Injetoras – Demanda local aponta concentração nos extremos

Distribuição da demanda local aponta concentração nos extremos das linhas oferecidas

As agruras enfrentadas pela indústria nacional – especialmente pelos produtores de máquinas e demais bens de capital – revelam-se de maneira nítida nas análises sobre o atual momento de seu mercado, feitas pelos representantes dos fornecedores de injetoras (fabricantes aqui instalados, ou empresas presentes no país via operações comerciais e de serviços).

Nelas, surgem qualificações como momento “péssimo” ou “parado”, entremeadas com prenúncios, às vezes um mero desejo, de uma possível retomada de um ritmo mais regular de negócios que decorreria das recentes mudanças no comando do governo federal.

Retomada, porém, cujos efeitos aparentemente não serão sentidos até o final deste ano.

Plástico Moderno, Löhken: autorregulagem atende os requisitos da Indústria 4.0
Löhken: autorregulagem atende os requisitos da Indústria 4.0

E para ouvir alguém falar em situação “péssima” do mercado brasileiro de injetoras basta recorrer, por exemplo, a Udo Löhken, diretor da operação brasileira da multinacional austríaca Engel.

“A indústria automobilística brasileira é responsável por cerca de 50% de nossos negócios, mas hoje fabrica quase a metade dos carros que fabricava em 2013; também não vão bem outros setores importantes, como construção civil e indústria de eletroeletrônicos”, detalha.

“O único mercado com alguma movimentação é o das embalagens, muito utilizadas como apelos de marketing na atual conjuntura”, acrescenta.

A Engel, projeta Löhken, deve este ano realizar um volume de negócios cerca de 30% inferior ao registrado em 2015 (que não foi um ano nada bom).

“Acho difícil fazer um prognóstico para os próximos meses: até vejo o mercado no fundo do poço, mas ainda continuo pessimista com o restante deste ano”, lamenta.

Fornecedores de Injetoras:

 

Plástico Moderno, Injetora Duo 500 é dotada de servo bomba com Ecodrive
Injetora Engel Duo 500 é dotada de servo bomba com Ecodrive

 

Cássio Saltori, diretor-geral da Wittmann Battenfeld do Brasil, também não divisa situação mais favorável para o setor no decorrer de 2016, cujo primeiro semestre foi um dos piores visto por ele em mais de vinte anos de atuação nesse mercado. “O ano passado foi ruim, mas esse provavelmente será muito pior”, calcula.

“Há apenas uma ou outra demanda em algum segmento específico, como agronegócios ou indústria alimentícia, e ao menos até o final deste ano a coisa deve seguir assim, não vejo possibilidades de aquecimento”, complementa Saltori.

Mas, para ele, a recente troca de comando no governo federal já sinaliza uma “luz no fim do túnel” dessa difícil trajetória nacional.

Plástico Moderno, Linha Smart Power terá novos modelos na Interplast
Linha Smart Power terá novos modelos na Interplast

 

Por sua vez, William dos Reis, diretor da unidade de negócios de máquinas para plásticos da Romi, fala em “leve mudança de comportamento do empresário brasileiro”, que já consideraria uma possível retomada da atividade econômica.

“O número de pedidos mensais de orçamentos de máquinas novas está aumentando levemente, especialmente de empresas que desejam modernizar seu parque industrial, buscando maior produtividade e maior competitividade, com economia no consumo de energia elétrica e qualidade do produto injetado”, explica.

Porém, segundo Reis, “ainda é cedo para falar em aumento de negócios de forma sistêmica”.

 

 

Demandas diferenciadas – Injetoras

Integrantes do conjunto mais amplo da indústria de bens de capital, os fabricantes de injetoras sofrem de maneira particularmente aguda nos períodos econômicos difíceis, como o atual, salienta Hercules Piazzo, diretor-comercial da fabricante japonesa Toshiba.

Afinal, durante esses períodos os clientes dos produtores de bens de capital normamente trabalham com capacidade ociosa, e buscam ocupá-la antes de investir em novas máquinas. “Geralmente o mercado de bens de capital é o primeiro a parar em crises, e o último a retomar seus negócios”, resume.

A Toshiba, afirma Piazzo, tem comercializado algumas máquinas no mercado brasileiro, porém em índices bem inferiores aos desejáveis.

Sinal evidente de uma situação de extrema competitividade, ele se nega a revelar quais setores de atividade têm demandado essas máquinas: “Os mercados nos quais estamos atuando são mantidos em sigilo, ainda mais em uma crise como a atual”, diz. “Para nós, este ano até pode ser um pouco melhor que 2015, mas não será nada bom”, projeta Piazzo.

Plástico Moderno, Máquina EC 1000SX economiza energia e evita poluição - Injetoras de Plásticos
Máquina EC 1000SX economiza energia e evita poluição – Injetora de Plástico – Toshiba

 

Já a chinesa Haitian, prevê o gerente Roberto Melo, realizará este ano no mercado brasileiro de injetoras montante de negócios similar ao registrado em 2015.

Esse resultado somente será possível porque o dólar, hoje mais valorizado ante o real, inibe as atividades de importadores de quantidades menores de máquinas, que até há pouco tempo, com o câmbio mais favorável às compras no exterior, concorriam com os grandes fabricantes.

“Mas, de maneira geral, o mercado não está bom e não vejo possibilidades de melhora no segundo semestre, se houver alguma modificação ela virá bem mais no final do ano”, prevê Melo.

Na sua visão, a reduzida demanda atual do mercado brasileiro privilegia injetoras para duas gamas de necessidades bastante distintas entre si: de um lado, há a busca por máquinas de alta produtividade, alta precisão, ciclos muito baixos, para a produção de itens como embalagens ou peças de celulares; de outro, por equipamentos que exigem menor investimento – denominados por Melo de “máquinas de entrada” –, destinados à produção de itens mais básicos.

Essa segunda demanda, pelas “máquinas de entrada”, é atendida pela Hatian com a linha de injetoras hidráulicas Plutão, enquanto as máquinas mais sofisticadas provêm principalmente das linhas Venus e Zeres – de máquinas elétricas e híbridas, respectivamente – e da recém-lançada série Marte/H, uma nova versão da Linha Marte, cujas máquinas têm entre 170 e 480 toneladas de força de travamento.

Além dessa série, o portfólio da Linha Marte inclui maquinas hidráulicas para injeção de BMC, PET, PVC rígido, silicone liquido, materiais de engenharia e injeção de dois ou até quatro componentes, cujas forças de fechamento variam entre 90 e 3.300 toneladas. Em outra linha, a Jupiter, tem máquinas com força de até 8.800 toneladas.

Plástico Moderno, Injetora avançada da linha Venus, totalmente elétrica
Injetora avançada da linha Venus, totalmente elétrica – Haitian

De acordo com Melo, as injetoras da série Marte/H são “máquinas hidráulicas de alta performance”, construídas com sistemas mecânico e motorização diferenciados (a motorização, por exemplo, tem servo motor e inversor e sensor de pressão, e assim estende a utilização desses equipamentos para o mercado de embalagem).

Essas máquinas contam também, como item de série, com um sistema de redução do consumo de energia desenvolvido pela própria Haitian que, conforme a aplicação, pode diminuir a utilização desse insumo entre 20% e 80%.

“As máquinas Marte/H podem trabalhar em ciclos muito similares aos de máquinas elétricas, sendo bastante interessantes para aplicações como embalagens e utilidades domésticas”, acrescenta Melo.

Injetoras Elétricas versus hidráulicas

Além da série Marte/H, apresentada pela Haitian em São Paulo em maio, apenas outros poucos lançamentos são atualmente divulgados pelos fabricantes de injetoras, que preferem guardar esses anúncios para a próxima edição da Feira K, que acontecerá em outubro próximo, na Alemanha.

Mas há algumas novidades. Uma delas, proveniente da Wittmann Battenfeld, que lançará na próxima edição da Interplast (agosto, em Joinville-SC) novos integrantes da linha SmartPower, composta por máquinas hidráulicas com até 300 toneladas de força de fechamento, com servo drive de série, e aplicações em diversas indústrias: alimentícia, cosmética, embalagens, peças de PVC para construção, entre outras.

“Essa linha foi desenvolvida a partir de conceitos novos, que entre outras coisas permitem reduzir o consumo de energia em 30% em comparação com máquina hidráulica convencional de mesmo porte e propiciam maior estabilidade”, afirma Saltori.

Em junho, a Wittmann Battenfeld apresentaria ao mercado brasileiro a versão de maior porte, com força de 1.600 toneladas, da linha MacroPower, composta por máquinas a partir de 400 toneladas, hidráulicas ou, se o cliente, tiver interesse, também configuradas em modelo híbrido.

Aliás, apesar de haver quem aposte que o futuro dessa indústria pertence exclusivamente às injetoras elétricas, Saltori diz acreditar bastante nas máquinas híbridas: “As elétricas ainda têm algumas limitações, seja no tamanho, seja na relação custo/benefício, ainda mais interessante para algumas aplicações”, comenta.

Já Melo, da Haitian, mostra-se um entusiasta da tecnologia das injetoras elétricas e lembra que, quando esse tipo de equipamento começou a ser produzido por sua empresa, sua força de fechamento atingia um máximo de 250 toneladas, e agora já supera a marca das mil toneladas (no Japão, já há injetoras elétricas com força até superior a essa).

“E a área de produção de máquinas elétricas da Haitian foi triplicada em outubro último, passando de 50 mil para 150 mil metros quadrados”, ele conta.

Na opinião de Melo, máquinas elétricas só não ganham mais espaço por exigirem investimento inicial maior. Mas esse diferencial deixa de ser interessante quando abrange a relação custo/benefício, e não os valores nominais: “É preciso considerar que uma máquina elétrica pode, entre outras coisas, reduzir o ciclo pela metade e propiciar grande economia de energia; assim, o investimento inicial se paga muito rapidamente”, ressalta.

 

Outras novidades – Injetoras elétricas

Injetoras elétricas já constituem o foco básico da Toshiba e, ao descrever o atual portfólio dessa empresa, Piazzo cita apenas máquinas 100% elétricas, disponíveis com forças de fechamento variando entre 30 e 1.800 toneladas, ou híbridas (450 a 3.500 toneladas de força de fechamento).

“Temos máquinas hidráulicas, mas a demanda por elas é hoje muito pequena”, explica. “Nosso foco é fornecer injetoras que melhorem a produtividade, reduzam o consumo de energia elétrica, não poluam o meio ambiente, tragam estabilidade de processo e precisão, e propiciem maior qualidade de produtos: somente as injetoras 100% elétricas podem trazer todos esses benefícios”, realça Piazzo.

Máquinas elétricas, ele compara, reduzem o consumo de energia em uma faixa que vai de 50% a 85%, são muito mais precisas, não sofrem com os problemas acarretados por variações na temperatura no óleo dos sistemas hidráulicos.

E vem diminuindo, observa Piazzo, a distância de preços entre elas e as hidráulicas. “Temos máquinas elétricas cujo preço pode hoje se equiparar ao de máquinas híbridas ou elétricas de primeira linha”, afirma.

Plástico Moderno, Reis: pedidos de orçamento aumentaram desde maio
Reis: pedidos de orçamento aumentaram desde maio

Já Reis, da Romi, não crê em total substituição das injetoras hidráulicas com servomotores pelas máquinas elétricas:

“O desempenho e a economia de energia das injetoras hidráulicas com servomotores são próximos aos das injetoras elétricas, com relação custo/benefício bem interessante”, avalia.

Como uma das novidades do portfólio da Romi, Reis cita a injetora elétrica para ciclo rápido EL 300 Speed, que entre outros diferenciais possui maior área de moldes, com 730 mm entre colunas e placa com dimensão de 1040 mm.

“Essa versão Speed da EL 300 atende aplicações de ciclos rápidos em parede finas (até 0,5 mm), como talheres plásticos, potes de sorvete, potes de requeijão, utilidades domésticas, baldes de 3,6 litros, entre outras, com ciclos até 5 segundos”, ressalta.

E, em maio último, em um evento realizado em São Paulo, a Romi exibiu o modelo ES 300, com 300 toneladas de força de fechamento, de uma nova linha de injetoras híbridas para peças de paredes finas e alta razão de injeção, com acionamento por acumulador hidráulico e servoválvula na injeção e elétrico nos demais movimentos.

“A ES 300 atende aplicações mais extremas, que exigem altíssima razão de injeção por meio de acumulador hidráulico, requerida por embalagens, tampas e outras aplicações com espessuras inferiores a 0,5 mm em ciclos inferiores a 5 segundos”, detalha Reis.

Plástico Moderno, EL 300 Speed opera ciclos rápidos em paredes finas - Injetora Romi
EL 300 Speed opera ciclos rápidos em paredes finas – Injetora Romi

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