Notícias

Insumos caros e concorrência de importados tiram fôlego do setor

Plastico Moderno
8 de março de 2019
    -(reset)+

    Química e Derivados, Insumos caros e concorrência de importados tiram fôlego do setor e retardam atualização - Têxtil

    A alta dos insumos, como corantes, silicones, auxiliares químicos e das matérias-primas como fibras e fios afetou a produção da indústria têxtil nacional, uma vez que a maioria destes produtos é importada. Embora não tenham sido os principais responsáveis pelo fraco desempenho apresentado pelo setor em 2018 – fatores conjunturais tiveram maior impacto – os insumos contribuíram para o resultado ruim. Em dezembro, ao apresentar o balanço do ano e as projeções para 2019, o economista Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), disse: “Os números de 2018 não foram bons.

    Os melhores prognósticos indicavam um crescimento do PIB de 3%, mas infelizmente decepcionou fechando provavelmente em 1,3%, como deverá apontar o cálculo do IBGE no primeiro trimestre do ano”. O dirigente, entretanto, observou: “Para 2019, não conseguiremos recuperar o que perdemos no ano passado, mas se a economia apresentar sinais positivos, o setor dará sua contribuição para a retomada do emprego e da produção”.

    Segundo ele, o varejo de têxteis e vestuário, com crescimento de 0,8%, manteve-se estável, mas a indústria têxtil fechou o ano com queda de 2% na produção, redução de 1,2% nas exportações, aumento de 5,7% nas importações e perda de 27 mil postos de trabalho. Os dados da Abit também revelam que o custo de produção subiu, em média, 8,5%, com altas significativas nos preços de algodão, fibras e corantes, entre outros. “Hoje, os insumos no Brasil seguem em forte alinhamento com o câmbio. Mesmo matérias-primas produzidas no país tem parametrização com valores internacionais, como já é feito com as commodities, como algodão, soja, ferro, etc. Com isso, o mercado sofre naturalmente os efeitos do dólar”, explica Pimentel.

    Fatores conjunturais – Segundo ele, as razões pelas quais o PIB não apresentou o crescimento esperado pela indústria foram a greve de 11 dias dos caminhoneiros, iniciada no mês de maio, que afetou a economia; e a insegurança trazida pelo debate eleitoral. Após as primeiras pesquisas eleitorais em agosto de 2018, (informa a Agência Brasil à época) o dólar acumulou valorização de 8,46%, a maior desde 2015. A desvalorização do real tem efeito duplo no setor produtivo, pois se de um lado favorece as exportações por tornar os produtos brasileiros mais competitivos no exterior, por outro, encarece o preço de insumos e commodities precificadas em dólar. Por isso, o câmbio sempre divide opiniões entre os empresários. De acordo com o IBGE, até os primeiros quatro meses de 2018, o câmbio girou em torno de R$ 3,19 por dólar.

    “O câmbio, que iniciou o ano comportado, com uma cotação relativamente baixa, fez a nossa moeda depreciar, chegando a ficar entre R$ 3,78 e R$ 3,85 por dólar a partir de junho. O nível de emprego, que nós recuperamos em 2017, depois da recessão de 2015 e 2016, e que acreditávamos no início do ano gerar entre 16 mil a 20 mil postos de trabalho, também não foi possível. Infelizmente, dada a queda na produção, fechamos no negativo”, acrescenta o presidente da Abit.

    De acordo com o relatório Brasil Têxtil 2018 (ano base 2017) – produzido pelo IEMI – Inteligência de Mercado, com apoio institucional da Abit e do Senai Cetiqt – Centro de Tecnologia da Indústria Química Têxtil, a cadeia têxtil brasileira é constituída pelos segmentos de fibras e filamentos químicos e produção de têxteis, que envolve fios acabados, tecidos planos, malhas e não-tecidos, com cerca de 2.600 indústrias; e a produção de artigos confeccionados, que abrange 24.822 fabricantes de vestuário, artigos da linha lar, roupas profissionais e têxteis técnicos, num total de 27.422 empresas formais.

    Porém, se levar em conta o número de confecções de pequeno e médio porte – exceto os microempreendedores individuais (MEI), existem mais de 70 mil produtores com atividade registrada na Recita Federal, mas segundo Pimentel, deste total, apenas 6.700, que estão no regime de lucro real e lucro presumido, respondem por mais de 70% do faturamento. “Temos mais de 63 mil empresas dentro do Sistema Simples, sem contar os milhares que estão na categoria MEI, que respondem por aproximadamente 25% do faturamento, mas que por outro lado, são relevantes na geração de emprego e renda em todo o território nacional”.

    Essa capilaridade e diversidade na produção coloca a cadeia têxtil e de confecção como o segundo maior empregador da indústria de transformação do Brasil, com cerca de 1,5 milhão de trabalhadores e faturamento (atualizado em outubro de 2018) da ordem de US$ 51 bilhões. Importante destacar que a produção média anual de confeccionados (vestuário, meias, roupa de cama, mesa e banho) foi de 8,9 bilhões de peças.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *