Injetoras – Moldador se queixa da assistência pós-venda

Plástico Moderno, Injetoras - Moldador se queixa da assistência pós-venda
Unipac fábrica de embalagens e peças de precisão, entre outras

Por mais simples que seja o projeto da peça a ser produzida, a compra de uma ou algumas injetoras não é tarefa das mais fáceis. A escolha passa por vários critérios até o momento do transformador bater o martelo com o fornecedor eleito. Certos projetos requerem equipamentos com alta tecnologia agregada, de alta confiabilidade, precisão de ciclo e repetibilidade, entre diversos parâmetros. Outros, menos exigentes, não necessitam de tão alto desempenho ou grandes recursos da injeção. Da produção das peças mais simples às mais complexas, algumas observações dos moldadores, porém, soam no mesmo tom, tais como considerar fundamentais às máquinas embutir dispositivos de segurança e operar com o menor consumo energético possível. Uma assistência técnica ágil e eficiente no pós-venda, profissionais bem treinados e capazes de auxiliar o usuário a tirar o máximo proveito do equipamento adquirido, e garantia de peças para reposição também somam altos pontos pró ou contra a marca disposta a entrar nas dependências dos transformadores.

Plástico Moderno, Luiz Afonso Cortez, diretor-operacional da Indeplast, Injetoras - Moldador se queixa da assistência pós-venda
Cortes: faltam técnicos com mais conhecimento sobre os processos

Para começar, o construtor brasileiro de máquinas ainda derrapa no atendimento pós-venda. “As empresas nacionais devem melhorar o nível”, pedem Marcos Antonio Ribeiro, vice-presidente, e Yujiro Kenmochi, diretor-industrial da Unipac, de Pompéia-SP, uma empresa com mais de trinta anos de atuação no setor, dona de 125 máquinas de transformação de plástico (entre injeção e outros processos), distribuídas por três unidades fabris em São Paulo (Pompéia, Regente Feijó e Santa Bárbara). Atua em diversos segmentos de mercado, entre os quais embalagens e peças de precisão. “A agilidade na assistência técnica e senso de urgência dos representantes credenciados são fatores considerados na escolha da marca”, declara Kenmochi.

Diretor-operacional da Indeplast, Luiz Afonso Cortes também aponta falhas na pós-venda brasileira. Na opinião dele, faltam aos fabricantes de máquinas nacionais dispor de profissionais especializados em processo. “Alguns fabricantes europeus oferecem linhas voltadas para o mercado de embalagens e contam com uma equipe dedicada a isso”, ressalta.

Para Cortes, a indústria brasileira ainda não desenvolveu uma tecnologia bem definida para o mercado de embalagens e não dispõe de pessoal especializado nessa área, capaz de apontar os recursos incorporados aos equipamentos e de auxiliar o cliente a explorá-los. “Não raro, os fabricantes têm muitos técnicos formadores, mas sem capacidade de regular a máquina e colocá-la em operação”, declara.

 

Plástico Moderno, Injetoras - Moldador se queixa da assistência pós-venda
Injeção de ciclo rápido em fábrica da Indeplast

A Indeplast dispõe de capacidade para transformar cerca de 600 toneladas mensais em sua divisão de injetáveis, uma empresa do grupo chamada Costaplastic, situada em Pirassununga-SP. Operam nessa unidade 40 equipamentos, com 90% da produção destinada à injeção de tampas. O restante se refere a potes. Os conta-gotas são o carro-chefe da unidade. “Planejamos trocar cerca de dez equipamentos nos próximos cinco anos, à média de dois por ano”, revela o diretor.

A intenção dele é a de optar por uma marca nacional e outra importada. “As européias, em particular, são mais confiáveis”, declara. Mas a escolha estará mais atrelada à tecnologia solicitada pelo projeto. Requisições de alto desempenho, confiabilidade, durabilidade, precisão de ciclo e repetibilidade direcionam a compra para as importadas.

A configuração da fábrica aponta para a menor diversificação possível de máquinas. A concentração em poucas marcas minimiza problemas de manutenção e de processo, visto que os projetos das injetoras são diferentes: a hidráulica, o comando e outros recursos variam de um equipamento para outro. Portanto, a exigência de conhecimento cresce na mesma proporção da variedade. Quanto mais homogênea a fábrica, mais fácil será proceder à manutenção, à troca de moldes e executar o set up dos equipamentos, entre outros benefícios.

 

Plástico Moderno, Marcos Antonio Ribeiro, Injetoras - Moldador se queixa da assistência pós-venda
Ribeiro pede melhor nível nos serviços de atendimento técnico

Hoje, informa Cortes, operam na unidade injetoras hidráulicas e híbridas. Apenas seis, no entanto, têm bandeira internacional: da suíça Netstal e da canadense Husky, dedicadas às produções de ciclo rápido, peças de parede fina e outros itens considerados críticos em precisão. O restante do parque industrial contempla injetoras da Romi e da Sandretto brasileira.

“Na injeção de parede fina usamos moldes de múltiplas cavidades, moldes com acionamentos hidráulicos auxiliares e com supervisão dos movimentos, que exigem máquinas muito precisas, com manutenção dos parâmetros do processo, caso contrário, há muita geração de refugo”, explica o gerente de produção, Glênio G. Mares Guia Jr. Essas necessidades, na opinião dele, justificam a opção pelas máquinas européias.

Reposição de peças é outro problema. “Se eu não for atrás de um terceiro, fico até 60 dias com a máquina parada”, reclama Cortes. A questão atinge principalmente peças críticas, como motor hidráulico, roscas, bombas e válvulas proporcionais. “Geralmente, não têm disponibilidade.”

Para a Unipac, a assistência técnica é essencial. Seus clientes cobram o repasse da eficiência operacional. De acordo com Kenmochi, a reativação de máquina parada ou manutenção de peças de reposição em estoque são fatores que oneram os custos operacionais da empresa quando não atendidos de pronto. “A assistência técnica torna-se estratégica quando se tem atendimento 24 horas, com pessoal qualificado e que tenha as peças de reposição necessárias”, ressalta Ribeiro. O gasto energético do equipamento também pesa muito na produção. O vice-presidente da Unipac classifica como de extrema importância o impacto da energia elétrica nos custos de fabricação. E esse é um quesito que pouco diferencia as injetoras nacionais das estrangeiras, na avaliação do diretor-industrial da Unipac.

Na divisão de injetados da Indeplast, porém, o gerente de produção observa maior consumo de eletricidade nas máquinas nacionais do que nas importadas e pede projetos que poupem energia.

 

Plástico Moderno, Glênio G. Mares Guia Jr., gerente de produção, Injetoras - Moldador se queixa da assistência pós-venda
Guia: as máquinas nacionais devem melhorar o desempenho

Robustas e velozes – Quando mencionou a falta de equipes de técnicos especializados no segmento de embalagem, Cortes, da Indeplast, referiu-se também à existência de uma lacuna tecnológica na fabricação local de projetos de injetoras, deficientes em características desenhadas em especial para essa clientela. Na opinião de Guia, a durabilidade, o desempenho e os recursos das máquinas estrangeiras superam de longe as nacionais. “É preciso ter estrutura e robustez para suportar as altas velocidades dos ciclos rápidos e moldes pesados, e manter a durabilidade”, diz Cortes. Por questões estratégicas, a Unipac não informa as particularidades e marcas dos equipamentos de seu parque industrial, mas afirma possuir tecnologias variadas, com destaque para as máquinas elétricas, que, na opinião de Kenmochi, oferecem maior precisão, menor consumo energético e operam com menos ruído, entre outras vantagens. Para o diretor-industrial, o desempenho e as especificações técnicas das máquinas em operação em seu parque industrial atendem a contento às necessidades da empresa. O principal foco de atuação da Unipac são as especialidades. A empresa produz peças injetadas de alta complexidade técnica para a área médica, odontológica e laboratorial (feitas em sala limpa, de acordo com a ISO 14644-1, Classe ISO 8), dentre as quais peças para respiradores e para aparelhos de anestesia. Também fabrica tampas para as indústrias química, fotoquímica e alimentícia; embalagens plásticas colapsíveis e paletes para o setor logístico, com destaque para as linhas Caixamóbil e Unipalete, feitas pelo processo de injeção espumada, que resulta em peças mais leves, mas mais estruturadas; além de peças técnicas para a indústria automotiva. Ribeiro informa a preferência por equipamentos que permitem flexibilidade de produtos. De acordo com Kenmochi, a empresa processa resinas que requerem temperaturas acima de 350ºC e também utiliza moldes diversificados em uma mesma máquina. “É uma característica da Unipac”, declara o diretor-industrial. Na opinião do vice-presidente da companhia, a evolução tecnológica dos equipamentos periféricos tem colaborado em diversos aspectos e também constitui importante processo de renovação do parque industrial. “O sistema de segurança é item de peso na decisão de compra”, reforça o seu diretor-industrial.

Plástico Moderno, Injetoras - Moldador se queixa da assistência pós-venda
Cobrirel injeta carcaça de farol

“As máquinas nacionais precisam melhorar a repetibilidade e precisão do ciclo”, reivindica Guia. Para ele, os aspectos positivos das injetoras brasileiras recaem no custo inferior às importadas, na facilidade de financiamento e, ainda, na estrutura local e disponibilidade de técnicos e peças de reposição. O gerente enfatiza: “Todas as etapas do ciclo, o tempo, a pressão e a velocidade devem ser precisos, é necessário haver repetibilidade, manutenção de todos os parâmetros do processo.”

Asiáticas: sim ou não? – Às vésperas de renovar o parque, o diretor da Indeplast dificilmente colocaria uma injetora chinesa em sua fábrica. Primeiro por tender à manutenção das marcas que já opera. Depois, porque ele já passou pela experiência de ter um equipamento asiático e considerou sua qualidade inferior à da máquina nacional. “São de uso mais genérico, mesmo as de boa qualidade”, opina Cortes. A injetora ficou com sua tecnologia defasada e foi substituída. Caso à parte é o da Cobrirel. Com capacidade de produção mensal da ordem de 120 toneladas mensais, a empresa opera 19 injetoras, de 60 t a 450 t de força de fechamento, cerca de metade das quais importadas da chinesa Haitian. As nacionais contemplam a Romi, a extinta Oriente e a Sandretto.

 

Plástico Moderno, Antonio Domingos Trevisan, Injetoras - Moldador se queixa da assistência pós-venda
Trevisan: injetoras asiáticas moldam peças com perfeição

O dono da empresa, Antonio Domingos Trevisan, experimentou por cerca de um ano e meio um equipamento chinês, gostou, continua apostando na marca, e elogia: “As máquinas são perfeitas: repetibilidade excelente, precisas no peso das peças, na homogeneização do material, são silenciosas, consomem pouca energia e não dão manutenção.” A memória para troca de moldes é boa, entre 30 e 45, e permitem troca rápida. Os controles de processo incorporados às injetoras de origem asiática primam pela facilidade no manuseio.

Ao todo, são 11 injetoras chinesas da Haitian, adquiridas desde 2005 – as últimas três incorporadas à indústria no início deste ano. A satisfação inclui a assistência técnica e a reposição de peças. Segundo Trevisan, o atendimento sempre foi rápido. Além de produzir linha própria de utilidades domésticas, a empresa executa serviços de injeção para terceiros e fabricação de ferramentais. Seus principais mercados são os eletroeletrônicos, os eletrodomésticos, a indústria automotiva, a de embalagens e a de telecomunicação. Os produtos próprios – caixas organizadoras dobráveis, acessórios para água, cabides, pisos, trava-portas, rodízios, utilidades em geral, entre outros – representam metade da produção, cuja capacidade atinge cerca de 120 toneladas mensais. Em fase de desenvolvimento, um novo suporte para água mineral, com características diferenciadas, deve ser lançado em breve.

Sem maiores imprevistos no panorama econômico do país, os projetos para 2009 contemplam a aquisição de máquinas de maior porte – a indústria nacional será privilegiada nesse investimento. Para Trevisan, a medida se traduz numa maneira de manter a fábrica diversificada entre duas ou três marcas, com preferência pela Romi entre as locais.

 

Leia a reportagem principal:[box_light]Injetoras – Mesmo afetado pela desordem financeira, o setor comemora uma forte expansão[/box_light]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios