Injetoras e robôs: Compra conjunta cresce

Compra conjunta cresce para aumentar automação das linhas de processo

Cresce entre os transformadores a aquisição de conjuntos de equipamentos nos quais as injetoras venham acompanhadas de robôs.

Não é prática nova, mas tem se intensificado nos últimos tempos.

A tendência atinge em especial empresas de médio e grande porte, com maior saúde financeira para fazer investimentos.

A ideia dos compradores é conseguir vantagens comerciais na hora da compra, sem falar na comodidade de atender suas necessidades junto a um único fornecedor – no caso do surgimento de um problema de manutenção, por exemplo.

O aumento da demanda por vendas casadas foi percebido pelos fabricantes tradicionais de injetoras.

Para atender a demanda, alguns lançaram recentemente seus próprios modelos de robôs, caso, por exemplo, da Sumitomo Demag.

Também existem marcas que há anos já oferecem essa alternativa aos clientes, como as europeias Wittmann Battenfeld, Arburg e Engel e as chinesas Haitian e Yizumi.

As que não oferecem robôs próprios, entre elas a chinesa Chen Hsong, apostam em acordos informais com fabricantes especializados do equipamento para oferecer os combos.

A tendência é consequência das vantagens proporcionadas pela automação das linhas de produção de peças injetadas.

“As empresas já perceberam que quem não quiser perder mercado precisa investir em tecnologia”, explica Amilton Mainardi, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para Indústria do Plástico da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.

Para ele, é a melhor saída para reduzir custos, obter maior produtividade e ter possibilidade de agregar valor aos produtos e serviços.

“O robô é equipamento dos mais importantes para conseguir aumentar o desempenho das linhas de produção”.

Injetoras e robôs: Compra conjunta cresce
Desembarca no Brasil a linha Spark de injetoras elétricas

Palavra de quem compra – O mercado formado pelos transformadores de plástico no Brasil é bastante pulverizado, conta com mais de 12 mil empresas, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

A grande maioria tem pequeno porte e fôlego curto para adotar projetos de automação sofisticados. Entre as de médio e grande portes a iniciativa está presente na estratégia dos investimentos.

Um exemplo pode ser encontrado na Plásticos Regina, localizada em Mauá-SP. Com produção 97% voltada para o segmento de embalagens, ela conta com 18 injetoras.

“Quando um transformador compra uma injetora que usará em múltiplas funções, a compra do combo é mais rara. No nosso caso, em particular, trabalhamos muito em cima de projetos de produção de determinadas peças. A aquisição da injetora sempre vem acompanhada da compra de robôs ou, conforme o caso, de outros equipamentos voltados para a automação”, diz Bruno Dedomenici, diretor industrial.

O diretor lembra que em alguns casos o uso dos robôs é imprescindível.

A empresa, por exemplo, produz várias embalagens pelo método in mold label, pelo qual os rótulos a serem impressos nas peças são introduzidos por robôs durante a realização do ciclo.

Por outro lado, existem linhas de produção automatizadas com o uso de outras alternativas.

“Em alguns casos as peças, podem, por exemplo, cair por gravidade após o ciclo e serem transportadas por esteiras”.

Empresas europeias – As fabricantes de injetoras europeias estão bastante atentas ao avanço das vendas casadas de injetoras e robôs.

Um caso de fornecedora que captou a necessidade de adaptar sua linha de produtos à nova realidade é o da Sumitomo-Demag.

“O conjunto injetora/robô é cada vez mais demandado por grande parte dos nossos clientes”, informa Michel Carreiro, gerente geral do escritório brasileiro. Por isso, a empresa lançou seu próprio robô cartesiano, chamado de SAM-C, durante a feira Fakuma, realizada na Alemanha em outubro de 2021.

“O SAM-C foi um desenvolvimento próprio realizado pela empresa a partir do seu conhecimento de fabricação de servomotores”.

A liberação para a comercialização do equipamento no Brasil se dará depois da próxima edição da feira K’, a ser realizada na Alemanha esse ano.

“Mesmo com o desenvolvimento de uma solução própria, nossas parcerias com fabricantes de robôs continuam fortes na Europa e também no mercado local”.

Entre os parceiros, o gerente cita a francesa Sepro Robotique e a japonesa Star Seiki, ambas com escritórios próprios no Brasil.

Para outras marcas, o fornecimento de pacotes de equipamentos não é novidade.

“A venda casada de máquinas de injeção com robôs nos mercados que a Engel atua já é realidade há muitos anos, fabricamos os nossos próprios robôs cartesianos desde 1980”, informa o diretor Udo Löhken.

Ele lembra que, além da fabricação dos robôs para todos os tamanhos de suas máquinas, a empresa possibilita a integração de robôs de seis eixos no comando das injetoras.

“A Engel tem departamento específico para projetos de automação em diversos locais no mundo”.

A preocupação com a venda casada de equipamentos para injeção está presente na Wittmann Battenfeld desde 2008, quando o grupo Wittmann, fabricante de robôs, alimentadores, esteiras transportadoras e outros equipamentos para automação, adquiriu a indústria de injetoras Battenfeld.

Injetoras e robôs: Compra conjunta cresce
Pedrassani: nova injetora tem fechamento por cremalheira

“Os clientes buscam praticidade, nos últimos anos cada vez mais vêm agregando a compra de combos formados por injetoras e robôs”, garante Marcos Pedrassani, responsável pela venda de robôs no escritório brasileiro.

A multinacional oferece vários modelos e realiza projetos de acordo com a necessidade dos clientes.

“Uma das nossas preocupações é oferecer controles cada vez mais amigáveis aos operadores”.

“Oferecemos nossos próprios robôs cartesianos e temos parceiros que oferecem soluções integradas nos casos de robôs de entrada lateral ou de cinco/seis eixos”, informa Alfredo Fuentes, diretor geral da fabricante de injetoras Arburg.

O diretor vê ótimo potencial de negócios das vendas casadas no mercado nacional.

“Como o nível de automação do parque fabril nacional ainda é baixo, há grande possibilidade para este tipo de combinação”.

Injetoras e robôs: Compra conjunta cresce
Praticidade leva clientes a comprar combo robô-injetora

Chinesas – A tendência também é seguida pelos fornecedores de injetoras chineses com atuação no mercado brasileiro.

“Fabricamos nossos próprios robôs cartesianos, vendidos com a marca Hilectro”, informa Roberto Melo, gerente de manutenção da Haitian.

“Muitos clientes preferem fazer as compras casadas, embora também existam os que comprem equipamentos de terceiros”, diz.

Outro exemplo é o da chinesa Yizumi.

Injetoras e robôs: Compra conjunta cresce
Silva: propostas agregam mais complementos às injetoras

“Não fornecemos apenas robôs, oferecemos sistemas no modelo turn key, pacotes formados também por secadores, alimentadores e outros equipamentos”, explica Fernando Nunes da Silva, diretor da Alfamach, representante da marca Yizumi no Brasil.

“Por enquanto não comercializamos robôs, temos uma parceria informal e oferecemos robôs da Sepro aos clientes interessados em compras casadas”, explica Luís Guerra, gerente comercial para a América Latina da marca chinesa Chen Hsong.

Injetoras e robôs: Compra conjunta cresce
Guerra: demanda firme levou a triplicar área de produção

“Temos notado um crescimento no interesse por combos, talvez no futuro invistamos em alguma iniciativa para atender essa demanda”.

Especializadas – A tendência de vendas casadas de robôs e injetoras incomoda as que atuam apenas como fornecedoras de robôs.

“Para nós é uma desvantagem. Nesse tipo de vendas, o pedido é feito no berço de onde está saindo a injetora, não participamos do projeto desde o início”, explica Marcio Morioka, supervisor de vendas técnicas da fabricante japonesa Star Seiki.

Para ele, isso afeta em especial as vendas dos modelos cartesianos, os mais usados pelas transformadoras.

“Na hora da venda dos robôs mais sofisticados, as empresas especializadas levam vantagem”, garante.

Essas empresas se beneficiaram pelo aumento importante da procura por robôs desde a virada do século.

Com eles os transformadores conseguem repetibilidade em operações como retirada e armazenagem das peças depois dos ciclos, cortes de canais de injeção ou colocação de insertos metálicos nas peças, entre outras.

A promulgação das normas NR-12, mais rigorosas em termos de segurança de trabalho, também incentivou a adoção do equipamento em diversas aplicações.

“Todo mundo quer ter robôs, a demanda por eles é irreversível”, garante Mainardi, da Abimaq.

Ele lamenta os problemas de falta de componentes e de logística vividos nos dias de hoje por diversos setores da economia em todo o mundo.

“Tenho recebido queixas de vários transformadores que querem comprar robôs e não conseguem”.

O problema é reconhecido pelas empresas especializadas, que tentam contornar a situação gerando estoques dos produtos mais procurados.

Se as vendas das fabricantes especializadas cresceram bastante desde o início do século, esse ano apresentam instabilidade, fruto do vai e vem da economia.

Cada uma apresenta desempenho de acordo com os modelos oferecidos e os mercados com os quais trabalham os principais clientes.

“As vendas esse ano estão um pouco estranhas. O mercado acelera e para de uma hora para outra. As coisas estão bem, daí vem uma crise na indústria automobilística, de repente o setor de linha branca reage. Está difícil fazer previsões”, informa José Luiz Galvão Gomes, diretor da Mago Automação, pioneira na fabricação de robôs para a indústria do plástico no Brasil.

A Mago possuía, até o ano passado, acordo com a italiana Dal Maschio.

O acordo foi rompido e a empresa passou a trabalhar sozinha.

Ela detém a marca Dal Maschio no Brasil e continua a produzir, em sua fábrica instalada em São Bernardo do Campo-SP, as máquinas da série DMG, que comercializava antes do rompimento.

Em paralelo, prepara novidades.

“Agora independentes, ganhamos maior flexibilidade”.

A Mago desenvolve uma linha nova, chamada de MGC, formada por dois equipamentos.

“Eles estão em fase de testes e serão fabricados na China”.

Os novos modelos são cartesianos e se movem em três eixos.

“A ideia é oferecer ao mercado opções de qualidade com custos mais competitivos”.

Uma das características da empresa, de acordo com o diretor, é a capacidade de trabalhar de acordo com as necessidades dos clientes.

“Somos muito fortes na personalização dos equipamentos”.

Importados – Marcas com forte presença mundial atuam no Brasil com escritórios de representação próprios.

“O mercado esse ano poderia estar melhor, se encontra um pouco abaixo das nossas expectativas”, informa Morioka, da Star Seiki.

Para ele, isso se deve ao fato de muitos clientes estarem trabalhando com capacidade de produção ociosa, o que inibe investimentos.

“A indústria automobilística não reagiu e outros mercados não estão muito empolgados”.

Outro problema se encontra no grande número de injetoras antigas no parque industrial brasileiro.

Mesmo os transformadores estando cientes das vantagens proporcionadas pelos robôs, essas máquinas carecem de recursos para terem o equipamento acoplado.

Para driblar o sério problema de falta de componentes, a empresa procura manter um estoque para pronta entrega de robôs usados em injetoras com menos de cem até 2 mil toneladas de força de fechamento.

“Oferecemos as linhas ES, formada por modelos mais simples, e EG, mais sofisticados”.

Os robôs da francesa Sepro mais procurados por aqui são os da linha Success X.

Injetoras e robôs: Compra conjunta cresce
Silva: venda de robôs cresce em todos os segmentos

“Eles possuem dupla rotação servo e permitem maior versatilidade de movimentação dentro e fora da injetora. Assim agregam operações mais complexas”, explica Oscar da Silva, diretor do escritório brasileiro.

A linha ganhou evoluções tecnológicas que foram apresentadas na feira Interplast, realizada recentemente no Rio Grande do Sul.

“Os novos modelos possuem cursos e capacidade de carga maiores e sistema de guiamento SLS patenteado, além de estarem disponíveis agora também na versão cinco eixos”.

O diretor informa que as vendas esse ano estão 20% acima do ano passado com um mix de cliente 50% maior.

“O crescimento atinge todos os mercados nos quais atuamos, o automotivo, de cosméticos, linha branca, embalagens e médico”.

Em relação aos prazos de entrega, da Silva explica que no caso dos modelos standard eles estão normais.

A empresa enfrenta dificuldades nos de grande porte, para injetoras acima de 1,8 mil toneladas de força de fechamento, e nos dotados com configurações especiais.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios