Integração de aditivos e cores consegue ampliar vendas – Masterbatch

Plástico Moderno - Integração de aditivos e cores consegue reter clientes e ampliar vendas - Masterbatch

Cor e aditivos diversos integrados em um mesmo produto; e versões mais acessíveis de produtos antes ao alcance apenas de transformadores dotados de recursos: essas são algumas das demandas hoje evidentes no mercado de masterbatches. Conseguindo atendê-las, os fabricantes desses compostos podem tanto gerar negócios no retraído mercado usuário de resinas virgens, quanto ampliar sua presença no segmento da reciclagem, ao qual dedicam crescente atenção.

Plástico Moderno - Silva está atento à evolução do plástico no agronegócio
Silva está atento à evolução do plástico no agronegócio

A primeira dessas reivindicações – das soluções que em um único produto integrem cor e até dois ou três aditivos sinérgicos – é apontada por Eliton da Silva, gerente de estratégias de negócios da Ampacet Latino-América. “Deslizante e antibloqueio para embalagens de produtos com empacotamento automático de alta velocidade, e antibloqueio com antiestático e auxiliar de fluxo, para mais produtividade na produção de filmes e aumento da velocidade de empacotamento de produtos em pó são algumas combinações hoje demandadas”, exemplifica.

Há também, ressalta Silva, a busca por produtos para embalagens mais simples, com camadas feitas com uma única poliolefina, sem polialimidas, EVOH, ou outras barreiras normalmente empregadas para proteção contra oxigênio e umidade, mas que dificultam a reciclagem posterior. “Temos hoje produtos – no Brasil já utilizados em stand up pouches – que conferem a embalagens de PE barreira similar à poliamida e EVOH, sem o uso dessas resinas”, afirma.

Em setores como a produção de vinhos e azeites em grandes volumes, prossegue o profissional da Ampacet, cresce a substituição de embalagens rígidas por flexíveis, enquanto na indústria da higiene pessoal – especialmente em produtos licenciados – expandem-se as embalagens transparentes ou brancas, depois recobertas com filmes sleeve.

Plástico Moderno - Barbosa: setor de embalagens responde bem às inovações
Barbosa: setor de embalagens responde bem às inovações

Por sua vez, o mercado da reciclagem é um dos atuais focos da Cromex, que para ele oferece uma vasta linha. “Já importante para a indústria do plástico, a reciclagem ainda não é muito relevante para o setor dos masterbatches. Mas aditivos e masterbatches podem agregar valor ao produto reciclado”, destaca Juliano Martins Barbosa, coordenador de tecnologia de produto da empresa.

Branqueadores ópticos e toners – para melhorar o aspecto de cor da resina reciclada –, redutores de odor, antioxidantes, auxiliares de fluxo, são alguns integrantes do portfólio para reciclagem da Cromex, recentemente reforçado com um extensor de cadeia que aumenta as propriedades mecânicas e reológicas do PET reciclado. “Durante a reciclagem, ocorre a quebra de suas cadeias e o PET perde massa molar. Esse extensor recompõe essas cadeias, repondo essa perda, e recuperando a viscosidade inicial do PET. Também permite reduzir o tempo ou até mesmo eliminar o processo de pós-condensação, em que normalmente se faz essa recomposição”, diz Barbosa.

Plástico Moderno - Pinheiro: master consegue melhorar cor de reciclado
Pinheiro: master consegue melhorar cor de reciclado

Cargas e efeitos – A reciclagem aparece também na estratégia da Ecomaster, que para ela destaca a linha de branqueadores posicionada para tornar esses aditivos, mais utilizados em aplicações da linha branca, para os recursos geralmente mais escassos dos recicladores. “Lançamos esses branqueadores no ano passado, e eles estão sendo muito bem aceitos, tanto no mercado da reciclagem, quanto pelos usuários finais, que agora têm a opção de um produto mais econômico”, observa Pablo Pinheiro, gerente comercial da Ecomaster.

Foi também para a reciclagem que a Ecomaster desenvolveu a Linha S, de compostos de cor feitos apenas com pigmentos orgânicos e isentos de metais pesados, já testados em frascos de produtos de limpeza, sacolinhas e brinquedos, entre outras aplicações. “Esses compostos melhoram a cor do produto reciclado sem o escurecimento geralmente feito para esconder suas impurezas”, ressalta Pinheiro.

Plástico Moderno - Fardo: efeitos da linha Marble são controláveis
Fardo: efeitos da linha Marble são controláveis

Mas essa empresa não se descuida de um de seus carros-chefe: os compostos de cor, usuais em sacolinhas. Segue fornecendo compostos destinados apenas a reduzir custos pela diminuição da quantidade de resina, mas desenvolveu a linha Econ, cujos compostos de carga, com o emprego de aditivos, permitem ainda reduzir a espessura do filme e melhorar sua resistência a impacto e alongamento, mesmo aplicado em teores elevados (até 50%). “Não conheço produto similar no mercado brasileiro”, afirma o diretor da Ecomaster.

A paranaense Colorfix aposta incisivamente em sua linha Marble, capaz de dotar o plástico de aspecto similar ao de materiais como o mármore e, mais recentemente, também madeira e madrepérola, entre outros efeitos.

Inicialmente desenvolvida para aplicações em PP, para cadeiras, mesas, utensílios domésticos, entre outras, a linha Marble já mostrou compatibilidade também com ABS e com essa resina vem sendo testada em aplicações como cosméticos, eletroeletrônicos e itens de decoração. “Seu padrão de efeito pode ser controlado com os parâmetros do equipamento, permitindo ao usuário obter seu próprio padrão”, destaca Francielo Fardo, diretor-superintendente da Colorfix, empresa que disponibiliza mais de 55 mil cores e aditivos, e mantém a marca própria de aditivos Fix, na qual há mais de dez itens: antibloqueio, clarificante, desmoldante, antioxidante, agente de purga, entre outros.

Portfolios ampliados – Na Procolor, o portfolio ganhou este ano diversos novos integrantes. Um deles, o aprimorador de processo CPD 0168, que nas linhas de injeção, além de reduzir o atrito entre resina e equipamento, interage com as moléculas da resina, das cargas e dos pigmentos da formulação. “Isso significa aumento da produtividade, redução do perfil de temperatura, com a consequente diminuição do tempo de resfriamento, melhor homogeneização da cor, maior brilho”, detalha Elisangela Melo, gerente nacional de vendas da empresa.

Em sua linha de dessecantes, a Procolor incluiu o Pro-tech CPD 0090, que anuncia “excelente eficiência’ mesmo em concentração de apenas 1%. “Geralmente, dessecantes são utilizados em concentrações entre 3% e 5%”, ressalta Elisangela, que entre outras novidades de sua empresa cita ainda uma versão com efeito salmão da Living Coral – a cor do ano da Pantone –, e essências para altas temperaturas, nas versões mirtilo, menta, carro novo, maçã vermelha, café e baunilha, para brinquedos, sacos para lixo, cosméticos, entre outras aplicações.

Plástico Moderno - Reinert: aditivo pode recuperar viscosidade do PET reciclado
Reinert: aditivo pode recuperar viscosidade do PET reciclado

A Cristal Master passou a contar com uma linha específica para BOPP – que consome principalmente masterbatch branco – e no segmento dos compostos de cor lançou a linha com alta concentração e elevado poder tintorial. “Entre os itens dessa linha há produtos para fios e cabos de PE reticulado, e masterbatch preto com negro de fumo com partículas muito pequenas, de 17 ou 18 nanômetros, para a produção de fibras”, destaca Luiz Carlos Reinert, diretor da empresa.

Entre outros produtos diferenciados, prossegue Reinert, a Cristal Master tem um melhorador de viscosidade capaz de recuperar a viscosidade perdida pelo PET durante a reciclagem, e um agente interfacial para compatibilizar polímeros de composição diferente. Inclui também um neutralizador de odor, para reciclagem. “Normalmente os recicladores utilizam essências, mas nesse caso o odor não é eliminado, e sim transferido para as essências. Nosso produto realmente elimina o odor”, ressalta.

A Cristal Master, complementa o diretor da empresa, disponibiliza ainda outros produtos, como: antimicrobiano cujo princípio ativo ela produz; antirisco para aplicações como autopeças e eletroeletrônicos; antifog, para embalagens de alimentos; difusores de luz; aditivos que melhoram a impressão a laser; melhoradores de ciclos de injeção; modificadores de fluidez e de impacto.

Aquém das expectativas – Até pelas elevadas expectativas do início do ano, foi decepcionante o desempenho desse mercado no semestre recém-findo, relatam representantes dos fornecedores de masterbatches (que ressalvam: diferenciais mercadológicos e novos produtos permitiram às respectivas empresas resultados ao menos razoáveis).

No começo de 2019, lembra-se Fardo, da Colorfix, o mercado se mostrava confiante, porém suas perspectivas de aquecimento da economia foram logo frustradas. “Mas fechamos um bom primeiro semestre”, relata. “Os transformadores estão apostando em nossa linha Marble”, enfatiza Fardo.

E a reversão das expectativas do início do ano, observa Elisangela, da Procolor, significou adiamento de investimentos e redução dos tíquetes médios dos pedidos dos clientes do setor. “Até crescemos no primeiro semestre, relativamente ao mesmo período de 2018, porém esse crescimento ficou abaixo de nossa meta”, comenta.

Elisangela também ressalta: além das dificuldades da economia, a indústria do plástico, precisa enfrentar crescentes restrições aos produtos descartáveis, como sacolas, copos e canudos. “Essas aplicações consomem mais commodities, que não são o forte da Procolor. Mas consomem grandes volumes de cargas, de masterbatches brancos, mesmo de compostos mais nobres nos copos de PP, e não há como isso não impactar o setor”, pondera.

A Cromex, projeta Barbosa, deverá este ano registrar algum incremento em seus negócios, sendo a indústria de embalagens um dos setores que mais positivamente responde hoje às iniciativas de geração de negócios dos provedores de masterbatches. “E, até por ter muito a ver com a reciclagem, nossos dessecantes têm encontrado boa demanda”, especifica.

Um portfólio de masterbatches pretos com diversas concentrações, de baixas a altíssimas, e também com compostos com propriedades condutivas, é outro diferencial da Cromex, realça Barbosa. “Há poucas opções de preto no mercado, e queremos dar mais alernativas aos transformadores”, ressalta.

Alguns investimentos – A indústria de artigos para o agronegócio, especifica Silva, da Ampacet, mantém-se como um dos mercados dos fornecedores de masterbatches menos afetados pelas dificuldades da economia nacional. “Ano a ano, esse setor bate recordes de produção e o consumo de plásticos acompanha essa expansão”, diz. “Também segue crescendo o segmento das embalagens alimentícias, que demanda forte apoio em projetos de inovação e sustentabilidade, principalmente para simplificação de embalagens, de modo a facilitar a reciclagem”, acrescenta.

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Para o primeiro desses mercados, a Ampacet recentemente lançou soluções para bale wraps (filmes flexíveis utilizados para armazenamento de feno e outros itens de alimentação de gado), adaptadas para o mercado brasileiro. Atenta ao potencial de negócios da economia circular, apresentou também um pacote de soluções para a melhoria da processabilidade das resinas provenientes de PCR e PIR (respectivamente, reciclagem de resíduos pós-consumo e industriais), além de masterbatches pretos isentos de negro de fumo para embalagens de poliolefinas e PET. “Esses masterbatches facilitam os processos automatizados de separação de resíduos plásticos, pois o negro de fumo impede a luz infravermelha – base de sistemas automatizados – de identificar as diferentes resinas”, explica Silva.

Na mais recente edição da Feiplastic, em abril, a Ampacet apresentou soluções para fios e cabos de poliolefinas, e a linha Econoblend, que agrega à sua oferta de desenvolvimento de cores customizadas um portfólio de compostos de cor pré-produzidos. “A linha Econoblend tem soluções para filmes, injetados, soprados e extrusão”, ressalta Silva.

Mesmo no atual ambiente de dificuldades do mercado, há anúncios de resultados expressivos na primeira metade do ano: a Cristal Master, por exemplo, relativamente aos seis primeiros meses de 2018, nesse período incrementou seu faturamento em 18%, afirma Reinart. “Para o total do ano, nossa meta é crescer 17%”, revela.

De acordo com Reinert, o mercado alimentício mantém sua demanda relativamente estável, e seguem aquecidos os negócios com o setor agro, cuja demanda privilegia soluções para ráfia. “Temos linha completa de produtos para ráfia, na qual entre outros itens há antifibrilantes e melhoradores de processos tanto em extrusão quanto em laminação”, detalha Reinert. “Este ano estamos investindo cerca de R$ 7 milhões em tecnologia de alto desempenho, ampliando nosso laboratório e nossa capacidade produtiva”, acrescenta.

Por sua vez, a Ecomaster neste mês de julho inaugurará a ampliação da capacidade de produção de sua planta do município fluminense de Três Rios, que passará de 2 mil para 4 mil toneladas mensais, dedicando-se apenas à produção dos grandes volumes – master branco e compostos –, ficando a planta localizada em Franco da Rocha-SP focada nas especialidades.

Até o ano passado, a Ecomaster registrava índices expressivos de crescimento, mas na primeira metade deste ano seu faturamento foi cerca de 8% inferior àquele obtido no mesmo período de 2018. “O segundo semestre deverá ser melhor, até porque estamos trabalhando mais com produtos e com custos mais acessíveis, geralmente os primeiros a retomarem seus negócios, e nossa meta é registar este ano faturamento similar ao de 2018”, finaliza Pinheiro.

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