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Insumos caros e concorrência de importados tiram fôlego do setor

Plastico Moderno
8 de março de 2019
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    O beneficiamento têxtil – que inclui as etapas de preparação do tecido, tingimento e lavanderia – é a principal geradora de poluentes de água, solo e ar. Não há sistema 100% eficiente que elimine completamente os danos, mas eles podem ser bastante reduzidos por meio de produtos biodegradáveis e processos otimizados. Muitas indústrias de produtos químicos já estão mudando a linha para biodegradável e a lista de químicos agressivos está sendo reduzida ao mínimo. Um exemplo citado por Agostinho Pacheco é o tratamento a plasma antes da mercerização dos tecidos de algodão ou algodão/poliéster, utilizado em larga escalada na produção têxtil. A mercerização é um processo químico que aumenta a resistência e o brilho das fibras, dando um aspecto sedoso ao tecido. Neste processo, o tecido é submetido a uma solução de soda cáustica que posteriormente deve ser removida com várias lavagens. A ideia do tratamento prévio com plasma visa acelerar a atuação da soda sobre  a fibra, tornando a operação mais econômica e menos agressiva ao ambiente.

    Química e Derivados, Insumos caros e concorrência de importados tiram fôlego do setor e retardam atualização - Têxtil

    Fibras artificiais e sintéticas

    Há também a alternativa de implantar unidades de recuperação de soda caustica diluída, permitindo tratamento antes da descarga no efluente. Mas é um processo caro para as pequenas indústrias. Segundo Agostinho Pacheco, a estamparia direta no tecido tende a crescer, mas ainda está longe de substituir o tingimento convencional. “Para alcançar grande escala é necessário que as impressoras atinjam maior velocidade de produção e maior rentabilidade. “Enquanto uma impressora digital estampa, em média, 50 metros de tecido por minuto, linhas de tingimento pad steam (impregnação, vaporização, lavagem e secagem) podem tingir cem metros por minuto. Para lotes menores e especialidades, a estamparia digital sem dúvida atende bem o mercado de moda, porém é um processo de maior custo, pois requer etapas de criação e preparação antes da impressão do tecido. Outro detalhe é que, não trabalhando com estoques, na estamparia digital é preciso produzir para faturar”, acrescenta o especialista.

    Otimista, Agostinho Pacheco acredita que as próximas gerações verão uma indústria têxtil muito diferente. A milenar técnica de fiar, tecer e tingir, que passou a ser mecanizada na Primeira Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, seguirá em direção à digitalização da produção. A manufatura avançada revolucionará métodos tradicionais e criará novos conceitos para atender a demanda, impulsionada por novos padrões de consumo, cujo mote é a personalização e a sustentabilidade. “A indústria têxtil vai continuar existindo, mas enfrentará novos desafios. A química vai continuar transformando matérias-primas, mas vamos ter que inventar coisas que melhorem o mundo em que vivemos”.

    Texto: Marcia Mariano



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