Injetoras – Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer

Plástico Moderno, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Heinen: Himaco deixa de lado as elétricas, por enquanto

Valeu. Essa foi a sensação dos fornecedores de injetoras que participaram da Brasilplast 2009, unânimes em confirmar o bom clima para negócios e novos projetos detectado na feira, apesar da cautela em decorrência dos efeitos da crise mundial no Brasil. Depois do impacto mais profundo nas vendas, sentido entre outubro do ano passado e março desse, o ensaio de uma pequena recuperação no mercado brasileiro de injetoras foi suficiente para atrair clientes interessados em

Plástico Moderno, Cristian Heinen, gerente-comercial da Himaco, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Heinen: Himaco deixa de lado as elétricas, por enquanto

novas máquinas, e ainda, dispostos a retomar planos congelados pelo medo do furacão financeiro e a discutir novas ideias.

Até as tradicionais vendas realizadas durante a feira, mais intensas quando a economia vai bem, foram anunciadas – apesar de uma certa desconfiança que esse tipo de informação costuma gerar. Mais uma vez, os visitantes conferiram ao vivo diversas máquinas para a produção de embalagens, utilidades domésticas e peças técnicas, com a predominância de modelos hidráulicos, mas com a presença de diversas injetoras totalmente elétricas e algumas híbridas. O IML (in mold labeling), assim como na última edição da feira, foi uma aplicação escolhida por vários expositores para demonstrações no pavilhão do Anhembi. A tecnologia, embora ainda engatinhe no país, parece estar se disseminando mais rapidamente, na avaliação de alguns produtores de injetoras. A injeção em máquinas acionadas por servomotores é outra das famosas tendências que foi martelada na Brasilplast, mas fica evidente que o escopo da sua utilização não é consenso nem entre os fabricantes. Há quem ache que elas virão para ficar; alguns dizem que já vieram, enquanto outros não vêem grande futuro para esse tipo de injetora no Brasil.

A Himaco, pioneira brasileira nesse equipamento, engavetou seus planos para máquinas elétricas. Cristian Heinen, gerente-comercial da Himaco, afirma que, no universo da empresa, a máquina 100% elétrica ainda é 40% a 50% mais cara que o modelo hidráulico de mesmo porte, uma diferença que, aliada à questão da resistência cultural à mudança, contribuiu para que a injetora elétrica da Himaco não decolasse. Os mercados potenciais para essa máquina, na visão de Heinen, seriam aplicações farmacêuticas e hospitalares, mas a empresa de Novo Hamburgo-RS não deve pensar no assunto nos próximos dois anos.

Desperta mais esperança de sucesso o rebento introduzido na feira: uma injetora vertical com o conjunto de injeção

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Injetora vertical foi criada para automobilística

posicionado por cima da máquina e que leva a um processamento muito preciso, desenvolvido para atender aos requerimentos de um cliente do setor automobilístico. O sucesso inicial do produto no cliente que o requisitou provocou as consultas de outros clientes do segmento de automóveis, que se configura como o primeiro potencial consumidor da novidade. A injetora não possui, diz Heinen, similar nacional, apenas importado, e também não é muito comum no mercado mundial. O gerente-comercial crê que há até um certo déficit por equipamentos do tipo, que pode favorecer as vendas da empresa.

O grande sucesso de vendas da Himaco, no entanto, é a família Atis de máquinas hidráulicas, representada na feira por dois modelos, de 160 t e 200 t, lançados durante o evento. A linha conta com máquinas dotadas de bombas com maior galonagem, para conseguir maior velocidade no ciclo de produção sem o emprego de acumuladores, combinando preço e condição de venda que têm se mostrado muito atraentes para fabricantes de utilidades domésticas, principalmente, e brinquedos.

O estande da empresa gaúcha também abrigou um modelo Dinamic 2200, com 220 t de fechamento, e que se soma às outras máquinas com acumulação da família, com 170 t e 180 t. Trata-se de outro modelo com vocação para as utilidades domésticas, em virtude da necessidade desse segmento por moldes maiores e com mais cavidades e da decorrente demanda por mais pressão na injeção. O gerente-comercial da Himaco informa, no entanto, que a clientela ainda resiste a esse tipo de injetora, porque “quer comprar com um preço mais barato, sem levar em conta a redução no consumo de energia que movimentos simultâneos, bombas de vazão variável e ciclos menores proporcionam”, afirmou.

Por conta dos clientes atrás de preços sempre menores e da oferta de máquinas asiáticas compatíveis com esse anseio, a

Plástico Moderno, J. Ricardo Caon da Luz, coordenador técnico da Jasot, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Jasot opta por se diferenciar, explicou Luz.

Himaco está oferecendo uma injetora denominada “globalizada”, cujos componentes são importados da China para a montagem no Brasil. Um exemplar de 360 t foi levado à exposição, e a linha ajuda a empresa a competir no segmento de máquinas maiores, acima de 200 t, em que a falta de escala do mercado local inviabiliza a concorrência com o sucedâneo asiático. A Himaco até possui modelos próprios com maior força de fechamento (350 t e 450 t), mas a briga nessa faixa de tonelagem é ingrata para a máquina produzida no país.

A Jasot, outra fabricante do sul do Brasil, expôs seus mais recentes modelos dotados de um novo mecanismo de fechamento do molde, com cinco pontos, mais compatível com o padrão internacionalmente praticado. Nas palavras do engenheiro J. Ricardo Caon da Luz, coordenador técnico da Jasot, essas injetoras oferecem maior espaço interno para a colocação do molde, uma característica em sintonia com a demanda por ferramentas com maior quantidade de cavidades. No estande, os visitantes conheceram um modelo de 200 t, próprio para peças de paredes finas, como potes e baldes, além de outras duas máquinas com 130 t e 160 t de fechamento.

Os equipamentos nessa faixa de tamanho representam a maior parte do mercado da Jasot, embora a concorrência acirrada no Brasil tenha levado a empresa a buscar segmentos do mercado com maior necessidade por injetoras dotadas de configurações particulares, em que o preço não tem papel tão preponderante na venda. É esse o motivo da opção por máquinas com acumuladores, movimentos simultâneos e maiores volumes de injeção – é a luta para fugir da injetora “arroz com feijão”, simples e que atende à maior parte das aplicações do mercado, pois, nessas, não é recomendável insistir no enfrentamento com os chineses.

Outra representante da indústria brasileira com presença na Brasilplast foi a Romi, que, no rastro da boa repercussão

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Sucesso em Milão, elétrica da Romi foi ao Anhembi

causada na última Plast, de Milão, expôs uma injetora elétrica da série Eletramax. A injetora, explicou Fábio Seabra, diretor da área de comercialização de máquinas para plásticos da Romi, causou boa impressão na feira italiana, e foi a primeira injetora elétrica criada após a compra da Sandretto, na Itália, pela empresa brasileira. Seabra afirmou que a série Eletramax foi renovada, com a atualização dos servomotores e dos comandos – agora, a família conta com o painel de comando e-ONE.

Os visitantes também foram apresentados à injetora híbrida Primax 300H, com plastificação elétrica e uma promessa de ciclos menores, e à Pratica 170, também equipada com um novo painel de comando, o Controlmaster 8 Plus.

A aquisição da competidora italiana se deu em um contexto de internacionalização da Romi, pois o mercado brasileiro já não oferecia espaço para ampliação das vendas locais. Em lugar de investir uma fortuna para desenvolver sua marca no exterior, a produtora paulista preferiu adquirir uma marca consagrada. Na verdade, a compra foi um pouco além: a Romi adquiriu os ativos da Sandretto, os conhecimentos de engenharia, a marca, duas fábricas na Itália e quatro filiais européias.

A marca Sandretto, no Brasil, porém, não está nas mãos da empresa do interior paulista. Ela ficou com a Sandretto do Brasil, uma vez que já havia sido comprada quando a filial da empresa italiana no país se desmembrou de sua matriz europeia. A Sandretto do Brasil é agora uma empresa nacional. Ela também esteve no Anhembi, com uma exposição refletindo suas áreas de atuação, desde peças técnicas a utilidades domésticas, passando por máquinas automatizadas com robôs e modelos próprios para ciclo rápido. Foram cinco injetoras em exposição, todas hidráulicas, com dois modelos da série Lógica, uma máquina de 220 t com velocidade majorada para peças de paredes finas, um exemplar da série Nove HP e uma HP Fast, também para paredes finas, equipada com acumulador.

Plástico Moderno, Antonio Lopes, diretor-comercial da Sandretto do Brasil, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Remodelação da série HP Fast agradou, disse Lopes

A grande novidade da empresa, porém, foi o anúncio da retomada da fabricação e comercialização das injetoras da série Mega, com fechamentos de 600 t, 800 t e 1.000 t, que havia sido interrompida na fase de reestruturação interna da expositora. Essa reformulação se deu em etapas, começando por revisões técnicas das máquinas da série Lógica, seguidas pelas injetoras HP e HP fast (para ciclo rápido), e culminando com o reexame da série Mega, que ganhou novo projeto hidráulico, mais moderno e avançado, segundo o diretor-comercial da Sandretto do Brasil, Antonio Lopes, permitindo maior precisão e repetibilidade. Essas reestruturações das linhas de produtos, adicionou Lopes, foram bem aceitas no mercado, gerando boas vendas das máquinas das séries Nove HP e HP Fast.

Hidráulica versus elétrica – Enquanto os expositores nacionais se concentraram nas máquinas hidráulicas de pequeno porte, que correspondem à maior parte da demanda do mercado brasileiro de injetoras, muitas das expositoras internacionais trouxeram a companhia de máquinas elétricas para as competidoras convencionais.

É certo que a injetora acionada por servomotores possui suas vantagens, mais que alardeadas por seus fabricantes, como menor nível de ruído, maior precisão e economia de energia. O que não parece ainda bem sedimentado, porém, é em que situação essas características pagam o preço mais alto que as máquinas totalmente elétricas ainda ostentam. Talvez, esse tipo de injetora nunca venha a predominar no mercado.

Na visão de Kai Wender, diretor-geral da Arburg no Brasil, o grande futuro dos acionamentos elétricos está na combinação inteligente com a hidráulica, pois ambas as tecnologias apresentam vantagens, e elas estão intimamente relacionadas às peças em questão. “A máquina 100% elétrica tem limitações, como a dificuldade de implementação de eixos secundários; e, em alguns movimentos, o acionamento elétrico não traz nenhum benefício”, afirmou, na posição confortável de quem também pode fornecer máquinas totalmente elétricas. Wender ainda relatou que a ideia de que a injetora elétrica é a mais adequada para salas limpas não é correta, pois “uma boa máquina hidráulica é mais limpa que uma elétrica”.

A Arburg expôs uma injetora elétrica Allrounder 420 A, rodando uma aplicação de paredes finas em ciclo de 3,7 s. As máquinas elétricas representam 15% das vendas da Arburg no mercado mundial. No Brasil, a fatia se mantém a mesma, um indicativo, no universo da empresa, de que o ritmo de utilização por aqui não difere em muito do mundial, como afirmam outros fornecedores.

 

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Golden Edition: 50% das vendas da Arburg no Brasil

A empresa de Lossburg também expôs um modelo da série Golden Edition (Allrounder 570C, com 200 t de força de fechamento), inicialmente pensada para vendas por tempo determinado, mas que continuou no portfólio da Arburg graças ao sucesso alcançado no mercado – 50% das vendas da fabricante alemã no Brasil vêm dos modelos da “edição de ouro”.

Essa penetração advém de uma boa relação entre tecnologia agregada e preço atrativo. Além disso, a série Golden Edition atende a uma grande parte das aplicações do mercado brasileiro, sem a necessidade de adição de muitos opcionais. Ela tem sido muito utilizada em aplicações-padrão em injeção plástica, bem como em peças da indústria automotiva.

Wender ainda adiantou informações sobre uma nova série de equipamentos da Arburg que será introduzida na NPE, de Chicago, ainda este ano. A série completa, com máquinas entre 60 t e 320 t, será composta por injetoras híbridas, com fechamento e dosagem elétricos, e outros movimentos auxiliados por acumuladores, destinados a ciclos rápidos de alto rendimento, dentro da filosofia da empresa de combinar as duas tecnologias de movimentação disponíveis.

A visão da Arburg é bastante diferente da percepção sentida no estande da Sumitomo Demag, formada pela compra da antiga Demag Ergotech pelo grupo japonês Sumitomo. A empresa expôs duas injetoras, sendo uma máquina japonesa, totalmente elétrica (cujo acionamento dos motores é construído pela própria Sumitomo), com 180 t de força de fechamento e ciclo bastante veloz, produzindo embalagens plásticas com IML, e uma máquina alemã, do modelo tradicional da antiga Demag Ergotech, de nome El-Exis, voltada principalmente para embalagens e dotada de acionamento elétrico na rosca e na injeção, e fechamento e abertura hidráulicos.

Plásico Moderno, Christoph Rieker, gerente-geral da Sumitomo (SHI) Demag do Brasil, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Híbrida foi à feira, mas Rieker vê futuro elétrico

Para Christoph Rieker, gerente-geral da Sumitomo (SHI) Demag do Brasil, além da redução do consumo de energia em si, toda a “periferia” da máquina pode ser reduzida com a opção por uma elétrica, incluindo cabeamento e sistemas de refrigeração. Essa economia pode ser acentuada em função do ciclo, pois segundo Rieker em ciclos maiores as possibilidades de redução de custo crescem. Testes comparando modelos elétricos e hidráulicos operando com mesmo ciclo, produzindo a mesma peça, mostraram valores de consumo de energia de 6 kWh e 16 kWh, respectivamente. “A máquina elétrica é uma tendência que veio para ficar, e a demanda vai aumentar cada vez mais”, diz Rieker. Na Europa, a empresa prevê um cenário em que as máquinas até 300 t deverão ser todas substituídas por modelos elétricos nos próximos anos. No Brasil, o gerente-geral vê um futuro promissor nos segmentos de peças automobilísticas, pois essa indústria começa a perceber quão precisa a injetora elétrica pode ser.

A Sumitomo Demag possui máquinas de fabricação alemã e japonesa, mas também pode oferecer modelos construídos em fábrica na China. O objetivo, no entanto, não é dispor de um modelo para brigar com preços baixos, uma vez que a unidade asiática foi idealizada para atender principalmente o seu mercado local. Rieker avisou que não se trata de uma versão simplificada e mais barata de máquinas da empresa, mas de um produto que se torna atrativo para os consumidores da Ásia pela redução de custo em virtude da produção naquele continente, porém seguindo o padrão de qualidade característico da companhia.

O pensamento otimista em relação ao consumo de injetoras 100% elétricas é compartilhado por Hércules Piazzo, gerente-

Plástico Moderno, Hércules Piazzo, gerente-comercial da Milacron, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Piazzo: na Milacron, tecnologia “já pegou”

comercial da Milacron no país. Para ele, elas já são uma realidade por aqui, pois a cada dez máquinas vendidas pela empresa americana no Brasil, nove são exclusivamente elétricas. Piazzo também reforçou o coro dos que não concordam com a ideia de que máquinas elétricas se restringem a determinadas aplicações, citando diversas peças produzidas por injetoras da Milacron no Brasil, até mesmo exemplos inusitados, como baldes e bacias, mas também peças para o setor automotivo, conectores e paredes de celulares.

“São mais de 350 injetoras nossas operando no Brasil e a tendência é de que as máquinas hidráulicas sejam substituídas inteiramente pelas elétricas”, disse Piazzo, embora tenha lembrado que o mercado visado pela empresa estadunidense se concentre nos segmentos de maior tecnologia.

No estande, os visitantes puderam conhecer os atributos de uma Roboshot S2000 iB, rodando molde de duas cavidades para tampas de potes de patê. Mesmo equipada com tecnologia de IML, a máquina produzia as peças em apenas 3,9 s, em parte graças a um robô bastante veloz, próprio para o IML, fornecido por uma parceira israelense. A ideia por trás da exposição dessa aplicação era reforçar nos clientes a imagem de que a máquina elétrica também pode ser um equipamento para produção em ciclo rápido, pois grande parte do mercado ainda só associa a tecnologia de acionamentos elétricos a peças técnicas em que precisão é o quesito fundamental. Para o mercado brasileiro, que ainda não é grande fã do IML, a aplicação escolhida também se revela uma boa opção para pequenos volumes de produção, pois o robô é simples (ele apenas posiciona a etiqueta, não extrai peças nem as empilha) e barato, além de rápido.

Um dos motivos apontados para a baixa penetração do IML no país era o custo do label importado e o receio da dependência do fornecimento proveniente do exterior. No entanto, já há fábricas nacionais do insumo, talvez o impulso que faltava para a popularização.

Plástico Moderno, Udo Löhken, diretor da filial brasileira Engal, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Interesse por IML cresceu nos últimos dois anos, disse Löhken

A austríaca Engel, representada na feira pela primeira vez por sua filial brasileira, criada há cerca de um ano e meio, foi outra expositora que apostou no IML, demonstrado em uma injetora da linha Speed, para ciclos rápidos, com fechamento entre 180 t e 500 t. O equipamento produziu potes de sorvete de 500 ml, em moldes de quatro cavidades, em um arranjo com sistema de IML fabricado por uma parceira suíça. Segundo Udo Löhken, diretor da filial brasileira, há dois anos apenas uma ou duas empresas possuíam negócios focados nesse tipo de aplicação em escala industrial no país, mas o número provavelmente já chega a doze. A etiqueta fabricada no Brasil ainda não atende a todas as aplicações de IML possíveis, mas serve à maior parte delas. Além dos potes de sorvete, um exemplo corriqueiro, Löhken afirmou que já há utilização em outras áreas, como embalagens para tintas e potes de patê. A linha Speed é formada por

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Engel apresentou victory, sem colunas, eletrificada

injetoras hidráulicas, mas a Engel também oferece versões 100% elétricas para as aplicações de ciclo rápido.

A empresa também expôs sua tradicional linha Victory de máquinas sem colunas, porém na forma de um exemplar produzido na Coreia. Briga de preços? Löhken afirmou que não.

É apenas uma consequência da entrada da Engel no mercado asiático de injeção, o maior do mundo, com produção local. A injetora coreana custa entre 10% e 15% menos que a austríaca, e essa diferença só ganha projetos “de vez em quando”, explicou o diretor da filial da Engel.

O estande ainda abrigou um lançamento no mercado nacional. A injetora e-victory, apresentada em primeira mão na última Fakuma, na Alemanha. Trata-se do modelo híbrido dessa expositora, com dosagem e injeção elétricas, o que lhe confere precisão superior à de uma máquina hidráulica. Sua bomba de vazão variável acionada por servomotor reduz o consumo de energia.

“É o mundo ideal, principalmente para o cliente que já está acostumado com os benefícios da injetora sem colunas”, disse Löhken, referindo-se ao maior espaço disponível para os moldes e periféricos, traço marcante das injetoras sem colunas.

Foco em projeto – Uma das formas que as líderes tecnológicas na produção de injetoras encontram para não caírem em guerras de preços, onde o conteúdo técnico do equipamento acaba relegado a um plano inferior, é a especialização no processo de injeção como um todo, ou em projetos de produtos diferenciados.

 

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Na Krauss, ciclo de 3 s exemplifica know-how em processo

Se encaixa no primeiro caso a alemã KraussMaffei, que expôs um modelo com 200 t de fechamento, da linha CX de injetoras. A máquina injetou uma peça médica em ciclo de 2 s, cujo rigor técnico, nas palavras de Renato Benatti, presidente da filial do Brasil, era bastante elevado, pelo fato do projeto da peça ter sido concebido com ABS, com ciclo de 23 s. Na feira, porém, o material usado foi um PS de alto impacto, mas com um ciclo reduzido em 20 s; para apenas 3 s.

A máquina hidráulica, com duas placas, se adapta bem à produção de peças técnicas e tem tido bons resultados no setor automobilístico e no eletroeletrônico. O foco principal da KraussMaffei para esse equipamento sempre foram as peças automobilísticas, mas já há aplicações técnicas para essa injetora em embalagens. O domínio de processos de injeção bastante técnicos é uma das ferramentas da empresa para se distanciar da concorrência com os chineses, pois, na visão de Benatti, estes concorrentes dominam o produto (a injetora), mas não o processo de injeção – e é esse tipo de conhecimento que permite reduções de ciclo tão drásticas quanto as demonstradas na feira.

Plástico Moderno, Alexandre Lacerda, coordenador de vendas, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Com exemplo de overmolding, Lacerda destacou capacidade da Netstal para novos produtos

A aposta em know-how também é uma das armas da Netstal, conhecida por suas máquinas hidráulicas, elétricas e híbridas precisas, para aplicações como seringas de injeção ou lentes de contato, e ainda, por equipamentos para produções elevadas, como as de pré-formas, CDs e DVDs. A expositora não levou máquinas ao Anhembi, e optou por ressaltar suas capacidades para a participação em novos projetos, demonstradas em diversas peças plásticas em exposição, como uma pré-forma de duas camadas, com cores diferentes, produzida por overmolding (ou sobreinjeção). Segundo o coordenador de vendas, Alexandre Lacerda, essa pré-forma, depois de soprada, leva a garrafas que conferem tempo de prateleira de um ano a determinados alimentos, aplicações que atualmente se renderam à embalagem Tetrapak. Outro exemplo que desperta atenção é o das lentes de contato, que demandam equipamento de altíssima precisão e cuidados especiais com pontos de injeção, que não podem comprometer a homogeneidade no acabamento superficial das lentes.

Na posição de quem está acostumado a se alinhar com o novo, Lacerda revelou que a Netstal também crê em um futuro de máquinas elétricas dominando todo o mercado até as 300 t, com injetoras híbridas assumindo as aplicações acima dessa tonelagem. A presença que tem sido reforçada no mercado do Brasil mais intensamente, com reflexos diretos na Brasilplast, no entanto, é a das máquinas chinesas.

Os expositores com atrações made in China, na verdade, englobam um grupo heterogêneo de importadores e representantes, filiais e montadores de máquinas, cuja participação no mercado e na feira continua crescendo. É inegável: seus estandes estão sempre abarrotados de clientes e, em alguns poucos casos nessa Brasilplast, também de sacoleiros. Outro fato comum a esse grupo de empresas é o esforço para informar investimentos em pós-vendas, notadamente nas questões de assistência técnica e disponibilidade de peças de reposição, itens apontados pelos detratores da concorrência asiática desde que ela aportou no Brasil como pontos negativos.

Plástico Moderno, Michelly Flávia Correia, colaboradora,Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Michelly: novata YJ vendeu 50 máquinas em 2008

A YJ Máquinas é uma dessas novas participantes do mercado. A empresa brasileira, representante exclusiva da chinesa YJ no país, tem menos de dois anos de atividades. No ano passado, colocou cinquenta injetoras nas fábricas brasileiras, segundo a colaboradora Michelly Flávia Correia. Em seu estande, a empresa expôs dois modelos, com 120 t e 200 t, além de periféricos. As máquinas atendem a aplicações gerais em diversos materiais, que se adaptam ao dia-a-dia do pequeno cliente, que acaba sendo o maior filão da YJ Máquinas no Brasil.

Com mais tempo de mercado, a Deb’Maq também apresentou seus equipamentos importados no Anhembi. Foram três modelos, um deles representante de uma tecnologia nova no Brasil: o travamento hidráulico com apenas duas placas, individualmente em cada uma das quatro colunas da injetora. A tecnologia foi introduzida na última K. A Deb’Maq se interessou e expôs na Brasilplast uma injetora de 1.200 t, importada, moldando mesas. Máquinas desse porte, segundo o gerente-comercial da divisão de plásticos da Deb’Maq, Venceslau B. Salmeron, não são muito competitivas em preços se produzidas no Brasil, mas podem ser interessantes se procedentes da China, tendo preços mais acessíveis, tecnologia boa e um histórico de consagração no exterior em aplicações como eletroeletrônicos e no setor automotivo. No Brasil, já há exemplares injetando LCDs, mas são poucos. Salmeron vê espaço para crescimento, uma vez que a tecnologia nova permite maior precisão e espaço para a abertura de moldes, em comparação a injetoras convencionais, com fechamento de joelhos, e pode se adequar a peças de grandes dimensões, como laterais de portas de automóveis e até parachoques.

A Deb’Maq também expôs uma injetora de PVC rígido, para conexões fabricadas pelos grandes clientes do setor e algumas

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Deb’Maq aposta em máquina com novo travamento

peças automotivas, além de uma máquina convencional de 160 t para aplicações gerais e comuns do mercado, como utilidades domésticas e embalagens. Ambas importadas da China e montadas e testadas no Brasil.

A Megga Plásticos, empresa do grupo Megga dedicada à importação de máquinas para a transformação de resinas, contrariou o censo comum sobre produtos asiáticos, trazendo para seu estande, além de máquinas chinesas, uma injetora japonesa Nissei, totalmente elétrica, com 80 t de fechamento, engrossando a voz que clama pelas vantagens desse tipo de equipamento. Entre as máquinas chinesas, a empresa expôs um modelo com 380 t e

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Haitian surpreendeu com injetoras elétricas da linha Zafir

acumuladores, capaz de movimentos simultâneos, adaptada para um arranjo automatizado, com auxílio de robô, e uma injetora de 180 t produzindo pré-formas de PET, mas adequada a vários materiais.

A Haitian também fez suas apostas em injetoras elétricas. A bem da verdade, o maior mercado da empresa é o dos prestadores de serviço, que se caracterizam por fabricar diversas peças diferentes, empregando várias resinas. Esse mercado não comporta soluções muito específicas, mas para não perder uma tendência que pode virar realidade no futuro (e que, para a Haitian, ainda não é), a empresa optou por expor seus modelos servoacionados. O estande abrigou três injetoras totalmente elétricas da família Zafir. Esse movimento, explicou um colaborador da Haitian, reflete uma maior agilidade da empresa em relação às suas compatriotas, no tocante à evolução tecnológica, e um foco não tão fortemente voltado aos equipamentos com preços baixos.

O potencial para emprego das injetoras elétricas da família Zafir, no Brasil, pode ser desenvolvido no setor médico, ou em peças com acabamento mais refinado, que utilizam pigmentos mais caros, como capas de celulares, e que podem se beneficiar das vantagens da máquina elétrica em todo seu potencial.

Plástico Moderno, Eduardo Chern, gerente de operações, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Assistência técnica taiwanesa é mais próxima e personalizada que chinesa, explicou Chern

A Tsong Cherng, que faz questão de ressaltar que importa máquinas com tecnologia de Taiwan, e não da China, além de uma injetora convencional, com 225 t de fechamento, para a produção de pré-formas de garrafas de PET, expôs modelos híbridos. Um deles, explicou o gerente de operações, Eduardo Chern, tem apelo ambiental, pois a injetora, uma máquina convencional, mas equipada com servomotor Siemens, reduz o consumo de energia. Esse modelo possui painel de controle da Techmation, fornecedora que agora participa diretamente do mercado brasileiro e traz o atrativo da reposição local de peças. A expositora também dispõe de uma nova série 100% elétrica, equipada com cinco servomotores, também da Siemens e rosca japonesa. Chern disse que o equipamento é adequado a peças precisas, salas limpas, ciclos rápidos e peças técnicas, e pode ser configurado sob medida para o cliente. Ele destaca que esse atendimento técnico mais personalizado é característico das empresas de Taiwan, que não lidam com volumes de produção tão imensos quanto os da China continental; e, por isso mesmo, podem oferecer assistência mais “próxima” do cliente.

Ser vendedor de máquinas de Taiwan, e não da China, deve ser de fato motivo de diferenciação no mercado. No estande da ARD, outra expositora mostrando tecnologia da pequena ilha, o detalhe era logo informado a quem se aproximava. Fernanda Lima,

Plástico Moderno, Fernanda Lima, da área de vendas da ARD, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Fernanda, da ARD, reforçou: tecnologia de Taiwan é melhor

da área de vendas da ARD, reforçou que a tecnologia das máquinas de Taiwan é superior, citando como exemplo a venda de mais de cem injetoras para a Tigre – junto com a Amanco, os maiores clientes para injetoras de PVC do Brasil. Além desse grande chamariz, a ARD apresentou duas máquinas: uma injetora vertical para a indústria automobilística e uma horizontal para aplicações gerais.

A incursão pelos estandes das fornecedoras de equipamentos chineses ainda guardou uma grande surpresa. A Zhejiang, uma produtora de máquinas do país asiático, esteve presente na feira com um de seus modelos, vendido no Brasil com a marca Sound. A empresa chinesa era representada pela Anthis Metalúrgica, mas o negócio agora está sob a gerência de Nélson Semeraro, um antigo conhecido do mercado brasileiro de injeção que andava meio fora de cena. O modelo escolhido para a exposição, hidráulico com fechamento de 280 t, apresentava uma tecnologia peculiar de intrusão, que evita emendas e se destina à produção de peças-padrão.

Plástico Moderno, Paulo Sérgio Francisco, da equipe de assistência técnica das máquinas Sound, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Francisco espera sucesso da máquina Sound com intrusão diferenciada sem linha de emenda

O equipamento, explicou Paulo Sérgio Francisco, da equipe de assistência técnica das máquinas Sound, permite economia de energia e tem bom custo/benefício, na medida da necessidade do grosso do mercado nacional (aplicações gerais como utilidades domésticas). A maior aposta baseada nesse método de intrusão, porém, recai em máquinas com capacidades maiores, entre 580 t e 1.800 t, e maiores volumes de injeção, que poderiam ser utilizados em peças cujos moldes oferecem dificuldade ao preenchimento.

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Participando pela primeira vez da Brasilplast como parte do grupo Wittmann, a Battenfeld quis mostrar ao mercado que se beneficiou da sua venda para o grupo industrial. Depois de três anos nas mãos de um grupo de private equity, a empresa acabou perdendo um pouco de seu espaço no mercado, pela falta de uma visão de desenvolvimento futuro, em detrimento da

Plástico Moderno, Marcos Cardenal, engenheiro de vendas, Injetoras - Meio ressabido, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer
Empresa ganha com a aquisição pela Wittmann, crê Cardenal

busca por retorno financeiro.

Mas o engenheiro de vendas Marcos Cardenal explicou que, após a aquisição pela Wittmann, a Battenfeld volta a pertencer a um concorrente antenado com o mercado de plásticos, o único, aliás, apto a fornecer a injetora e os periféricos de automação.

Outra consequência dessa nova postura no mercado é a busca que a empresa alemã inicia por uma imagem não tão vinculada às aplicações em injeção técnica, que sempre foi o filão pelo qual a Battenfeld se fez conhecer. Como Wittmann-Battenfeld, a produtora passa a focar novas aplicações, fato comprovado, na feira, pela exposição de uma injetora de ciclo rápido TM Express, voltada ao setor de embalagens. A integração entre as duas empresas, continuou Cardenal, também levará a uma integração entre a eletrônica das injetoras e a dos periféricos, que ainda não está completa, mas permitirá que essas máquinas se “comuniquem” sem erros ou incompatibilidades na troca de informações.

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