Integração aos processos digitais deve respeitar capacidade financeira

Capacidade financeira do transformador deve ser respeitada - Indústria 4.0

As várias técnicas disponíveis ligadas ao conceito da indústria 4.0 proporcionam melhora de produtividade e redução de custos para as empresas de transformação de plásticos.

Entre os recursos disponíveis podemos citar o uso de robôs autônomos, sensores, ajustes de layout interno e sistemas integrados a partir da internet das coisas, entre outras ferramentas voltadas para a melhoria da administração de linhas de produção.

Nos países avançados, tais recursos têm sido cada vez mais aproveitados. No Brasil, nem tanto.

Contamos com mercado bastante pulverizado, com em torno de 12 mil empresas transformadoras, a grande maioria de pequeno porte.

“A receptividade e a implantação dessas novidades nas empresas têm acontecido em diferentes graus e velocidades, de acordo com o tamanho da empresa e sua capacidade de investimento, determinada por diversos fatores”, resume José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

O dirigente mostra algum otimismo em relação aos próximos capítulos dessa “novela”.

Plástico Moderno - Roriz: adotar o conceito 4.0 não requer investimento alto
Roriz: adotar o conceito 4.0 não requer investimento alto

“O que temos observado e podemos afirmar, de modo geral, é que há um interesse muito grande pelas práticas relacionadas à indústria 4.0 e já existe um movimento das empresas nesse sentido”, garante. A crise econômica é um fator que não pode ignorado. Ela não ajuda em nada, inibe investimentos.

A procura por informações não reduz o desafio de disseminar o conhecimento.

Ainda há muita confusão a respeito da indústria 4.0 por parte das empresas do setor.

Um dos problemas se encontra no “fantasma” visto pelos empresários para sua adoção.

“Existe a visão de que são necessários vultosos investimentos em novas plantas ou maquinários ultramodernos para se implantar a indústria 4.0.

Muita coisa pode ser feita a partir de adequações de tecnologias já disponíveis”, esclarece o presidente da Abiplast.

A implantação do processo obedece a uma norma inicial.

“O primeiro passo começa com pesquisa”. É preciso conhecer o que os mercados nacional e internacional têm feito, quais são as melhores práticas, o que é possível trazer e adaptar para a realidade brasileira.

Em particular, é preciso buscar e criar soluções próprias, que posteriormente podem ser compartilhadas com o mercado.

“É possível implantar a indústria 4.0 nas empresas pequenas, embora os desafios sejam maiores. Nesses casos, o mais importante é priorizar e entender as tecnologias que farão diferença para o negócio”. Existem consultores especializados que podem colaborar bastante com o projeto.

O esforço vale a pena, ressalta Roriz Coelho. “Pesquisa realizada em 2017 no Canadá pela Cisco, multinacional especializada em TI e redes, relata que as empresas que adotaram a indústria 4.0 aumentaram em 60% sua produtividade, otimizaram o processo de manutenção, reduziram em 50% seus custos operacionais e aumentaram a qualidade total de seus produtos em 42%.

O avanço do time-to-market do lançamento de novos produtos no mercado foi calculado em 13%”.

Termômetro – Um bom meio de calcular a temperatura do entusiasmo dos investimentos da indústria de transformação do plástico vem da indústria de equipamentos.

Além de proporcionarem aumento de produtividade e significativa economia de energia, as novas máquinas de transformação e seus periféricos, com seus controles programáveis de última geração, proporcionam facilidade para a adoção de vários recursos de gerenciamento.

Representantes desse segmento não se mostram empolgados com o interesse demonstrado pelos clientes na tecnologia 4.0 na hora de atender consultas ou fechar negócios.

Alguns reconhecem o interesse crescente no tema por parte dos transformadores.

Outros se mostram um tanto decepcionados com a atual falta de conhecimento.

Em comum, os fornecedores reconhecem que se trata de tecnologia nova, na prática um fenômeno ainda distante da realidade da indústria do plástico latino-americana e de países com menor poder de investimento.

Mas com bom potencial de crescimento nos próximos anos.

Entre as máquinas de transformação, as injetoras podem ser apontadas como as mais sofisticadas.

Hoje, quase todos os modelos oferecidos no mercado contam com os recursos necessários para atender as exigências da indústria 4.0. Um exemplo se dá com a marca brasileira Romi.

Plástico Moderno - Reis: comandos das injetoras estão prontos para integração
Reis: comandos das injetoras estão prontos para integração

“Os comandos das nossas máquinas estão preparados. Temos acompanhado e trabalhado no desenvolvimento contínuo de soluções alinhadas neste conceito, que é tendência para a indústria brasileira e mundial”, informa William dos Reis, diretor da unidade de máquinas para plásticos.

Todas as linhas de injetoras e sopradoras Romi são equipadas com o comando CM20, que permite conexão e programação dos periféricos.

Podem ser monitorados equipamentos como unidades de água gelada, alimentadores, dosadores e robôs.

“O comando CM20 pode ser acessado e monitorado remotamente via smartphones, tablets e PC”.

Plástico Moderno - Comando CM20 das injetoras Romi possibilita conexão a periféricos
Comando CM20 das injetoras Romi possibilita conexão a periféricos

Para Reis, os investimentos para a modernização do parque fabril precisam levar em conta a inserção no conceito da indústria 4.0.

“Cada vez mais nossos clientes estão conscientes sobre esta necessidade como forma de permanecer competitivo no mercado. Máquinas, periféricos e processos terão de atender às exigências desta revolução industrial com recursos como soluções com acionamentos elétricos ou híbridos e máquinas preparadas para integração das tecnologias dentro da cadeia produtiva e de fornecimento”.

Desinformação – Responsáveis por outras empresas fornecedoras de injetoras não detectam interesse significativo dos clientes pelo investimento em técnicas da indústria 4.0.

Para eles, a desinformação faz com que em muitos casos os responsáveis pelas fábricas deixem de adotar algumas medidas simples, que poderiam ser tomadas com os recursos existentes em vários equipamentos já instalados nas empresas.

Toda a linha de injetoras da multinacional Sumitomo Demag conta com os requisitos necessários para ajudar seus clientes a implantar a tecnologia.

Plástico Moderno - Rieker: injetoras atuais já permitem adotar conceito 4.0
Rieker: injetoras atuais já permitem adotar conceito 4.0

“Os nossos modelos possuem entradas e saídas que permitem interface entre a máquina com os demais equipamentos da linha de produção. Também contamos com a ajuda de parceiros fornecedores de periféricos de última geração”, explica Christoph Rieker, gerente geral do escritório brasileiro.

Para Rieker, alguns transformadores de porte, multinacionais que atuam no mercado brasileiro, estão se atualizando.

“As multinacionais que trabalham aqui estão trazendo a tecnologia que aplicam no exterior”. As nacionais, no entanto, estão devendo.

“Não vejo muito movimento por parte das empresas brasileiras”.

Para Rieker, a situação por aqui está distante da encontrada hoje na Europa, onde essa tendência ganhou força há cerca de três anos e se caminha a passos bem mais largos.

“Fala-se muito, mas o Brasil ainda está em uma fase incipiente, de aprendizado. Não só aqui, em toda a América Latina o processo ainda é pouco aplicado”, informa.

Fundada em 1996, em Campinas-SP, a Simco se tornou fornecedora de máquinas com atuação importante no segmento metal mecânico. Nos últimos anos passou a participar também do mercado de injetoras de plástico, oferecidas com a marca Log.

Plástico Moderno - Oliveira: resultados podem ser obtidos com medidas simples
Oliveira: resultados podem ser obtidos com medidas simples

“As nossas injetoras são projetadas no Brasil e fabricadas na China”, explica Ricardo Caetano de Oliveira, diretor de engenharia.

A empresa oferece modelos de 70 a 2,5 mil toneladas de força de fechamento, em versões hidráulicas ou com movimentos realizados com a ajuda de servo-motores.

“Todas as nossas máquinas vêm com hardwares e softwares com todos os requisitos necessários para que os clientes adotem a tecnologia 4.0”, informa o dirigente.

De acordo com Oliveira, os clientes, em sua grande maioria, ainda não estão atentos às vantagens proporcionadas pela técnica.

“Falta conhecimento. Quando se fala em indústria 4.0 a maioria dos transformadores pensa em robôs e sistemas caríssimos, eles não sabem que podem conseguir bons resultados com medidas simples”.

Uma medida básica, por exemplo, seria a de controlar a produção com a ajuda da eletrônica.

“Muitos transformadores ainda fazem apontamentos com anotações feitas de maneira manual pelos seus funcionários”, exemplifica.

Plástico Moderno - Injetora Log é projetada no Brasil, mas fabricada na China
Injetora Log é projetada no Brasil, mas fabricada na China

 

Sopradoras – A desinformação atinge talvez com força ainda maior as empresas que trabalham com outros métodos de transformação. Um exemplo se encontra nas linhas de produção de peças sopradas.

“Ainda não houve por parte da maioria de nossos clientes interesse nessa tecnologia, apenas uma minoria tem perguntado sobre nossos avanços nessa área”, informa Newton Zanetti, diretor comercial da Pavan Zanetti, marca nacional bastante tradicional nesse segmento de mercado.

Para o dirigente, as indústrias, para incorporarem a tecnologia 4.0, precisam viver num ambiente mais digital, caso contrário não têm como tornar a iniciativa funcional.

“As empresas que nos pedem avanços são as que já estão funcionando nesse ambiente”.

Para atender a demanda dos clientes mais exigentes, a empresa investe para incorporar mais tecnologia nos seus modelos standard.

“Os equipamentos em que isso deve ocorrer primeiro são os de nossa nova linha de sopradoras totalmente elétricas, que já tem CLPs de ultima geração. Estamos terminando o desenvolvimento de programas e detalhes técnicos para aprontar o projeto”, diz sem anunciar a data de lançamento da novidade no mercado.

As sopradoras elétricas foram apresentadas pela empresa na última edição da Plástico Brasil, realizada em março na cidade de São Paulo.

As máquinas possuem tecnologia da multinacional Synthesi.

Com o aperfeiçoamento a ser incorporado, será facilitado o controle das máquinas a distância, o controle de produção e a “conversa” com os demais equipamentos da linha de produção.

Periféricos – Fornecedoras de equipamentos periféricos para as linhas de produção de peças plásticas também reconhecem um movimento bastante incipiente em termos de investimentos.

O grupo multinacional Piovan, com fábrica no Brasil, oferece hoje, em todas as suas linhas de equipamentos, opções em diversos níveis de automação para integração aos sistemas de indústria 4.0.

Além dos equipamentos, a empresa comercializa o software Winfactory 4.0, voltado para interligar todos os periféricos das plantas de transformação.

Ele faz o gerenciamento completo e controla o consumo de energia, entre outras funções, de acordo com a necessidade do usuário.

Plástico Moderno - Prado: periféricos recentes têm softwares compatíveis com 4.0
Prado: periféricos recentes têm softwares compatíveis com 4.0

“Vemos com muito otimismo a aplicação da indústria 4.0 no Brasil. Vai possibilitar o aumento de competitividade de toda a cadeia industrial e de serviços”, avalia Ricardo Prado, vice-presidente para a América do Sul.

Ele explica que todos os últimos projetos de novas linhas de produção já contam com a instalação do software como requisito básico.

A crise econômica preocupa, mas nem tanto. Para Prado, prejudica o volume de investimentos de forma momentânea.

“As dificuldades não alteram a necessidade e benefícios que a tecnologia pode oferecer”.

Quando se fala em adoção da indústria 4.0 um equipamento próximo do indispensável é o robô.

Por enquanto, essa constatação não tem colaborado com as vendas da Dal Maschio, empresa de origem italiana com fábrica no Brasil.

“De cada dez robôs que vendemos, apenas um ou dois são destinados a empresas preocupadas com a indústria 4.0. A maioria dos clientes está interessada em automatizar as linhas, também há boa procura por robôs voltados para linhas que vão funcionar com a técnica in mold label, mas não falam sobre essa tecnologia”, informa José Luiz Galvão Nunes, diretor comercial. Ele acredita que esse quadro poderia ser diferente.

“Na Europa os governos dão subsídios para quem investe em inovação, aqui isso não acontece”.

Todos os equipamentos da empresa são oferecidos com os requisitos necessários para a adoção da tecnologia. “Aqui no Brasil, por termos muitas linhas de produção dotadas com equipamentos antigos, desenvolvemos um software que permite o gerenciamento dos periféricos por meio do controle do robô”.

Com o recurso, os robôs podem, por exemplo, ligar ou desligar o fornecimento de água gelada ou controlar a alimentação da matéria-prima e o número de ciclos, entre outros parâmetros.

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