Interplast 2022: Visitação ampla e qualificada marca o reencontro do setor

Afigura-se bastante positivo o saldo da mais recente edição da Interplast – Feira e Congresso de Integração da Tecnologia do Plástico, realizada no início deste mês em Joinville-SC.

Prenúncio de perspectivas mais favoráveis para a cadeia brasileira do plástico, ou apenas uma euforia natural após três anos sem a possibilidade de contatos diretos com clientes, fornecedores e até concorrentes, viabilizada pelas tradicionais feiras setoriais?

A resposta a essa questão pode conjugar essas duas hipóteses, mas talvez seja dada somente daqui a algum tempo; nesse momento, ouvem-se relatos entusiasmados por parte de quem ali expôs produtos e serviços.

Nos mais diversos indicadores, como presença e qualificação de público, e realização ou prospecção de negócios, essa edição da Interplast atingiu patamares elevados, superiores aos inicialmente previstos, relata Amilton Mainard, presidente da CSMAIP – Câmara Setorial de Máquinas, Equipamentos e Acessórios para a Industria do Plástico, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), e diretor da fabricante de instrumentos de medição Mainard.

“Além da minha empresa, havia lá mais de quarenta associados da Abimaq: visitei pelo menos metade deles e não encontrei nenhum insatisfeito”, enfatiza.

Diversos fatores, pondera Mainard, podem justificar a grande presença de público – um público “muito qualificado”, ressalta.

Plástico Moderno - Interplast 2022: Visitação ampla e qualificada marca o reencontro do setor ©QD Foto: Divulgação
Amilton Mainard, presidente da CSMAIP – Câmara Setorial de Máquinas, Equipamentos e Acessórios para a Industria do Plástico, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq)

Um deles: “Há uma demanda reprimida por máquinas e há algum tempo as pessoas não tinham a possibilidade de ver pessoalmente as máquinas que pretendem comprar”, observa.

“Além disso, após tanto tempo restritas aos contatos remotos, elas não querem mais ficar paradas: querem sair para conversar, negociar”, acrescenta.

A intensa afluência de público na Interplast é confirmada por Oscar da Silva, diretor da Sepro.

Plástico Moderno - Interplast 2022: Visitação ampla e qualificada marca o reencontro do setor ©QD Foto: Divulgação
Oscar da Silva, diretor da Sepro

“Diferentemente de outros eventos, quando há um período com pico de visitação e períodos mais vazios, lá havia bastante gente em todos os três dias”, destacou.

Silva credita parte do mérito pelo bom desempenho da feira à ansiedade de empresários e profissionais da cadeia do plástico pela retomada dos contatos diretos e pela obtenção de informações sobre o setor que não sejam intermediadas pelos meios de comunicação.

“Eles puderam ver um mercado até mais aquecido do que poderia parecer, considerando-se o que diz a mídia”, destaca o profissional da Sepro, que na Interplast lançou a nova gama de robôs de sua linha Success, agora com cursos e capacidades de carga maiores.

Plástico Moderno - Interplast 2022: Visitação ampla e qualificada marca o reencontro do setor ©QD Foto: Divulgação
Sepro aproveitou a Interplast para exibir a linha Success

Além das expectativas – Aproximadamente 400 marcas expuseram produtos e serviços na mais recente Interplast, que foi visitada por cerca de 30 mil pessoas.

Nos próximos doze meses, projetam os organizadores do evento, essa reunião de vendedores e compradores deve resultar em negócios estimados na casa dos R$ 300 milhões (valor 16% superior ao da edição anterior, realizada em 2018); cerca R$ 5 milhões já foram efetivados nas rodadas de negociações, que reuniram quarentas fornecedores e vinte compradores.

De acordo com Richard Spirandelli, diretor do evento na empresa organizadora Messe Brasil, nessa nova edição a Interplast alcançou maior abrangência nacional, tendo recebido visitantes oriundos de vinte estados, e mesmo internacional, pois a ela compareceram interessados provenientes de dezessete países, a maioria vinda de países sul-americanos, como Argentina e Paraguai.

Plástico Moderno - Interplast 2022: Visitação ampla e qualificada marca o reencontro do setor ©QD Foto: Divulgação

“Foram superadas as nossas expectativas, especialmente pela presença de um público muito qualificado”, salienta Spirandelli.

Também Silvio Davi Pires, gerente comercial da fabricante de equipamentos Rulli Standard, fala em expectativas superadas, seja em vendas já concretizadas, seja na emissão de propostas que devem gerar negócios na segunda metade do ano.

Plástico Moderno - Interplast 2022: Visitação ampla e qualificada marca o reencontro do setor ©QD Foto: Divulgação
Silvio Davi Pires, gerente comercial da fabricante de equipamentos Rulli Standard

“A visitação foi excepcional, com movimento acima da média todos os dias e com a presença de quem realmente decide a compra de equipamentos”, destaca Pires.

A Rulli Standard lançou na Interplast uma co-extrusora ABA com duas extrusoras (de 55 mm e 63,5 mm), capaz de processar de 180 a 230 kg/h de PEAD.

Apresentou ainda um equipamento de cinco camadas, para chapas PET com barreira (de poliamida/EVOH), com produção de 700 kg/h e largura útil de 1.200 mm, entre outros produtos.

(Veja reportagem sobre extrusoras nesta edição de PM)

Por sua vez, a distribuidora Activas enfatizou na Interplast a sua adesão a um modelo de gestão fundamentado no conceito ESG (sigla inglesa referente a Ambiental, Social e Governança).

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Laércio Gonçalves, CEO da Activas e presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (Adirplast)

“Havia muita gente interessada em saber mais sobre esse conceito”, relata Laércio Gonçalves, CEO da empresa e presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (Adirplast).

Mas o bom público presente, “tanto em quantidade, quanto em qualidade”, não necessariamente indica o início de uma fase de aquecimento intenso da demanda pelos produtos ali expostos.

“Acho que o principal motivo da grande presença de público foi a vontade de reativar os contatos, ver as novidades de um jeito que não dá para fazer por vídeo”, argumenta Gonçalves.

“Não creio que haverá um boom de negócios, não acho que há muita gente querendo aumentar capacidade, comprar mais máquinas; há sim interesse em máquinas mais rápidas, que consumam menos energia, em resinas com melhor desempenho e mais sustentáveis, a exemplo das resinas recicladas”, pondera.

Infraestrutura – A mescla entre os interesses comerciais mais imediatos com o anseio pelos contatos pessoais diretos após o distanciamento imposto pela pandemia é incluída no rol das causas dos bons resultados da Interplast também por Antonio Alves, sócio-diretor da BY Engenharia (cujo estande tinha como principal destaque o misturador contínuo compacto CP Series II, com dois rotores e extrusora com controles independentes, produzido pela Farrel Pomini, para processadores de compostos e de PVC).

Esse desempenho, complementa Alves, deve ser associado também ao elevado grau de preparo prévio dos expositores, que ali compareceram munidos tanto de um rico portfólio de produtos, quanto de pessoal capacitado para exibi-lo.

“Participo da Interplast há mais de vinte anos e nunca tinha visto tanta gente lá; e muita gente estava realmente interessada em negócios”, destaca.

Porém, assim como elogiam os resultados de negócios e de público do evento, expositores também criticam a infraestrutura do local onde ele foi realizado.

“Ela não foi nada compatível com um evento desse porte: o sinal de internet era muito deficiente, havia várias goteiras (choveu durante o período da exposição), a climatização de ar estava muito ruim e o calor foi insuportável”, critica Silva, da Sepro.

“A infraestrutura desagradou a todos, tanto expositores, quanto visitantes, nos mais diversos quesitos: sinal de internet, estacionamentos, banheiros, segurança. Gente que poderia ficar mais tempo por lá não ficou por esse motivo”, endossa Mainard.

Plástico Moderno - Interplast 2022: Visitação ampla e qualificada marca o reencontro do setor ©QD Foto: Divulgação

Spirandelli, da Messe, reconhece essas críticas, mas lembra que, ampliando a demanda por itens como ar climatizado, banheiros e estacionamento, a presença de público superior à prevista também intensificou os problemas de infraestrutura; em contrapartida, favoreceu os negócios dos expositores.

Também ressalta que a infraestrutura do local não depende diretamente dos organizadores, pois o espaço do evento – o Centro de Convenções e Exposições Expoville – é administrado por uma concessionária. “Mas vamos cobrar melhorias”, ressalta Spirandelli.

Ele também promete buscar instrumentos que, na próxima edição, programada para 2024, melhorem a climatização do ambiente.

Mas o fato de essa próxima edição retornar ao mês original de realização do evento (agosto) já deverá contribuir para amenizar o problema do calor:

Plástico Moderno - Interplast 2022: Visitação ampla e qualificada marca o reencontro do setor ©QD Foto: Divulgação
Richard Spirandelli, diretor do evento na empresa organizadora Messe Brasil

“Agosto é normalmente um mês mais fresco”, observa Spirandelli.

E as críticas, afirma o profissional da Messe, resumiram-se às questões da infraestrutura, pois em termos de realização de negócios ou de possibilidade de sua realização, os expositores ficaram bastante satisfeitos.

“Mesmo a programação paralela ocorreu com as salas praticamente lotadas”, destaca Spirandelli, referindo-se a uma programação que incluiu um fórum de economia circular, um congresso técnico e um seminário de nanotecnologia.

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