Injetoras – Fornecedores buscam atender nichos de mercado

Momento é adequado para atualizar linha de produção

A expectativa para o ano era otimista. Mas a chegada da Covid-19 abalou de maneira forte o ânimo dos fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico.

O estrago atingiu todos os participantes do setor, entre eles os fabricantes de injetoras.

“Até a primeira quinzena de março os negócios caminhavam em ritmo normal, dentro dos objetivos. A partir daí as vendas pararam.

As empresas estão conseguindo apenas entregar encomendas que já tinham em carteira, isso nos casos em que os negócios não foram cancelados”, lamenta Amilton Mainard, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para a Indústria do Plástico da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O dirigente faz uma ressalva. “As empresas que prestam serviços de manutenção e reposição de peças estão conseguindo amenizar essa situação”.

Plástico Moderno - Mendes: desvalorização do real também afetou importadores
Mendes: desvalorização do real também afetou importadores

A situação dos fornecedores de equipamentos importados é bastante parecida, com um agravante.

“O ano começou com o dólar valendo R$ 4,00, no final de abril ele estava por volta de R$ 5,50. Isso prejudica a importação de injetoras e moldes de injeção”,

resume Christopher Mendes, diretor responsável pelos equipamentos para a indústria de plástico da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos (Abimei).

Não existem estatísticas oficiais sobre as vendas de máquinas injetoras nacionais.

Dados da Abimaq apontam que no primeiro trimestre do ano as vendas das empresas de máquinas e equipamentos como um todo caíram 5,2% em relação ao trimestre anterior. Os maus resultados se deram tanto no mercado interno quanto nas exportações, uma vez que a pandemia está afetando a economia de todo o mundo. Para abril, a expectativa por aqui é de queda mais acentuada.

Em relação ao futuro, os representantes das associações de máquinas nacionais e importadas têm opiniões parecidas. O quadro ainda é uma incógnita, tudo vai depender da velocidade com que a doença será controlada. Quando as coisas voltarem ao normal, a retomada não será fácil. Vários fatores levam a crer que este ano será lembrado como um dos mais difíceis para o setor.

Plástico Moderno - Mainard: reposição de peças e manutenção mantêm negócios
Mainard: reposição de peças e manutenção mantêm negócios

Entre esses fatores, a perda de poder aquisitivo dos trabalhadores aliada ao elevado índice de desemprego preocupa. “Isso deve prejudicar muito a evolução do consumo”, lembra Mainard.

O comportamento dos governantes nacionais não ajuda.

“O país vive um clima de divisão política”, reclama Mendes. Para ele, esse quadro faz com que parcela significativa da população se defenda da doença mais a partir de suas convicções partidárias do que pelas recomendações feitas pelos especialistas em medicina.

Caso a caso – A crise afeta de maneira desigual os fornecedores de equipamentos.

De acordo com Mendes, quem oferece equipamentos para transformadores de itens que passaram a ser muito vendidos por conta da pandemia está sendo menos afetado. Ele cita alguns exemplos para justificar essa afirmação. “A procura por álcool gel explodiu, seus fabricantes tiveram que aumentar a capacidade de fabricar o produto de forma rápida. Em paralelo cresceu a procura pelas embalagens para o álcool gel, que contam com tampas injetadas”. Também cresceu de forma surpreendente a procura por aparelhos respiradores, lembra o diretor da Abimei.

Tanto que a Weg anunciou a montagem de uma linha de produção desses aparelhos em sua fábrica na cidade de Jaraguá do Sul-SC, fruto de um acordo de transferência de tecnologia assinado em parceria com a alemã Leistung. “Componentes do aparelho são peças injetadas, o que gerou oportunidades de vendas de máquinas”.

As fornecedoras de injetoras que contam com clientes na área de produção de embalagens, casos das indústrias de alimentos, de cuidado pessoal ou de higiene e limpeza, por exemplo, mantiveram expectativas de negócios, ainda que mais modestas em relação ao planejado. Afinal, com ou sem pandemia, o consumo desses produtos permanece obrigatório.

O consumidor pode até trocar sua marca preferida por uma de menor preço, mas a embalagem sempre estará presente.

Existem também as fornecedoras de injetoras que trabalham em nichos bastante afetados. Entre elas, as que têm como principais clientes a indústria automobilística. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informam que no mês de março, após duas semanas de forte atividade no mercado interno, que apontavam para um robusto crescimento, houve paralisação gradativa do comércio e das fábricas. Na segunda quinzena do mês a queda de atividades do setor foi de quase 90%.

Chinesas

A China foi o primeiro país a sofrer as amargas consequências do surgimento do coronavírus. Fabricantes chinesas com forte participação no mercado nacional de injetoras, seja por escritórios próprios ou por meio de revendedores, ficaram sujeitas às dificuldades de importação que surgiram graças às dificuldades vividas pelo país asiático. Vale lembrar que por lá no momento a doença está controlada e as coisas estão voltando ao normal.

Com sede em Hong Kong, quatro fábricas na China e uma em Taiwan, a Chen Hsong possui galpão em Taboão da Serra-SP, onde mantém equipe de assistência técnica.

Plástico Moderno - Injetora SM-100 Spark da Chen Hsong tem pronta entrega
Injetora SM-100 Spark da Chen Hsong tem pronta entrega

Luís Guerra, gerente comercial da empresa, conta que a crise de saúde na China não prejudicou o cotidiano da empresa no Brasil. “Começamos o ano bem confiantes na evolução do mercado nacional, quando a crise chegou nós estávamos com grande estoque local de máquinas e peças de reposição”, justifica.

A empresa ainda conta com máquinas para pronta entrega, fator importante para atender clientes que precisam ampliar a linha de forma urgente. O gerente destaca outro diferencial da empresa.

Plástico Moderno - Guerra: financiamento próprio com prazo longo ajuda a vender
Guerra: financiamento próprio com prazo longo ajuda a vender

“Oferecemos financiamento próprio em prazos longos”. Em relação ao comportamento futuro das vendas, ele prefere não arriscar um palpite.

“O mês de março foi muito ruim, pior do que abril. Maio eu acredito que será bem difícil. Não consigo dizer como serão as coisas até o final do ano, vai depender de como vai evoluir a doença”.

Para ele, a forma como o vírus atingiu os segmentos econômicos nos quais atuam os clientes é fundamental para explicar como será a evolução do mercado. “Alguns transformadores compraram máquinas porque suas encomendas aumentaram muito de uma hora para outra. Foi o caso das fabricantes de tampas para embalagens de álcool gel ou de tampas para garrafas de água mineral”, exemplifica.

Por outro lado, os fabricantes de descartáveis, como talheres, pratos e outros itens, diminuíram muito o ritmo de produção. “Eles estão sofrendo com o fechamento de bares e restaurantes e a suspensão da realização de eventos, até mesmo das festas domiciliares feitas pelas pessoas”. A Chen Hsong oferece ampla gama de máquinas com tamanhos e estruturas de funcionamento variadas, indicadas para as mais diversas aplicações.


 

Plástico Moderno - Injetora Simco modelo 130M6
Injetora Simco modelo 130M6

A empresa brasileira Simco representa há dez anos no país a fábrica chinesa de injetoras Log. “Terminamos o ano extremamente empolgados, vendemos todo o nosso estoque. Começamos o ano com muitas encomendas e embarques programados de máquinas da China”, conta Vítor Ortega, diretor de novos negócios.

Os embarques para o Brasil ficaram mais difíceis a partir de fevereiro. Mesmo enfrentando uma crise de saúde, a China passou a oferecer grande número de máquinas para fabricantes de produtos médicos de todo o mundo, caso dos respiradores e testes para Covid-19.

Tal dificuldade foi em parte compensada pela queda de procura no mercado interno. “As vendas transcorreram com certa normalidade até a primeira quinzena de março, quando o vírus chegou. Depois despencaram. Ainda estamos faturando com alguns negócios realizados no início do ano e atendendo alguns clientes fabricantes de itens muito procurados, como as tampas de embalagens para álcool gel”.

Ortega não sabe ao certo como e quando acontecerá a retomada da economia por aqui.

Plástico Moderno - Ortega: produção de tampas plásticas segue bem aquecida
Ortega: produção de tampas plásticas segue bem aquecida

“Com a forte queda do poder de compra dos consumidores brasileiros alguns setores vão sofrer bastante, caso da indústria automobilística.

Outros segmentos podem se recuperar mais rápido, como os de alimentos e produtos de higiene e limpeza” avalia.

A empresa oferece modelos que variam de 30 a 4 mil toneladas de força de fechamento. “As máquinas mais procuradas no momento são as com de 160 a 210 toneladas, justamente as utilizadas nas linhas de produção de tampas”.

 

A Alfainjet, até meados do ano passado, era uma das representantes no Brasil da chinesa Borche.

A marca de injetoras resolveu abrir no Brasil um escritório próprio, em parceria com a empresa gaúcha Immac, de Novo Hamburgo-RS, que comercializava a marca Borche na Região Sul. Dessa forma, desde setembro, a Alfainjet passou a representar no país a marca chinesa Wellish, que oferece modelos de 80 a 3 mil toneladas de força de fechamento. “São máquinas hidráulicas dotadas de servomotor e vários componentes fornecidos por empresas de renome mundial, caso da Rexroth, fabricante de peças para a parte hidráulica”, informa o gerente Edílson Lyra Martinez.

Ele destaca um diferencial da Alfainjet em relação a outras empresas do ramo.

“Nossos concorrentes trazem as máquinas, as nacionalizam e as revendem, o que proporciona duplicidade na hora do pagamento de impostos. Nós apenas damos apoio à importação, atuamos quase como despachantes”. Martinez garante que com esse modo de operar os clientes levam vantagem. “Acredito que o preço caia em torno de 15%”.

A Alfainjet também se queixa da queda nas vendas provocada pela pandemia. “Está tudo quase parado, fazemos algumas cotações apenas para fabricantes de tampinhas ou respiradores”. De quebra, lamenta a alta do dólar. “Acredito que quando houver a retomada da economia, em um primeiro momento, os compradores vão procurar as máquinas seminovas que estarão disponíveis no mercado. Muitas empresas que adquiriram equipamentos recentemente vão querer vendê-los para adaptar suas linhas de produção à queda nas vendas”.

 

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