Injetoras – As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado

Economia aquecida e indústria da transformação atuando com índices de capacidade próximos dos 100%. Para os fornecedores nacionais de injetoras, o início de 2008 foi muito promissor. O cenário favorável só tem um senão: a acirrada concorrência proporcionada pela elevada competitividade dos importados, favorecidos pela desvalorização do dólar.

No Brasil, não há números oficiais. Estima-se a comercialização de 2,5 mil a 3 mil injetoras por ano. No nicho de máquinas mais sofisticadas, voltadas para a obtenção de peças de grande precisão ou para grandes volumes de produção, devem ser vendidas em torno de 400 unidades por ano. O alcance representado por essas vendas, no entanto, responde por um percentual mais significativo do total de negócios, por causa do maior valor agregado desses equipamentos. Nesse nicho, a grande briga dos brasileiros é com as empresas dos países avançados – em especial, as européias, que possuem forte participação no mercado nacional.

Entre os modelos não tão sofisticados, que representam 80% das vendas em unidades de máquinas, a invasão chinesa, iniciada há alguns anos e capitaneada por preços para lá de atraentes, se transformou em forte dor de cabeça para os fabricantes de peças plásticas nacionais. No momento, no entanto, a dor anda um tanto anestesiada pelo cenário econômico favorável. O alívio proporcionado pelo aquecimento da demanda se soma aos argumentos usados pelos fabricantes nacionais há tempos na hora de convencer os compradores: a “qualidade duvidosa” dos modelos asiáticos e a falta de estrutura adequada para a prestação de assistência técnica.

A concorrência acirrada não se resume ao mercado brasileiro. Em busca de fortalecer suas posições em novos mercados, três grandes grupos empresariais mundiais foram às compras no primeiro semestre deste ano. Entre os brasileiros, o negócio mais comentado é o do avanço nas negociações efetuadas pela Romi para adquirir as instalações européias da Sandretto, empresa italiana que enfrentou problemas econômicos graves nos últimos anos e estava sob intervenção do governo local.
Para ser concluído, o negócio precisa ser aprovado por uma assembléia realizada com os acionistas da empresa nacional. A iniciativa tem como objetivo fazer com que a Romi finque um pé no mercado europeu. Vale ressaltar que a Sandretto do Brasil não está envolvida no negócio. A marca por aqui hoje pertence ao grupo Nardini, que a adquiriu em abril do ano passado.

Duas outras aquisições de porte chamaram a atenção. O grupo japonês Sumitomo adquiriu em março a Demag, da Alemanha. O grupo austríaco Wittmann, especializado em equipamentos para automação de linhas de injeção de plástico, concretizou no início de abril a compra de outra empresa austríaca de renome, a Battenfeld. Ambas as aquisições vão trazer conseqüências aos transformadores brasileiros. Representantes das duas empresas prometem lançar equipamentos nos próximos meses e as novidades estarão disponíveis por aqui tão logo sejam anunciadas.

Romi na Europa – A Romi fechou um acordo preliminar para adquirir os ativos da fabricante italiana de injetoras Sandretto, que possui duas unidades fabris nas cidades italianas de Grugliasco e Pont Canavese, na região de Turim, além de quatro subsidiárias comerciais localizadas no Reino Unido, na Holanda, na Espanha e na França e de vários centros de serviço, escritórios de venda e representações comerciais em diversos países.

Plástico Moderno, Livaldo Aguiar dos Santos, diretor-presidente da Romi, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado
Santos: compra prevê expansão no exterior

Fundada em 1946, a Sandretto já vendeu mais de 30 mil equipamentos em todo o mundo. Sua linha de máquinas é composta de injetoras de plástico com capacidade de 75 a 5.500 toneladas de força de fechamento. A empresa italiana está em processo especial de recuperação financeira desde 2006 e vem sendo administrada por representantes do governo italiano, tendo registrado uma receita líquida consolidada de aproximadamente 30 milhões de euros no ano passado.

“A operação faz parte da estratégia de internacionalização da empresa nacional de expandir suas bases de produção e de mercados, ganhar escala e reduzir custos para aumentar suas vendas em todo o mundo”, afirma Livaldo Aguiar dos Santos, diretor-presidente da Romi. De acordo com o dirigente, a empresa tem três objetivos estratégicos ao negociar a aquisição: aproveitar a rede comercial da Sandretto no exterior para ampliar a base de distribuição de suas máquinas, desenvolver um centro tecnológico em uma região com know- how reconhecido no setor de máquinas e ampliar a política de desenvolvimento mundial de fornecedores.

O acordo preliminar prevê o pagamento de 5,5 milhões de euros feito pela Romi pelos ativos da Sandretto (instalações, máquinas e equipamentos, tecnologia, marcas e patentes, entre outros). Os estoques de matérias-primas, produtos em elaboração e acabados não estão incluídos no preço mencionado, mas deverão ser adquiridos por valor a ser negociado. A Romi assume ainda o compromisso de contratar os atuais 295 empregados da Sandretto e de aportar 8 milhões de euros às operações, dentro de dois anos a partir da data de aquisição.

A negociação será concluída com a participação da Romi Italia, empresa em fase final de criação na cidade de Turim, que será subsidiária integral da Romi Europa GmbH. Enquanto a assembléia de acionistas da Romi não aprova a aquisição, a empresa se recusa a responder perguntas sobre o futuro. Não se sabe, por exemplo, se a marca Sandretto continuará a existir na Europa ou se será substituída pela marca Romi.

Independentemente da aquisição internacional, a Romi comemora os resultados que vem alcançando por aqui. Em 2007, a venda (receita operacional líquida) de injetoras pela Romi cresceu 17,9% em relação a 2006. No primeiro trimestre de 2008, comparado ao mesmo período de 2007, as vendas físicas de máquinas para processamento de plástico cresceram 44,6%. Para 2008, a empresa trabalha com uma meta de crescimento global entre 14% e 18%, incluindo os negócios de máquinas-ferramenta, fundidos e usinados e máquinas para processamento de plástico. “O bom resultado deveu-se, principalmente, ao processo de consolidação da linha Prática no mercado, aliado ao bom desempenho de setores relacionados à demanda de bens de consumo”, resume Santos.

A série Prática é a mais vendida pela Romi no mercado nacional e tem entre seus maiores clientes os segmentos automobilístico e de embalagens. A empresa acabou de lançar, na feira da Mecânica 2008, a Prática 450, com 450 toneladas de força de fechamento – antes, a série contava com unidades entre 40 e 380 toneladas. Capaz de processar até 1.890 gramas, a nova injetora é utilizada para aplicações gerais, desde a injeção de utilidades domésticas a peças técnicas, por exemplo, para a indústria automotiva.
Outra inovação importante da linha Prática se encontra no painel de comando das máquinas, o Controlmaster 8 plus, um painel gráfico colorido com recurso touch screen. O controlador permite acesso remoto para acompanhamento da produção, pois pode ser visualizado de qualquer microcomputador.

Sandretto no Brasil – Mediante o anúncio da aquisição feita pela Romi, a Sandretto do Brasil se apressou em soltar um comunicado oficial ao mercado informando que não tem nenhum tipo de vínculo com a homônima italiana. “A Sandretto do Brasil Ltda. está em plena operação, produzindo máquinas dentro dos mais altos padrões de qualidade, como pôde ser visto nas últimas feiras Plastishow e da Mecânica, e mantendo toda a estrutura de atendimento comercial e técnico”, informou o comunicado.

Um pouco de história para explicar a situação: a Sandretto iniciou suas atividades no Brasil como filial da empresa italiana em 1999, logo depois da Semeraro, fabricante nacional de injetoras, com a qual mantinha parceria, sucumbir às sucessivas crises econômicas. A empresa italiana passou então a ser gerida pelo grupo norte-americano Taylor em 1995, sendo transferida, logo depois, para o grupo HPM.

Em abril de 2007, a filial brasileira foi adquirida pelo grupo Nardini, que este ano comemora seu centenário e é conhecido como um dos maiores fabricantes da América Latina de tornos mecânicos. Os novos proprietários assumiram o ativo e o passivo da empresa. O valor da negociação com o grupo brasileiro foi o da dívida da empresa no Brasil, estimada em aproximadamente R$ 8 milhões.

“Nos últimos meses, passamos por um amplo processo de reestruturação”, informa Antonio Lopes, gerente-comercial da Sandretto no Brasil. A fábrica da empresa, antes instalada no município de Arujá-SP foi transferida para a cidade de Americana-SP. “Quando compramos a empresa, a Sandretto da Itália já estava meio fechada. Quem comandava o processo tecnológico da marca eram os técnicos que trabalhavam no Brasil e que agora estão conosco”, ressalta.

De acordo com o gerente, as instalações atuais permitem a produção de 300 a 400 máquinas por ano. “No ano passado, vendemos quase 200 máquinas e queremos aumentar bastante esse número em 2008. Fabricamos injetoras de 70 a mil toneladas de força de fechamento, em versões que processam vários materiais e são oferecidas aos transformadores dos mais diversos segmentos da economia”, informa.

Para Lopes, os chineses hoje não estão atrapalhando tanto quanto em um passado recente. “Temos vantagens como indústria local, assistência técnica e financiamento pelo Finame”, enumera. Ele reconhece que o preço dos chineses continua imbatível. “Mas o preço deles é compatível com a tecnologia agregada à máquina”, alfineta o dirigente.

Linhas complementares – Ao comprar a Demag, a Sumitomo teve como principal objetivo ganhar espaço no mercado europeu. A fase inicial de reestruturação da empresa resultante está em pleno andamento. Algumas decisões já foram tomadas, como a de manter as duas marcas no mercado. Toda a estrutura comercial da empresa na Europa e na América Latina passa a ser de responsabilidade dos profissionais que antes trabalhavam para a Demag. Na Ásia, continuará a ser usada a estrutura comercial da antiga equipe da Sumitomo.

Plástico Moderno, Christoph Rieker, gerente-geral da Sumitomo/Demag no Brasil, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado
Rieker: promessa de lançamentos

A capacidade de produção da Sumitomo antes da aquisição era de 4,5 mil injetoras por ano, todas totalmente elétricas. As instalações da Demag, por sua vez, estão preparadas para produzir outras três mil máquinas por ano. A linha oriunda da marca alemã é composta por modelos hidráulicos, híbridos e elétricos. A Sumitomo também passa a controlar uma fábrica que a Demag mantinha na Índia, onde são produzidos equipamentos com a marca Santoch, de características similares às das fabricadas no Brasil. Alguns transformadores nacionais já contam com modelos Santoch em suas linhas de produção.

“É interessante notar que os conceitos tecnológicos adotados na Europa e no Japão são diferentes, por isso as linhas que passam a ser oferecidas são complementares, não competem entre si. As opções que temos para oferecer aos clientes se ampliaram muito”, destaca Christoph Rieker, gerente-geral da Sumitomo/Demag no Brasil. Na Europa, costuma-se usar uma maior distância entre as colunas das máquinas. “Os japoneses têm como filosofia usar moldes de menores dimensões”, justifica o executivo.

Diferenças à parte, a partir de agora, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento da Sumitomo/Demag vão ser todos voltados à racionalização da produção. O primeiro passo nesse sentido foi dado: todos os motores que equipam as máquinas elétricas com a marca Demag passam a ser fabricados no Japão. “Dessa forma, o custo das máquinas se tornará mais competitivo para os nossos clientes”, emenda. Dentro desse espírito, outros modelos devem ser lançados nos próximos meses.

Plástico Moderno, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado
Wittmann/Battenfeld investirá em soluções de injeção integradas

As marcas Sumitomo e Demag já são bastante conhecidas pelos brasileiros. Elas participam do mercado via importações há anos. Por aqui, a Sumitomo marca maior presença entre os fabricantes de CDs, eletroeletrônicos e de embalagens para produtos farmacêuticos. A Demag, por sua vez, é mais procurada pelos produtores de embalagens e peças técnicas, em especial as dirigidas à indústria automobilística. Como todos os demais representantes dos fornecedores de injetoras, Rieker também está animado com o atual momento do mercado. “Mesmo antes das negociações entre as duas empresas, havia uma expectativa de aumento de 8% nas vendas de máquinas para este ano”, revela.

Soluções integradas – Entre as fabricantes de injetoras é comum o estabelecimento de parcerias com fornecedores de periféricos com o objetivo de oferecer pacotes de equipamentos completos para determinadas operações. “Com a compra da Battenfeld pela Wittmann, nos tornamos a primeira companhia no mundo a oferecer soluções totalmente integradas para a indústria de injeção de plásticos”, exalta Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Battenfeld do Brasil.

Nos pacotes, são oferecidos, além das injetoras, robôs, secadores, alimentadores e todos os demais periféricos necessários para um projeto. De acordo com Cardenal, essa é uma vantagem importante para os  clientes. “Eles não vão mais se preocupar em adaptar dimensões ou projetar as interfaces entre os equipamentos”, explica. Fruto da união entre as duas empresas, também está previsto o lançamento de pacotes fechados de injeção voltados para operações especiais. O primeiro nicho a ser explorado deve ser o dos equipamentos para injeção in mold label, que permite a confecção nas injetoras de embalagens já com rótulos. “Nossos clientes podem esperar por novidades”, promete.

Plástico Moderno, Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Battenfeld do Brasil, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado
Cardenal: vendas 10% superiores em 2008

Enquanto os lançamentos são preparados na Europa, no Brasil as vendas vão muito bem. “O mercado está muito aquecido. No ano passado, vendemos mais de cem máquinas. Esse ano está até difícil fazer uma previsão, mas hoje nossas vendas estão 10% superiores às do mesmo período no ano passado”, comenta Cardenal. A empresa concentra sua atuação no segmento técnico e conta, entre seus principais clientes, com a indústria de autopeças e a eletroeletrônica. Com o aperfeiçoamento tecnológico realizado na linha TM, a empresa quer participar de forma mais concreta do mercado de máquinas voltadas para operações de ciclos rápidos. “A linha acaba de ganhar um pacote de profissionais”, informa.

O carro-chefe da empresa no Brasil é a linha HM, que oferece máquinas com força de fechamento de 40 a 650 toneladas. “A linha é formada por máquinas com fechamento hidráulico central, não há contato entre a placa móvel e o tirante. Dessa forma, a máquina fica mais precisa e mais limpa, uma vez que o movimento das placas não precisa de lubrificação”, diz.

Um diferencial de todas as máquinas da empresa destacada pelo técnico é o comando B6, com tela touch screen e tecnologia compatível com o Windows XP. “Uma outra característica nossa é a total assistência técnica que oferecemos aos clientes. Temos uma equipe que recebe constantes treinamentos na Europa e contamos com um completo estoque de peças no Brasil”, garante.

Gaúchas – Duas fabricantes de injetoras localizadas na cidade de Novo Hamburgo-RS, Himaco e Jasot, se encontram entre as principais empresas nacionais do setor e comemoram um bom momento. A Himaco está com as vendas bem aquecidas. “Está tudo muito corrido, estamos vendendo bem acima da expectativa”, ressalta o gerente-comercial, Cristian Heinen. Ele não fala em números, mas garante que as metas da empresa estão sendo cumpridas com determinada folga. O modelo da Himaco mais procurado pelos clientes é o Átis 1500, com força de fechamento de 150 toneladas, apresentado ao mercado durante a Brasilplast 2007.

Plástico Moderno, Cristian Heinen, gerente-comercial, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado
Heinen: nacionais são confiáveis

Para Heinen, as máquinas chinesas continuam a incomodar os fabricantes nacionais. Ele acredita, no entanto, que já houve momentos piores. “As empresas brasileiras se reorganizaram, investiram na melhoria da produtividade, conseguiram ficar mais competitivas”, avalia. Além disso, acredita que a qualidade dos produtos made in Brazil supera a das asiáticas. “O tratamento dado por aqui aos canhões de roscas e às colunas oferece aos compradores uma garantia de durabilidade muito maior”, afirma. Nem mesmo a desvalorização do dólar, que favorece os importados, altera o seu otimismo. “As chinesas não têm a mesma confiabilidade, os transformadores que compraram máquinas de lá há algum tempo estão caindo fora”, dispara.

Cleber Scherer, diretor-comercial da Jasot, também de Novo Hamburgo-RS, se mostra mais incomodado com a concorrência chinesa. “O mercado está aquecido, as vendas, nem tanto, por causa da concorrência chinesa”, diz. A empresa espera comercializar este ano cerca de 250 máquinas, número próximo ao alcançado em 2007.

Plástico Moderno, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado
Scherer: mercado bem concorrido

De acordo com Scherer, os modelos da empresa mais competitivos são os das máquinas intermediárias, com forças de fechamento na faixa das 180 toneladas. Ele ressalta o avanço do sistema de automação destas máquinas, com o lançamento de um novo controlador lógico programável (CLP) fabricado pela italiana Gefran. “Ele tem saída USB, apresenta gráficos em tempo real e permite visualizar todos os parâmetros em uma mesma tela”, informa. Outra novidade no campo foi apresentada na Feira da Mecânica, o comando IHM com sistema touch screen de 15 polegadas, totalmente operado dentro do ambiente Windows XP.

O executivo da Jasot também não poupa os modelos que vêm da China a preços fora da realidade. “Existem algumas ofertas mirabolantes, totalmente fora do cenário mundial da indústria”, critica. Para ele, hoje, quem tiver um pouco de capital importa qualquer tipo de máquina e sai por aí revendendo no mercado interno, sem nenhuma estrutura de suporte pós-venda. “Os aventureiros de plantão seguem atuando enquanto o vento está favorável. Quem fabrica máquinas sabe o tamanho da responsabilidade que é manter o cliente ao seu lado”, resume.

Assistência em casa – As máquinas chinesas são sempre criticadas pelos fabricantes nacionais por não prestarem assistência técnica de qualidade aos seus clientes. No entanto, pelo preço que apresentam, elas continuam sendo muito procuradas. Para tentar unir o útil ao agradável, algumas empresas brasileiras com estrutura fabril fecharam acordos com fabricantes do país de Mao Tsé-tung. Dessa forma, procuram aliar as vantagens dos preços asiáticos com operações de pós-venda eficientes.

Uma dessas empresas é bastante conhecida pela indústria do plástico. Trata-se da Pavan Zanetti, líder nacional na fabricação de máquinas de sopro. Embora não seja o seu foco principal, fabricar injetoras não é nenhuma novidade para a empresa. Ela já exerce a prática há anos e, hoje em dia, conta com dois modelos em sua linha: NFN 150 P e Unijet 250 V. Os segmentos para os quais essas máquinas são dirigidas, no entanto, são muito competitivos.

Plástico Moderno, Newton Zanetti, diretor-comercial, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado
Zanetti: chinesas têm preços imbatíveis

Para continuar a participar desse nicho, a empresa fez uma parceria com a chinesa Tederic Machinery. Pelo acordo, as máquinas trazidas ao mercado nacional são produzidas com características definidas pela engenharia da Pavan Zanetti e mescladas com a tecnologia do fabricante chinês. “Impossível competir em preços com as máquinas chinesas. Os preços são imbatíveis, não se consegue chegar perto mesmo aumentando a escala de produção”, justifica o diretor-comercial, Newton Zanetti. Para ele, como a empresa nacional é respeitada em nosso mercado, para o comprador serve como aval em termos de prestação de serviços de assistência técnica de qualidade.

O dirigente informa que o ano está bom. “Há uma boa movimentação na comercialização de injetoras, embora até agora haja tendência de pequena queda em relação às vendas do ano passado. Atingimos a nossa meta inicial com a estratégia, que era a de voltar a comercializar o mesmo número de máquinas que vendíamos no início dos anos 90”, declara. As perspectivas para o segundo semestre são otimistas o suficiente para reverter a redução verificada nos primeiros meses do ano. “Acredito ser possível um crescimento em relação a 2007 em torno de 5%”, analisa. Ele ressalta que, embora o mercado esteja comprador, a concorrência tem sido enorme. “Há uma disputa acirrada entre as marcas européias, brasileiras e chinesas, além de outras asiáticas. Estão no mercado em torno de 35 empresas”, justifica.

Os modelos mais procurados entre os oferecidos pela Pavan Zanetti são os da série TRX, em especial os com força de fechamento na faixa entre 100 e 320 toneladas. Essas máquinas atendem a uma grande variedade de mercados, incluindo os de tampas, brinquedos, peças técnicas, utilidades domésticas e pré-formas de PET. “Este ano incorporamos nas máquinas de médio porte um comando com maior interface, que permite melhor interação homem/máquina. Toda a comunicação é feita  em português”, informa.

Plástico Moderno, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado
Anthis garante assistência aos clientes

A Anthis Metalúrgica, empresa no mercado há quatro anos, especializada em serviços de usinagem, há um ano diversificou seus serviços e passou a revender injetoras chinesas para plásticos no mercado nacional. São as máquinas produzidas pela Zhejiang Sound ou, para facilitar as coisas, as Sound Machines. “Descobrimos essa empresa ao realizar uma segunda viagem para a China”, diz Onofre Moscatelli, diretor-administrativo da Anthis. Para ele, o grande diferencial do importador se encontra nos serviços de assistência técnica. “Temos uma equipe especializada e vários equipamentos de usinagem.

Podemos fabricar rapidamente peças para as injetoras que eventualmente não temos em estoque”, assegura.

Ao todo, são oferecidas três séries das Sound Machines. “Somente a linha básica conta com 24 modelos de diferentes tonelagens”, explica. A diversidade contempla vários mercados. “Temos máquinas para transformar várias matérias-primas, até mesmo pré-formas de PET, para fabricar peças bicolores e outras. A linha é bem completa”, garante. A perspectiva inicial do negócio é otimista. “Estimamos vender de cinco a seis máquinas por mês este ano.” Os modelos mais procurados são os que se encontram entre 160 e 280 toneladas de força de fechamento.

[toggle_simple title=”Cresce a procura pelas máquinas elétricas” width=”Width of toggle box”]

No nicho de máquinas sofisticadas, as injetoras elétricas começam a ganhar participação no mercado. Com o diferencial de economizar energia, serem mais limpas por não usarem óleo, e mais rápidas e precisas, essas injetoras vêm chamando a atenção dos transformadores nacionais. Também ajuda muito o fato de os preços desses equipamentos estarem mais competitivos. Por um lado, a crescente procura de máquinas elétricas em todo o mundo tem reduzido o custo de produção. Como a maioria das máquinas do gênero comercializadas no Brasil é importada, o dólar desvalorizado é outro motivo de economia.

Plástico Moderno, Hercules Piazzo, gerente-comercial, Injetoras - As vendas internas aquecidas e aquisições de marcas internacionais de renome agitam o mercado
Piazzo: dez elétricas para cada hidráulica

Uma das empresas que detectou a tendência foi a norte-americana Milacron. Pioneira na fabricação de injetoras elétricas, seu primeiro modelo foi lançado em 1984, há três anos, a Milacron firmou uma joint venture tecnológica com a japonesa Fanuc, o que resultou no lançamento do modelo Roboshot S2000 iB, bastante procurado pelos clientes da empresa. “Hoje, para cada máquina hidráulica que vendemos no Brasil, vendemos dez elétricas. Há sete ou oito anos, essa proporção era inversa”, revela Hercules Piazzo, gerente-comercial da empresa no Brasil.

De acordo com o executivo, os argumentos de venda são muito convincentes. “A energia utilizada por uma máquina hidráulica é similar à de quatro elétricas do mesmo porte”, revela. Outros recursos, como o controle preciso da pressão de injeção e nas operações de abertura, fechamento e extração de peças, garantem a repetibilidade dos ciclos em níveis rigorosos. “A precisão no peso da peça injetada chega à casa dos milésimos de gramas. Nas hidráulicas, conseguimos décimos de gramas”, diz. O mesmo raciocínio vale nas questões dimensionais. “A precisão chega a um centésimo de milímetro”, garante.

Piazzo também destaca a queda dos preços dessas injetoras. “Eles estão muito competitivos em relação ao das hidráulicas”, afirma. O executivo não tem do que se queixar do atual momento vivido pela empresa por aqui. “Em 2007, tivemos o nosso melhor ano no Brasil, vendemos 64 máquinas. Este ano, a tendência é de melhorar o nosso desempenho, devemos ultrapassar as setenta”, revela.

Quem também constata o aumento na procura por máquinas elétricas é Christoph Rieker, gerente-geral do escritório da Sumitomo/Demag no Brasil. “Hoje, 30% das cotações que fazemos são para a venda de máquinas elétricas. Esse número era muito menor há alguns anos”, revela. O gerente utiliza explicações muito parecidas para justificar o fenômeno. “As máquinas elétricas consomem até 40% a menos de energia elétrica e contam com maior precisão de ciclos”, garante.

Para Rieker, a tendência deve ser irreversível e vai colaborar com a estratégia de vendas da multinacional nos próximos anos. Um dos fatores do otimismo se encontra no fato de todas as máquinas japonesas da Sumitomo serem elétricas. “Acredito que a Sumitomo vai entrar com muita força no mercado brasileiro”, diz. A Demag também conta com a linha de máquinas do gênero, a série IntElect. A idéia da empresa é tornar esses modelos mais competitivos nos próximos meses. “Todos os motores a partir de agora vão ser fabricados no Japão, com redução de custos de fabricação”, informa o gerente.

A opinião sobre os benefícios proporcionados pelas máquinas elétricas, no entanto, não é unânime. Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Battenfeld, é um dos que vê essa tendência com certa desconfiança. Ele rebate o argumento da máquina ser mais econômica. “Eu questiono a relação custo/benefício”, diz. Em relação ao desempenho, ele levanta outro aspecto. “Os transformadores poucas vezes necessitam de máquinas com precisão tão grande.” Em tempo: a Battenfeld tem uma linha de máquinas elétricas em sua carteira de produtos, a EM.

[/toggle_simple]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios