rápida injetora específica para tampas, denominada Cap-Tec. Segundo revelou Piazzo, a máquina de 300 toneladas em operação no estande produzia 72 tampas em 2,8 segundos, com inspeção visual. A máquina hidráulica foi desenvolvida no final de 2006 e se baseia no conceito da série K-Tec, mas com alteração no design da unidade de fechamento para permitir a operação com peças pequenas. A placa móvel do fechamento se move em guias lineares permitindo que as colunas sejam isentas de óleo de lubrificação, tornando-a apropriada para aplicações na indústria de alimentos.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Peça de interior automotiva: dupla injeção com PBT e poliéster

Revestimento na injeção – A austríaca Engel, famosa por suas sofisticadas injetoras na cor verde-abacate, também destacou uma tecnologia de aplicação em seu estande concorrido de 1.100 m2, com dez máquinas em operação. Tratava-se do processo Dolphin, apresentado finalmente em escala “quase comercial”, conforme os termos oficiais da própria empresa. Isso porque a tecnologia teve protótipo lançado em 2006 para operação na transformadora especializada em peças automotivas Johnson Controls, amadureceu e deve ter seu uso expandido em breve.

A unidade Dolphin integra a injeção de peças de interior automotivo, em portas ou painéis, concebidas com estrutura sólida em revestimento macio espumado. A primeira peça produzida é moldada, na parte interna, com PBT, e seu revestimento de poliéster especial espumado. O desenvolvimento contou com o apoio da Basf, fornecedora do PBT, do grupo italiano P-Group, do poliéster, e da empresa especializada em molde suíça Kaufmann, responsável pela idéia central do processo.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Wiesbauer: nitrogênio como agente expansor

A previsão do corpo técnico da Engel é integrar a tecnologia com máquinas de duas placas, permitindo a aplicação de quatro materiais em uma única etapa. Por enquanto, a tecnologia é de uso exclusivo dos participantes do desenvolvimento, mas deve ter um futuro promissor quando passar a ser comercializada globalmente. Em um projeto para a Scania, na Suécia, por exemplo, o processo reduziu o custo da fabricação de instrumentos de painéis de caminhão em 20%, em comparação com peças convencionais feitas de PP revestidos com poliuretano.

Também serviu como prova da tendência das novas tecnologias de aplicações, no estande da Engel, a apresentação da máquina totalmente elétrica Engel E-motion, de 55 t de força de fechamento, operando com um novo processo, o Exjection, que produzia perfis de ABS de 930 mm de comprimento e 1,2 mm de espessura. Segundo o gerente de vendas da HDB Representações, Carlos Guisso, responsável pela Engel no Brasil, o grande trunfo do processo é usar molde pequeno para produzir peças grandes, fato possível com o deslocamento da ferramenta interna do molde, que permite a moldagem em um único ponto de injeção com uma única cavidade.

De acordo com Guisso, em maio de 2008, a tecnologia Exjection estará disponível no país. Seu grande uso é na indústria de autopeças, visto que facilita e baixa o custo da produção de frisos, permitindo a operação com máquinas de tonelagem menores. Aliás, a venda no Brasil não só dessa tecnologia mas mas de toda a extensa linha da Engel será facilitada. De forma oficial na K, a empresa austríaca anunciou a inauguração em outubro de um escritório de vendas e assistência técnica próprio, que passará a administrar os negócios da Engel a partir de 1º de janeiro de 2008. Conforme o comunicado, a HDB, que por anos foi sua representante no Brasil, será integrada na nova empresa e gerenciará o escritório.

Plástico Moderno, Carlos Guisso, responsável pela Engel no Brasil, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Guisso: Engel assume escritório no Brasil

Como resultado, o novo escritório terá 15 empregados em São Paulo, Porto Alegre e Joinville e comercializará máquinas produzidas na China, Coréia e Áustria. E as vendas não serão apenas das injetoras modulares hidráulicas, sem colunas, e das grandes de duas placas, mas também das séries de alta velocidade e as totalmente elétricas E-max e E-motion. “O interesse da Engel no Brasil, cuja demanda por alta tecnologia de injeção tem crescido, mostra que as novas tecnologias de aplicação, como a Exjection e a Dolphin, têm grandes chances de entrar no nosso País”, afirmou Guisso. Com a HDB, a Engel já vendeu perto de mil injetoras e mais de 100 robôs no Brasil. Mas o escritório em São Paulo, onde haverá espaço para teste de máquinas e para estoque de peças, deve incrementar ainda mais as negociações.

Como exemplos ainda de injetoras que a Engel poderá vender com freqüência no Brasil, a máquina de alta velocidade Speed 500, de 500 toneladas, exposta na K, processava oito cavidades de pote de 1,1 litro em ciclo de 4,5 segundos. “Foi a primeira vez em que uma máquina deste porte atingiu essa velocidade”, ressalta Guisso. Na edição de 2004, uma Speed de 250 toneladas chegou à marca de 2,7 segundos, mas com molde de duas cavidades apenas. Outro destaque foi a Victory 330 H/80W/80, uma injetora hidráulica tricomponente, sem colunas, que moldava peça automobilística com força de fechamento de 130 toneladas. “Se tivesse colunas, a mesma operação precisaria ser feita com máquina de 180 t, mas na Victory o molde é injetado sem precisar de energia para a transferência rotacional”, explicou o gerente.

Conceito – Ainda na vastidão do mundo das injetoras, houve estandes de empresas importantes que aproveitaram para apresentar novas estratégias de atuação técnico-comerciais, e upgrades de suas linhas, do que propriamente para mostrar novidades impactantes. Um caso foi o da alemã Demag, com exposição temática integrada por sete células de moldagem, para demonstrar ao mercado transformador de grande porte a possibilidade de se produzir com unidades compactas e mais baratas. E isso sem perder atributos como alta produtividade, baixo consumo de energia e integração de outras funções na moldagem.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
PinkLine da Demag: remodelagem de máquinas commodity

A base da nova estratégia é embasar seus fornecimentos em variações de suas três linhas de máquinas: a série totalmente hidráulica Systec, as elétricas IntElect e as híbridas de ciclos rápidos El-ExisS. E de direcioná-las, de forma otimizada, para os mercados-chave da Demag: eletroeletrônico, embalagem, automotivo, médico e de artigos de consumo. Para chegar a esse perfil de atuação mais enxuta, revelou o CEO da Demag, Klaus Erkes, foram necessárias reformulações tecnológicas nas máquinas, como incluir novas forças de fechamento, versões reformuladas de placas de grande porte, além de incluir novos processos com moldagem multicomponente ou com estruturas de espuma microcelular.

Nesse conceito, a Demag destacou a linha Systec, agora reformulada para oferecer mais cinco novas opções, todas elas a custo reduzido mas com garantia de alto desempenho e qualidade. Disponível em força de fechamento de 350 a 4.200 kN, a linha agora é denominada Systec PinkLine. Isso porque as máquinas são pintadas na “delicada” cor rosa, o que de certa forma provou ser uma bem pensada estratégia de marketing, dada a atenção que despertaram na feira. A linha substitui a série de injetoras Extra, até então as injetoras “commodity” da Demag.

O modelo Systec PinkLine80/420-310 moldava três talheres (faca, colher e garfo) em PP, com robô de seis eixos. Em paralelo, uma Systec Multi 160/520-310h/210c injetava um prato em PP, em uma mesa rotativa de moldagem, pela qual um anel de TPE era injetado na parte inferior da peça. Por fim, o robô removia os talheres e o prato das injetoras para serem embalados juntos em um saco. O ciclo total era de apenas 30 segundos. Conforme afirmou Klaus Erkes, em conferência para a imprensa na feira, a linha Pink, com o conceito de commodity sofisticada e com integração de funções, fez sucesso com os visitantes da K. Várias delas foram vendidas ali mesmo em Düsseldorf.

Plástico Moderno, Gerhard Bernecker, da assistência técnica da Demag, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Bernecker aponta vantagens das injetoras híbridas

Além da linha Systec, a Demag colocou em operação máquinas das linhas de alto desempenho. Com destaque, a elétrica IntElect, em versão otimizada. A versão apresentada com 210 toneladas de força de fechamento injetava seringas em um molde de 48 cavidades com ciclo inferior a 12 segundos. Com design compacto e um robô de seis eixos, a injetora descarregava as seringas em sistema de embalagem com impressora para códigos de barras, que marcavam a embalagem. De acordo com Gerhard Bernecker, da assistência técnica da Demag, as unidades de injeção e o motor de plastificação dos novos modelos elétricos foram modificados. “Em vez de um motor grande, estamos usando dois pequenos, mais leves e com velocidade maior para a plastificação”, explicou. “Além disso, o sistema fica bem mais econômico em energia, porque movimenta menos massa.”

A linha de ciclo rápido El-Exis também foi reformulada para atender à nova proposta da Demag de ofertar máquinas mais compactas e eficientes. Duas estavam em operação: a 550/1020-3600 moldava tampas em molde stack de 24 cavidades em ciclos de 5 segundos e a El-Exis S Multi 300/720-840h, que processava garrafas de óleo de polietileno, com ciclos abaixo de 8 segundos. Essas máquinas são híbridas, com unidade de injeção hidráulica e plastificação por acionamento elétrico. Isso porque ciclos muito rápidos, segundo Bernecker, ainda são difíceis de ser alcançados com unidades de injeção elétrica. “O motor elétrico atinge velocidade final, mas não tem aceleração”, completou.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Evos tem controle individual dos movimentos

Híbridas – O conceito de injetora híbrida, que aproveita o melhor de cada tipo de acionamento, foi também destaque da exposição da suíça Netstal. A empresa aproveitou a plataforma internacional da K, e ainda o fato de comemorar 150 anos em 2007, para lançar a nova família de injetoras híbridas Evos. Havia duas injetoras em operação: uma de 350 t e outra de 500 t de força de fechamento. Essas máquinas possuem acionamento servoelétrico da rosca, que proporciona os ganhos inerentes de energia quando a plastificação possui esse tipo de motor de acionamento. E isso agregada à velocidade do acionamento hidráulico da injeção.

Todos os eixos da linha Evos são controlados individual e digitalmente, incluindo os movimentos secundários da máquina. Segundo a empresa, o controle assegura melhor condução do processo e reprodutibilidade. A alimentação de óleos lubrificantes e água são integradas para garantir maior espaço para a célula de moldagem e para a automação necessária, além de também poderem ser configuradas individualmente.

A injetora de 350 toneladas processava um molde de cavidade 4+4, feito pela francesa Plastisud, de um frasco de 500 g, com ciclo de 5 segundos. A operação usava o processo de injeção de gás MuCell da americana Trexel, responsável pela criação de estrutura microcelular no material plástico, economizando matéria-prima ao mesmo tempo em que gera ganhos de peso sem perder a resistência mecânica da peça. Já a injetora de 500 toneladas produzia peça de sistema de fechamento de embalagem com ciclos de alta velocidade: 3,75 segundos, ou 138 mil peças por hora.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
HM 400: robô co-injeção de gás e IMD

Com o foco de ofertar injetoras para operações complexas com custo produtivo baixo, a alemã Battenfeld Injection Molding levou várias unidades para a feira, nas quais haviam exemplos das suas principais ferramentas para atender ao propósito: moldagem multicomponente, inmold decoration (decoração no molde), injeção assistida com gás e água, integração de etapas, alta precisão em injeção elétrica e produção em larga escala de componentes microinjetados. Isso tudo representa também a revisão de portfólio da empresa, depois da troca de comando acionário ocorrida em 2006, como parte de uma estratégia de recuperação de seguidos déficits fiscais do tradicional grupo alemão (ver a seguir).

Um destaque foi dado para a operação de novo modelo de injetora elétrica, a EM 110/300 Unilog B6, com força de fechamento de 110 toneladas, que injetava um bico de mamadeira de borracha de silicone líquido em um molde de seis cavidades a um ciclo de 25 segundos. De acordo com a relações-públicas da Battenfeld, Petra Wagner, a eficiência dos novos servomotores e a recuperação de energia durante a fase de desaceleração reduzem consideravelmente o consumo de energia, mais do que a linha de elétricas já havia conseguido. A linha EM possui máquinas de 30 a 180 toneladas.

Todas as injetoras expostas pela Battenfeld contavam com o novo sistema de controle Unilog B6, considerado mais rápido e preciso do que as versões anteriores. Dependendo das necessidades de produção, as unidades também contam com robôs Unirob com servoacionamento linear. Um caso que necessitou a automação mais complexa foi em um modelo da série multicomponente HM, a 400/3400H/750S MK, com 400 t de fechamento e que produzia uma caixa de ferramentas de 1,5 kg em PEAD com uma tampa-janela de PP transparente. A robotização foi necessária para fazer a manipulação das partes finais, em uma unidade que também contou com a co-injeção de gás, da patente Airmould da Battenfeld, e a decoração com a técnica IMD para imprimir uma chapa decorativa em 3D.

Da mesma série HM, especialmente indicada para soluções econômicas para injeção multicomponente e cuja faixa vai de 350 a 800 toneladas de força de fechamento, a Battenfeld expôs o modelo HM 210/100S, de 210 toneladas. A injetora moldava uma peça de ajuste de assento de poliamida com a tecnologia de injeção de água Aquamould. Em um ciclo de 48 segundos, a peça produzida era muito leve, em virtude da tecnologia assistida com água, e não pesava mais do que 220 g.

Plástico Moderno, Alexander Müller, diretor-geral, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Müller: Battenfeld se restruturou e voltou a registrar superávit

Também mereceu atenção no sempre lotado estande da empresa alemã a exposição da microinjetora Microsystem 50, de 5 toneladas de força de fechamento, que injetava em molde de duas cavidades plugs de acetal (POM) para equipamentos eletrônicos, com peso de apenas 16 mg em um ciclo de 5 segundos. Os plugs eram completados com a adição de dois pinos metálicos com comprimento de 5 mm e diâmetro de 0,6 mm, tarefa feita por um robô, responsável pela transferência das peças para outro robô linear especialmente projetado para inserir quatro pinos por ciclo no molde (dois em cada cavidade). Era interessante na máquina um sistema de câmeras responsável pelo monitoramento e inserção dos pinos metálicos e pela inspeção visual dos produtos finais.

A realização da K também foi momento para a Battenfeld Injection Molding revelar ao mercado sua atual condição administrativa pós-mudança de controle. Completando um ano desde que o grupo SMS vendeu a divisão para a investidora alemã Adcuram, segundo afirmou o seu diretor-geral, Alexander Müller, houve recuperação de uma situação anteriormente deficitária. De acordo com Müller, houve corte de pessoal e reformulação de estruturas internas obsoletas. “O grupo sempre teve muita reputação no mercado, mas precisava tomar um novo curso”, disse.

Segundo Müller, em 2007 será registrado um acréscimo de 10% nas vendas. Mas o melhor deve ocorrer no final do ano fiscal de 2008, como reflexo do plano global de reorganização.

Nesse caso, aliás, o executivo cita recentes negócios fechados no Brasil e em outros países latino-americanos, os quais começam a revelar demanda por injetoras de grande porte.

EXTRUSORAS

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Extrusora BEX 1-75-34 chega a 1.500 rpm

A busca por ciclos rápidos e alta produtividade, com economia de energia e de matéria-prima baseada em novos projetos de roscas e cabeçotes que também melhoram a qualidade dos filmes, foi ponto comum da exposição dos principais fabricantes de extrusoras. Máquinas para filme tipo balão com novos acessórios, por exemplo, têm conseguido aumentar a produtividade em até 30% e isso sem afetar a flexibilidade de operação com vários tipos de resina e camada. No caso das extrusoras de chapas, tubos e filmes planos, houve expositores apontando o dobro de velocidade de produção em suas máquinas, assim como fabricantes especializados em tubos e perfis também ressaltaram sistemas mais rápidos e flexíveis.

Em meio ao propósito comum de aumento de produtividade, os segmentos mais chamativos eram o de extrusoras de chapas para termoformagem, seguidas pelas voltadas aos mercados de tubos e cabos. Isso porque foram nessas aplicações que os fabricantes conquistaram as maiores velocidades nos últimos anos, mais do que dobrando o out-put das máquinas, passando da média das extrusoras convencionais, de 100 a 250 rpm, para incríveis 1.500 rpm. Essa tendência, iniciada em escala piloto na K 2004, mostrou-se comercial em 2007, com alguns expositores mostrando versões modificadas.

Plástico Moderno, Petra Wagner, relações-públicas da BEX, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Petra: mais de 30 extrusoras da alta velocidade vendidas

Na seara da alta velocidade, um dos destaques foi a Battenfeld Extrusionstechnik (BEX), ao apresentar a extrusora BEX 1-75-34, uma monorrosca de alta velocidade para a produção de chapas de termoformagem de PP, PS, PET, ABS e PEBD. Trata-se de uma segunda geração de extrusora lançada há 20 meses, a qual atingia a velocidade de 1.200 rpm. A atual foi ainda aperfeiçoada e agora chega a 1.500 rpm, com o mesmo diâmetro de rosca da anterior (75 mm), motor de 440 kW para alcançar a alta produtividade de extrusão de 2 t/h, se processar PP, ou de até 2,4 t/h, se a resina for o PS. Segundo a relações-públicas da BEX, Petra Wagner, já foram comercializadas da versão anterior cerca de 30 extrusoras. A apresentada pela primeira vez ao público na K já roda em uma importante transformadora especializada em termoformagem da Europa. Só para se ter uma idéia do upgrade conseguido, na K 2004 a máquina com a mesma função da BEX se orgulhava de chegar a 440 rpm.

Também em extrusão de chapas, mas de PET para a indústria de embalagens rígidas, a Battenfeld mostrava nova máquina com rosca única. Atingia também alto nível de velocidade, com produção de 800 a 1.000 kg/h. Seu conceito, ao envolver rosca com uma seção de rolamento planetário para melhorar a difusão do fundido, dispensa a pré-secagem dos modelos convencionais de extrusão para chapas de PET. Isso representa uma economia de energia de cerca de 60%, visto a secagem ser realizada por um secador de infravermelho combinado no contrafluxo da rosca.

Plástico Moderno, Alexander Lohmann, relações-públicas, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Lohmann: recorde mundial mostrado em Lengerich

Vale também acrescentar as informações e amostras de tubos produzidos pela linha de extrusoras dedicadas da BEX. Nesse sentido, chamava a atenção o fato de as extrusoras de rosca singular de 75 mm passarem a ser disponíveis a partir da feira em faixa de processamento de 30 a 40 L/D e com produtividade máxima de 1000 kg/h.

Filme rápido – Outra grande companhia alemã destacando a alta produtividade de suas novas extrusoras foi a Windmöller & Hölscher. As façanhas conseguidas por seu esforço de desenvolvimento foram em parte mostradas no estande e em sua unidade de Lengerich, nas proximidades de Düsseldorf, em quatro dias de apresentações in-house. A estratégia foi considerada um sucesso e cerca de 250 pessoas por dia se deslocaram, por microônibus providenciado pela W&H, para ver máquinas expostas em seu quartel-general.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Filmex: nove camadas para filmes cast

Em termos de velocidade, o destaque ficou por conta da extrusora de nove camadas Filmex, de filmes tipo cast, mostrada para os visitantes convidados em Lengerich. Conforme o relações-públicas Alexander Lohmann, a máquina registrava um recorde mundial: processava um filme de polipropileno assimétrico (CPP) de 1.800 mm de largura em uma velocidade superior a 350 m/minuto, com taxa de produção de 1.000 kg/hora. A máquina processava um filme laminado de 25 micrômetros e três camadas com boas propriedades ópticas, especialmente em termos de transparência e brilho.

A alta produtividade foi atingida, segundo explicou Lohmann, em primeiro lugar por causa da nova concepção da rosca SMB (smooth barrier screw, rosca de barreira suave), que permite melhor distribuição das camadas, e também em virtude da unidade de calandras, com capacidade melhorada de resfriamento por ter controle separado de temperaturas. As novas roscas, ainda de acordo com o executivo, permitem um aumento de 50% na produtividade, em comparação com os projetos convencionais.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Extrusora Varex para filme de três camadas: vendida na feira

No estande da W&H, o destaque era a máquina para extrusão de filmes balão da linha Varex, equipada com o cabeçote Maxicone e processando um filme de três camadas. O equipamento, vendido na feira para um transformador croata, processava filme com estrutura em polietileno metalocênico, PEAD e PEBD, com produtividade de 750 kg/h. Para Lohmann, mais importante do que a produtividade, porém, era o fato de a máquina atingir essa taxa com um cabeçote de 250 mm, criando um filme de 1.540 mm. Além de único no mercado, isso representa uma melhoria de 150%, com fator de cabeçote (die factor) de 3. Além dessa versão da Varex, a W&H colocou em operação em Lengerich mais três extrusoras de filme balão: para nove camadas com barreira, para filme de PP e para filme de PEAD com aparência de papel. Todas as três possuem inovações que proporcionam economia de resinas e de tempo de produção de até 60%, segundo revelou o relações públicas da empresa.

Silêncio e baixa temperatura – A tradicional alemã Reifenhäuser também colaborou com o cenário de inovação representado pelas extrusoras mais velozes, econômicas e geradoras de filmes com melhor qualidade. No final de um processo de reestruturação estratégica, a empresa se preparou para mostrar os mais recentes resultados de um plano de investimentos em tecnologia que em 2007 consumiu 8 milhões de euros. Para começar, demonstrava em operação no estande uma extrusora para filme balão de cinco camadas, a Filmtec 5-1700-IBC, com rosca possível de operar sob baixa temperatura de fusão e, portanto, com menor consumo de energia. Mas isso sem afetar a alta produtividade da máquina.

Plástico Moderno, Peter Heimann, gerente-geral da divisão de blown film, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Heimann: projeto de rosca diminuiu consumo de energia

De acordo com o gerente-geral da divisão de blown film, Peter Heimann, o conjunto da rosca e do canhão diminui entre 15% e 20% o consumo de energia da máquina, além de proporcionar menos ruído e um filme de melhor qualidade. O silêncio da operação e o baixo consumo de energia também têm muito a ver com os cinco motores sem engrenagens REItorque, concebidos com esse propósito. A alta tolerância do cabeçote de cinco camadas, que pode operar tanto com poliolefinas como em camadas de barreira, é garantida pelo sistema de controle REIcoflow.

Apresentada também como inovação pela Reifenhäuser foi o novo modelo de cortadeira-bobinadeira Midex WF-D02/L-2700 para filmes cast. Segundo Heimann, a máquina alcançou velocidade nunca antes atingida pelo mercado, com troca entre 1,5 e 5 segundos, bem abaixo do convencional. Com largura nominal de 3,2 metros e voltada para filmes de até 3 metros, ela pode operar de 350 m/min até 600 m/min, chegando a gerar bobinas de até 1.000 mm de diâmetro. “Essa máquina representa o futuro do rebobinamento”, afirmou o dirigente.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Kirion de três camadas contava com novo sistema de resfriamento

Além das máquinas em exposição, que ainda contavam com uma unidade de filme balão com barras verticais (Polyrema) e uma extrusora monorrosca, a Reifenhäuser também promoveu visitas a seu centro tecnológico em Troisdorf, a cerca de 30 minutos de Düsseldorf. No local, havia extrusoras para filme balão de três e cinco camadas, além de extrusoras cast de cinco camadas e máquinas de termoformagem de chapas.

Por coincidência, outra alemã do ramo de máquinas de extrusão, a Kiefel, assim como a Reifenhäuser, mostrava tecnologia nova de melhoria de produtividade depois de ter passado por mudanças estrutural-administrativas. Desde janeiro de 2007 sob controle da também teutônica Brückner Technology Holding, a Kiefel destacava em seu estande o sistema de resfriamento interno de bolhas Perfect Cool para extrusora de filmes balão, cujo principal mérito é melhorar a produtividade das máquinas.

Para demonstrar a tecnologia, a Kiefel colocou em operação a linha de extrusão balão Kirion de três camadas. Segundo explicou Eugen Friedel, responsável por vendas e marketing, a máquina atinge recorde de produtividade, com processamento de 800 kg/h de resina com cabeçote de 400 mm de diâmetro. Para Friedel, além do sistema de resfriamento, foi fundamental para a conquista da marca o novo design da rosca, com sistema de mistura HEM (high effciency mixer), cujo mérito é promover melhor homogeneização do fundido.

Plástico Moderno, Eugen Friedel, responsável por vendas e marketing, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Friedel: rosca remodelada para homogeneizar fundido

O sistema Perfect Cool é uma solução de resfriamento interno para cabeçotes com diâmetros acima de 200 mm. É, de acordo com Friedel, a continuidade da pesquisa da Kiefel em lutar contra um dos maiores entraves da alta produtividade nessas máquinas: a dificuldade em resfriar a plastificação. Em uma primeira etapa, a empresa já havia conseguido criar um sistema, o ECP (Enhanced Cooling Package), para cabeçotes menores, até 175 mm, e que passaram a processar até 300 kg/h de resina. Com o PerfectCool, cujos detalhes mais fundamentais não são divulgados para afastar o risco de cópias indevidas no mercado, a Kiefel vence mais uma batalha para aumentar o out-put das extrusoras.

Outra tendência firme na extrusão, embora não totalmente popularizada e mais voltada para nichos, é a de incluir mais camadas em filmes balão coextrudados. Houve várias expositoras mostrando novos modelos de máquinas com sete, nove e até dez camadas de filmes de embalagens flexíveis. Neste último caso, foi exemplo a exposição da canadense Brampton Engineering, com a linha Aquafrost de extrusora balão resfriada por câmara de água.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Cabeçote da geração X da Hosokawa Alpine

Com um modelo de nove camadas exposto (e vendido na feira), a Brampton revelou ter instalado há dois anos na Finlândia o primeiro sistema Aquafrost para dez camadas do mundo, para produzir filme de PP com alta barreira para embalagem alimentícia.

O mercado de balão, porém, é ainda dominado pelos filmes de três camadas. Prova foi a maior quantidade de expositores com máquinas desse tipo. Até nos estandes dos que anunciavam proezas nesse campo, como na japonesa Hosokawa Alpine, que revelou o recente fornecimento das primeiras linhas de cabeçotes e extrusoras de nove camadas Generation X, a máquina em exposição era de três camadas. Tratava-se de extrusora com cabeçote de 325 mm de diâmetro, cuja bolha era resfriada por anel duplo para facilitar o aumento de produtividade, que pode chegar nessa máquina a 150 m/min de filme.

SOPRADORAS

Plástico Moderno, Shuhei Yokoyama, diretor, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Yokoyama: Nissei lançou ISBN totalmente elétrica

A ênfase na exposição do segmento de sopro foi a economia de energia, seguindo a tendência ocorrida na última década, principalmente entre as injetoras, com o lançamento de modelos totalmente elétricos ou híbridos. Todos eles bem mais econômicos em comparação às versões hidráulicas. A segunda grande atração foi a briga entre os fabricantes de sopradoras de preformas PET (stretch blowmolding) para mostrar quem conseguia produzir a garrafa mais leve do mercado.

Para começar pela questão energética, a japonesa Nissei ASB deu destaque ao seu modelo de injection stretch blown molding (ISBM) totalmente elétrico: a ASB-15N/10E. De acordo com o seu diretor, Shuhei Yokoyama, a máquina emprega 60% menos energia elétrica do que similares hidráulicas. Também com vibração e barulho reduzidos, a versão é, conforme revelou Yokoyama, a primeira ISBM totalmente elétrica do mundo. Embora tenha tido sua premier mundial de lançamento durante a K, três delas já foram vendidas no Japão em novembro de 2007. E em aplicações onde o diretor considera ser seu primeiro foco: para embalagens da indústria cosmética e médico-farmacêutica, em que há muitas exigências referentes a contaminações de óleo, o óleo, o que a máquina garante por não usar acionamento e fechamento hidráulicos.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
UMIB-100: sopradora elétrica reduziu 60% do consumo de energia

Na feira, a máquina elétrica da Nissei processava um pote farmacêutico, de 38 mm e 13 g de PP, em molde de quatro cavidades. A máquina pode injetar-soprar potes desse tipo de até 2 litros. A meta de reduzir consumo de energia, segundo explica Yokoyama, não se limita ao lançamento. A sua ISBM hidráulica mais vendida mundialmente, a ASB-70DPH, foi apresentada na K em nova versão com ganhos de consumo de energia. Comparada com o modelo anterior, a máquina consome 40% menos de eletricidade. E isso com melhorias no tempo de ciclo: 13% mais rápido.

Houve mais expositores destacando sopradoras econômicas em energia, preocupação crescente em todo o mundo. A norte-americana Uniloy Milacron foi um caso especial, porque apresentou uma versão totalmente elétrica e outra híbrida. A primeira é a injetora-sopradora UMIB-100, com 100 toneladas de força de fechamento, cujo consumo de energia foi reduzido entre 40% e 60% em comparação com máquina hidráulica de mesma capacidade. Por ser oil-free, também encontra uso na produção de garrafas de uso cosmético e farmacêutico. Nessas aplicações, aliás, outro detalhe técnico ainda auxilia na prevenção de contaminações: um fluxo de ar acima do molde previne acúmulo de poeira e sujeiras. Durante a feira, a máquina processava frasco para aplicação nasal de 10 ml de PEAD em 12 cavidades. Seu projeto permite sopros de embalagens desde 2 ml até 1 litro.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Sopradora híbrida da Uniloy: 22% de economia

Já a extrusora-sopradora híbrida, a primeira construída pela Uniloy, era o modelo UMS 16H.S. Todos os movimentos da máquina, com exceção do fechamento, passaram a ser acionados por motores elétricos. Isso permitiu economia de energia de 22% em comparação a similar hidráulica. A Uniloy ainda ressalta outras qualidades do acionamento híbrido: menos ruído e possibilidade de operação em salas limpas. A máquina em exposição processava um frasco de 10 litros com 350 g. Muito rápida, por contar com moldagem resfriada e duas estações pós-resfriamento, a máquina produzia aproximadamente 180 peças por hora.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Elétrica Bekum economiza 25% e não tem vazamento

O sopro elétrico também foi o centro das atenções do estande da alemã Bekum. Desenvolvida e produzida em sua unidade de Berlim, a nova série Eblow foi representada pelo modelo 206D, o qual soprava pote de iogurte de 200 ml. Por contar com motores independentes, o ciclo da máquina se tornou mais rápido, garantindo também maior precisão e, é lógico, redução no consumo de energia de até 25%, isenção de óleo e vazamentos.

Briga de garrafa – O segundo grande assunto na área do sopro foi, sem dúvida, a continuação das brigas de concorrência entre os fornecedores de máquinas de stretch blowmolding (SBM), empregadas no sopro de preformas de garrafas PET. Se no passado recente, sobretudo a partir da K 2001, a disputa maior entre os fabricantes-líderes era pela máquina mais produtiva, desta vez o motivo da briga foi outro. As competidoras agora destacavam em seus estandes a possibilidade de suas sopradoras produzirem as garrafas mais leves do mercado.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Krones destacou garrafa PET de 0,5 litro mais leve do mundo

O conflito ficou evidente nos estandes de alguns fabricantes. A alemã Krones criou uma chamativa “vitrine”, na qual garrafas de 0,5 litro, para água mineral sem gás, flutuavam com a injeção de ar comprimido. O objetivo era mostrar aquela que a Krones considerava a garrafa mais leve do mundo: com apenas 8,8 g. O tom era de provocação a um dos destaques da francesa Sidel, anunciado antes da feira (ao contrário da Krones, que guardou o segredo) e que tinha atingido, com o mesmo tipo de garrafa, o peso de 9,9 g.

Na verdade, esse foi apenas mais um round da briga que ainda envolve os outros importantes fabricantes de máquinas de SBM, que desenvolvem para o cliente todo o ciclo produtivo da garrafa PET, desde os projetos das pré-formas injetadas até o sopro final com suas máquinas SBM. Isso porque a suíça SIG Corpoplast, em uma feira alemã de tecnologias de bebidas (DrinkTec, em 2005), havia lançado uma garrafa de 0,5 l com 12 g. Essa atitude, por sua vez, havia provocado a reação do fabricante italiano de máquinas de sopro, a Sipa, também expositora da K, que logo em seguida criou a sua versão com 10,9 g.

Plástico Moderno, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
SBO 24 processava as garrafas leves da Sidel

A leveza das garrafas significa também ganhos ambientais e econômicos, visto que o consumo de resina PET cai e a necessidade de reciclagem futura também diminui. Mas há também quem aponte um aspecto negativo: essas tecnologias diminuem a rigidez das garrafas, quando se remove suas tampas, afetando o nível de aceitação dos consumidores. Apesar dessa perda de rigidez não ser uma restrição técnica para impedir a aplicação, é também esse o motivo de, por enquanto, essas garrafas serem voltadas apenas para água não-carbonatada, para evitar o efeito do gás na menos resistente estrutura da garrafa. No futuro, a percepção do mercado é de mais projetos e desenvolvimentos expandirem o conceito de garrafa leve em outros tipos de bebida.

Mesmo com as limitações, segundo informou Sylvie Ory, da Sidel, a garrafa NoBottle apresentada na K (processada na feira em uma máquina SBO 24 de alta velocidade) foi concebida com os propósitos de aliar a leveza de 9,9 g com a aparência atrativa para o consumo. Para tanto, o grupo criou uma tecnologia flexível denominada Flex, para permitir à embalagem retornar para a sua forma original depois de levemente amassada pelo contato com o consumidor ou na sua manipulação em transporte.

Plástico Moderno, Sylvie Ory, da Sidel, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Sylvie: garrafa da Sidel, de 9,9 g, tem tecnologia “antiamassado”

“Tipicamente, quando se reduz o peso da garrafa, os produtores criam nervuras para sustentar as paredes da embalagem. Com a tecnologia, responsável pela criação de uma espécie de memória da forma da garrafa, as nervuras não são necessárias”, explicou. “Com isso, o designer de embalagem fica livre para dar formatos mais graciosos à garrafa.”

Além da tecnologia melhorar as condições de transporte e manuseio, os ganhos ambientais com a garrafa são evidentes. Isso porque uma convencional de mesma capacidade, ou seja, 0,5 l, pesa de 13 g a 16 g. “A NoBottle pesa de 25% a 40% menos, resultando em muito menos material para ser reciclado”, disse Sylvie. Como o mercado-alvo da garrafa é o de água mineral, o futuro se torna ainda mais animador. Trata-se do maior consumo mundial dentro da indústria de bebidas, de cerca de 160 bilhões de litros em 2006, com taxa de 5,7% de crescimento anual pelo menos até 2010.

Plástico Moderno, Stefan Hauke, do gerenciamento de produto da divisão de plásticos da Krones, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Hauke: projeto da Krones reduziu 45% do peso e chegou a 8,8 g

Já a Krones comemorava a façanha de ter ultrapassado a Sidel, divulgando com orgulho germânico o recorde mundial de produzir a garrafa com apenas 8,8 g. De acordo com Stefan Hauke, do gerenciamento de produto da divisão de plásticos da Krones, a empresa conseguiu reduzir muito do peso no chamado bocal da garrafa (mouthpiece). “Normalmente, essa área pesa 3,5 g, na nossa, apenas 1,959 g”, revelou Hauke.

Também no anel-pescoço (neck ring) da garrafa a espessura da parede de 0,1 mm representou uma redução entre 20% e 30%. O técnico ressaltou que a Krones empregou PET standard para o projeto, representando ganhos ainda mais expressivos para uma garrafa com peso até 45% menor do que a convencional. Como perspectiva do projeto já em escala comercial, a Krones anuncia ter recebido pedido para desenvolver projeto similar, com redução de espessura de anel e de peso no bocal, de uma garrafa de água mineral de 0,6 litro, incluindo uma linha completa de produção. Aliás, a empresa colocou em operação na K a máquina SBM Contiform S14, com capacidade para produzir 22 mil garrafas por hora, com consumo de energia 10% menor do que a versão anterior.

Plástico Moderno, Renato Boscaine, gerente de vendas da filial brasileira, K 2007 - Fabricantes mostram máquinas "verdes", velozes e com novas funções no molde
Boscaine: SIG começou a disputa das garrafas, com versão 12g

As outras da área de SBM, embora tenham começado a briga das garrafas leves em feiras, na K 2007 tiveram exposições menos agressivas e se esquivaram do conflito. A italiana Sipa destacou modificações em suas sopradoras rotativas, com o modelo SFR 12 EVO com desempenho melhorado, representado pelo baixo consumo de energia e menor necessidade de manutenção. A nova versão pulou de uma capacidade anterior de 1.800 garrafas/h/cavidade para 2 mil garrafas/h/cavidade, chegando a uma produção total de 24 mil garrafas por hora. O suprimento de ar foi reprojetado para usar sistema de recuperação via tanque auxiliar, reduzindo os tempos de sopro, o consumo de ar e o consumo de energia.

Já a SIG preferiu uma exposição de cunho mais institucional, mostrando nova estratégia de agregar valor ao cliente, criando o slogan Value Added Bottling. Segundo o gerente de vendas da filial brasileira, Renato Boscaine, trata-se de uma forma de dizer ao mercado de bebidas que o grupo não quer apenas vender suas máquinas de sopro, mas desenvolver projetos em conjunto, otimizando a embalagem. “Queremos nos envolver mais, visto que ganhos em economia de energia, de matéria-prima e na maior rapidez na produção são também serviços que podemos vender”, disse o gerente. Aliás, com a estratégia, a SIG só confirmou o que os outros produtores demonstraram indiretamente ao destacarem as garrafas mais leves em seus estandes.

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