Injetoras – Fornecedores querem retomar ritmo de negócios pré-crise

De volta para o futuro. A frase, título de uma trilogia de sucesso no cinema, combina com as expectativas dos fornecedores de injetoras. Em 2008, até setembro, as vendas estavam em patamar excelente. Com o estouro da crise mundial, elas despencaram nos meses seguintes. Começaram a se recuperar no segundo semestre do ano passado e no final de 2009 os resultados superaram as expectativas. O ano de 2010 começou aquecido. A torcida, para os próximos meses, é de retornar ao patamar pré-crise. Ou talvez, levando-se em conta as estimativas mais otimistas, ultrapassar o momento vivido antes das dificuldades proporcionadas pela economia.

A velha pendenga entre nacionais e importadas continua na pauta. No mercado de injetoras básicas, os fabricantes nacionais disputam as vendas palmo a palmo com os asiáticos. No segmento das sofisticadas, a disputa é com as marcas europeias. Um trunfo dos representantes locais tem sido o pacote de crédito criado pelo Finame em meados do ano passado. Pelo projeto, as empresas interessadas em adquirir equipamentos brasileiros contam com juros de 4,5% ao ano, bastante inferiores aos cobrados normalmente pelo mercado.

Criado na hora crítica da crise como forma de combater a recessão, o projeto de financiamento tinha término previsto para o final de 2009. Graças aos bons resultados obtidos e ao apelo da indústria de base, ele foi prorrogado até o final de junho. Para os empresários brasileiros, o ideal seria que os juros “amigáveis” se prorrogassem até o final do ano. Eles defendem essa estratégia como ideal para competir em igualdade de condições com os equipamentos de “olhinhos puxados”. A prorrogação ajudaria a enfrentar a valorização da moeda nacional, uma das dificuldades para combater as importações.

Sofisticadas – Importadores de injetoras atuantes no segmento de máquinas sofisticadas acreditam no sucesso das vendas em 2010. “O primeiro trimestre foi bom, nossa perspectiva é melhor do que a do ano passado”, conta Hercules Piazzo, gerente-comercial da Milacron. A expectativa do executivo para 2010 é de crescer em torno de 5%. Pode parecer pouco, mas não é. Em 2009, depois de um primeiro semestre fraco, a empresa apresentou ótimo desempenho. “O ano passado foi o segundo melhor de nossa história no Brasil”, diz.

A Milacron importa máquinas de pequeno porte, com forças de fechamento de 15 até 6.000 toneladas. No Brasil, 95% dos equipamentos vendidos são elétricos. “Nossa empresa é pioneira em injetoras elétricas, fabricamos essas máquinas desde 1984”, informa. Para Piazzo, o uso dessa tecnologia está se expandindo no Brasil. “Os clientes se mostram interessados na série de vantagens que elas proporcionam”, revela. A procura se espalha por clientes representantes de diferentes segmentos econômicos. “As consultas são equilibradas, vêm de todos os segmentos”, explica. Os setores atendidos pela empresa com maior frequência são os de embalagens e automotivo.

Para Christoph Rieker, gerente-geral da Sumitomo Demag, o ano de 2009 não foi dos melhores. Até setembro, por problemas de falta de crédito, as vendas não entusiasmaram. Mas os negócios fechados no último bimestre melhoraram de forma significativa. “O mercado deu uma bela recuperada”, resume. Melhor ainda tem sido o desempenho nos primeiros meses do ano. “O ano começou bem e acredito muito em resultados positivos nos próximos meses. Acho que será possível voltarmos ao índice de vendas anterior ao da crise de 2008, que foi um ano muito bom”, avalia.

O gerente-geral também não aponta um segmento econômico como destaque do ano. “O crescimento tem sido bastante homogêneo, engloba em especial os segmentos automobilístico, eletroeletrônico, de embalagens e de cosméticos”, revela. Para exemplificar, dá um panorama dos clientes ligados ao setor de autopeças. “Em 2009, a queda das vendas para os fornecedores da indústria automobilística foi de 18% a 20%. Esse ano, a recuperação está na casa dos 12%.”

Plástico Moderno, Marcos Cardenal, Engenheiro de vendas, Injetoras - Fornecedores querem retomar ritmo de negócios pré-crise
Cardenal: bom momento para nichos técnicos e de ciclo rápido

Um outro aspecto do mercado ressaltado pelo executivo se mostra bem interessante para a empresa. “No mercado interno, mesmo as empresas de menor porte estão procurando por máquinas de primeira linha. A qualidade do equipamento, a repetição dos ciclos que ele proporciona e a confiabilidade são fatores que proporcionam melhor custo/benefício, em longo prazo proporcionam economia. Os compradores estão descobrindo isso”, resume.

Situação muito parecida vive a Wittmann/Battenfeld. “O ano de 2009 foi ruim, mas a partir de outubro se iniciou uma recuperação. Esse ano está muito bom, existe ótima perspectiva para os nichos de injeção técnica e de ciclo rápido”, explica o engenheiro de vendas Marcos Cardenal. A perspectiva de crescimento para 2010 é das melhores. “Queremos voltar aos patamares de 2008, antes da crise, quando as vendas estavam muito boas”, diz.

Desde que a austríaca Wittmann, especializada em robôs e periféricos, adquiriu a Battenfeld, tradicional fabricante alemã de injetoras, uma das táticas da multinacional tem sido a de oferecer aos clientes equipamentos com soluções integradas. Nos pacotes, são oferecidos, além das injetoras, robôs, secadores, alimentadores e todos os demais periféricos necessários para variadas linhas de produção. Outra atração das máquinas oferecidas é o sistema Break Energy Power Supply, dotado com gerador capaz de armazenar energia durante a frenagem dos componentes. “Essa energia é liberada na retomada dos movimentos, proporcionando economia de até 10%”, revela Cardenal.

Plástico Moderno, Cléber Scherer, Gerente-comercial, Injetoras - Fornecedores querem retomar ritmo de negócios pré-crise
Scherer: pacote lançado pelo Finame deve ser prorrogado

Pé no acelerador – O setor de calçados ganha destaque entre os clientes da fabricante de injetoras gaúcha Jasot, que em sua carteira de produtos conta com linha de injetoras projetadas especialmente para essa aplicação. Um dos pontos altos da empresa em 2009 foi o fechamento de acordo para a entrega de mais de sessenta máquinas para a fabricante de calçados Grendene. A empresa também tem conseguido fechar bons negócios em municípios onde a fabricação de sapatos tem forte relevância econômica. São os casos, por exemplo, das cidades de Franca-SP e Nova Serrana-MG.

O bom momento, no entanto, não se resume ao segmento calçadista. “O mercado como um todo deu uma acelerada excelente desde agosto, quando foi promulgado o pacote do Finame”, comemora Cléber Scherer, gerente-comercial da fabricante de injetoras. Não por acaso, o executivo defende a prorrogação da medida até o final do ano.

De acordo com o executivo, o número de encomendas também cresce nos setores automobilístico, de duas rodas, de cosméticos, utilidades domésticas e construção civil. Ele ressalta: para nós, em 2009, as vendas não decepcionaram mesmo na época mais aguda da crise. “Nos primeiros meses do ano, o dólar disparou e as máquinas asiáticas ficaram menos convidativas”, justifica.

A Jasot oferece injetoras com forças de fechamento entre 85 e 450 toneladas. Para esse ano, a empresa não pretende fazer lançamentos. “Mas sempre nos preocupamos em aperfeiçoar nossa linha, as máquinas ganham modificações constantes para melhorar o desempenho”, ressalta o gerente. Os modelos mais recentes foram apresentados na Brasilplast. Entre os diferenciais lançados, as máquinas permitem três alternativas de rosca cada, opção que se ajusta à necessidade de muitos transformadores.

“Ao oferecer três diferentes unidades de injeção, o cliente pode obter maiores volumes de injeção com máquinas de menor força de fechamento ou vice-versa”, explica. A versatilidade das máquinas tem se mostrado outra arma poderosa para incentivar os negócios. “Focar na necessidade do cliente é boa maneira de brigar com os asiáticos”, ressalta.

Linha ecológica – Revendedores brasileiros de máquinas asiáticas também estão otimistas com o atual cenário do mercado. A Deb’Maq, fundada em 1997, nasceu focada na venda de máquinas para o setor metal-mecânico. Há cinco anos passou a se dedicar também à comercialização de injetoras, passando a oferecer no mercado brasileiro os equipamentos fabricados na China pelo grupo Cosmos.

“Vendemos máquinas de 90 a 4.000 toneladas de força de fechamento. Nossos equipamentos equipam transformadores de todos os tipos de peças, das pequenas às de grande porte, como para-choques ou painéis de TV de 47 polegadas”, informa Venceslau Salmeron, diretor-comercial da divisão de plásticos. No Brasil, as máquinas são vendidas com a marca Diplomat Spazio Platinum Plus, de propriedade da Deb’Maq. O lançamento mais recente é o da série de injetoras “ecológicas” dotadas com servomotores, batizadas de Platinum Plus SE. “Elas consomem menos energia”, explica o diretor.

Salmeron acredita que o ano de 2010 será muito positivo. “O ano de 2009 começou atípico, a crise atrapalhou e nos primeiros meses tivemos um volume baixo de negócios. A partir do meio do ano o cenário melhorou, nos últimos meses do ano passado e no início desse ano chegamos a um bom patamar”, conta. Sua expectativa, em relação ao ano passado, é de crescimento entre 30% e 40%.

A Deb’Maq se apóia na qualidade das injetoras que traz para o Brasil para evitar entrar na “guerra de preços” verificada em determinados segmentos do mercado de injetoras. “Nossas máquinas têm qualidade, não são baratas como algumas chinesas comercializadas por aqui”, garante. Ele assegura a competitividade da marca perante modelos nacionais com características técnicas similares. O projeto de financiamento lançado pelo Finame para beneficiar os equipamentos nacionais não chega a atrapalhar. “Temos condições bem atrativas para os nossos clientes”, diz.

Outra estratégia da importadora: ela mantém estoque generoso de injetoras. “Sempre temos à disposição de trinta a cinquenta máquinas, queremos atender o mercado no regime de pronta entrega”, revela. Outro segredo está na manutenção de um time de assistência técnica preparado para socorrer os clientes. “Na Grande São Paulo temos uma equipe de cinco técnicos e contamos com técnicos terceirizados em outras regiões do país”, informa.

Nacionalização – A Pavan Zanetti, bastante conhecida por sua participação no mercado nacional de sopradoras, desde 1970 fabrica injetoras. A empresa oferece dois modelos com marca própria, o NFN 150 P e o Unijet 250 V. Mas o número de unidades caseiras fabricadas está bastante reduzido. Nos últimos cinco anos, o “negócio da China”, para a empresa, no campo de injetoras, passou a ser a comercialização das chinesas fabricadas pela Tederic Machinery.

Com preço mais competitivo, as asiáticas estão ganhando espaço nos negócios da empresa. “Nossas vendas cresceram de sessenta para cem máquinas por ano desde que adotamos a estratégia. Voltamos ao patamar alcançado nos nossos melhores momentos”, informa Gilson Pavan, gerente de vendas de injetoras.

Os resultados poderiam ser melhores caso o pacote de financiamento do Finame não ajudasse os fabricantes nacionais. A empresa já tem estratégia definida para contornar o problema. Ela pretende introduzir, de forma gradativa, componentes nacionais nas máquinas importadas. “Queremos chegar aos 60% de nacionalização para podermos nos beneficiar dos projetos de apoio à produção nacional”, diz.

A inauguração de um novo galpão industrial previsto pela empresa para breve vai ajudar a realizar o projeto. Enquanto isso, uma iniciativa nesse sentido já foi tomada. A empresa está introduzindo em todas as unidades fabricadas motores de alto rendimento produzidos no Brasil. A medida atende a uma portaria do Ministério de Minas e Energia, voltada para economizar energia no âmbito industrial.

As máquinas oferecidas têm força de fechamento entre 80 e 500 toneladas. Entre os modelos, a Pavan Zanetti destaca a linha TRX, para a injeção de pré-formas de PET, além das máquinas convencionais voltadas para a produção de peças de polietileno e polipropileno. A assistência técnica é outro diferencial. A empresa usa o nome Pavan Zanetti como aval para os clientes desconfiados com a qualidade das máquinas asiáticas.

 

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