Máquinas e Equipamentos

Injetoras: Distribuição da demanda local aponta concentração nos extremos das linhas oferecidas

Antonio Carlos Santomauro
25 de agosto de 2016
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    Demandas diferenciadas – Integrantes do conjunto mais amplo da indústria de bens de capital, os fabricantes de injetoras sofrem de maneira particularmente aguda nos períodos econômicos difíceis, como o atual, salienta Hercules Piazzo, diretor-comercial da fabricante japonesa Toshiba. Afinal, durante esses períodos os clientes dos produtores de bens de capital normamente trabalham com capacidade ociosa, e buscam ocupá-la antes de investir em novas máquinas. “Geralmente o mercado de bens de capital é o primeiro a parar em crises, e o último a retomar seus negócios”, resume.

    A Toshiba, afirma Piazzo, tem comercializado algumas máquinas no mercado brasileiro, porém em índices bem inferiores aos desejáveis. Sinal evidente de uma situação de extrema competitividade, ele se nega a revelar quais setores de atividade têm demandado essas máquinas: “Os mercados nos quais estamos atuando são mantidos em sigilo, ainda mais em uma crise como a atual”, diz. “Para nós, este ano até pode ser um pouco melhor que 2015, mas não será nada bom”, projeta Piazzo.

    Plástico Moderno, Máquina EC 1000SX economiza energia e evita poluição

    Máquina EC 1000SX economiza energia e evita poluição

    Já a chinesa Haitian, prevê o gerente Roberto Melo, realizará este ano no mercado brasileiro de injetoras montante de negócios similar ao registrado em 2015. Esse resultado somente será possível porque o dólar, hoje mais valorizado ante o real, inibe as atividades de importadores de quantidades menores de máquinas, que até há pouco tempo, com o câmbio mais favorável às compras no exterior, concorriam com os grandes fabricantes. “Mas, de maneira geral, o mercado não está bom e não vejo possibilidades de melhora no segundo semestre, se houver alguma modificação ela virá bem mais no final do ano”, prevê Melo.

    Plástico Moderno, Injetora avançada da linha Venus, totalmente elétrica

    Injetora avançada da linha Venus, totalmente elétrica

    Na sua visão, a reduzida demanda atual do mercado brasileiro privilegia injetoras para duas gamas de necessidades bastante distintas entre si: de um lado, há a busca por máquinas de alta produtividade, alta precisão, ciclos muito baixos, para a produção de itens como embalagens ou peças de celulares; de outro, por equipamentos que exigem menor investimento – denominados por Melo de “máquinas de entrada” –, destinados à produção de itens mais básicos.

    Essa segunda demanda, pelas “máquinas de entrada”, é atendida pela Hatian com a linha de injetoras hidráulicas Plutão, enquanto as máquinas mais sofisticadas provêm principalmente das linhas Venus e Zeres – de máquinas elétricas e híbridas, respectivamente – e da recém-lançada série Marte/H, uma nova versão da Linha Marte, cujas máquinas têm entre 170 e 480 toneladas de força de travamento (além dessa série, o portfólio da Linha Marte inclui maquinas hidráulicas para injeção de BMC, PET, PVC rígido, silicone liquido, materiais de engenharia e injeção de dois ou até quatro componentes, cujas forças de fechamento variam entre 90 e 3.300 toneladas. Em outra linha, a Jupiter, tem máquinas com força de até 8.800 toneladas).

    De acordo com Melo, as injetoras da série Marte/H são “máquinas hidráulicas de alta performance”, construídas com sistemas mecânico e motorização diferenciados (a motorização, por exemplo, tem servo motor e inversor e sensor de pressão, e assim estende a utilização desses equipamentos para o mercado de embalagem). Essas máquinas contam também, como item de série, com um sistema de redução do consumo de energia desenvolvido pela própria Haitian que, conforme a aplicação, pode diminuir a utilização desse insumo entre 20% e 80%. “As máquinas Marte/H podem trabalhar em ciclos muito similares aos de máquinas elétricas, sendo bastante interessantes para aplicações como embalagens e utilidades domésticas”, acrescenta Melo.

    Elétricas versus hidráulicas – Além da série Marte/H, apresentada pela Haitian em São Paulo em maio, apenas outros poucos lançamentos são atualmente divulgados pelos fabricantes de injetoras, que preferem guardar esses anúncios para a próxima edição da Feira K, que acontecerá em outubro próximo, na Alemanha.

    Mas há algumas novidades. Uma delas, proveniente da Wittmann Battenfeld, que lançará na próxima edição da Interplast (agosto, em Joinville-SC) novos integrantes da linha SmartPower, composta por máquinas hidráulicas com até 300 toneladas de força de fechamento, com servo drive de série, e aplicações em diversas indústrias: alimentícia, cosmética, embalagens, peças de PVC para construção, entre outras. “Essa linha foi desenvolvida a partir de conceitos novos, que entre outras coisas permitem reduzir o consumo de energia em 30% em comparação com máquina hidráulica convencional de mesmo porte e propiciam maior estabilidade”, afirma Saltori.

    Em junho, a Wittmann Battenfeld apresentaria ao mercado brasileiro a versão de maior porte, com força de 1.600 toneladas, da linha MacroPower, composta por máquinas a partir de 400 toneladas, hidráulicas ou, se o cliente, tiver interesse, também configuradas em modelo híbrido. Aliás, apesar de haver quem aposte que o futuro dessa indústria pertence exclusivamente às injetoras elétricas, Saltori diz acreditar bastante nas máquinas híbridas: “As elétricas ainda têm algumas limitações, seja no tamanho, seja na relação custo/benefício, ainda mais interessante para algumas aplicações”, comenta.

    Já Melo, da Haitian, mostra-se um entusiasta da tecnologia das injetoras elétricas e lembra que, quando esse tipo de equipamento começou a ser produzido por sua empresa, sua força de fechamento atingia um máximo de 250 toneladas, e agora já supera a marca das mil toneladas (no Japão, já há injetoras elétricas com força até superior a essa). “E a área de produção de máquinas elétricas da Haitian foi triplicada em outubro último, passando de 50 mil para 150 mil metros quadrados”, ele conta.



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