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Insumos caros e concorrência de importados tiram fôlego do setor

Plastico Moderno
8 de março de 2019
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    Panorama brasileiro – A indústria química brasileira apresentou desempenho satisfatório em 2018, com crescimento de 5% na receita em dólar, e faturamento da ordem de US$ 127,9 bilhões. Boletim divulgado pela Associação Brasileira da Indústria Química, Abiquim, no dia 7 de dezembro, informa, porém, que o déficit na balança comercial do setor chegou a US$ 29 bilhões em 2018. A entidade não levanta dados específicos de produtos comercializados para o mercado têxtil, com exceção do segmento de fibras artificiais e sintéticas – dentro da categoria “Químicos de Uso Final” – cujos dados são fornecidos pela Abrafas, conforme a tabela 1.

    O presidente da Associação Brasileira de Químicos e Coloristas Têxteis (ABQCT), Jefferson Zomignan, disse que 2018 não foi um bom ano para o setor têxtil e que o único segmento que apresentou bom desempenho foi a estamparia digital. Segundo ele, a estagnação foi consequência do ano eleitoral. “Em razão da disputa política acirrada entre os candidatos, gerou-se um clima de insegurança sobre o futuro do país”. Zomignan observa que, nos últimos cinco anos, houve crescimento das importações de produtos químicos, especialmente tintas e produtos auxiliares para estamparia digital. “Desde que os fabricantes têxteis chineses começaram e ser pressionados por órgãos ambientais, a produção têxtil e de vestuário tem migrado para países do Sudeste Asiático com Paquistão e Bangladesh, onde a fiscalização é precária e a mão-de-obra é mais barata que na China”, acrescenta.

    Segundo ele, a produção e a venda de produtos químicos têxteis no Brasil, no geral, caiu 15% em 2018, com faturamento estimado em US$ 1,5 milhão de dólares. “Atualmente, o Brasil concentra mais formuladores do que produtores de matérias-primas. Embora haja mais de 150 fabricantes de químicos têxteis espalhados pelo mundo, o fornecimento está cada vez mais concentrado em grandes multinacionais, controladas por grupos financeiros.” Jefferson Zomignan diz que até 2000, o algodão predominava como principal matéria-prima têxtil no Brasil, mas hoje as fibras mistas, principalmente algodão/poliéster, dominam o mercado que também tem registrado o crescimento das fibras celulósicas como a viscose, cujo toque se assemelha ao do algodão.

    Perfil – A indústria química têxtil brasileira é formada, em sua maioria, por empresas de médio porte, que trabalham com centenas de matérias-primas diferentes para formulações de auxiliares e acabamentos têxteis. São aproximadamente 150 empresas químicas que atuam no beneficiamento, cerca de 80 lavanderias e 60 fabricantes de máquinas e equipamentos. A maioria não está preparada para inserção na Indústria 4.0, que busca otimizar os processos de produção, atendimento sob demanda e integração à cadeia têxtil/vestuário. “Muitos temem que seu negócio poderá desaparecer com o crescimento da estamparia digital ou de novos processos de beneficiamento eco friendly. Digo sempre que neste mercado é preciso se reinventar para competir.

    No nosso segmento, os avanços acontecem quando há simbiose entre a indústria de máquinas e os produtores químicos. Essa parceria resulta em novas soluções que cada vez mais devem ter a sustentabilidade como foco”, comenta o presidente da ABQCT. Para a maioria dos empresários do setor, o câmbio que controla o preço da matéria-prima importada, responsável por 40% dos custos, é uma das principais preocupações. “A perspectiva é que o novo governo mexa na carga tributária para que a indústria de transformação possa contrabalançar os custos, já que a matéria-prima é dolarizada. Para se ter uma ideia, a composição de um auxiliar químico pode conter de seis a oito ingredientes diferentes”, comenta Zomignan.

    Sustentabilidade – Químico de formação e atuando no mercado têxtil desde 1960, Agostinho de Souza Pacheco, secretário geral da ABQCT, é delegado do Brasil na FLAQT, entidade com sede em Buenos Aires, que representa as associações de químicos e coloristas têxteis da América Latina. “A ABQCT é uma associação profissional de pessoas físicas, embora muitos associados também sejam industriais. Posso dizer que até setembro de 2018 o humor do setor era péssimo. As empresas alegaram dificuldades financeiras para tocar a produção e muitas pararam de produzir”, revela.



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