Injetoras – Máquinas compactas, dotadas de melhores recursos e mais econômicas energeticamente dominaram o cenário da feira

Com a participação de todos os fabricantes nacionais, das principais marcas estrangeiras e expressivo número de asiáticos, a Brasilplast 2007 mostrou um mercado de injetoras focado na redução do consumo energético, na ampliação dos recursos de automação, no aprimoramento dos comandos eletrônicos e, principalmente, na produção de máquinas mais compactas, de menor custo e de fácil manutenção. A feira, realizada de 7 a 11 de maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, consolidou tendências e apresentou um setor cada vez mais comprometido com as necessidades do transformador brasileiro.

Injetoras mais compactas e de operação simplificada, porém com alto nível tecnológico, foram apresentadas em diversos estandes, das marcas nacionais às importadas. Um bom exemplo dessa tendência pôde ser visto no estande da Himaco, de Novo Hamburgo-RS. “Todas as mudanças e aperfeiçoamentos realizados em nossas linhas tiveram como ponto de partida as solicitações e exigências do mercado. Apostamos na parceria com os clientes”, diz o gerente-comercial Cristian Heinen.

Um dos lançamentos da feira foi a injetora Atis, modelo 1500 410 LHT, com 150 t ou 160 t de força de fechamento, que chega ao mercado para concorrer com as máquinas chinesas. Trata-se de equipamento compacto, cujo custo foi reduzido entre 25% a 30% em relação a modelos do mesmo porte. O lançamento faz parte de um projeto de reestruturação da fábrica e reengenharia de produtos traçado há sete meses. Além de enfrentar a concorrência das marcas asiáticas, a Himaco visou a atender às necessidades dos transformadores brasileiros em relação ao custo, produtividade e porte do equipamento.

O novo modelo trouxe atualizações estruturais, com carenagem mais leve e compacta; e no cabeçote de injeção, adequado à produção de até 600 gramas. O modelo conta ainda com motor de 25 cv e 440 x 440 mm entre colunas. “Ficamos tão satisfeitos com a produtividade do novo cabeçote que as alterações serão adotadas em todas as linhas da empresa”, antecipou Heinen. A Himaco ainda melhorou o dimensionamento da bomba hidráulica, entre outros componentes.

Plástico Moderno, Cristian Heinen, gerente-comercial, Injetoras - Máquinas compactas, dotadas de melhores recursos e mais econômicas energeticamente dominaram o cenário da feira
Heinen: modernização da fábrica reduziu os custos

Na feira, a injetora produziu pote de PP. A peça, de 100 gramas, foi moldada com ciclos de 6 a 7 segundos. “Em condições normais pode chegar a 5 segundos”, assegura o gerente. No fim de 2006, a Himaco investiu na engenharia de produtos e modernização da fábrica com a aquisição de novos tornos e centros de usinagem. “Com isso, conseguimos reduzir até os custos com mão-de-obra”, comemora.
Apesar dos esforços, na maioria dos casos, as máquinas nacionais continuam mais caras que as asiáticas. “No geral, o único benefício é o preço”, diz Heinen. Segundo ele, muitos equipamentos importados daquela região não têm tratamento térmico adequado no conjunto cilíndrico de rosca, entre outros problemas que afetam principalmente a sua durabilidade. “Os serviços de assistência técnica e de reposição de peças também são precários ou inexistem”, diz. De acordo com ele, a Himaco negociou cerca de 40 máquinas na Brasilplast, sendo 22 Atis.

A injetora Híbrida 1500-740, relançada na Brasilplast, é outro exemplo do processo de reengenharia dos produtos pelo qual passa a empresa.

A Himaco apresentou também o modelo Dinamic 2200-740, com acumulador de pressão para injeção de ciclo rápido. “Trata-se de um dispositivo especial que emprega nitrogênio para aumentar a velocidade do movimento de injeção, resultando em ganho de tempo e possibilitando a moldagem de peças com 0,5 mm de parede.”

Heinen cita como diferenciais o espaçamento entre colunas de 560 mm x 560 mm, o sistema de programação para pré-aquecimento da máquina e a bomba dupla (permite movimentos simultâneos), além do novo microprocessador, que garante maior velocidade de resposta, precisão e estabilidade, segundo o fabricante. Outro destaque foi a injetora Rapid VMO 1200-740, modelo vertical com mesa oscilante e três pontos de extração.

Participação ampliada – As novas injetoras hidráulicas de duas placas da Battenfeld, além de se adequarem à tendência de máquinas compactas, produtivas e econômicas, representam a oportunidade de a marca austríaca aumentar a participação no mercado brasileiro.

Plástico Moderno, Injetoras - Máquinas compactas, dotadas de melhores recursos e mais econômicas energeticamente dominaram o cenário da feira
Wender: sucesso foi tanto que a Arburg decidiu pôr em linha a série especial Golden Edition

A Battenfeld do Brasil quer recuperar neste ano um nicho de mercado perdido gradativamente por questões de custo. Instalada em Osasco-SP, a filial brasileira viu na injetora hidráulica de duas placas, série HM, uma boa oportunidade para isso. De acordo com o engenheiro de vendas da empresa, Marcos Cardenal, não se trata de tecnologia nova. O modelo já integrou a linha da empresa. Porém, agora surge remodelado. “Avanços tecnológicos permitiram corrigir limitações, principalmente estruturais, dando origem a um equipamento compacto, de construção simplificada e baixo custo de manutenção”, afirma Cardenal. Construtivamente mais econômica que a injetora de três placas, a nova série reduziu em 20% o custo dos modelos a partir de 250 toneladas de força de fechamento.

Conforme informações do fabricante, a linha engloba máquinas de 250 t a 650 t de força de fechamento, com distância entre colunas variando de 700 mm x 570 mm até 1.100 mm x 800 mm. “Permite trabalhar com moldes de grandes dimensões, que normalmente necessitam de máquinas de maior porte. É o modelo mais compacto do mercado”, garante Cardenal.

A série foi apresentada na Fakuma, na Alemanha, em outubro de 2006. Desde então, foram vendidas dez unidades no Brasil. “Estamos muito otimistas.” Outra característica importante, na avaliação de Cardenal, refere-se à ausência de óleo na injeção, tornando o equipamento adequado para o uso em sala limpa. Na feira, a empresa colocou em operação o modelo HM 400 / 3400 S, de 400 t de força de fechamento, produzindo peça automotiva (coluna B do revestimento interno) em polipropileno (PP).

Plástico Moderno, Injetoras - Máquinas compactas, dotadas de melhores recursos e mais econômicas energeticamente dominaram o cenário da feira
Injetora Jasot agora operacom tecnologia CNC

A Battenfeld também exemplificou outra tendência do mercado de injeção: o aperfeiçoamento dos comandos. A empresa divulgou o novo sistema Unilog B6. “Manteve-se a plataforma operacional Battenfeld, com a mesma simbologia das gerações anteriores, porém com interface gráfica nova e estendida com o operador.” De acordo com Cardenal, o comando permite perfeita coordenação com os sistemas hidráulicos da máquina e os sensores de monitoramento para assegurar velocidade e precisão de movimentos em todas as funções.

O sistema possui ainda duas portas USB para conexão de dispositivos de armazenamento (pen drive, impressora ou teclado) ou para programação, além de outras duas entradas adicionais na parte de trás do painel elétrico.

Com monitor colorido de 15” e teclado touch screen alfanumérico, conta com cem programações de moldes, controle estatístico de processo (CEP), acesso por meio de senha, integração com robô, recepção e emissão de e-mails, interface tipo plug and play, 15 idiomas para seleção, entre outras características.

A empresa divulgou também a tecnologia de injeção com gás ao equipar injetora HM 100 / 525S, de 100 t de força de fechamento, com a unidade compressora DE 13-Airmould. “A novidade ficou por conta da integração do controle do gás no comando da máquina.” Cardenal ressaltou também a redução no tamanho do equipamento. “Ficou mais compacto, porém garante a mesma capacidade.” A terceira injetora em exposição foi o modelo TM 50/210, de 50 t de força de fechamento.

Plástico Moderno, Injetoras - Máquinas compactas, dotadas de melhores recursos e mais econômicas energeticamente dominaram o cenário da feira
Modelo Cambio VS 300 1450 operou molde de 32 cavidades

Na avaliação de Cardenal, o mercado brasileiro sinaliza recuperação. Com as importações favorecidas pelo dólar desvalorizado perante o real, a Battenfeld espera aumentar as vendas em 20% no comparativo com 2006.

Edição ilimitada – Há mais de um ano, a Arburg comemorou o jubileu de ouro com o lançamento mundial da injetora Allrounder C Golden Edition. A série especial, com edição limitada, fez tanto sucesso que passou a integrar a linha da empresa, segundo informações do gerente-geral da filial brasileira, Kai Wender.

Com a Golden Edition, a Arburg entrou no mercado das máquinas compactas, visando a atender os transformadores de pequeno e médio porte que até então estavam fora do escopo comercial da empresa.

“São injetoras extremamente competitivas, capazes de garantir um custo de hora/máquina que o mercado nacional consegue absorver”, diz.

De acordo com Wender, a redução de custos resultou de avanços tecnológicos, escala de produção e da parceria firmada com os fornecedores dos insumos. A verticalização da Arburg, responsável pela produção de mais de 60% dos componentes, também contribui. Tais ações contemplam a filosofia de reduzir custos sem perder tecnologia. “A concorrência asiática aumentou a pressão em relação ao custo.”

No Brasil, o modelo já representa 30% das vendas, contra 25% em relação ao faturamento mundial, e, segundo Wender, contribuiu para aumentar a participação da Arburg no mercado local. Inicialmente, foram lançados cinco modelos de 40 t a 200 t de força de fechamento. Oito meses depois, chegou ao mercado a sexta versão, de 300 t de força de fechamento.

A Golden Edition tem comando Selogica Direct e tela touch screen de 15 polegadas. Segundo o fabricante, alguns recursos opcionais da padronizada série C se tornaram de linha nos novos modelos, como o cilindro de plastificação bimetálico, acionamento hidráulico com duas bombas servorreguladas para movimentos simultâneos e acionamento com tecnologia para otimização de energia.

De acordo com o fabricante, foi aplicada pela primeira vez a técnica de válvulas de acionamento rápido do Allrounder U, que reduz ainda mais o tempo de ciclo seco. Todos os eixos são servorregulados. A Golden Edition conta com duas bombas hidráulicas que permitem movimentos rápidos e extração durante o movimento do molde.

Plástico Moderno, Armando Cristelli, gerente de vendas, Injetoras - Máquinas compactas, dotadas de melhores recursos e mais econômicas energeticamente dominaram o cenário da feira
Cristelli assegura precisão menos falhas e desperdício

No comando – A Jasot, de Novo Hamburgo-RS, demonstrou outra tendência do mercado nacional: o aperfeiçoamento do comando das injetoras. A empresa adotou a tradicional tecnologia CNC, usada em máquinas operatrizes, nas suas injetoras para plástico, utilizando uma configuração especial. “Trata-se de um recurso que permite o controle mais preciso do posicionamento, além de facilitar a conexão com plataforma PC. Com isso, agregamos uma série de recursos de processamento de dados e controle de processo”, afirma o gerente de vendas, Cleber Scherer.

Para mostrar os benefícios na prática, expôs injetora, de 350 t de força de fechamento, produzindo hélice para a indústria automotiva com 1,3 kg de PP, injetada em molde de uma cavidade. A linha de injetoras da Jasot vai de 85 t até 450 t de força de fechamento. O acirramento da concorrência também determinou o desenvolvimento de novas tecnologias, o aprimoramento de recursos, além de investimentos na fábrica, visando a redução dos preços. “Baixamos os custos sem perder tecnologia”, diz Scherer.
Na feira, a Jasot apresentou ainda a injetora IJ 900 – 190, de 190 t de força de fechamento.

Dedicada a ciclos rápidos, possui três bombas para movimentos simultâneos e rosca com duplo filete. “Com molde bem dimensionado e de acordo com a peça injetada, alcança ciclos entre quatro e cinco segundos”, diz. A empresa expôs também o modelo IJ 260-85, de 85 t de força de fechamento.

Plástico Moderno, Injetoras - Máquinas compactas, dotadas de melhores recursos e mais econômicas energeticamente dominaram o cenário da feira
Série Prática ganhou modelos de 300 e 380 toneladas

Segundo Scherer, o diferencial da máquina se refere à configuração no fechamento.

“O vão entre colunas é de 380 mm x 380 mm, tem curso de abertura maior que 390 mm e de extração acima de 130 mm. Índices superiores em relação aos modelos da mesma capacidade.”

A Negri Bossi do Brasil também deu ênfase ao comando da máquina. “O controle em tempo real de todos os parâmetros do processo garante qualidade, repetibilidade e precisão, evita desperdícios e falhas e, conseqüentemente, gera economia”, afirma o gerente de vendas, Armando Cristelli. De acordo com o fabricante, o comando digital opera sem cartelas eletrônicas para conversões de sistemas analógicos em digitais. “Os parâmetros da máquina podem ser alterados a distância e sem fios”, explica.

O sistema de cabos de várias vias, denominado Canbus, possibilita a comunicação direta dos principais componentes da injetora. “Transdutores de posição eletromagneto lêem as partes móveis com precisão de milésimos de milímetro, e o tempo de resposta da máquina fica em torno de 5 milésimos de segundo. Tais recursos garantem a qualidade do moldado e a precisão do processo.”

A injetora modelo Canbio VS 300 – 1450, de 300 toneladas de força de fechamento, foi colocada em operação para demonstrar esses e outros recursos. Com molde de 32 cavidades, produziu talheres de poliestireno cristal (PS) em ciclos de 6 segundos.

A máquina tem bomba de vazão variável, acionamento hidráulico e o sistema de travamento de moldes é hidromecânico, incluindo cinco pontos. Com índice de nacionalização em torno de 75%, os modelos de 230 t e 300 t de força de fechamento são fabricados nas instalações da Sacmi do Brasil, em Mogi Mirim-SP.

A linha completa inclui injetoras hidráulicas desde 55 até 6.000 toneladas e elétricas até 850 t. Na avaliação de Cristelli, o mercado local está mais aquecido que em 2006, principalmente nos segmentos de peças técnicas e embalagens.

A Romi, de Santa Bárbara d’Oeste-SP, ampliou a linha de injetoras com novas capacidades. A série Prática, que nasceu em 2006 com equipamentos de porte menor, a partir de 40 toneladas, agora conta com modelos de 300 e 380 toneladas de força de fechamento. O mesmo ocorreu com os modelos Primax 1300R e Primax 1500R, que ampliaram a série Primax R.

 

Saiba mais:[box_light]Injetoras – Máquinas elétricas e híbridas consolidam atuação no mercado[/box_light]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios