Compósitos

Integração aos processos digitais deve respeitar capacidade financeira do transformador – Indústria 4.0

Jose Paulo Sant Anna
4 de agosto de 2019
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    Sopradoras – A desinformação atinge talvez com força ainda maior as empresas que trabalham com outros métodos de transformação. Um exemplo se encontra nas linhas de produção de peças sopradas. “Ainda não houve por parte da maioria de nossos clientes interesse nessa tecnologia, apenas uma minoria tem perguntado sobre nossos avanços nessa área”, informa Newton Zanetti, diretor comercial da Pavan Zanetti, marca nacional bastante tradicional nesse segmento de mercado. Para o dirigente, as indústrias, para incorporarem a tecnologia 4.0, precisam viver num ambiente mais digital, caso contrário não têm como tornar a iniciativa funcional. “As empresas que nos pedem avanços são as que já estão funcionando nesse ambiente”.

    Para atender a demanda dos clientes mais exigentes, a empresa investe para incorporar mais tecnologia nos seus modelos standard. “Os equipamentos em que isso deve ocorrer primeiro são os de nossa nova linha de sopradoras totalmente elétricas, que já tem CLPs de ultima geração. Estamos terminando o desenvolvimento de programas e detalhes técnicos para aprontar o projeto”, diz sem anunciar a data de lançamento da novidade no mercado.

    As sopradoras elétricas foram apresentadas pela empresa na última edição da Plástico Brasil, realizada em março na cidade de São Paulo. As máquinas possuem tecnologia da multinacional Synthesi. Com o aperfeiçoamento a ser incorporado, será facilitado o controle das máquinas a distância, o controle de produção e a “conversa” com os demais equipamentos da linha de produção.

    Periféricos – Fornecedoras de equipamentos periféricos para as linhas de produção de peças plásticas também reconhecem um movimento bastante incipiente em termos de investimentos. O grupo multinacional Piovan, com fábrica no Brasil, oferece hoje, em todas as suas linhas de equipamentos, opções em diversos níveis de automação para integração aos sistemas de indústria 4.0. Além dos equipamentos, a empresa comercializa o software Winfactory 4.0, voltado para interligar todos os periféricos das plantas de transformação. Ele faz o gerenciamento completo e controla o consumo de energia, entre outras funções, de acordo com a necessidade do usuário.

    Plástico Moderno - Prado: periféricos recentes têm softwares compatíveis com 4.0

    Prado: periféricos recentes têm softwares compatíveis com 4.0

    “Vemos com muito otimismo a aplicação da indústria 4.0 no Brasil. Vai possibilitar o aumento de competitividade de toda a cadeia industrial e de serviços”, avalia Ricardo Prado, vice-presidente para a América do Sul. Ele explica que todos os últimos projetos de novas linhas de produção já contam com a instalação do software como requisito básico. A crise econômica preocupa, mas nem tanto. Para Prado, prejudica o volume de investimentos de forma momentânea. “As dificuldades não alteram a necessidade e benefícios que a tecnologia pode oferecer”.

    Quando se fala em adoção da indústria 4.0 um equipamento próximo do indispensável é o robô. Por enquanto, essa constatação não tem colaborado com as vendas da Dal Maschio, empresa de origem italiana com fábrica no Brasil. “De cada dez robôs que vendemos, apenas um ou dois são destinados a empresas preocupadas com a indústria 4.0. A maioria dos clientes está interessada em automatizar as linhas, também há boa procura por robôs voltados para linhas que vão funcionar com a técnica in mold label, mas não falam sobre essa tecnologia”, informa José Luiz Galvão Nunes, diretor comercial. Ele acredita que esse quadro poderia ser diferente. “Na Europa os governos dão subsídios para quem investe em inovação, aqui isso não acontece”.

    Todos os equipamentos da empresa são oferecidos com os requisitos necessários para a adoção da tecnologia. “Aqui no Brasil, por termos muitas linhas de produção dotadas com equipamentos antigos, desenvolvemos um software que permite o gerenciamento dos periféricos por meio do controle do robô”. Com o recurso, os robôs podem, por exemplo, ligar ou desligar o fornecimento de água gelada ou controlar a alimentação da matéria-prima e o número de ciclos, entre outros parâmetros.



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