Injetoras – Produtores aguardam feira com esperança de melhores negócios

A crise econômica está mais para marola ou tsunami? Por enquanto, a pergunta não tem resposta, dizem os fornecedores de injetoras. Não dá para negar que as vendas, com desempenho muito bom até o último trimestre do ano passado, sofreram retração com a chegada da crise. Em 2009, os negócios começaram a se recuperar em março, mas ainda de maneira desigual. Alguns fornecedores parecem mais otimistas que outros. Não se sabe em qual patamar eles se estabilizarão.

A única certeza reside no fato de o desempenho do setor ser bastante dependente das brisas sopradas pela economia. A constatação não chega a ser novidade para ninguém. O setor de bens de capital sempre reflete forte influência dos rumos tomados pelo mercado. Em caso de retração do PIB é um dos primeiros a sofrer as consequências e um dos últimos a se recuperar. Nesse cenário, a realização da Brasilplast é para lá de bem-vinda. A feira é conhecida pela sua capacidade de gerar negócios e não poderia ocorrer em momento mais propício.

Não existem estatísticas oficiais. Estima-se que o número de injetoras vendidas no Brasil gire entre 2,5 mil e 3 mil unidades por ano e o evento deve ajudar a turbinar esse número em 2009. São comercializadas no Brasil máquinas dos mais distintos modelos. A diversidade complica a análise deste mercado. Entre as nacionais, existem equipamentos com variadas tecnologias, adquiridos para atender aos diferentes pedidos de peças plásticas, desde aquelas com dimensões menos precisas até as com exigências de medidas bastante rigorosas. As importadas englobam dos sofisticados equipamentos europeus, procurados por transformadores interessados em tecnologia de ponta, às máquinas orientais, de preço convidativo e qualidade sempre posta em dúvida pelos concorrentes brasileiros.

Como a crise não atingiu de forma uniforme os diferentes segmentos da economia, o desempenho das empresas varia de acordo com o perfil de atuação da clientela. O setor de bens duráveis, em especial a indústria automobilística, foi um dos que mais sentiram dificuldades no início da crise. O sofrimento foi amenizado com a redução do IPI dos automóveis promovida pelo governo federal. A partir do último trimestre de 2008, a indústria de autopeças pisou forte no freio dos investimentos. Quem vende equipamentos para o setor sentiu por tabela a retração. Ninguém arrisca palpite sobre como ficará o ritmo de vendas de veículos nos próximos meses, porém os negócios parecem mais promissores com os excelentes resultados registrados pelas montadoras no primeiro trimestre deste ano, com quase 700 mil carros comercializados.

Já o segmento de bens não-duráveis, caso dos alimentos e dos cosméticos, foi afetado de forma mais suave. Os fabricantes de embalagens para esses produtos mantiveram as encomendas de máquinas em bom ritmo.
O cenário influencia as estratégias de marketing a ser adotadas na Brasilplast. Os expositores vão divulgar, de forma preferencial, equipamentos voltados para os setores menos atingidos pela crise. Os visitantes encontrarão nos estandes vários modelos projetados para funcionar com ciclos rápidos, dirigidos aos mercados de embalagens. A grande esperança depositada nos resultados gerados pela feira, no entanto, a torna bastante abrangente. Quem percorrer seus corredores também poderá obter informações sobre injetoras dos mais diversos tipos. Entre elas as elétricas, bastante precisas e ainda pouco procuradas no Brasil, por conta de seus preços, considerados “salgados”.

Nacionais versus importadas – Um dos aspectos interessantes a ser observados pelos visitantes da exposição será o do confronto entre as injetoras nacionais e as estrangeiras. A concorrência é mais acirrada entre os modelos menos sofisticados, mercado estimado em 80% das unidades vendidas por aqui. Neste nicho, as brasileiras sofrem, nos últimos anos, com a invasão das asiáticas, em especial as chinesas.

A guerra tem a temperatura inflada pelos baixos preços praticados pelos importadores, considerados incompatíveis com a realidade. Contra a atração gerada pelo menor desembolso de recursos para a aquisição dos equipamentos, os argumentos sempre usados pelos fabricantes nacionais recaem na “qualidade duvidosa” dos modelos orientais e na falta de estrutura adequada para prestação de assistência técnica.

No ano de 2007 e até setembro de 2008, o aquecimento da demanda provocado pelo bom momento econômico arrefeceu a ameaça vinda da Ásia. O aumento das encomendas beneficiou a todos. Mas o período de bonança parece ter se encerrado. A retração do mercado nos últimos meses promete apimentar de novo o cenário. Um novo tempero no imbróglio surgiu nos últimos meses: a desvalorização do real. A forte queda do real tem favorecido os fabricantes brasileiros. Mas é bom não comemorar muito. Há meses antes da crise, quando as chinesas já incomodavam bastante, o dólar estava em patamar mais elevado do que hoje. Engana-se quem acha que as importadas não têm preços competitivos.

Estima-se que no mercado nacional devam ser vendidas entre 400 e 500 unidades por ano de injetoras mais sofisticadas, voltadas para a obtenção de peças de grande precisão ou para grandes volumes de produção. Em termos de faturamento, no entanto, a receita obtida por essas vendas responde por percentual mais significativo, graças ao maior valor agregado desses equipamentos.

Nesse segmento, a disputa dos brasileiros é com as empresas dos países avançados. Conforme a necessidade dos transformadores, trata-se de luta inglória. A tecnologia oferecida por algumas marcas, em especial as europeias, supera a dos modelos nacionais. Nesses casos, os importadores de diferentes marcas competem entre si. A valorização do dólar não ajuda os fabricantes locais. A insegurança gerada pelas fortes oscilações da moeda, no entanto, atrapalha os transformadores. O descontrole do câmbio provoca entre os compradores de máquinas o temor de enfrentar uma dívida que pode aumentar de forma significativa de um momento para outro.

Ainda no nicho das sofisticadas, quem for até a feira terá a oportunidade de acompanhar algumas atrações. No ano passado, em busca de fortalecer suas posições internacionais, três grupos respeitados do ramo de injetoras saíram às compras. Para os brasileiros, o negócio mais comentado foi o da aquisição da italiana Sandretto pela Romi. A iniciativa teve como objetivo fazer com que a empresa brasileira fincasse o pé no mercado global. Vale lembrar que a Sandretto do Brasil não se envolveu no negócio. A marca por aqui pertence ao grupo nacional Nardini.

Plástico Moderno, Fabio Seabra, diretor de comercialização para máquinas plásticas da Romi, Injetoras - Produtores aguardam feira com esperança de melhores negócios
Seabra espera melhorar resultados dos últimos meses após a Brasilplast

Duas outras aquisições de porte anunciadas chamaram a atenção do mercado internacional em 2008. O grupo japonês fabricante de injetoras Sumitomo comprou a alemã Demag. O austríaco Wittmann, especializado em equipamentos para automação de linhas de injeção de plástico, concretizou no início de abril a compra da alemã Battenfeld. Representantes de todas as marcas envolvidas nessas negociações prometem mostrar na exposição lançamentos resultantes de suas novas fases.

Padrão europeu – “A Brasilplast vai ser bastante importante para nossos negócios”, resume Fabio Seabra, diretor de comercialização para máquinas plásticas da Romi, líder do mercado nacional de injetoras. Para o executivo, o evento deve ajudar a concretizar vendas no decorrer deste ano. O que, é lógico, será muito positivo. Ainda mais depois de resultados pouco promissores ocorridos nos últimos meses. “No ano passado nossa receita cresceu 10% em relação a 2007, mas as vendas teriam sido muito melhores se não houvesse a retração ocorrida no último trimestre”, informa.

Em 2009, a retomada das vendas da empresa está ocorrendo em ritmo mais lento do que o esperado. No início do ano a redução da demanda é normal, mas a retração tem superado as expectativas provocadas pelo efeito sazonal. “Nesse ritmo, é provável que a arrecadação da empresa com a venda de injetoras volte ao patamar de 2007”, lamenta o executivo. Apesar dos pesares, ele ainda guarda uma dose de otimismo. “Poucos negócios foram cancelados, muitos suspensos. Acho que os clientes, apesar de cautelosos, não deixaram de pensar em investimentos”, ressalta.

A aquisição da italiana Sandretto pela Romi, no ano passado, permitiu a inclusão de vários aperfeiçoamentos nas linhas de máquinas comercializadas no Brasil. Fundada em 1946, a Sandretto vendeu mais de 30 mil máquinas em todo o mundo, em sua história. Sua linha é composta por injetoras de plástico com capacidade de 75 a 5.500 toneladas de força de fechamento.

“Nossa ideia é a de produzir máquinas mundiais, as fabricadas aqui agora têm recursos similares às de muitos fabricantes na Europa”, garante o diretor. O que muda é o perfil do mercado. Por aqui, as máquinas elétricas ainda não são vendidas em quantidades animadoras. Lá, a procura por esses equipamentos é maior. “No Brasil estamos percebendo um crescente interesse pelas híbridas, que apresentam melhor desempenho e economia do que as hidráulicas”, conta.

Em tempo: a operação da Romi, na Europa, vai muito bem, garante o executivo. A marca Sandretto foi mantida para as vendas no exterior. “Ela é bastante reconhecida em muitos países”, justifica. E as vendas por lá começam a mostrar recuperação. “Na Itália e na Inglaterra elas estão em alta. Os mercados da França e Espanha são mais difíceis, mas vejo com bastante ânimo nosso desempenho”, diz.

Muitas novidades serão mostradas no estande da empresa na Brasilplast, que contará com área de 500 metros quadrados. Na feira, a Romi vai dar enfoque especial na sustentabilidade, uma das demandas atuais do mercado. “As máquinas a ser mostradas consomem menos energia do que os modelos tradicionais. No estande, fabricaremos peças com resinas biodegradáveis”, revela.

Entre os equipamentos expostos, o destaque será o modelo elétrico Eletramax 150, indicado para peças de alta precisão. A máquina conta com o novo painel de comando e-ONE com tela de 15 polegadas, lançado de forma simultânea com a Romi Itália. Com conceito de célula de produção que transforma do granulado à peça embalada, o equipamento pode economizar até 80% de energia em relação aos modelos tradicionais.

Outra atração será a máquina híbrida Primax 300H, cujo principal diferencial é a redução do tempo de ciclo de produção de até 15% em relação às máquinas com sistema de plastificação hidráulico. Também será mostrado um modelo Prática 170, que traz o novo painel de comando Controlmaster 8 Plus. O painel é colorido, oferece o recurso touch screen e pode ser monitorado de maneira remota de qualquer microcomputador.

Sob nova direção – A marca Sandretto no Brasil nada tem a ver com a Romi. Para refrescar a memória: a Sandretto iniciou suas atividades no Brasil como filial da empresa italiana em 1999, logo depois da Semeraro, fabricante de injetoras nacional com a qual mantinha parceria, sucumbir às sucessivas crises econômicas. Depois de enfrentar sérias dificuldades, a empresa italiana passou a ser gerida por aqui pelo grupo norte-americano Taylor em 1995, sendo transferida, logo depois, para o grupo HPM. Em abril de 2007, a filial brasileira foi adquirida pelo grupo Nardini, um dos principais fabricantes de tornos mecânicos da América Latina.

Na Brasilplast, a empresa quer mostrar que voltou a participar do mercado com força. Em um estande de 500 metros quadrados vai exibir cinco modelos escolhidos entre os oferecidos ao mercado. A Sandretto Brasil comercializa a linha Lógica, com modelos entre 70 toneladas e 480 toneladas de força de fechamento, e a Nove HP, com versões de 90 toneladas a 480 toneladas. “Nós estamos nos preparando para lançar injetoras de maior porte dentro de algum tempo”, revela Antonio Lopes, diretor-comercial da Sandretto Brasil.

A empresa só produz equipamentos hidráulicos. “As máquinas hidráulicas respondem por 99% do mercado”, justifica. A equipe técnica da empresa é formada, em sua maioria, pelos componentes da empresa na fase antiga. “Quando compramos a empresa, a Sandretto da Itália estava meio fechada. Quem comandava o processo tecnológico da marca eram os técnicos que trabalhavam no Brasil, que agora estão conosco”, afirma.

A planta da empresa, antes instalada no município de Arujá-SP, se transferiu para a cidade de Americana-SP. De acordo com o diretor, as instalações atuais permitem uma produção entre 300 e 400 máquinas por ano. Em 2007 foram vendidas quase 200 máquinas. No ano passado, o crescimento foi de 20%, percentual que espera ver repetido este ano. “Nós sentimos o esfriamento do mercado em novembro e dezembro, mas no início do ano houve uma retomada, temos muitos pedidos em carteira”, diz. Há um bom mercado para equipamentos de transformação de peças com paredes finas. “A procura caiu apenas entre os fabricantes de autopeças”, explica.

Para Lopes, a desvalorização do real tem ajudado os fabricantes nacionais. “As máquinas chinesas de baixo preço têm valor compatível com a tecnologia que apresentam”, dispara. As asiáticas de melhor qualidade apresentam hoje preços similares às nacionais. “Quando os preços se equivalem, os compradores preferem as nacionais, que contam com vantagens como melhor assistência técnica e financiamento pelo Finame”, avalia.

Plástico Moderno, Cleber Scherer, diretor-comercial, Injetoras - Produtores aguardam feira com esperança de melhores negócios
Scherer, da Jasot, vê cenário não tão feio

Crise amena – Mostrar os avanços realizados no campo da automação e da configuração mecânica de suas máquinas. Esse será o principal enfoque da Jasot na Brasilplast. Com fábrica em Novo Hamburgo-RS, a marca se encontra entre as mais conhecidas do país no ramo de injetoras. “Uma das novidades que mostraremos em nossas máquinas é o CLP da marca Gefran, com tela de dez polegadas e recurso touch screen”, informa Cleber Scherer, diretor-comercial. O controle permite menor consumo de energia e rigor no controle das temperaturas, fator que colabora com a obtenção de peças com dimensões idênticas. “A repetibilidade hoje é fundamental”, destaca.

Outro diferencial dos equipamentos se encontra nos vãos entre as colunas. “Hoje são os maiores do mercado, considerando-se tanto as concorrentes nacionais quanto as chinesas”, exalta o executivo. A empresa gaúcha fabrica máquinas com força de fechamento entre 85 e 450 toneladas. “Nosso forte são as máquinas intermediárias, os modelos de 160, 180, 200 e 250 toneladas”, revela.

Quando o assunto recai para o desempenho das vendas, Scherer se mostra feliz com os resultados obtidos nos últimos tempos. “O cenário não está tão feio, tenho ouvido pouquíssimas reclamações. Temos que ser frios e avaliar a realidade, fugir do efeito da mídia, das notícias negativas”, defende. Depois de um bom 2008, ele se mostra satisfeito com a demanda dos primeiros meses de 2009. “Em janeiro conseguimos efetivar alguns negócios, fevereiro teve menos dias úteis e foi mais devagar. Março foi bastante agitado, recebemos muitas consultas”, revela. A valorização do dólar tornou a indústria nacional mais competitiva perante as asiáticas e isso também ajuda.

Um dos segredos da Jasot se encontra na diversificação dos clientes. “Atendemos transformadores dos vários segmentos econômicos. Entre os setores, os de cosméticos, utilidades domésticas e de calçados, para o qual produzimos modelos especiais, são os mais ativos”, diz. Para ele, os representantes da área de autopeças diminuíram os investimentos. Mas continuam a efetuar compras, pois não podem prescindir de modernizar seus parques industriais.

Plástico Moderno, Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Battenfeld do Brasil, Injetoras - Produtores aguardam feira com esperança de melhores negócios
Cardenal: integração dos equipamentos traz vantagens

Periféricos integrados – A compra da Battenfeld pela Wittmann resultou no surgimento de equipamentos com características diferenciadas. As especialidades complementares das duas marcas ajudam o lançamento de injetoras dotadas com todos os periféricos integrados, de desumidificadores e alimentadores de matéria-prima a robôs para a retirada das peças. “A integração dos equipamentos traz algumas vantagens para os compradores”, exalta Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Battenfeld do Brasil. Para o executivo, o custo com a eletrônica é reduzido e isso é repassado no preço oferecido aos clientes.

A operação da compra é facilitada, os clientes podem fazer a cotação consultando apenas um fornecedor. “Os clientes não vão mais se preocupar em adaptar dimensões ou projetar as interfaces entre os equipamentos”, acrescenta. As condições de funcionamento também se simplificam. “O fato dos transformadores poderem ajustar as máquinas em um único comando proporciona agilidade. O operador, ao trocar de molde, pode fazer a regulagem da máquina de forma mais rápida”, exemplifica.

Uma amostra das novidades será exposta no estande da empresa: o modelo TM Express, lançado nessa nova fase.  Durante a exposição, ele vai fabricar tampas de potes de sorvete com a tecnologia in mold labeling, bastante difundida nos países avançados e que começa a ser utilizada com maior intensidade no Brasil. A injetora mostrará a agilidade com a qual realiza os ciclos de fabricação. A operação começa com a garra de um robô que pega o rótulo da embalagem com a ajuda de ventosas. Os rótulos são levados para as cavidades do molde de injeção e lá fixados por meio de descarga elétrica. A resina é injetada e incorpora o rótulo. A peça é retirada, já decorada.

O carro-chefe da empresa no Brasil é a linha HM, formada por injetoras com força de fechamento de 40 a 650 toneladas. Além da possibilidade de integração de periféricos, Cardenal garante que os equipamentos da empresa apresentam outros diferenciais. Ele destaca a sofisticação dos componentes mecânicos. “O guia prismático deslizante usado para fechar o molde proporciona maior precisão e evita o surgimento de rebarbas nas peças”, afirma.

O engenheiro defende as máquinas híbridas, com sistema de injeção feito com motor elétrico e fechamento com sistema hidráulico, como as mais recomendadas para o mercado brasileiro. Para ele, o desempenho das híbridas é competitivo o suficiente para se produzir peças com medidas muito precisas. “A hidráulica avançou e permite a obtenção de máquinas de custo e tecnologia mais acessíveis do que as características apresentadas pelas elétricas. As bombas hidráulicas de vazão variáveis economizam muita energia”, defende. Outro aspecto destacado é o da assistência técnica oferecida pela empresa. “Temos uma equipe que recebe constantes treinamentos na Europa e contamos com um completo estoque de peças no Brasil”, garante.

Em 2008, as vendas da Battenfeld foram boas. O desempenho em 2009? “Para este ano não há como fazer qualquer previsão, nem com bola de cristal”, informa Cardenal. A maior esperança de negócios reside nos segmentos de embalagens para cosméticos. A retomada dos investimentos do setor automobilístico, outro cliente importante da empresa, é vista com ceticismo.

Plástico Moderno, Christoph Rieker, gerente-geral, Injetoras - Produtores aguardam feira com esperança de melhores negócios
Rieker centra suas apostas na injeção de ciclo rápido

Ciclos rápidos – O potencial de negócios no mercado nacional, proporcionado pela procura por máquinas precisas de ciclo rápido, influenciou a estratégia de marketing adotada na Brasilplast pela Sumitomo/Demag. A empresa, que apesar da fusão manteve as duas marcas no mercado, vai aproveitar a exposição para mostrar modelos de injetoras voltadas para esse mercado, informa Christoph Rieker, gerente-geral da empresa no Brasil.

Uma das máquinas a ser exposta é a Demag EL-EX15, de 220 toneladas de força de fechamento e tecnologia híbrida. Totalmente automático, o equipamento irá injetar e montar dois baldes com suas respectivas alças com base na tecnologia in mold labeling. Os ciclos terão duração em torno de cinco segundos. Outra máquina no estande será uma Sumitomo elétrica, com força de fechamento de 180 toneladas. A máquina tem acionamento feito por servomotores de alto torque e irá injetar na feira tampas de embalagem em ciclos muito rápidos.

Os modelos expostos seguem as características das máquinas produzidas pelo grupo. Rieker lembra que a decisão de compra da empresa alemã pela japonesa foi influenciada pelo fato de as duas marcas contarem com linhas complementares. A europeia tem tecnologia de ponta, em especial nos mercados de máquinas hidráulicas e híbridas, apesar de também fabricar modelos elétricos. A asiática, por sua vez, tem produção totalmente voltada para equipamentos elétricos. “Os conceitos tecnológicos adotados na Europa e no Japão são diferentes, as linhas não competem entre si”, destaca. Na Europa, por exemplo, se costuma usar maior distância entre as colunas das máquinas. Os japoneses têm como filosofia o uso de moldes de menores dimensões.

Apesar da manutenção das diferenças de filosofia, a incorporação permitiu à Sumitomo/Demag tomar decisões no sentido de racionalizar as linhas de produção das fábricas que mantêm em vários países. O primeiro passo nesse sentido foi o de passar a fabricar todos os motores que equipam as máquinas elétricas com a marca Demag no Japão. A capacidade instalada da Sumitomo antes da aquisição era de 4,5 mil injetoras por ano. As instalações da Demag, por sua vez, estão preparadas para produzir outras três mil máquinas por ano.

As duas marcas são bastante conhecidas pelos brasileiros, participam do mercado via importações há anos. A Demag é mais procurada pelos produtores de embalagens e peças técnicas. A Sumitomo pelos fabricantes de CD’s, peças de eletroeletrônicos e de embalagens para produtos farmacêuticos.

Quando o assunto é o desempenho das vendas, a opinião de Rieker coincide com a de representantes da concorrência. “O ano de 2008 foi relativamente bom até setembro, puxado pela indústria automobilística e de embalagens.” Esse ano, mesmo tendo em vista a conjuntura desfavorável, o gerente não está de todo pessimista. “Está difícil saber como vai se comportar o mercado, mas em março alguns de nossos clientes do segmento de cosméticos têm demonstrado interesse em trocar equipamentos antigos por outros mais produtivos”, diz.

Made in China – As injetoras de “olhinhos puxados” também estarão presentes no principal evento nacional do plástico. Uma das marcas que contarão com modelo funcionando no Anhembi é a Tederic Machinery, representada no Brasil por uma empresa bastante conhecida na indústria nacional do plástico: a Pavan Zanetti, empresa com grande participação no mercado de máquinas de sopro. A empresa vai apresentar seus equipamentos da linha tradicional com alguns aperfeiçoamentos mecânicos em relação à comercializada no ano passado.

Desde 1970, a Pavan Zanetti está no mercado de injetoras. Naquele ano, lançou o modelo NFN 100 P. O nome do modelo era uma sigla bem-humorada: “não faz nada sem plástico”. Hoje, a empresa continua a oferecer dois modelos fabricados em casa, o NFN 150 P e o Unijet 250 V. Há quase quatro anos a empresa resolveu ampliar sua presença neste nicho. Como na época era muito difícil competir com o preço das importadas firmou parceria com a marca chinesa.

A iniciativa vem proporcionando bons resultados. “Estamos crescendo ano a ano de acordo com as nossas expectativas. Hoje contamos com de 5% a 7% do mercado nacional de injetoras”, diz o diretor-comercial, Newton Zanetti. As máquinas oferecidas vão de 80 toneladas a 500 toneladas de força de fechamento, faixa que significa algo em torno de 80% das máquinas vendidas no país.

“O acordo que mantemos com a Tederic faz com que as máquinas vendidas por aqui tenham padrões similares às das nacionais. Elas seguem as normas brasileiras de segurança e ganharam roupagem e detalhes técnicos das fabricadas por aqui”, garante o dirigente. Para ele, a assistência técnica é outro diferencial. “O nome da Pavan Zanetti, bastante respeitado pelos nossos clientes, serve como aval”, orgulha-se.

Os bons resultados obtidos com a parceria foram prejudicados nos últimos meses, com a chegada da crise. “Em 2008 conseguimos superar um pouco nossas metas, mesmo com a queda nas vendas que enfrentamos no último trimestre. No início de 2009 continua a fase de baixa”, informa Zanetti. A queda no volume de negócios é de 20% em relação à média do ano passado. “No primeiro trimestre é normal haver essa queda, ainda é cedo para se fazer um prognóstico para o desempenho do ano”, diz. Os estragos proporcionados pelo câmbio são minimizados pelo dirigente. “Estamos menos competitivos, mas os preços não subiram na mesma proporção da desvalorização do real”, assegura.

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