Injetoras – Mesmo afetado pela desordem financeira, o setor comemora uma forte expansão

A situação econômica adversa provocada pela contração no crédito desencadeou um clima de apreensão entre os fornecedores de injetoras, que agora revêem as taxas de crescimento. Com as vendas em alta até a eclosão da turbulência financeira, a grande maioria evita palpites para o desempenho nos próximos meses. A única certeza no momento é de que os transformadores, antes dispostos a substituir equipamentos obsoletos, modernizar ou ainda expandir o seu parque fabril, puxaram o freio de mão.

De janeiro a setembro, os negócios corriam solto para brasileiros e estrangeiros, com índices de expansão na casa dos dois dígitos sobre idêntico período do ano passado. A Battenfeld registrou alta de 15%. A Engel comercializou em torno de 60 máquinas e o crescimento bateu na casa dos 20%.

A Arburg comemora o melhor ano de sua história de oito de operação como filial brasileira, com estimativa de um aumento de 60% em volume de vendas contra os anos 2007 e 2006. “O mercado interno forte no Brasil e a indústria automotiva produzindo no limite geraram uma grande procura por equipamentos. Também a questão cambial facilitou para os transformadores a aquisição de equipamentos de alta tecnologia”, avalia o diretor Kai Wender. Mas as vendas devem encolher nos últimos meses do ano. De qualquer modo, na opinião dele, o mercado brasileiro não é tão dependente do exterior.

Otimista, Wender consegue até enxergar reflexos positivos no olho do furacão econômico, como a tendência de algumas empresas que importam, principalmente do mercado asiático, optarem por nacionalizar os equipamentos a fim de obter melhor competitividade com o dólar alto. “Em alguns setores podemos ver vantagens nesta situação.”

Maior fabricante latino-americana de injetoras, detentora de cerca de 35% do mercado brasileiro, a Romi informa ter elevado em 9,8% as vendas de máquinas para plástico no acumulado do ano e depressão de 5,3% neste último trimestre, índices comparados com iguais meses do ano passado. Instalou 240 equipamentos desde janeiro, volume muito próximo ao do contabilizado em 2007, considerado um ano excepcional.

A julgar pelos números declarados, a chinesa Haitian comanda as vendas no país neste ano, com 390 injetoras. Além dessas, ainda instalou outras cem, fruto dos negócios fechados em 2007, que chegaram a 670 injetoras, nas contas do gerente de vendas da Haitian América do Sul, Clécio R. Azevedo. “Lideramos o mercado brasileiro há quatro anos”, diz ele, certo de deter entre 36% e 38% do setor e disposto a conquistar 45%.

Outra concorrente asiática do mercado, a Deb’Maq traz com exclusividade para o país as injetoras fabricadas pelo grupo Cosmos CML, considerado pelo importador um dos mais antigos e tradicionais da China. O gerente-comercial da representante brasileira, Venceslau Salmeron, estima que o crescimento nas vendas atingiu 50%, em volume de máquinas e em valor. Mas teme os reflexos da recessão mundial que já se avizinha: “Nosso mercado de bens de capital é sempre o primeiro a sentir o início de qualquer turbulência.”

Contra as garras dos tigres – A forte concorrência em âmbito global, pressionada em particular pelos fabricantes asiáticos, impôs um redesenho drástico à indústria de injetoras para plástico, que buscou nas aquisições, fusões e parcerias o caminho para fortalecer posições, ganhar músculo competitivo e expandir mercados. No primeiro semestre do ano, esse enfoque conduziu empresas vetustas e pesos pesados do setor a trilhar novos caminhos: a alemã Krauss Maffei e a japonesa Toshiba firmaram um acordo de cooperação; também alemã, a Demag passou para as mãos da Sumitomo, outra companhia japonesa; e o grupo Wittmann incorporou a tradicional Battenfeld, ambos sediados na Áustria. Antes mesmo de virar o semestre, a brasileira Romi surpreendeu o mercado com o anúncio da aquisição dos ativos da Sandretto italiana (ver as edições de PM nº 402, de abril, pág. 84, e nº 404, de junho, pág. 56)

Plástico Moderno, Marcos Cardenal, Engenheiro de vendas da Battenfeld do Brasil, Injetoras - Mesmo afetado pela desordem financeira, o setor comemora uma forte expansão
Cardenal: periférico integrado à injetora reduz os custos

A Krauss Maffei e a Toshiba apostam na cooperação estreita e integração entre o que de melhor cada uma oferece nos vários campos de atuação para desenvolver projetos conjuntos. A idéia é criar equipamentos com inovações que atendam às expectativas da transformação perante as atuais exigências do mercado globalizado.

A disposição de avançar no mercado europeu pautou a decisão da Sumitomo, que manteve no mercado a marca Demag. O empreendimento complementou e ampliou as opções da japonesa, que só tinha em seu portfólio máquinas totalmente elétricas, acrescendo à sua produção anual 3 mil máquinas. Assim, sua capacidade subiu para 7,5 mil injetoras por ano, composta por modelos hidráulicos, híbridos e elétricos.

Plástico Moderno, Injetoras - Mesmo afetado pela desordem financeira, o setor comemora uma forte expansão
A TM Xpress beneficia o setor de embalagens

A incorporação de periféricos às injetoras e a oferta de soluções completas compõem os benefícios da mudança de mãos da Battenfeld. Além de facilitar a operação, a integração também resulta em menores dispêndios para o transformador, na avaliação do engenheiro de vendas da Battenfeld do Brasil, Marcos Cardenal. Ao comprar uma injetora equipada com manipulador, o comando deste já vem embutido no da máquina. O mesmo será feito com outros periféricos. “O fato de ter uma única eletrônica agregando a injetora a todos os periféricos permite diminuir o custo”, comemora Cardenal.

O mercado já pode apreciar novidades advindas da união da Wittmann com a Battenfeld. Em outubro, a Fakuma, feira técnica alemã voltada à divulgação dos processos para plástico, foi palco para a apresentação da nova linha de injetoras de ciclos rápidos TM Xpress. A família abrange máquinas de 160 t até 450 t de força de fechamento. Cardenal assegura que o novo modelo, destinado em especial ao segmento de embalagens, oferece aos transformadores os menores custos de produção, em relação à concorrência tradicional.

A novidade alia a experiência da Wittmann em periféricos desenhados para a tecnologia de ciclo rápido à perícia da Battenfeld em projetar injetoras para esse fim, capacitadas a suportar moldes mais resistentes e velocidades maiores. Além de sua estrutura robusta, o modelo traz nova geometria no sistema de fechamento de joelhos: é provido de placas apoiadas sobre guias prismáticas deslizantes, sem contato com as colunas. Enquanto a TM Xpress promete ser o carro-chefe para o segmento de embalagens, a linha HM, de fechamento hidráulico, deve seguir à frente no mercado de peças técnicas, o automotivo principalmente.

Plástico Moderno, Udo Löken, Injetoras - Mesmo afetado pela desordem financeira, o setor comemora uma forte expansão
Löken: não há preocução em competir com os asiáticos

Em parceria com o construtor de moldes Stemke, a Wittmann também apresentou na Fakuma uma injetora HM equipada com um molde que dispensa água na refrigeração. A intenção é atender à produção de peças de geometrias complexas e de diâmetros minúsculos (inferiores a 2 mm), impossíveis de serem refrigerados pelo sistema convencional. O princípio de refrigeração se assemelha ao das geladeiras tradicionais (residenciais e industriais).

Empresa familiar – Desfeita a união de anos a fio com sua representante HDB, a austríaca Engel decolou para um vôo solo no país desde o início deste ano, em subsidiária sediada em Cotia-SP, capitaneada por Udo Löken (ex-Demag). Em meio aos anúncios de fusões e parcerias, ele faz questão de ressaltar a posição da fabricante em manter-se distante dessa onda. “Familiar e tradicional, a empresa tem o foco na continuidade, em manter alto o padrão de acabamento, sem se preocupar em competir por custos com as máquinas asiáticas”, alfineta.

O diretor destaca a oferta de equipamentos para pronta entrega e a possibilidade de trazer para o mercado brasileiro injetoras fabricadas em qualquer uma das unidades da empresa: Europa, Ásia ou Estados Unidos. Uma das razões pelas quais ele considera a Engel a fabricante de injetoras mais globalizada. Mas a principal vantagem, para ele, está no pós-venda e atendimento eficiente ao cliente, tanto em serviços como em peças de reposição.

Reconhecida mundialmente por sua tecnologia de máquinas sem colunas, a linha Victory é o carro-chefe, projetada para atender aos segmentos de mercado desde 28 t até 600 t de força de fechamento. A série Duo, desenhada com duas placas, completa o portfólio, desde 450 t até 5.500 t de força de fechamento. As versões de 450 t e de 500 t foram lançadas recentemente, como complemento dessa linha.

O diferencial da ausência de colunas das injetoras Victory insere benefícios como operações com máquinas menores, facilidade e rapidez na troca de moldes e agilidade na retirada de peças com sistemas de automação, entre outros. Uma das últimas novidades dessa série foi o lançamento dos modelos híbridos E-Victory, de 28 t a 220 t de força de fechamento, providos de uma servo-hidráulica. O recurso permite atingir consumo de energia semelhante aos totalmente elétricos, na avaliação do diretor.

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Duo de 500 t completa linha de duas placas

Sinônimo de economia de espaço, a forma compacta constitui grande vantagem nas injetoras da linha Duo, na opinião de Löken. “Dispõem das menores dimensões externas do mercado”, garante. Informa que oferecem também os ciclos em vazio mais rápidos e são as mais econômicas em consumo energético entre as máquinas de duas placas disponíveis.

Diante do avanço das injetoras elétricas, que caíram no gosto da transformação em âmbito mundial, a Engel decidiu engrossar a concorrência nesse segmento e lançou equipamentos do gênero na última feira K, na Alemanha, no final do ano passado. Trata-se da série E-Max, com leque de máquinas totalmente elétricas, de 50 t até 180 t, endereçadas à produção de peças técnicas.

A tecnologia da Engel ainda contempla a produção de peças de ciclo rápido e parede fina, disponível nas linhas Speed, de projeto hidráulico, e E-Motion, elétrica de ciclo rápido. Ambas englobam injetoras desde 180 t até 500 t de força de fechamento. Os modelos acima de 380 t entraram para a linha recentemente. Também fabricante de robôs, a empresa austríaca ainda oferece a opção de construir células produtivas complexas.

Plástico Moderno, Kai Wender, diretor da Arburg, Injetoras - Mesmo afetado pela desordem financeira, o setor comemora uma forte expansão
Wender: produção concentrada em fábrica única é estratégia

Outra renomada fabricante européia, a Arburg tem por principal estratégia concentrar a produção de todos os equipamentos em sua única fábrica, situada em Lossburg, na Alemanha. De acordo com o diretor da filial brasileira, a empresa investe em automação e integração de operações, para melhorar a qualidade dos produtos e reduzir os custos produtivos. Uma das medidas consistiu em promover maior verticalização. “Está sendo aumentada para dominar as tecnologias-chave internamente e também como redução de custos”, relata Kai Wender, diretor da empresa.

Os últimos lançamentos da empresa contemplaram a introdução de máquinas de maiores portes. Agora a oferta alcança desde 12,5 toneladas até 550 toneladas de força de fechamento e capacidade de injeção até 2.500 g/PS. “Assim, a Arburg atende hoje mercados exigentes como os de embalagem e peças de parede fina com alta produtividade”, pondera o diretor. Para este segmento, destacam-se as máquinas com acionamento elétrico, as híbridas e as do tipo full acumulator (todos os movimentos são acionados via acumulador hidráulico).

A fabricante alemã acalenta planos de se estabelecer no mercado brasileiro como a principal fornecedora de injetoras de alta tecnologia. De acordo com o diretor, a proposta é de firmar uma forte parceria com os clientes e assegurar um excelente suporte no pós-venda.

Lançadas há dois anos e meio para comemorar o jubileu de ouro da empresa, as injetoras da série Golden Edition nasceram como uma edição limitada, mas conquistaram o mercado mundial e acabaram entrando em linha. Direcionadas às indústrias de médio e pequeno porte com atuação em segmentos de altas exigências técnicas, essas injetoras caíram nas graças dos transformadores e hoje predominam nos negócios brasileiros da Arburg.

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Novo modelo Golden Edition de 460 t

O segredo de tanto sucesso é a associação do binômio custo atraente e alta tecnologia agregada. São injetoras compactas e padronizadas, com diversos recursos embutidos, como acionamento hidráulico com duas bombas servo-reguladas para movimentos simultâneos e acionamento com tecnologia para otimização de energia, entre outros, que resultam para o transformador em excelente repetibilidade, rapidez e qualidade. A linha foi ampliada com máquinas até 460 t de força de fechamento e modelos verticais com mesa rotativa para produção de peças sobreinjetadas.

Reestrutura na Romi – Concluída a aquisição dos ativos do grupo italiano Sandretto, em julho último, começa a remodelagem dos negócios e algumas definições ganham corpo. As quatro filiais incorporadas – Inglaterra, França, Espanha e Holanda – agora pertencem à Romi Itália, sediada em Turim. Nome tradicional, a marca Sandretto permanece e constitui estratégia para a brasileira penetrar com mais força no mercado europeu.

Além do reconhecimento da marca italiana, a Romi aproveita ainda a grande capilaridade construída pela Sandretto ao longo de sua existência: agentes, filiais próprias e parque instalado, com capacidade produtiva da ordem de 500 máquinas anuais, em duas unidades fabris na região de Torino. “Compramos engenharia, desenhos, filiais e pequenos centros tecnológicos”, informa o recém-contratado diretor de comercialização de máquinas para plástico, Fábio Seabra (ex-Husky). Na opinião dele, a absorção será fácil, em razão de a Romi constituir um grupo industrial.

A reestruturação abre caminhos ao fabricante brasileiro em diversas direções: ganho de escala produtiva, redução de custos e conquista de novos mercados. Também faz parte da estratégia da empresa desenvolver um centro tecnológico que terá por base a associação das tecnologias da Romi e da Sandretto. “Ambas investiram muito nesse mercado e os planos são de fundir os dois projetos, unindo o melhor das duas”, revela Seabra. Na avaliação dele, tanto uma como a outra dispõem de máquinas robustas, confiáveis e para aplicações semelhantes.

A intenção, explica, é aproveitar a sinergia de ambas e criar uma injetora global, mais adequada à aplicação e ao mercado e com melhor custo/benefício, associado ao suporte global com as filiais. “A idéia é ter uma linha só e com um mesmo controle de processo.” Feito isso, a Romi planeja crescer por meio dos canais herdados da Sandretto, oferecendo essas máquinas globais.

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Seabra: aberto a sugestões e disposto a parcerias

Recado à transformação – Entre os moldadores questionados sobre os pontos fortes e falhos das máquinas de suas unidades fabris houve quem levantasse alguns problemas (ver matéria seguinte com os usuários de injetoras), como a falta de uma tecnologia nacional projetada para atender às necessidades específicas do mercado de embalagens de parede fina, de ciclos rápidos, e a deficiência de suporte técnico, com pessoal especializado nessa área e apto a ajudar o cliente a extrair o máximo dos recursos dos equipamentos. Às indústrias ressentidas, Seabra revela que a engenharia de aplicação da Romi está sendo revista e integrada com a da Sandretto.

Para o fato de não ter um corpo técnico especializado, justifica ser uma questão de nicho: as aplicações são mais genéricas e amplas. O diretor faz questão de ressaltar que a Romi é uma grande formadora de técnicos. “Mas, assim como nos equipamentos, também é possível uma reavaliação nesse sentido. Gostaria que me ligassem para dar sugestões, quero desenvolver parcerias”, convida.

A linha Primax continua à frente como carro-chefe da empresa, seguida de perto pela Pratica. Embora disponha de máquinas elétricas – série Eletramax –, a procura é pequena. “No Brasil, a demanda ainda é fraca; na Europa, porém, é bem grande”, compara. De acordo com Seabra, a Sandretto tinha apenas projetos envolvendo essa tecnologia. A Romi pretende explorar esse nicho pelos novos canais abertos via Sandretto.

Em termos de lançamento, a empresa encorpou a série Prática, que continha máquinas de 40 t até 380 t de força de fechamento, inserindo um novo modelo de 450 t de força de fechamento, destinado a aplicações gerais. O equipamento dispõe de 800 mm de curso de abertura e 800 mm entre colunas, se posicionando como uma das maiores máquinas da categoria. Possui velocidade de injeção programável em cinco fases e de plastificação em três fases, comandadas por válvula proporcional de vazão. Outros destaques são as placas porta-moldes reforçadas, a grande distância entre colunas, além de furos roscados para a fixação dos moldes. Essa família de injetoras também ganhou novo painel de comando, o Controlmaster 8 plus, com programação direta na tela e acesso remoto – pode ser visualizado de qualquer microcomputador para acompanhamento da produção.

As injetoras Primax e Velox agora saem da fábrica com o novo painel de comando Controlmaster 10. Totalmente remodelado, colorido e com display touch screen, proporciona acesso remoto. “Permite intervenções via internet e acesso on-line à máquina”, destaca Seabra. O painel dispõe de uma área para visualização do estado do motor, aquecimento, modos de operação e outras facilidades. O conceito do novo comando embute recursos que resultam em melhora substancial da precisão e da velocidade da máquina. Resultado: peças de melhor qualidade e em menor tempo.

Produção gigantesca – Uma das marcas asiáticas mais mencionadas pelos transformadores brasileiros, a Haitian se destaca pela tradição – 42 anos de existência – e pela escala monstruosa de construção de máquinas: da ordem de 18 mil injetoras anuais, desde 60 t até 6.000 t de força de fechamento. Tal dimensão elevou a empresa ao posto de maior fabricante mundial dessas máquinas, de acordo com informações do gerente de vendas Clécio Azevedo. Suas fábricas na China (19 unidades) ocupam quase 2 milhões de m² de área construída.

Na opinião de Azevedo, a Haitian consegue ser competitiva mesmo tendo o preço mais alto do mercado asiático. Das injetoras fabricadas pela Haitian para as européias de primeira linha, tais como Krauss Maffei, Demag e Netstal (na classificação dele), a defasagem tecnológica gira em torno de dez anos, contra períodos maiores de outras competidoras asiáticas. A Haitian, porém, planeja mudar esse perfil nos próximos dois anos, com projetos de lançar máquinas de nível europeu em 2010.

Plástico Moderno, Clécio Azevedo, gerente de vendas, Injetoras - Mesmo afetado pela desordem financeira, o setor comemora uma forte expansão
Azevedo: máquinas são simples de operar e têm bons recursos

Em setembro último, entrou em operação a nova sede, com 330 mil m². A empresa ainda opera unidades fabris na Itália, Turquia e Alemanha. No Brasil, dispõe de uma área de 15 mil m², em São Roque-SP, dos quais 6,8 mil m² construídos. A intenção era a de fabricar injetoras no local – as instalações atuais permitem produzir até 50 equipamentos por mês, de até 300 toneladas de força de fechamento. Diferenças culturais e dificuldades econômicas, porém, mudaram o rumo dos planos. “A nacionalização elevaria o custo da máquina em 35%”, estima Azevedo. Hoje a unidade funciona como armazém, fabrica peças de reposição em geral e promove a instalação de opcionais nos equipamentos comercializados.

Na avaliação do gerente de vendas, a construção robusta, a confiabilidade, o baixo índice de quebra e de manutenção preventiva contam muitos pontos a favor das injetoras da Haitian. “O índice de manutenção preventiva e corretiva é de 16 horas, em média, enquanto o da concorrência gira em torno de 80 horas, com casos de até 110 horas”, compara.

Além disso, ressalta a simplicidade de operação e recursos atrativos, que suprem, na opinião dele, 80% das necessidades do mercado global. A linha Saturno é o carro-chefe no país, constituída por máquinas básicas, de 60 t a 4.000 t de força de fechamento. Mas a subsidiária brasileira traça novos planos para os próximos dois anos, seguindo a proposta da matriz de competir em nichos de mercado mais exigentes em quesitos tecnológicos, onde hoje apenas as injetoras européias penetram. “A idéia é deixar de trabalhar com máquinas convencionais e substituí-las por outras com mais recursos técnicos, maior eficiência, respostas mais rápidas e menor consumo energético”, explica Azevedo.

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Linha Marte oferece mais recursos

Nesse perfil se enquadram as linhas Marte, Zhafir e Jupiter. Último lançamento da Haitian, o modelo Venus, da família Zhafir, composta por equipamentos elétricos, é fabricado na Alemanha. Ressalta o gerente: “Tem conceitos tecnológicos bem avançados, para atender o mercado europeu.” A série dispõe de forças de fechamento de 40 t até 410 t.

A linha Marte compreende máquinas híbridas, de 60 t até 6.000 t de força de fechamento, de operação hidráulica e controle de servomotor. A família Jupiter engloba equipamentos de 1.200 t a6.000 t de força de fechamento, com tecnologia de duas placas, diferencial que possibilita o uso de moldes de dimensões maiores.

Moldadora com capacidade para processar 25 toneladas mensais, a J. Kovacks, de Taboão da Serra-SP, cresceu com máquinas da Haitian. A primeira foi comprada há cinco anos, a título de experiência. O sócio-proprietário José Kovacks aprovou o equipamento e, hoje, dos dez que operam na fábrica, oito têm origem asiática. Na opinião dele, as injetoras são muito produtivas, silenciosas, dão rara manutenção e têm preços atraentes. Elogia também o serviço de assistência técnica, pelo atendimento rápido. A última aquisição privilegiou o modelo Marte. “Economiza até 80% de energia. Dependendo do ciclo, o mínimo de redução é de 20%. Além disso, é muito silenciosa”, atesta Kovacks. A empresa fabrica escovas dentais, carretéis para bobinar fios e autopeças, além de prestar serviços de injeção para terceiros.

Novo centro de distribuição – Um empreendimento de R$ 40 milhões, o espaço de 23 mil m² inaugurado em outubro último, em Camanducaia-MG, pela Deb’Maq abriga áreas para armazenar máquinas, acessórios e peças para reposição, e para montagem e testes dos equipamentos importados. Dispõe também de local para assistência técnica; sala de treinamento para clientes, com orientação teórica e prática sobre o manuseio das máquinas; e lugar para eventos e workshops.

A empresa, criada há onze anos com foco no setor metal mecânico, entrou para o ramo de plásticos há cinco anos e desde 2006 comercializa as máquinas asiáticas. Modelos incorporados à linha Diplomat Spazio Platinum Plus, com força de fechamento acima de 900 toneladas, dotados de duas placas porta-moldes com fechamento hidráulico individual nas quatro colunas constituem uma das últimas novidades da empresa (ver PM 407, de setembro, pág. 56), além de complementos da série com máquinas especiais para peças técnicas, PET, PVC e também para ciclos rápidos.

De acordo com Salmeron, as injetoras comercializadas pela Deb’Maq agradam os clientes a ponto de eles repetirem compras após experimentar o primeiro modelo. “Mesmo quando são comparadas a injetoras européias e americanas”, ressalta. Esse fato basta, na opinião dele, para contrapor a idéia de que as máquinas asiáticas têm preços baixos e qualidade ruim. O gerente acentua, ainda, o fato de dispor de assistência local com técnicos brasileiros, de processo e mecânicos hidráulicos, com atendimento rápido para solução de qualquer problema.

“Nós fizemos questão de importar máquinas com todos os pré-requisitos estabelecidos pelo mercado nacional”, pondera Salmeron. Toda a configuração dos equipamentos é considerada um diferencial: a hidráulica é da Bosch/Rexroth, o motor hidráulico é italiano, a bomba de vazão variável é da Vickers, entre outros recursos. As injetoras até 600 toneladas incorporam comando Techmation (de Taiwan) e, acima desse porte, B&R (da Áustria), acompanhadas de alguns opcionais e acessórios. O carro-chefe é a linha DW Platinum Plus, com maior incidência pelos modelos de 90 a 450 toneladas de força de fechamento.

 

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