Injetoras e Robôs: Clientes trocam máquinas

Bons negócios para alguns, nem tanto para outros. A falta de dados oficiais sobre vendas de injetoras e robôs no Brasil torna difícil fazer uma estimativa do atual momento vivido pelo setor. A partir das informações prestadas pelas fornecedoras do equipamento, a situação varia empresa a empresa, de acordo com as características dos modelos oferecidos e dos segmentos com os quais os clientes delas atuam.

Sobre a perspectiva para os próximos meses não há unanimidade. De acordo com os fornecedores, não está fácil prever com clareza como as coisas se encaminharão no segundo semestre.

A situação da economia brasileira não colabora. Questões como juros em alta, inflação de dois dígitos e realização de eleições geram incertezas. Também existem obstáculos globais, casos da pandemia, ainda uma ameaça, e do conflito entre Rússia e Ucrânia. Tais obstáculos geraram dificuldades como falta de componentes para indústrias de diversos setores e problemas graves de logística.

Com o poder aquisitivo de boa parte da população corroído, o consumo de itens variados, de alimentos a automóveis, não atinge o seu auge.  A procura por injetoras enfrenta o obstáculo de encontrar um bom número de representantes da indústria de transformação trabalhando com capacidade produtiva ociosa. Ampliações de plantas industriais e novos projetos não estão acontecendo no número desejável.

Por outro lado, os novos modelos proporcionam maior produtividade e economia de energia, fator considerado como ótimo argumento para os investimentos voltados para a substituição de equipamentos antigos. Este tem sido, na opinião de especialistas, o grande impulso para as vendas. Espera-se o lançamento de muitos modelos com novidades tecnológicas durante a realização da K’, feira de plástico a ser realizada na Alemanha no próximo mês de outubro.

O mercado de injetoras por aqui é dos mais disputados. A Romi é a principal marca nacional. Ela compete com europeias com escritórios próprios de vendas e assistência técnica no Brasil, como Sumitomo Demag, Wittmann Battenfeld, Arburg e Engel, entre outras.

Também com importante participação se encontram empresas asiáticas, algumas com estrutura própria de vendas e assistência técnica por aqui, casos da Haitian e Chen Hsong, outras com a presença de representantes, como Yizuma e Log.

Plástico Moderno - Injetoras e Robôs: Clientes trocam máquinas para ganhar produtividade ©QD Foto: Divulgação
Injetora Victory 160 equipada com robô

Injetoras e Robôs: produto brasileiro

A Romi é a maior fabricante brasileira de injetoras. Ela possui em seu portfólio as linhas EN (com acionamento feito por servo bombas), ES 300 (híbrido) e EL (elétrico).

As máquinas são dotadas com o sistema Stop and Go, de acordo com a empresa idealizado para proporcionar funcionamento com velocidade, precisão e economia de energia. As injetoras são equipadas com o comando CM20. Ainda segundo a empresa, ele permite altíssima velocidade e capacidade de processamento e plena conectividade.

A Romi emitiu um comunicado ao mercado informando que no primeiro trimestre do ano registrou receita operacional líquida de R$ 285,3 milhões, com crescimento de 28,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse valor engloba não só as vendas de injetoras, mas também de máquinas sopradoras e de usinagem que produz. Procurada pela Plástico Moderno, a empresa não respondeu sobre o desempenho das vendas nos meses seguintes.

Uma estratégia diferenciada da Romi se encontra no programa MAAS (Machine as a Service), serviço de aluguel de máquinas novas para empresas interessadas em contar com equipamentos de forma temporária.

Lançado há mais de um ano, permite aos clientes locar qualquer injetora do portfólio da empresa, com exceção de modelos com características muito específicas. Ele tem como finalidade principal estimular clientes a desenvolver novas linhas de produção, que no futuro se concretizem na venda de máquinas novas.

Injetoras e Robôs: elétricas em alta

A Sumitomo-Demag traz para o Brasil linhas de injetoras hidráulicas, híbridas e elétricas. Michel Carreiro, gerente geral do escritório da empresa no Brasil, explica que os mercados de embalagens e de bens de consumo em geral são os mais promissores.

Plástico Moderno - Injetoras e Robôs: Clientes trocam máquinas para ganhar produtividade ©QD Foto: Divulgação
Carreiro: robô SAM-C chegará ao Brasil depois da feira K

“A maior retração se instala no segmento automotivo, que devido à falta de componentes e vendas abaixo da média vê investimentos postergados”.

Carreiro destaca o aumento de interesse no mercado nacional por máquinas elétricas – a empresa oferece a linha IntElect, formada por unidades de trinta a quinhentas toneladas de força de fechamento.

Ele diz que o fenômeno não atinge apenas o Brasil. Além da Ásia, onde a tecnologia teve origem e está consolidada, há forte movimento nesse sentido na Europa. Para ele, a economia de energia é o principal motivo desse movimento.

“Nas fábricas da Sumitomo-Demag na Alemanha, já não mais fabricamos máquinas hidráulicas entre 50 e 150 toneladas, somente modelos elétricos”.

Depois de um desempenho fraco das vendas em 2021, Carreiro diz que o mercado tenta se recuperar. “O primeiro semestre tem se mostrado como um período de retomada de projetos e negócios, especialmente para empresas que há alguns anos congelaram seus investimentos”. Ele lembra que o segundo semestre se mostra sempre melhor, quando os clientes efetivam compras planejadas.

“Devido ao fator eleição presidencial, ainda não conseguimos sentir o termômetro e a confiança nos investimentos”.

Foco nas embalagens

Até bem pouco tempo, a Wittmann Battenfeld, que importa ampla gama de modelos de injetoras e equipamentos periféricos para linhas de injeção, apresentava vendas bastante atreladas à indústria automobilística. Há pouco mais de dois anos passou a trabalhar para diversificar a clientela, de olho em outros segmentos do mercado que têm se apresentado mais atraentes.

Entre eles, o de embalagens. Para esse nicho, a empresa deve apresentar na próxima edição da K’ uma evolução da série EcoPower Xpress (de 160 a 550 toneladas de força de fechamento), formada por máquinas cuja principal característica é operar em ciclos bastante curtos. A novidade deve ser mostrada ao mercado nacional na próxima edição da Plástico Brasil, feira prevista para ser realizada em março do ano que vem em São Paulo.

“As máquinas não usam mais acumuladores de pressão hidráulicos no sistema de fechamento, passam a operar com sistema de cremalheiras”, explica Marcos Cardenal, gerente de vendas de máquinas de injeção. A substituição visa em especial obter o mesmo desempenho com maior economia de energia e custo de manutenção mais baixo. Outra evolução a ser exibida na K’, essa em todas as máquinas fabricadas pela empresa, se encontra no desenvolvimento de eletrônica mais amigável aos operadores.

Cardenal informa que está difícil fazer uma avaliação de como devem se comportar as vendas no Brasil nos próximos meses. “O primeiro semestre foi bom para nós, conseguimos vender um pacote atípico de máquinas para um mesmo cliente. Mas não dá para sinalizar o desempenho no futuro”.

Injetoras e Robôs: linha completa

A multinacional Engel oferece séries de injetoras hidráulicas, híbridas, elétricas, verticais e para elastômeros.

Plástico Moderno - Injetoras e Robôs: Clientes trocam máquinas para ganhar produtividade ©QD Foto: Divulgação
Löhken: robô de seis eixos pode ser integrado ao comando

“Temos todos tipos de máquinas”, resume Udo Löhken, diretor do escritório brasileiro.

Ele diz ser difícil indicar qual o mais requisitado no mercado nacional. “Todos são importantes para atender a vasta gama de usos do setor da injeção de plástico”.

Löhken explica que a Engel tem a estratégia de investir de forma constante no aprimoramento das injetoras oferecidas. Nos últimos tempos, foram desenvolvidas várias evoluções na área de inteligência artificial, caso, por exemplo, de novos produtos de prestação de serviços remotos.

“Nesse ano teremos em outubro a feira K’, acredito que após o evento poderemos apresentar novidades sobre os lançamentos”.

Em relação às vendas, o diretor informa que nos últimos dois anos, devido aos efeitos da pandemia, houve muitos altos e baixos.

“Considerando o período de janeiro a maio deste ano estamos com uma situação bem mais estável que no mesmo período de 2021, inclusive com vendas melhores”. Ele não arrisca palpites para os próximos meses. Com a realização de eleições no Brasil e questões como pandemia e guerra na Ucrânia, ele declara ser difícil fazer qualquer tipo de previsão. Os segmentos da construção civil e linha branca tem sido e no futuro parecem ser os mais promissores. O setor automotivo sofre muito com a falta de semicondutores, o que reduziu sua capacidade produtiva.“Com a alta da inflação os produtos de consumo e com isso embalagens também estão retraídos”.

Injetoras e Robôs: pronta entrega

O portfólio da Arburg abrange injetoras de 350 kN a 6500 kN de força de fechamento, dotadas com acionamentos hidráulicos, elétricos e híbridos.

Plástico Moderno - Injetoras e Robôs: Clientes trocam máquinas para ganhar produtividade ©QD Foto: Divulgação
Fuentes: Arburg reforçará na K a digitalização dos processos

“A procura depende muito da aplicação, porém sabemos que a grande maioria das transformadoras no Brasil possui maquinas hidráulicas”, explica Alfredo Fuentes, diretor geral da subsidiária brasileira.

Para esse nicho de mercado ele recomenda a linha Allrounder Golden Edition.

O diretor ressalta que a Arburg tem disponibilidade de máquinas para pronta entrega nas forças de fechamento de 100 kN a 300 kN, boa notícia em tempos de problemas de faltas de componentes e logística. E também promete que a empresa vai apresentar novidades na edição da K’.

“Posso antecipar que haverá muito destaque para o processo de digitalização da produção”.

Sobre as vendas, Fuentes informa que no primeiro trimestre o número de consultas e projetos caiu bastante em relação a 2021.

 “Nos últimos dois meses notamos uma recuperação, mas ainda não está claro se essa será uma tendência para os próximos meses”. O cenário econômico preocupa. Para ele, inflação e juros elevados tem impacto relevante na redução da demanda de bens de consumo, o que afeta a cadeia produtiva como um todo. “Se fosse apostar, apostaria em um 2022 com volume de negócios inferior ao do ano passado”. O diretor considera o segmento de embalagens o mais dinâmico, por seu volume e diversidade de aplicações. O destaque negativo vai para o automotivo.

A volta das feiras

Depois de um período longo sem grandes eventos voltados para a indústria do plástico devido à pandemia, a Interplast, realizada em abril em Joinville-SC, foi uma espécie de divisor de águas, animou os negócios de vários expositores. Em maio, a realização em São Paulo da Feimec, feira de máquinas e equipamentos, reforçou o bom humor dos fornecedores.

Entre eles, algumas empresas chinesas fornecedoras de injetoras, cujas vendas ganharam impulso importante com a peregrinação dos visitantes. Isso aconteceu com a chinesa Haitian, marca com subsidiária no Brasil que oferece máquinas hidráulicas, híbridas e elétricas.

 “Até março as vendas estavam em baixa. Após a feira houve um incremento grande na procura”, informa Roberto Melo, gerente de manutenção da empresa. O faturamento da empresa cresceu 12% no ano passado e a expectativa para esse ano é de repetir os resultados de 2021. É boa a demanda por máquinas de ciclo rápido para a fabricação de tampas e utilidades domésticas. A crise da indústria automobilística, por outro lado, afetou as vendas da empresa.

“Tem crescido a procura por injetoras elétricas, mas esse mercado ainda é um tanto restrito”, explica Melo. Ele reconhece que a economia de energia e outras vantagens que elas proporcionam é importante. Mas ressalta que ainda falta conhecimento por parte dos clientes para se adaptar às exigências necessárias para o uso dessas máquinas.

 “Não adianta comprar uma elétrica se a empresa não investirem em moldes de altíssima precisão, indispensáveis para a obtenção dos resultados esperados”, exemplifica. A empresa oferece duas linhas de máquinas para esse nicho de mercado, a Zeno, totalmente elétrica, e a Zeres, que conta com alguns componentes hidráulicos agregados.

A distribuidora de máquinas para indústria do plástico e usinagem Simco, representa no Brasil a marca LOG, fabricante de injetoras de noventa a 4 mil toneladas de força de fechamento equipadas com servo motor.

 “O ano começou com vendas bem retraídas, até com alguma surpresa, pois existia a expectativa que teríamos resultados positivos”, informa Cleber Scherer, gerente de vendas. No mês de março começou uma reação e em abril, com a Interplast, as vendas foram impulsionadas. “A Feimec reforçou os negócios”. “As expectativas para o segundo semestre são animadoras, mesmo com a realização de eleições e da Copa do Mundo. A não ser que ocorra alguma surpresa na esfera do mercado mundial”.

Scherer aponta os segmentos hospitalar, farmacêutico, de utilidades domésticas, brinquedos, cosméticos e embalagens como os mais aquecidos. A indústria automobilística ganha o destaque negativo.

“O nosso lançamento mais recente é a linha S9, equipada com guias lineares, com maior vão entre colunas e velocidade acima dos modelos convencionais”.

A injetora 8500D1 é o lançamento recente da fabricante chinesa Yizumi, representada no Brasil pela Alfamach.A máquina apresenta uma característica impressionante.

“Ela conta com incríveis 8,5 mil toneladas de força de fechamento, é a maior injetora de plástico já fabricada na China”, informa Fernando Nunes da Silva, sócio diretor da Alfamach.

Entre os modelos oferecidos pela empresa, os da linha D1 são os mais procurados. Eles contam com duas placas no sistema de fechamento e servo motor. “Recursos como coluna retrátil e placa magnética nos destacam dos demais concorrentes chineses, demonstrando porque somos líderes em tecnologia”, garante o empresário. Ele explica que o mercado esse ano estava estável, mas melhorou após a Interplast.

“As vendas esse ano aumentaram 20% em relação ao mesmo período de 2021”. Sua expectativa é manter esse índice no segundo semestre.

Plástico Moderno - Injetoras e Robôs: Clientes trocam máquinas para ganhar produtividade ©QD Foto: Divulgação
Linha Success X ganhou cursos e capacidade de carga ampliados

Injetoras e robôs: De vento em popa

Uma marca chinesa não tem do que se queixar do atual momento que vive no mercado nacional e latino americano.

“Estamos tendo um crescimento forte a cada ano. Em 2021, nossas vendas dobraram e este ano elas já estão acima do ano passado”, informa Luís Guerra, gerente comercial da Chen Hsong South América. Os negócios estão tão produtivos que a subsidiária da empresa mudou de sede na capital paulista, saiu de um galpão de 1,2 mil m² para outro, de 3,5 mil m².

De acordo com Guerra, além de bons negócios no mercado nacional, a subsidiária da empresa no Brasil tem aprofundado sua atuação em outros países do continente sul-americano, casos da Argentina, Colômbia, Equador e até além, caso do México.

“Tivemos que aprimorar nosso suporte técnico no exterior”. Para driblar o problema de logística enfrentado pelos produtos chineses, a saída tem sido trabalhar com grandes estoques dos modelos mais procurados, além das peças necessárias para a manutenção.

Os bons ventos trazem junto novidades. A Chen Hsong lança por aqui a linha Spark, de máquinas totalmente elétricas, e a máquinas JM 568 MK6, com acionamento híbrido, além de um modelo acionado por servomotores específico para a injeção de PVC. Para o segundo semestre, a promessa é apresentar a máquina JL MK6.6, com desempenho mais veloz, voltada para a produção de utensílios domésticos, tampas e outras peças que exijam elevada produção.

Leia Mais:

Acesse o www.GuiaQD.com.br, o mais eficiente Guia de Compra e Venda do setor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios