Máquinas e Equipamentos

Injetoras – As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado

Jose Paulo Sant Anna
10 de junho de 2008
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    Plástico Moderno, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado

    Scherer: mercado bem concorrido

    De acordo com Scherer, os modelos da empresa mais competitivos são os das máquinas intermediárias, com forças de fechamento na faixa das 180 toneladas. Ele ressalta o avanço do sistema de automação destas máquinas, com o lançamento de um novo controlador lógico programável (CLP) fabricado pela italiana Gefran. “Ele tem saída USB, apresenta gráficos em tempo real e permite visualizar todos os parâmetros em uma mesma tela”, informa. Outra novidade no campo foi apresentada na Feira da Mecânica, o comando IHM com sistema touch screen de 15 polegadas, totalmente operado dentro do ambiente Windows XP.

    O executivo da Jasot também não poupa os modelos que vêm da China a preços fora da realidade. “Existem algumas ofertas mirabolantes, totalmente fora do cenário mundial da indústria”, critica. Para ele, hoje, quem tiver um pouco de capital importa qualquer tipo de máquina e sai por aí revendendo no mercado interno, sem nenhuma estrutura de suporte pós-venda. “Os aventureiros de plantão seguem atuando enquanto o vento está favorável. Quem fabrica máquinas sabe o tamanho da responsabilidade que é manter o cliente ao seu lado”, resume.

    Assistência em casa – As máquinas chinesas são sempre criticadas pelos fabricantes nacionais por não prestarem assistência técnica de qualidade aos seus clientes. No entanto, pelo preço que apresentam, elas continuam sendo muito procuradas. Para tentar unir o útil ao agradável, algumas empresas brasileiras com estrutura fabril fecharam acordos com fabricantes do país de Mao Tsé-tung. Dessa forma, procuram aliar as vantagens dos preços asiáticos com operações de pós-venda eficientes.

    Uma dessas empresas é bastante conhecida pela indústria do plástico. Trata-se da Pavan Zanetti, líder nacional na fabricação de máquinas de sopro. Embora não seja o seu foco principal, fabricar injetoras não é nenhuma novidade para a empresa. Ela já exerce a prática há anos e, hoje em dia, conta com dois modelos em sua linha: NFN 150 P e Unijet 250 V. Os segmentos para os quais essas máquinas são dirigidas, no entanto, são muito competitivos.

    Plástico Moderno, Newton Zanetti, diretor-comercial, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado

    Zanetti: chinesas têm preços imbatíveis

    Para continuar a participar desse nicho, a empresa fez uma parceria com a chinesa Tederic Machinery. Pelo acordo, as máquinas trazidas ao mercado nacional são produzidas com características definidas pela engenharia da Pavan Zanetti e mescladas com a tecnologia do fabricante chinês. “Impossível competir em preços com as máquinas chinesas. Os preços são imbatíveis, não se consegue chegar perto mesmo aumentando a escala de produção”, justifica o diretor-comercial, Newton Zanetti. Para ele, como a empresa nacional é respeitada em nosso mercado, para o comprador serve como aval em termos de prestação de serviços de assistência técnica de qualidade.

    O dirigente informa que o ano está bom. “Há uma boa movimentação na comercialização de injetoras, embora até agora haja tendência de pequena queda em relação às vendas do ano passado. Atingimos a nossa meta inicial com a estratégia, que era a de voltar a comercializar o mesmo número de máquinas que vendíamos no início dos anos 90”, declara. As perspectivas para o segundo semestre são otimistas o suficiente para reverter a redução verificada nos primeiros meses do ano. “Acredito ser possível um crescimento em relação a 2007 em torno de 5%”, analisa. Ele ressalta que, embora o mercado esteja comprador, a concorrência tem sido enorme. “Há uma disputa acirrada entre as marcas européias, brasileiras e chinesas, além de outras asiáticas. Estão no mercado em torno de 35 empresas”, justifica.

    Os modelos mais procurados entre os oferecidos pela Pavan Zanetti são os da série TRX, em especial os com força de fechamento na faixa entre 100 e 320 toneladas. Essas máquinas atendem a uma grande variedade de mercados, incluindo os de tampas, brinquedos, peças técnicas, utilidades domésticas e pré-formas de PET. “Este ano incorporamos nas máquinas de médio porte um comando com maior interface, que permite melhor interação homem/máquina. Toda a comunicação é feita  em português”, informa.

    Plástico Moderno, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado

    Anthis garante assistência aos clientes

    A Anthis Metalúrgica, empresa no mercado há quatro anos, especializada em serviços de usinagem, há um ano diversificou seus serviços e passou a revender injetoras chinesas para plásticos no mercado nacional. São as máquinas produzidas pela Zhejiang Sound ou, para facilitar as coisas, as Sound Machines. “Descobrimos essa empresa ao realizar uma segunda viagem para a China”, diz Onofre Moscatelli, diretor-administrativo da Anthis. Para ele, o grande diferencial do importador se encontra nos serviços de assistência técnica. “Temos uma equipe especializada e vários equipamentos de usinagem.

    Podemos fabricar rapidamente peças para as injetoras que eventualmente não temos em estoque”, assegura.

    Ao todo, são oferecidas três séries das Sound Machines. “Somente a linha básica conta com 24 modelos de diferentes tonelagens”, explica. A diversidade contempla vários mercados. “Temos máquinas para transformar várias matérias-primas, até mesmo pré-formas de PET, para fabricar peças bicolores e outras. A linha é bem completa”, garante. A perspectiva inicial do negócio é otimista. “Estimamos vender de cinco a seis máquinas por mês este ano.” Os modelos mais procurados são os que se encontram entre 160 e 280 toneladas de força de fechamento.

    Cresce a procura pelas máquinas elétricas

    No nicho de máquinas sofisticadas, as injetoras elétricas começam a ganhar participação no mercado. Com o diferencial de economizar energia, serem mais limpas por não usarem óleo, e mais rápidas e precisas, essas injetoras vêm chamando a atenção dos transformadores nacionais. Também ajuda muito o fato de os preços desses equipamentos estarem mais competitivos. Por um lado, a crescente procura de máquinas elétricas em todo o mundo tem reduzido o custo de produção. Como a maioria das máquinas do gênero comercializadas no Brasil é importada, o dólar desvalorizado é outro motivo de economia.

    Plástico Moderno, Hercules Piazzo, gerente-comercial, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado

    Piazzo: dez elétricas para cada hidráulica

    Uma das empresas que detectou a tendência foi a norte-americana Milacron. Pioneira na fabricação de injetoras elétricas, seu primeiro modelo foi lançado em 1984, há três anos, a Milacron firmou uma joint venture tecnológica com a japonesa Fanuc, o que resultou no lançamento do modelo Roboshot S2000 iB, bastante procurado pelos clientes da empresa. “Hoje, para cada máquina hidráulica que vendemos no Brasil, vendemos dez elétricas. Há sete ou oito anos, essa proporção era inversa”, revela Hercules Piazzo, gerente-comercial da empresa no Brasil.

    De acordo com o executivo, os argumentos de venda são muito convincentes. “A energia utilizada por uma máquina hidráulica é similar à de quatro elétricas do mesmo porte”, revela. Outros recursos, como o controle preciso da pressão de injeção e nas operações de abertura, fechamento e extração de peças, garantem a repetibilidade dos ciclos em níveis rigorosos. “A precisão no peso da peça injetada chega à casa dos milésimos de gramas. Nas hidráulicas, conseguimos décimos de gramas”, diz. O mesmo raciocínio vale nas questões dimensionais. “A precisão chega a um centésimo de milímetro”, garante.

    Piazzo também destaca a queda dos preços dessas injetoras. “Eles estão muito competitivos em relação ao das hidráulicas”, afirma. O executivo não tem do que se queixar do atual momento vivido pela empresa por aqui. “Em 2007, tivemos o nosso melhor ano no Brasil, vendemos 64 máquinas. Este ano, a tendência é de melhorar o nosso desempenho, devemos ultrapassar as setenta”, revela.

    Quem também constata o aumento na procura por máquinas elétricas é Christoph Rieker, gerente-geral do escritório da Sumitomo/Demag no Brasil. “Hoje, 30% das cotações que fazemos são para a venda de máquinas elétricas. Esse número era muito menor há alguns anos”, revela. O gerente utiliza explicações muito parecidas para justificar o fenômeno. “As máquinas elétricas consomem até 40% a menos de energia elétrica e contam com maior precisão de ciclos”, garante.

    Para Rieker, a tendência deve ser irreversível e vai colaborar com a estratégia de vendas da multinacional nos próximos anos. Um dos fatores do otimismo se encontra no fato de todas as máquinas japonesas da Sumitomo serem elétricas. “Acredito que a Sumitomo vai entrar com muita força no mercado brasileiro”, diz. A Demag também conta com a linha de máquinas do gênero, a série IntElect. A idéia da empresa é tornar esses modelos mais competitivos nos próximos meses. “Todos os motores a partir de agora vão ser fabricados no Japão, com redução de custos de fabricação”, informa o gerente.

    A opinião sobre os benefícios proporcionados pelas máquinas elétricas, no entanto, não é unânime. Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Battenfeld, é um dos que vê essa tendência com certa desconfiança. Ele rebate o argumento da máquina ser mais econômica. “Eu questiono a relação custo/benefício”, diz. Em relação ao desempenho, ele levanta outro aspecto. “Os transformadores poucas vezes necessitam de máquinas com precisão tão grande.” Em tempo: a Battenfeld tem uma linha de máquinas elétricas em sua carteira de produtos, a EM.



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