Máquinas e Equipamentos

Injetoras – Fornecedores buscam atender nichos de mercado

Jose Paulo Sant Anna
6 de junho de 2020
    -(reset)+

    Plástico Moderno - Injetora Simco modelo 130M6

    Injetora Simco modelo 130M6

    Fornecedores buscam atender nichos de mercado com demanda firme no país

    A expectativa para o ano era otimista. Mas a chegada da Covid-19 abalou de maneira forte o ânimo dos fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico. O estrago atingiu todos os participantes do setor, entre eles os fabricantes de injetoras. “Até a primeira quinzena de março os negócios caminhavam em ritmo normal, dentro dos objetivos. A partir daí as vendas pararam. As empresas estão conseguindo apenas entregar encomendas que já tinham em carteira, isso nos casos em que os negócios não foram cancelados”, lamenta Amilton Mainard, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para a Indústria do Plástico da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O dirigente faz uma ressalva. “As empresas que prestam serviços de manutenção e reposição de peças estão conseguindo amenizar essa situação”.

    Plástico Moderno - Mainard: reposição de peças e manutenção mantêm negócios

    Mainard: reposição de peças e manutenção mantêm negócios

    A situação dos fornecedores de equipamentos importados é bastante parecida, com um agravante. “O ano começou com o dólar valendo R$ 4,00, no final de abril ele estava por volta de R$ 5,50. Isso prejudica a importação de injetoras e moldes de injeção”, resume Christopher Mendes, diretor responsável pelos equipamentos para a indústria de plástico da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos (Abimei).

    Plástico Moderno - Mendes: desvalorização do real também afetou importadores

    Mendes: desvalorização do real também afetou importadores

    Não existem estatísticas oficiais sobre as vendas de máquinas injetoras nacionais. Dados da Abimaq apontam que no primeiro trimestre do ano as vendas das empresas de máquinas e equipamentos como um todo caíram 5,2% em relação ao trimestre anterior. Os maus resultados se deram tanto no mercado interno quanto nas exportações, uma vez que a pandemia está afetando a economia de todo o mundo. Para abril, a expectativa por aqui é de queda mais acentuada.

    Em relação ao futuro, os representantes das associações de máquinas nacionais e importadas têm opiniões parecidas. O quadro ainda é uma incógnita, tudo vai depender da velocidade com que a doença será controlada. Quando as coisas voltarem ao normal, a retomada não será fácil. Vários fatores levam a crer que este ano será lembrado como um dos mais difíceis para o setor.

    Entre esses fatores, a perda de poder aquisitivo dos trabalhadores aliada ao elevado índice de desemprego preocupa. “Isso deve prejudicar muito a evolução do consumo”, lembra Mainard. O comportamento dos governantes nacionais não ajuda. “O país vive um clima de divisão política”, reclama Mendes. Para ele, esse quadro faz com que parcela significativa da população se defenda da doença mais a partir de suas convicções partidárias do que pelas recomendações feitas pelos especialistas em medicina.

    Caso a caso – A crise afeta de maneira desigual os fornecedores de equipamentos. De acordo com Mendes, quem oferece equipamentos para transformadores de itens que passaram a ser muito vendidos por conta da pandemia está sendo menos afetado. Ele cita alguns exemplos para justificar essa afirmação. “A procura por álcool gel explodiu, seus fabricantes tiveram que aumentar a capacidade de fabricar o produto de forma rápida. Em paralelo cresceu a procura pelas embalagens para o álcool gel, que contam com tampas injetadas”.

    Também cresceu de forma surpreendente a procura por aparelhos respiradores, lembra o diretor da Abimei. Tanto que a Weg anunciou a montagem de uma linha de produção desses aparelhos em sua fábrica na cidade de Jaraguá do Sul-SC, fruto de um acordo de transferência de tecnologia assinado em parceria com a alemã Leistung. “Componentes do aparelho são peças injetadas, o que gerou oportunidades de vendas de máquinas”.

    As fornecedoras de injetoras que contam com clientes na área de produção de embalagens, casos das indústrias de alimentos, de cuidado pessoal ou de higiene e limpeza, por exemplo, mantiveram expectativas de negócios, ainda que mais modestas em relação ao planejado. Afinal, com ou sem pandemia, o consumo desses produtos permanece obrigatório. O consumidor pode até trocar sua marca preferida por uma de menor preço, mas a embalagem sempre estará presente.

    Existem também as fornecedoras de injetoras que trabalham em nichos bastante afetados. Entre elas, as que têm como principais clientes a indústria automobilística. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informam que no mês de março, após duas semanas de forte atividade no mercado interno, que apontavam para um robusto crescimento, houve paralisação gradativa do comércio e das fábricas. Na segunda quinzena do mês a queda de atividades do setor foi de quase 90%.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *